terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2009 SEM FOME?

JÁ PENSASTE NOS TEUS DESEJOS PARA O NOVO ANO?

ELES TAMBÉM!!!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um Feliz 2009 !




Receita de Ano Novo


Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

NATAL
Na Tal Luz


Esse Natal de há dois mil anos etc. e tal,
só esse afinal foi o verdadeiro.
Não tanto talvez por ter sido o primeiro,
mas porque nessa noite é que num vulgar palheiro,
nascia um menino muito especial.

Só nesse Natal a noite foi tão fria.
Só nesse caía, densa, tanta neve.
Só nesse se ouvia um choro, ao de leve,
do menino com frio, num vagido breve,
enquanto sua jovem mãe em faixas o envolvia.

Só nesse Natal brilhou a grande estrela.
Quase se diria que era claro dia.
No Céu, brilhante, o astro que fulgia.
Na Terra, o branco manto que, suave, o reflectia.
Só nesse Natal a noite foi tão bela.

Só esse Natal foi mesmo de Jesus.
Depois, inventaram-se umas complicações,
muitas fitas, luzes, pinheiros e faisões,
enquanto mais meninos pobres nascem e, aos baldões,
todos os dias carregam uma cruz.

Afinal,
só acredito nesse Natal
de há dois mil anos etc. e tal.
Nestes "Natais" de agora, vendidos por catálogo,
e a pagar em suaves prestações,
nestes "Natais" de agora, não brancos, mas vermelhos
do sangue no asfalto aos borbotões...
Como é que pode estar Jesus nos corações?
Como é que pode ficar mais leve a nossa cruz?

Será que ainda voltará a haver Natais como aquele primeiro
Natal, sentido, vivido, brilhando Na Tal Luz?

Aspásia 04


domingo, 14 de dezembro de 2008

Margarida, minha Irmã
(Republicação)



Maria Margarida Fernandes de Carvalho Nascimento

(7 de Fevereiro 1947 - 14 de Dezembro 1972)

- Retrato a Óleo (póstumo)




Jogando à bola com o Pai - 1956


Irmã,faz hoje 36 anos que partiste.

Infelizmente partiste muito cedo, tão cedo que ainda quase não nos conhecíamos… eu entrava em pleno na adolescência e tu eras 10 anos mais velha, e embora vivesses aqui no prédio com a tua Avó, pouco convivíamos a não ser ao fim de semana ao almoço, ou quando eu passava lá por baixo pelo quarto independente da D.ª Emília, mas poucas vezes estavas. A Faculdade de Direito tomava-te quase todo o tempo e a nossa diferença de idades era bastante significativa no nosso escalão etário.

Além disso, tinhas as tuas amigas, a Juss, já desde o Liceu, a cuja quinta ias andar a cavalo e que se formou em Direito no mesmo ano que tu – 1969 - e a brasileira Lúcia, que tinha vindo para Portugal e tinha dois anos menos que tu, conheceram-se no voleibol… a Lúcia, tão acarinhada por ti e pela Avó Maria, quando veio estudar Medicina para Portugal. A Lúcia, que nem sempre tinha muito dinheiro e almoçava muitas vezes contigo e a Avó. A Lúcia, que te convidou para ires ao Brasil, à casa dela no Rio Grande do Sul, no Natal de 1972. A Lúcia… que colocou o que restou de ti depois do acidente no jazigo da família dela, na cidade de Bento Gonçalves. A Lúcia… seria preferível não teres conhecido a Lúcia de Souza???

Foi longa aquela noite de 14 de Dezembro de 1972.

O telefone tocou pelas 10 da noite. Tu tinhas partido com a Jusse e a Lúcia para o Brasil no dia 7 ou 8… já tínhamos recebido dois ou três postais teus… e depois dessa noite ainda recebemos mais um ou dois… o Correio era lento do Brasil para cá… nunca aqui em casa se tinham recebido postais de uma morta, até então. Claro que os tenho todos guardados, e recentemente encontrei outros mais.
O nosso Pai atendeu. Pela cara e de onde vinha o telefonema… eu percebi logo que algo grave, muito grave se tinha passado.
“Um acidente. Um camião em sentido contrário... A sua filha ia a conduzir. Com as amigas Jusse e Lúcia e o pai iam todos no carro deste último… O camião perdeu a mão, ou pareceu vir contra o carro… A sua filha tentou desviar-se. O carro despistou-se: A sua filha foi projectada pelo vidro da frente. Foram todos levados ao hospital. A sua filha faleceu. As amigas e o pai da Lúcia, feridos, mas vivos… Quer trasladar a sua filha para Portugal?”
Eu e a minha Mãe estávamos já em prantos. O nosso Pai, lívido, mas nem uma lágrima. “Para que quero eu aqui uma filha morta? Fica aí convosco que fica bem… Antes quero dar esses 400 contos à minha filha viva – eu – do que a uma filha morta que já de mais nada precisa.”

Desligou o telefone. Eu estava num choro que só dois dias depois é que foi passando.



Maria dos Santos, a Avó Maria, perdeu o marido, a filha mais velha Felismina de 20 anos, a filha Albertina de 25 e o filho Jaime (pai de Jaime Fernandes, locutor de rádio), todos levados pela tuberculose. E finalmente sua neta Margarida de 25 anos, minha meia-irmã, num acidente de viação no Brasil.



