quinta-feira, 5 de abril de 2007
LUGARES DA MINHA VIDA - I
sábado, 31 de março de 2007
MARIA JOÃO... SÊ!
BE - JONATHAN LIVINGSTON SEAGULL
AMIGA
SÊ FELIZ NA TUA NOVA GRANDE VIAGEM.
DEIXAS MUITOS AMIGOS SAUDOSOS NESTE PEQUENO MUNDO ONDE NOS CONHECEMOS.
PARA MIM NÃO É UM ADEUS. CLARO QUE PARA TI TAMBÉM NÃO.
FICO CONTENTE POR EMPREENDERES NOVO VÔO A DESCOBRIR NOVAS E BELAS PAISAGENS NA TUA VIDA.
REVISITAREI A TUA CASA ONDE DEIXEI MUITAS MEMÓRIAS... MINHA RICA PATROA!!! ;)
APANHAREI AQUI E ALI INSTANTÂNEOS TEUS OU MEUS OU DOS NOSSOS AMIGOS QUE CONSIDERE MAIS SIGNIFICANTES E TRÁ-LOS-EI AQUI À MEMÓRIA DE TODOS.
TAMBÉM TE ESPERO AQUI... SEMPRE QUE TENHAS UM BOCADINHO, DESCANSA UM POUCO AS ASAS NO RAMO DA MINHA ROMÃZEIRA.
BOA VIAGEM E ATÉ SEMPRE.
FICO ESPERANDO O DIA DE TE ABRAÇAR AQUI EM LISBOA.
ALGUMAS LÁGRIMAS EMOCIONADAS...
UM BEIJO ENORME.