E agora? Como dizer a uma Avó-Mãe, que já perdera o marido, o filho e as duas filhas, todos levados pela tuberculose… e que só via a neta desde que ficou órfã com um ano de idade… que a neta de 25 anos acaba de morrer no Brasil?



No Casamento dos meus Pais (de laçarote) - Agosto 1956



Lá fomos em féretro a casa da Dona Emília. Os rapazes estavam também, o Adrião, o e o Paulo. (Ah, a propósito, irmã. O Zé já se foi, fez um ano em Dezembro, com 50 anos… Foram muitos anos de droga… o irmão dele, o Adrião, andou ali a tirar os velhos móveis e candeeiros do 1º andar. Eu e o Pai vínhamos a entrar e lá lhe demos os sentimentos. O Adrião, mais novo que tu uns 6 anos, tem quatro filhos e já é avô, calcula… O Paulo teve uma doença grave, mas está controlado. A minha Mãe também já se foi em Abril de 2002. A Mãe deles, D.ª Emília, que também foi tua segunda mãe, foi logo a seguir, em Maio desse ano. Felizmente não viveu para assistir à morte do filho Zé.)

Nem me lembro já com que palavras, o meu Pai lá contou à tua Avó o sucedido. Pois ficou como calculas… ou viste daí… Uma vida inteira a criar-te. Era tua Mãe, além de Avó. Maria dos Santos, viúva do marido, “órfã” de 3 filhos, entre os quais a tua Mãe, Albertina, 1ª mulher do nosso Pai. Maria dos Santos, de Vila Nova do Ceira, Monteira, Góis. Maria dos Santos, analfabeta, ex-empregada no Instituto Pasteur, onde lavava frascos de vidro e onde foste criada dentro dos grandes caixotes de cartão que te serviam de parque, irmã. Maria dos Santos, a tua Avó, perdeu por fim a única neta nesse Natal de 1972. Ainda te sobreviveu seis anos e faleceu em 1978. Uma Avó Coragem… eu ia ali muito à casa da frente para onde vocês tinham mudado poucos meses antes de tu faleceres, tratar dos canários e fazer alguma companhia, claro. Fui a neta adoptiva, a única que restou.

Olha… ainda acabei o barco em miniatura que tu deixaste incompleto. Acho que era o “H.M.S. Beagle”, onde Darwin foi na expedição às Galápagos. Os teus livros de Russo agarrei neles e também estudei um bocado. Pelo menos sei o alfabeto e sei ler mas hoje em dia só me lembro aí de umas 20 palavras… nesse tempo sabia muitas mais. A ti é que o Russo te ia fazer falta para quando entrasses no Gabinete da Área de Sines… para mim o Russo foi apenas um desafio e o gosto pelas línguas. Mais um hobby nas férias passadas no Alentejo…

Também tenho comigo muitos versos e desenhos teus, já tinha alguns, mas, finalmente com a entrega do teu pequeno apartamento que se fará ainda este mês, encontrei todos os teus papéis que ali ficaram durante 36 anos, em que a pequena casa foi servindo de biblioteca e armazém, depois do falecimento da Avó.

Dos montes dos teus livros, li os do “Santo” e os do Zane Grey todos. Claro que os da tua infância, os Cinco, a Semana de Aventuras, a Condessa de Ségur e o Emílio, esses já os tinha lido todos, ainda eles estavam na gaveta de baixo da cómoda, no quarto independente, onde eu regularmente me ia abastecer.
De coisas mais antigas que o Pai vai contando às vezes, lá sei que, logo depois de a tua Mãe Albertina ter falecido de tuberculose com cerca de 25 anos, o Pai e a Avó contigo ao colo vinham todos os dias de Mem Martins para Lisboa no combóio de Sintra. Depois, no eléctrico, mesmo depois de fazeres 6 anos continuaste a não pagar bilhete durante mais uns anos, pois todos os revisores conheciam a pequenita Calila, órfã de Mãe, que vinha sempre ao colo da Avó há tantos anos no mesmo eléctrico.


Também encontrei versos de tua Mãe Albertina e tua Tia Felismina, que amorosamente guardavas sem ter conhecido nem uma nem outra. Ambas com grande veia poética, tua Mãe e Tia foram colaboradoras na "Revista Trastagana" de Évora, até falecerem. Eu só soube disso agora que encontrei meia-dúzia dessas revistas, de 1936. A veia poética passou para ti, de tua Mãe e de nosso Pai. Agora, apesar de tão idoso, recuperou a saúde que parecia estar a abandoná-lo o ano passado, felizmente.
Um destes dias começarei a publicar algumas obras tuas, entre desenhos, poemas, prosas por aqui. Não se sonhava, no ano em que faleceste, que a Tecnologia de hoje em dia permitisse uma coisa dessas.

Irmã, terei de escrever mais sobre ti, para que alguns Amigos meus fiquem a conhecer algo da pessoa que já eras e cuja vida e talento, cortados cerce na nefasta senda de tua Mãe e Tios, ainda tanto tinham para dar.

Recebe um beijo de nosso Pai e desta tua irmã

Leonor




Minha Mãe, minha Irmã e eu - 1958


UM SONETO DE MARGARIDA (dedicado a seus padrinhos)

Para a Madrinha e o Padrinho, o Fernando Manuel, a Dadi, o “tio” Hermínio.


Se sinto tanto afecto, só de olhá-los,
É pena desigual deixar de vê-los;
Se presumo, com obras, merecê-los,
Má paga deste engano é chateá-los.

Se me vêm saudades, ao lembrá-los,
É por ter aprendido a conhecê-los;
Se mais me quero a mim, por bem querê-los,
Mais me aflige a ideia de deixá-los.

Expressões menores são, que o pensamento,
Estas tão pobres rimas, com que tento
Com fraco engenho, dizer forte sentir.

Ainda os não deixei, e, que ironia!
Falta-me já a vossa companhia;
Sobeja-me a tristeza de partir.


Margarida
7/10/71

(Infelizmente, este Soneto de minha Irmã, aos 24 anos, veio a revelar-se premonitório.)


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Agradeço-te muito, querida Gasolina!

A GASOLINA, DA ÁRVORE DAS PALAVRAS, ACHOU POR BEM, ATRIBUIR-ME ESTA DISTINÇÃO. E EU ACHO POR BEM REPRODUZIR AQUI AS PALAVRAS DELA AO OFERECER-MA, POIS MUITO SIGNIFICARAM PARA MIM. MUITO OBRIGADA, AMIGA !



[Palavras da Gasolina]

A uma Jardineira ímpar: ASPÁSIA

No JARDIM de ASPÁSIA podem colher-se flores e pisar-se os canteiros.

Podemos encantar-nos com poesia. Com ciência. Com velhas coisas que se tornam novas à luz do dia. Com viagens por vários Países. Com humor e boa disposição e muito principalmente com o factor surpresa.

Em Dezembro o Jardim de Aspásia. Primavera garantida.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Come Fa Freddo Stanotte
(Como Faz Frio Esta Noite)

Parece que aí há uns tempos andei a prometer uns poemas meus noutras línguas... bem, fui às arcas e encontrei este, já antigo, mas que levou agora ums "puxadelas de brilho"... quem saiba para aí mais ou menos italiano, ou até nenhum, pode opinar! Arrivederci !



Come fa freddo stanotte
Come sento che non stai
Amore son´ cosi sola
Ma spero che arriverai

La raggione se ne va
Lontano in questo sogno
Sei tu o anima cara
Tutto quello ho bisogno.

Già la mia testa ferve
Di tanto pensare a te
Ma nel tuo sogno breve
Magari tu pensi a me…

Come fa freddo stanotte
Freddo anche nel mio cuor´.
E queste parole vuote
parlano piene d´amor´.

Aspásia 2006, alterado 2008

TRADUÇÃO


Como faz frio esta noite
Como sinto que não estás
Amor estou tão sozinha
Mas espero que chegarás.

A razão vai para longe,
Deste sonho ela se afasta.
Tu és ó alma querida
Tudo quanto a mim me basta.

A minha cabeça ferve
de tanto pensar em ti.
Mas nesse teu sonho breve
talvez tu penses em mim.

Como esta noite está fria
e frio no meu coração
e estas palavras vazias
falam cheias de paixão.


domingo, 30 de novembro de 2008

PRÉMIO MasterBlog


AGRADEÇO À ESCRIBA ESPERANÇA DO "SOMA DE LETRAS", ESTA OFERTA!
ACEITO O PRÉMIO EM MEMÓRIA DE QUANDO ESTE BLOG ESTAVA MAIS "NO ACTIVO"... POIS ACTUALMENTE ESTÁ "EM POUSIO" !
TODOS QUE PASSAREM PODEM LEVAR O SELO, CASO O DESEJEM.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

PRÉMIO DARDOS



APESAR DE ULTIMAMENTE ANDAR ALGO ARREDADA DESTE MUNDO BLOGOSFÉRICO, RECEBI RECENTEMENTE ESTE PRÉMIO DO VÍTOR DA OFICINA DAS IDEIAS E DA GASOLINA DA ÁRVORE DAS PALAVRAS. MUITO OBRIGADA, AMIGOS!

QUEM AQUI COSTUMA PASSAR, E O DESEJAR, PODE LEVAR À VONTADE! NÃO VOU DARDEJAR, POIS TODOS OS QUE ME VISITAM, SÃO MERECEDORES.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Foi assim que ela aprendeu..."
(um texto de minha Mãe)

No pátio do Valsassina, com uma das suas inúmeras "ninhadas",
que pelas suas aulas passaram ao longo de quase 50 anos...
Amigas/os

Passa hoje mais um aniversário natalício de minha Mãe Carlota, que, se ainda estivesse entre nós, faria 88 anos de idade.
Tendo já, neste dia em 2006, dado algo a conhecer da sua vida e morte e publicado um poema seu – infelizmente ela destruiu a maioria deles – gostaria hoje de convosco partilhar uma pequena história verdadeira, por ela escrita quando ainda leccionava no Colégio Valsassina, pelos anos 70 ou 80 do século passado.
Minha Mãe leccionou nesse mesmo Colégio como professora efectiva da então “4ª classe”, desde 1952 a 1987, com um intervalo de 3 anos devido ao meu nascimento, em 1957. Mas já desde 1940 percorrera várias escolas, ensinando em pequenas aldeias alentejanas.
O pequeno relato refere-se às suas primeiras “lições” dadas, ainda com 14 anos - pois só completaria 15 em Novembro - a uma pequenita de Estremoz, terra de onde ambas eram naturais.