terça-feira, 27 de março de 2007
DIA do TEATRO
(e da Francofonia)
(e da Francofonia)
EIS A VÍTIMA...
Minitragicomédia quase musical em 1 Acto e n Quadros (a determinar)
Personagens e Intérpretes
Eu – Eu
Meu Pai – Meu Pai
O Teclado – O Próprio
Um Inoportuno – Anónimo
A Vizinha do 2º E – A Vizinha do 2ºE
Lugar da Acção: Lisboa
Tempo da mesma: Domingo à Tarrrrrrdjiiiiiii……
ACTO ÚNICO
1º (Triste) Quadro
Eu - (chego a casa do meu Pai com o novo Keyboard debaixo do braço para fazermos uns ensaiozitos keyboard-violino).
TRRRRIIIIIIMMMMM!!!!
(CRRRAAAC CRRRAAAC – UUUUIIIIIIMMMMMM (ranger); meu Pai abre a porta).
Eu – Olá Pai, cá estou eu. Espere, ponha-me ali este saco que eu trago aqui outra coisa.
Meu Pai – Mas que diabo é isso ?
Eu - Então, é o teclado que já lá esteve a tocar outro dia quando eu estava pior e foi lá. (Aparte - como o meu Pai sabe música e toca violino que é dificílimo, depois amanha-se nos outros instrumentos, como o piano, a viola, a harmónica (esta bastante bem), a flauta, o berimbau as castanholas e o apito de árbitro, que são os principais que eu tenho em casa. A campainha da porta em geral desligo, para os das Dicas e Clixes não me acordarem se estiver a dormir. Também há um cordofone do Togo ou do Mali, mas esse está à espera de ir afinar ao Capella (filho) a quem meu pai há 2 anos vendeu um violino que tinha, fabricado pelo Capella (Pai). O filho, naturalmente entendeu por bem recuperar para a família Capella uma obra do Pai dele, acho muito bem. Até nem lhe saiu caro, que o meu Pai é tudo menos ganancioso. – Fim do Aparte)
MP- Ó filha tu não és boa da cabeça!!! Então trazes para aqui esse monstro sabendo que nesta casa não há lugar para nada? E ainda por cima estás com esse diabo de tosse…
Eu - Tenha calma, tenha calma… olhe, vá lanchando enquanto eu instalo isto ali na casa de jantar. (Aparte – como não trouxe o pername do teclado, improviso um na casa de jantar, com um carrinho de chá desengonçado e o radiador a óleo encostados. Um tapete em cima, depois o keyboard e já está. Chiça, isto abana tudo mais que uma gelatina, vamos lá ver se consigo tocar… mas ao apoiar-me numa prancha de madeira que está presa a uma estante pelo peso de um monitor dos tempos de Max Planck, e a qual por sua vez sustenta o teclado (de PC) do mesmo, PUMBA! Lá cai aquela tralha toda, a prancha, o teclado do PC, uma data de dossiers, folhas soltas, recortes de jornal, postais, lápis, canetas, borrachas e outra parafernália que o meu Pai tem sempre à mão. Precisamente neste interim chega ele à casa de jantar. Eu rio e tusso como uma perdida.)
MP (zangado) - Valha-me Deus! (apesar de ser ateu) Olha o que fizeste! Quem te mandou trazer essa porcaria cá para casa? Tenho cá as minhas coisas organizadas, tem tu as tuas lá em tua casa, não me venhas para aqui estragar as minhas!!!
Eu (enquanto vou apanhando umas folhas e para ver se ele se entretem) – Olhe, veja lá estas se ainda são precisas. Deixe lá que eu já ponho isto tudo como estava. (Coloco a prancha no sítio). Mas para que diabo são aqui estes dois pregos tão grandes aqui espetados? Ainda se magoa com isto.
MP - Deixa estar isso que é para segurar o tapete do rato, senão cai, porque a prancha está inclinada. Eu tenho tudo feito com inteligência e cá à minha maneira, e está tudo sempre bem, quando cá vens é que está tudo sempre mal… Ele há-de estar aí um cartão grosso que tapa isso para eu pôr aí o pulso.
(Por artes mágicas, um cartão que estava também pregado à madeira, mas se tinha dobrado, voltando a pôr-se na posição inicial, tapa de facto os pregos. Entretanto já se passou meia-hora e ainda não tocámos nada…)
O Teclado - (rangendo as teclas pretas: - finalmente entro em cena, que diabo de mãos e de casas onde eu vim cair!!!... Eu que sonhava ser acariciado pela Diana Krall no Pavilhão Sony!… ai, ai… Que barafunda esta! Até fico em “Split Automático” - (personalidade claramente esquizóide)...
(à suivre... peutêtre) - Note-se que hoje também é o Dia da Francofonia... por isso temos estado a escutar "Ah Vous Dirai-je, Maman", canção tradicional Francesa, a partir da qual Mozart compôs estas 12 Variações K265.
* * * Para ver o seguinte excerto da música (tema), terá de instalar no seu PC (através de Painel de Controle - Tipos de Letra) os tipos de fontes musicais MusiQwik * * *
dó dó sol sol lá lá sol fá fá mi mi ré ré dó
12 Variações para Piano K 265 sobre
"Ah! Vous Dirai-je Maman"
W. A. Mozart
(Piano: Paul Copeland)
Ah ! Vous dirai-je, Maman,
Ce qui cause mon tourment ?
Depuis que j'ai vu Silvandre,
Me regarder d'un air tendre ;
Mon cœur dit à chaque instant :
« Peut-on vivre sans amant ? »
L'autre jour, dans un bosquet,
De fleurs il fit un bouquet ;
Il en para ma houlette (*)
Me disant : « Belle brunette,
Flore est moins belle que toi ;
L'amour moins tendre que moi. »
« Étant faite pour charmer,
Il faut plaire, il faut aimer.
C'est au printemps de son âge
Qu'il est dit que l'on s'engage ;
Si vous tardez plus longtemps,
On regrette ces moments. »
Je rougis et par malheur
Un soupir trahit mon cœur.
Sylvandre, en amant habile,
Ne joua pas l'imbécile :
Je veux fuir, il ne veut pas
Jugez de mon embarras.
Je fis semblant d'avoir peur.
Je m'échappai par bonheur ;
J'eus recours à la retraite,
Mais quelle peine secrète
Se mêle dans mon espoir,
Si je ne puis le revoir !
Bergères de ce hameau, (**)
N'aimez que votre troupeau ;
Un berger, prenez-y garde,
S'il vous aime, vous regarde
Et s'exprime tendrement,
Peut vous causer du tourment.
(*) - Enfeitou o meu cajado.
(**) - Aldeia, lugarejo.
A Ervilha de Cheiro

(Dedicado à Helena Maria - uma "Sweet Pea"!)
A Ervilha é bem pequenina
muito verde e redondinha...
O verde é a cor da Esperança
e redondinha é também
a cara de uma criança!
A Ervilha na ervilheira
diz que já está a murchar...
mas uma chuva ligeira
vai regá-la lá na leira
vai fazê-la verdejar!!!
Ervilhinha, sonha ainda
porque é preciso sonhar...
se essa dor não dás por finda,
transforma-a numa flor linda
pr´à Primavera beijar!
quarta-feira, 21 de março de 2007
PARA MIM, APENAS 4ª FEIRA, 21 DE MARÇO DE 2007
MAS MUITAS TAREFAS E MUITO CANSAÇO QUE ME OBRIGOU A DEITAR-ME E DORMIR QUANDO CHEGUEI A CASA, ME IMPEDIRAM DE TRAZER AQUI ALGO MAIS QUE ESTE LINK, PELO QUE PEÇO LICENÇA A ESTA LETICIA THOMSON, QUE ACABO DE DESCOBRIR E A QUEM DOU OS PARABÉNS PELO BONITO SITE.
A PRIMAVERA DE LETICIA
ESPERO QUE O VOSSO DIA TENHA SIDO MELHOR QUE O MEU.
BEIJINHOS
segunda-feira, 19 de março de 2007
DIA DO PAI
Trabalho para o Dia do Pai 1965