FOI ASSIM QUE ELA APRENDEU...

Era uma criança pequenina para os seus seis anos, ainda incompletos.
Olhos pretos, muito vivos, faces sempre rosadas, aventalinho de chita rematando com lacinhos nos ombros eram as notas mais flagrantes para quem a observasse.
Ela estava ali todas as manhãs daquele mês de Setembro, manhãs quase sempre frias e enevoadas, a prometerem um Outono pouco ameno.
Trazia a saquinha de linhagem grosseira, sarapintada de cores garridas. Dentro dela vinha a “Cartilha Maternal” e uma pequena ardósia com lápis do mesmo, pendurado por um fio preso à moldura de madeira que a enquadrava - para não se perder...
Quando chegava sentava-se na sua cadeirinha que arrumava com grande cuidado antes de ir para casa.
Depois ficava a esperar, ansiosa, que eu lhe desse lição e “passasse a escrita” como ela lhe chamava.
Vinha ali para aprender as “primeiras letras” conforme o pai me pedira, “pagando o que fosse preciso” - insistia ele -, porque o seu maior desejo era que a filha, quando entrasse para a Escola, “não fosse sem saber nada...”
Apesar dos meus catorze anos e de não me sentir ainda à altura de tão importante tarefa, acabei por aceder ao pedido daquele pai tão preocupado e foi assim que tive a minha primeira aluna...
Lá por meados de Outubro, quando ela foi para a Escola, já quase sabia ler e, com grande presunção, escrevia na sua pequena ardósia as tais “primeiras letras”, como seu pai tanto desejava.

... Era assim, naquele tempo...

... Setembro de 1935...



Carlota/

(escrito nos anos 80)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

HAIKAI



Dedicado à Gasolina.

Uma Árvore que visito

em todas as estações!



(Imagem da Net)




Autumn Leaves - Edith Piaf

terça-feira, 28 de outubro de 2008

LEVAR A CARTA
À BRUXA

Nos tempos em que trabalhei na PT (Telepac), e como à altura ainda esta se encontrava ligada aos CTT, recebíamos no departamento, entre outras publicações, o "Jornal dos Correios", onde por vezes numa página de "Tempos Livres" apareciam notícias como a que hoje aqui trago... e que, dada a minha já conhecida propensão arquivadora para todo o tipo de curiosidades em geral e humorísticas em particular, não escapavam à fotocópia ou à tesoura, numa altura em que ainda não se podia guardar tudo no PC...

(clique para ampliar)

Reprodução do texto:

LEVAR A CARTA À BRUXA

A história dos Correios é fértil em pequenas histórias como a que nos conta o nosso amigo Artur Costa, de Viana do Castelo. Leia-se esta, que é saborosa:

Na manhã de 14 de Dezembro, o Centro de Distribuição Postal de Ponte de Lima entrou em reboliço. Acabara de chegar um «registo» de França, com endereço enigmático, que tinha de ser entregue ao destinatário.
A carta vinha dirigida: «D. Maria espeçalisada en travalhos en cubertos sabiá lugar de Frestelas concelho de Ponte de Lima». Ora, Marias há muitas, mesmo na pacato freguesia de Friastelas. Mas, em trabalhos às escondidas e sábia, era só uma: a «bruxa» de Friastelas, especializada na cura de maleitas do corpo e da alma. Estava decifrado o enigmático endereço. A carta, era de facto para a senhora que, a coberto de crendices, «resolvia» muitas situações, vindas até do outro mundo. E tem fama de sábia, nestas habilidades que pratica, segundo diz, «por’mor de Deus».
Sem dúvida que passado o primeiro impacto de endereço tão esquisito, houve um certo alívio pela descoberta. O expedidor, certamente, recordou-se que, em Portugal, os Correios ainda se preocupam no descoberta das charadas e na boa intenção de cumprir a missão de levar a carta a Garcia... ou mesmo à «bruxa encoberta».

(in Jornal dos Correios, 1989)


A Dona Maria em acção!...

Agora digo eu: hoje em dia já a Dona Maria não corre o risco de não receber a correspondência pois já tem o seguinte e-mail:

DONAMARIASABIÁESPEÇALIZADAENTRAVALHOSENCUBERTOS@FRESTELAS.PÊTÊ

para onde poderão enviar os vossos pedidos de benzeduras, maus-olhados, magias brancas, pretas, cinzentas ou mesmo às riscas!!!


Which Witch is Which?

sábado, 18 de outubro de 2008

Caminhando...



Caminhando pela Vida,
procurando ir mais além,
numa busca, numa lida,
vamos todos, mal ou bem.

Por vezes há desenganos
e há pedras no caminho...
Com o avançar dos anos,
vamos mais devagarinho.

Todos buscamos um Bem
chamado Felicidade
e nem sempre ele nos vem...

Mas diga-se, em verdade,
apesar disso, há alguém
que não sonhe a Eternidade?

Leonor 94

terça-feira, 14 de outubro de 2008

APANHADA PELA PAPARAZZA ELVIRA,
TORNEI-ME UMA VEDETA MUNDIAL...








À AMIGA ELVIRA CARVALHO, QUE, COM O MAIOR CARINHO, "DIVULGOU A MINHA FOTO DE ANIVERSÁRIO AOS MEDIA, MUSEUS E INSTITUIÇÕES DE TODO O MUNDO", AGRADEÇO TER-ME TORNADO NUMA VEDETA INTERNACIONAL! ASSIM, USEI AS FOTOS POR ELA TIRADAS PELO MUNDO, PARA REALIZAR ESTE SLIDESHOW.

MUITA SAÚDE E BOA DISPOSIÇÃO, PARA SI, ELVIRA, EXTENSIVA AOS NOSSOS AMIGOS DE "GRUPO" SOPHIAMAR, ANA MARTA E JORGE P.G., ASSIM COMO TODOS OS MEUS RESTANTES AMIGOS NA BLOGOSFERA OU FORA DELA.
EM ESPECIAL, AQUI DEIXO UM GRANDE BEIJO PARA A NOSSA QUERIDA TERESA DAVID, CUJO ESTADO DE SAÚDE, INFELIZMENTE, NÃO LHE PERMITE AINDA ESTAR AQUI CONNOSCO.

QUE BRINCADEIRAS COMO ESTA QUE A ELVIRA ME (NOS) PROPORCIONOU, CONTINUEM A AMENIZAR COM AMIZADE OS NOSSOS DIAS, ÀS VEZES NEM SEMPRE MUITO "ENSOLARADOS"!

domingo, 12 de outubro de 2008

50+1

Sirvam-se, antes que esgote!!!
(foto da versão original:)

NÃO SEI QUE É ISTO, QUE O TEMPO
POR NÓS CORRE A BOM CORRER,
OU O NOSSO PASSO É LENTO
DEMAIS, P´RÓ TEMPO VENCER?

SE UMA HORA FOSSE UM DIA,
E UM DIA UMA SEMANA,
NÃO ANDAVA EM CORRERIA
E IA MAIS CEDO P´RÁ CAMA!

SOU CAÇADORA DE TEMPO
MAS TENHO MÁ PONTARIA,
PENSO GASTAR UM MOMENTO,
MAS MAIS RÁPIDO QUE O VENTO,
VEJO FUGIR, LESTO, O DIA!

SE AS HORAS FOSSEM DOBRADAS,
E SE EU TIVESSE OITO BRAÇOS,
TINHA AS ARCAS ARRUMADAS,
COMPUNHA ODES E BALADAS,
IA MAIS AOS VOSSOS ESPAÇOS!

ASSIM, UM ANO VOOU,
A CORRER DESENFREADO,
O CRONOS ME ULTRAPASSOU,
UM ANO MAIS VELHA ESTOU,
E O PRESENTE JÁ É PASSADO!

NESTA NOITE DE LUAR
PASSA A HORA, O DIA E O ANO.
EU QUERIA ERA BRINCAR,
MAS A IDADE A AVANÇAR,
ROUBOU-ME TAL LEDO ENGANO!


MAIS UM P´RÁ CONTA CORRENTE,
OUTRA ONDA NO MEU MAR...
RESTA-ME SEGUIR EM FRENTE,
SE NÃO ME SENTIR DOENTE,
SE A FAMÍLIA VIR CONTENTE,
JÁ NÃO ME POSSO QUEIXAR!


51 ANOS



"Ornamentada" com as flores oferecidas pelo Pai,

deixo beijinhos para todos AMIGOS E AMIGAS,

esperando para o ano que vem,

poder servir o bolo a horas mais decentes!


terça-feira, 7 de outubro de 2008

YOUKALI

Desculpem não ser muito original... mas adoro este "Tango-Habanera" e apeteceu-me traduzir o poema, tentando rimar em Português, o que é um desafio, mas a tradução tem de ter algo... de traição, claro! Além disso, nesta bela interpretação, Ute Lemper não seguiu à risca a letra original...


É quase no fim do mundo,
meu barco vagabundo
errando ao sabor das ondas
levou-me lá um dia...
A ilha é pequenina
mas a fada que a habita
gentilmente nos convida
a irmos em visita!

Youkali, é o país dos nossos desejos
Youkali é a felicidade, é o prazer...
Youkali é a terra onde esquecemos os nossos cuidados...
é, na nossa noite, como o alvorecer,
a estrela que seguimos é Youkali!

Youkali é o respeito pelos votos trocados,
Youkali é o país dos amores partilhados,
é a esperança nos corações humanos,
a libertação, que amanhã esperamos!

Youkali, é o país dos nossos desejos
Youkali é a felicidade, é o prazer...
Mas é um sonho, uma loucura,
pois Youkali, não existe nenhuma!

E a vida prossegue,
estafante, quotidiana,
mas a pobre alma humana,
procurando o olvido,
tem, p´ra deixar a terra,
de encontrar o mistério
onde os sonhos residem
em alguma Youkali...

Youkali, é o país dos nossos desejos
Youkali é a felicidade, é o prazer...
Youkali é a terra onde esquecemos os nossos cuidados...
é, na nossa noite, como o alvorecer,
a estrela que seguimos é Youkali!

Youkali é o respeito pelos votos trocados,
Youkali é o país dos amores partilhados,
é a esperança nos corações humanos,
a libertação, que amanhã esperamos!

Youkali, é o país dos nossos desejos
Youkali é a felicidade, é o prazer...
Mas é um sonho, uma loucura,
pois Youkali, não existe nenhuma!...