Costa da Caparica, 1975

Lisboa, 2006
La Campanella
Int.:AlexanderTomescu (Romania)
quinta-feira, 15 de março de 2007
FIGURANTES CLANDESTINAS NO IMPÉRIO ROMANO DA ALAMEDA
OH, TERESAAAAAA!!! ENTÃO A GENTE ESFALFOU-SE A FAZER FIGURAÇÃO NAQUELE DOMINGO (4 MARÇO) NO CAFÉ IMPÉRIO, ENTRE AQUELES MANIPANÇOS TODOS... E NINGUÉM NOS PAGOU!!! SÓ NOS OFERTARAM UM PARCO LANCHE...
PRINCIPALMENTE TU, COMO CENTURIÃ DAS LEGIÕES DO CALÍGULA NA GÁLIA, TINHAS DIREITO A UMA SAQUILADA DE ÓBOLOS, A UMA TÚNICA E SANDÁLIAS NOVAS, BEM COMO A UM EXEMPLAR DE "DE BELLUM GALLICO"!!!
E EU TINHA DIREITO A METADE DO BAÚ DO TESOURO DO PIRATA! MAS DISTRAÍ-ME COM OS PIROPOS DO DIACHO DO PAPAGAIO... TAMBÉM COMO SÓ ME SAEM AVIS RARAS, JÁ NEM ESTRANHO...
OLHA FILHA TEMOS É DE VOLTAR LÁ E REIVINDICAR O QUE É NOSSO POR ROMANICUS JURIS !!!
RES NON VERBA !!!
AVE CALIGULA CREDITURI TE SALUTANT !!!
MAS LÁ QUE FOI UMA TARDE BEM PASSADA E UMA BELA DESCOBERTA MÚTUA, ISSO FOI, TERESA! ISSO JÁ NINGUÉM NOS TIRA, NEM A CAESONIA, MULHER DE CALÍGULA...
ODE PELAS TROMPAS DE CALÍGULA (NÃO CONFUNDIR COM AS DE EUSTÁQUIO - MELHOR: PROTEGER AS DE EUSTÁQUIO!!!)
PARABÉNS... VISITA 6000 !!! ESCOLHA O SEU BRINDE!!!
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COMO VEJO QUE CARECE DE RELÓGIO...(VISTO QUE O SEU VISITOR´S TIME É IGNOTO) TENHO IMENSO GOSTO EM OFERECER-LHE UM DESTES DOIS MODELITOS À SUA ESCOLHA !!! E VOLTE SEMPRE... MAS A HORAS...
Modelo 1

Modelo 2
COMO TAMBÉM POR OUTRO LADO NÃO SABE QUE LÍNGUA FALA, AQUI FICA UM CURSINHO MULTILINGUE DO MUZZY!!! EU HOJE ESTOU UMA MÃOS LARGAS... (NÃO, EU NÃO DISSE UMA LÍNGUAS LARGAS...)

terça-feira, 13 de março de 2007
À MARIA JOÃO

Tu és frondosa frescura
és árvore amiga e doce
tu és fonte de água pura
à tua sombra segura
a flor mais fraca abrigou-se.
Teus ramos como teus olhos
são verdes da cor da esperança
se às vezes pisas abrolhos
logo se mudam em molhos
de flores de confiança.
És Maria Poesia
és João Bom Coração
os Amigos cada dia
animas com simpatia
e terna dedicação.
Por isso quero oferecer-te
um perfume a rosa-chá
um beijo por bemquerer-te
e uma canção a dizer-te
que és o meu jacarandá!
Aspásia 07
quinta-feira, 8 de março de 2007
segunda-feira, 5 de março de 2007
sábado, 3 de março de 2007
Eclipse Total