Tradução adaptada do Francês
Aspásia 08


Youkali
Roger Fernay / Kurt Weill
Int.: Ute Lemper

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Uma Chama para Flávia

Blogagem Colectiva para Flávia em 9/Set/2008


SE POSSA REACENDER
A CHAMA QUE FOI PERDIDA
NÃO POSSA FLÁVIA MORRER
SEM TER CONHECIDO A VIDA.


FLÁVIA, POR TEU MAL PERDESTE
A CHAMA DO TEU VIVER.
MAS QUE TEU FOGO CELESTE
SE POSSA REACENDER.

NUM DIA DE INFELICIDADE
FOSTE TRAGADA E CUSPIDA.
QUE ENCONTRES NA TEMPESTADE
A CHAMA QUE FOI PERDIDA!

MUITA GENTE TE QUER BEM
POR ISSO HOJE VAI ESCREVER.
GRITEMOS COM TUA MÃE:
- NÃO POSSA FLÁVIA MORRER!

MEU VOTO, DEIXO, PROFUNDO:
- NUNCA TE DÊS POR VENCIDA!
NÃO PARTIRÁS DESTE MUNDO
SEM TER CONHECIDO A VIDA!

Aspásia 2008


Nocturne in C# minor - Fréderic Chopin

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

JUANITA CUENCA
visitou Lisboa em 1951


Johnny Guitar
Juanita Cuenca

(Transferi o meu PPS para vídeo e coloquei no Youtube. Eis o resultado...)

sábado, 16 de agosto de 2008

Eclipse da Lua

Foto tirada do terraço do prédio
pelas 21h30m



Brilhas todas as semanas,
eu no Céu bem te conheço.
Mas quando és falsa e enganas,
eu, como tu, escureço.

Pão, amores e cabanas
já pedi, mas já não peço.
Com a verdade me enganas,
com a mentira te esclareço.


Aspásia


terça-feira, 8 de julho de 2008

Ode à EXPO 98

O GIL O Gil

Foi há 10 anos... a EXPO 98, por esta altura, era o centro das atenções de Lisboa e do Mundo.
À época, eu ainda estava integrada na Portugal Telecom, onde foi organizado um concurso interno cujo tema era precisamente a Expo 98, em várias modalidades: Prosa, Poesia, Desenho, Artes Plásticas...
Concorri então com o poema que se segue - com alguma colaboração de meu Pai - e o qual obteve o 1º prémio em Poesia, que materialmente constava de um passe trimestral para a Expo e um Bipper (aquele aparelhinho onde ficava registado o telefone de quem nos bipava, para depois nós ligarmos de volta, lembram-se?)
Infelizmente não pude então gozar o passe mais do que uns dez dias, devido ao estado de saúde de minha Mãe, à altura.
Ainda assim, deu para visitar muita coisa... e, além das muitas fotos que tirei, também ficou como recordação do evento, o poema que hoje convosco compartilho, e que foi assinado com o pseudónimo “Gaivota”.


VELEIRO
ODE à EXPO 98

Lá p´ràs bandas do Oriente
desta Lisboa formosa,
foi trabalhar muita gente
empenhada e diligente,
em construção grandiosa.

Viu-se crescer dia a dia,
num ritmo vivo e afoito
- parece obra de magia,
vai ser um Mar de alegria,
a Expo 98!

Ó se pudessem voltar
Camões, o Gama, o Infante!
E com o Gil visitar
a exaltação do Mar
nesta obra de gigante.

Ó Expo, ó Expo,
futuro e passado
reúnes num só;
não ver-te é pecado
e passar-te ao lado
é de meter dó!

Cultura, tecnologia,
te sustentam, de mãos dadas;
fazes lembrar, hoje em dia,
com audácia e harmonia,
a glória de eras passadas.

Mostrarás, em profusão,
animais do mar profundo:
vem do Mar Negro o esturjão,
dos corais, o tubarão,
baleias, de todo o mundo!

Virão, de muitas nações,
gentes de várias culturas;
entre Sol, Mar, emoções,
pensarão, com mil razões,
voltar em férias futuras.

Ó Expo, ó Expo,
Tejo azul à vista!
Lisboa! Ó Cidade!
Deslumbra o turista,
qual tela de artista
em tons de saudade!

"Gaivota"


Leonor e Rui Nascimento
1998

CANÇÃO DO MAR - Instrumental

RÃO KYAO

segunda-feira, 23 de junho de 2008

In Memoriam

In Memoriam

J. C. L.

(1916-2008)

Velho Amigo Setubalense e Padrinho de meus Pais.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

ORGANISTA OFERECE-SE!
(Um texto de humor musical)

(Repescado do blog A Flauta de Pã)



Bolero de Concerto
Lefébure Wély

SOU EX-ORGANISTA DE CABARET, EX-DISCÍPULO DE UM CONDISCÍPULO DE UM EX-CONDISCÍPULO DE ERIK SATIE, EX-VIRADOR DE PÁGINAS DE GEORGE & IRA GERSHWIN (SIMULTANEAMENTE), EX-ALUNO DA 44ª CONSERVATÓRIA ORGANIZATÓRIA, EX-COLEGA A 3 MÃOS DE MONSIEUR LECLERC DO "CAFÉ RENÉ", EX-PRESSIONISTA, EX-PEÃO, EX-CALIBUR, ENFIM, INS- E EX-PIRADO EXECUTANTE (OU SEJA, CARRASCO) DA ARTE ORGANOLÉPTICA, POSSUINDO UM JÁ INVEJÁVEL CURRÍCULO DE EXECUÇÃO DE 397 PERIGOSAS ANAS CRUSAS, PELO MÉTODO DA SUSPENSÃO EM CORDAS DOBRADAS.

ANDO, DEVIDO À MINHA EX-CASSETTEZ DE MEIOS (TONS), PROCURANDO EMPREGO COMPATÍVEL E SUFRAGANDO O VOSSO INSIGNE, AINDA QUE INSIGNIFICANTE ÓBULO, FINANCEIRO OU GENÉRICO ( ACEITO QUALQUER GÉNERO MUSICAL, INCLUINDO A PALINÓDIA, A ANTÍFONA E O CANTO AMBROSIANO ), ISTO POR MÔR DE MANDAR AFINAR O ÓRGÃO, PÔR UM SI BEMOL NOVO, DESENFERRUJAR UM FÁ SUSTENIDO DUPLO, INSTALAR UMA PEDALEIRA AQUECIDA A GÁS, DAR-LHE SOPAPOS NOVOS, MANDAR FAZER POR MEDIDA, EM SAVILLE ROW, UM FOLE DE VELUDO AZUL, CONTRATAR UM FOLEIRO BARATO COM O CURSO SUPERIOR DE FOLE DO CONSERVATÓRIO PARA ENCHER O RESERVATÓRIO, E COMPRAR DEZ PARES DE LUVAS DE LÃ ADIGITALIZADAS (SEM DEDOS) PARA ENSAIAR NO PRÓXIMO INVERNO, POIS COMO PODEM VER NA FOTO ABAIXO, POR FALTA DE ESPAÇO EM CASA PARA O ÓRGÃO, QUE NÃO CABE ASSIM EM QUALQUER LADO, PEDI A UNS AMIGOS CAVERNÍCOLAS PARA O PÔR NA SALA DELES, NA QUAL, COMO DEVEM CALCULAR, SE PASSA UM FRIO DE RACHAR.

Caverna onde efectuo os meus ensaios


BEM HAJAM POIS, MEUS CAROS E ABNEGADOS FUTUROS MECENAS!!!


A BEM DA CANÇÃO,

vosso dedilhado, digo, dedicado,

Maestro Eufónio Sousafone Mordente



Eu no meu último desconserto, despedaçando o último órgão que me restava!!!

NOTAS:


Sopapos - espécie de válvulas acopladas às teclas do órgão.

Foleiro - é o desgraçado que dá - ou dava - ao fole para o órgão tocar...

Anacrusa - ornamento musical, que consiste em começar uma peça musical não no 1º tempo, ou tempo forte do compasso, mas no 2º, 3º ou 4º tempos (tempos meio-fortes ou fracos).

Eufónio - espécie de trompa de som doce.

Sousafone - o maior dos instrumentos de sopro, inventado por John Philip de Sousa.

Mordente - ornamento musical.

(Aspásia 2006, alterado 2008)



segunda-feira, 26 de maio de 2008

Soneto com 57 Substantivos

(Hoje, em republicação, um muito antigo Soneto de meu Pai, à altura com 27 anos.)



LAGE, SEIXO, CALHAU, BRITA, CASCALHO,
PENEDO, ROCHA, PEDRA, PEDREGULHO,
ESTERCO, CINZA, LIXO, LAMA, ENTULHO,
OSSADA, FERRO-VELHO, REBOTALHO.

BARROTE, TÁBUA, TORO, LENHA, GALHO,
CAVACOS, SERRADURA, PÓ, GORGULHO,
DISCÓRDIA, DESCONCERTO, SERRABULHO,
DESORDEM, GUERRA, LUTA, MOTIM, RALHO.

REMORSO, INQUIETAÇÃO, ANSIEDADE,
CRETINOS, INTRUJÕES, INCOMPETENTES,
DESTRÔÇO, MORTE, NADA, ETERNIDADE...

EIS COSMOS, ESTRÊLAS, MUNDOS, CONTINENTES,
PLANÍCIE, SERRA, MAR, CAMPO, CIDADE,
SISTEMAS, GERAÇÕES, COSTUMES, GENTES!




Rui Nascimento

Setúbal, Junho de 1942






Assim Falava Zaratustra - Richard Strauss

segunda-feira, 19 de maio de 2008

É preciso economizar em tudo, até nas Orquestras!





Exemplo de uma orquestra (e)c(on)ómica.
Note-se que até a foto é a preto e branco...





Um engenheiro de processos ou técnico de produtividade assistiu uma vez a um concerto sinfónico no Royal Festival Hall de Londres. Analisando atentamente o funcionamento, elaborou o seguinte relatório sobre os factos que observou, anotando as correspondentes recomendações para o aumento da eficiência:

1. Durante períodos consideravelmente longos, os quatro operadores de oboé nada tiveram que fazer. O número de operadores deve pois ser reduzido e o respectivo trabalho distribuído de forma mais uniforme ao longo do concerto, eliminando assim “pontas” de actividade.

2. Os doze violinos (por acaso não eram os Doze Violoncelos de Berlim…) tocavam notas idênticas. Isto parece constituir uma desnecessária multiplicação de esforços. O pessoal desta secção deve ser drasticamente reduzido. Se, no entanto, for necessária uma quantidade de som equivalente, poderá ser obtida por meio de aparelhagem electrónica.

3. Verificou-se que se faz grande esforço na produção de fusas, o que parece ser uma complicação desnecessária. Recomenda-se, portanto, que todas as notas sejam arredondadas para a mais próxima semicolcheia. Se se fizer isto, poderá, além disso, utilizar-se maior quantidade de aprendizes e operadores de mais baixa graduação profissional e, portanto, de menor salário.

4. Parece haver demasiada repetição de algumas passagens musicais. As partituras deverão, pois, ser drasticamente revistas e expurgadas. Não parece haver utilidade em fazer repetir pelos metais um trecho já executado pelas cordas. Calcula-se que, se todos os trechos redundantes forem eliminados, o tempo total do concerto poderá ser reduzido de duas horas para cerca de vinte minutos. Além disso, não haverá necessidade de um intervalo a meio do concerto.

5. Considera-se, aliás, que um exame mais profundo do problema poderá trazer ainda outros benefícios.
Parece, por exemplo, haver ainda largo campo para aplicação de uma “atitude crítica” a muitos dos métodos de funcionamento uma vez que são, na maior parte dos casos, tradicionais e não foram modificados há vários séculos.

(Texto de autor desconhecido)





Música dos OOM PAPAS, uma "orquestra económica" bem divertida!





OUÇA ESTE POST LIDO EM VOZ ALTA (Primeiro páre a música dos OOM PAPAS)

terça-feira, 13 de maio de 2008

POR BECOS, RUAS E VIELAS...



( Imagens dos álbuns de recortes do meu pai )


Rua de Lisboa

Teresa Salgueiro e Lusitânia Ensemble


sexta-feira, 9 de maio de 2008

DIA DA EUROPA :)

MAPA CÓMICO DA EUROPA 1940


MAPA CÓMICO DA EUROPA


(GUERRA de 1940)



Autor: CARLOS RIBEIRO
Edição da Livraria Barateira
Rua Nova da Trindade, 70, 72, 76 e 78

LISBOA

TELEFONE 2 6755


Pormenor de Portugal e Espanha: o Zé Povinho segura um pau que é ferrado por causa das moscas... e o toureiro espanhol usa a espada do Cid.


RING ZOOLÓGICO INTERNACIONAL 1941

RING ZOOLÓGICO INTERNACIONAL (1941)

Autor: DUARTE ALMEIDA
Edição de Almeida & Sotto Mayor, L.da
Rua de Silva Teles, 31-3º


LISBOA
Tele {fone 4 638
{gramas MAPAS



Documentos digitalizados do:


Arquivo Domiciliário da


TORRE DO POMBO


Conservadora, Directora, Bibliotecária e Espanadora de Pós de Perlimpimpim e Teias de Aranha:



Prof.ª Dr.ª Espanadora


(Doutorada em Espanologia

pela Faculdade de GIZÉ - Egipto)


ASPÁSIA da PENHA da GÁLIA


MCLXX- CCLXIV OLISSIPUM


QUINTUM IMPERIUM DE MUITO EM BAIXUM...





Prelúdio do TE DEUM

Marc-Antoine Charpentier

quarta-feira, 7 de maio de 2008

VELHOS ANÚNCIOS !

À medida que vou escolhendo, ordenando, catalogando, arrumando em dossiers, a vasta papelada de meu Pai, surgem às vezes curiosidades como estas, neste caso provindas de um velho jornal "O Setubalense" que foi guardado por trazer os resultados de uns Jogos Florais a que meu Pai concorrera nesse ano (essa parte dos Jogos Florais já foi publicada em "O Quintal do meu Pai").

Fiquem-se por agora com a estes deliciosos reclames de 1941 !

Leitão assado das Mercês... ofereço à Amigona, à Narnia, à Sophiamar, à Teresa David e ao Jorge Sineiro !

PinGente, olha, a Biciclete Sterling é para ti!!!

Nem tu podias perder essa linha a comer leitão;)...

Gasolina, os Táxis 92 e 31, que pronta e permanentemente atendem toda as presadas chamadas a qualquer hora adiantada da madrugada, precisam muito de ti para não falharem!


A Pah Nã Sei não viu este anúncio

aquando do seu recente casório... que pena!

Ó Pah já viste o que teria sido tu e o teu príncipe no Táxi 31!!!

Arranjavam um ganda 31 tá visto ;)...

A taberna, não estou a ver a quem possa fazer jeito...

Bem, não sei se na Aldeia do Sineiro Jorge, existe taberna;) !!!

Sempre podia pôr os agentes da TUSA a vender umas ginginhas!...

Quanto aos 10 a 20 contos, quem os tenha que empreste a juro baixo que o homenzinho está hipotecado, coitado...



Inscrever-se na THEMIS é um acto de previdência para todos os automobilistas - eu não me inscrevi porque só conduzia burricos, como viram num Post atrás!...



Velha Tendinha

Lusitânia Ensemble

domingo, 4 de maio de 2008

DIA DA MÃE 1967

Deste dia, para mim como para alguns de vós, já só restam recordações... mas claro que as nossas Mães nos acompanharão até ao último dos nossos dias, em que a elas nos reuniremos...
Isto é uma republicação, alguns/umas de vós já viram e comentaram o ano passado, deixei os coments de há um ano atrás...