Eu no Céu bem te conheço.
Mas quando és falsa e enganas,
Eu, como tu, escureço.
Pão, amores e cabanas
Já pedi, mas já não peço.
Com a verdade me enganas
Com a mentira te esclareço.
Aspásia
VENHA AO OAL OBSERVAR O ECLIPSE TOTAL DA LUA - DIA 3 DE MARÇO
No dia 3-4 de Março (próximo Sábado), ocorrerá um dos fenómenos astronómicos mais mediáticos, o Eclipse Total da Lua. A grandeza deste eclipse será de 1,238, considerando o diâmetro da Lua como a unidade. O início da fase total do eclipse será visível na Europa, em África e na maior parte da Ásia, com excepção da parte mais oriental. O fim do eclipse será visível na Europa, em África, na zona mais ocidental da Ásia, na América do Sul e na faixa leste da América do Norte e da América do Sul.
No dia 3 de Março, em Lisboa, a Lua nasce às 18h 15m, entrando na penumbra às 20h 16m e na sombra às 21h 30m. O eclipse total terá início às 22h 44m e terminará às 23h 58m, sendo que o meio do eclipse ocorrerá às 23h 21m. A Lua sairá então da sombra no dia 4 às 01h 12m e da penumbra às 02h 25m.
O OAL terá as portas abertas com entrada livre a todas as pessoas que queiram observar o eclipse total da Lua na noite de 3-4 de Março.
Diversos telescópios e outros meios de observação serão colocados à disposição do público para observação do eclipse, ao mesmo tempo que os astrónomos explicarão as condições em que estes fenómenos ocorrem.
Se não puder deslocar-se ao OAL poderá acompanhar o desenrolar do Eclipse ao vivo através da internet no endereço http://live.fccn.pt/oal/
Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios caso queiram ser ajudados com o seu funcionamento.
Estas actividades terão início às 20:30 h mas dependem das condições
atmosféricas: serão canceladas se existir chuva, mau tempo ou céu totalmente nublado.
A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente ao Instituto Superior de Agronomia.
«««««
The Dark Side of the Moon
Pink Floyd
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
A VISITA 5555 DO JARDIM DE ASPÁSIA - UM BRASILEIRO CURIOSO !
MEUS CAROS, COMO PODEM VER... UM BRASILEIRO QUE EU SUPONHO BOM RAPAZ, INTERESSADO EM CULTIVAR-SE E BONACHEIRÃO... PROCUROU "MARIA CURIE" NO GOOGLE E VEIO INSTRUIR-SE PARA O MEU JARDIM, PONDO DE PARTE ARTIGOS CIENTÍFICOS DE ALTA SABEDORIA SOBRE A GRANDE MARIA SKLODOWSKA!!! By Details > Visit Detail
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State/Region : Espirito Santo
City : Vitria
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Language Portuguese (Brazil)
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
AMIGOS
NAO QUER IR AO MEDICO
MAS VOU COM ELE AO SAMS MESMO Q NEM LHE DIGA ONDE VAMOS
MJ VOU TENTANDO DARTE NOTICIAS PELO TELEMOVEL
SE SE PASSAR ALGO QUE EU ENTENDA DIGO TE E POES NOS TEUS COMENTARIOS
ATE LOGO
BEIJOS PARA TODOS
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
METEMPSICOSE
O 1º capítulo de um livro que nunca passou daí...

- Já não precisa mais de mim hoje, Doutor? - os olhos expressivos da Ana espreitaram pela frincha da porta.
- Não, Ana, pode ir. E faça por descansar, você hoje não me pareceu estar muito bem... Deixe, que eu fecho tudo quando sair.
- Obrigada, Doutor. Então até amanhã.
- Até amanhã, Ana.
Com o olhar fixo num ponto indefinido para lá da janela, Filipe deixou desvanecerem-se os sons dos passos de Ana e da porta do consultório a abrir e fechar. Eram quase seis da tarde de uma quinta-feira de Novembro. Lá fora começava a cair uma neblina espessa. "Vou ter chatice para chegar a casa. - pensou Filipe, suspirando. - Ainda mais que de costume." Mas imediatamente o seu cérebro retomou o fio dos pensamentos interrompidos pela despedida da secretária.
Ficara exausto depois da última consulta. "Aquele Daniel... ainda dá comigo em maluco, se isto são termos que um psiquiatra possa usar... Raio de história que o rapaz havia de inventar! Em vinte anos de prática não vi coisa assim... o que vale é isso mesmo: não serem todos como ele..." Lá fora, o nevoeiro ia ganhando a batalha, apenas entrecortado aqui e além por brilhos e ruídos difusos do trânsito na hora de ponta. "Devia era raspar-me já para casa. Não me serve de nada ficar para aqui a matutar... sim, porque devo ter boa parte da noite preenchida com isso, se não recorrer às drogas pesadas..."
Estendeu as pernas e recostou-se com os braços atrás da cabeça. Tinha-se sentado no sofá que, normalmente, era exclusivo dos seus "visitantes". Franziu o sobrolho. No dia seguinte tinha um debate, já nem se lembrava onde e ainda por cima tinha ficado de ler uma tese. Além do consultório, Filipe era professor de Ciências do Comportamento na Universidade. Estava separado da mulher há meia dúzia de anos, mas partilhava com ela a educação e parte dos tempos livres do Ricardo, moço, pelo menos até à data, suficientemente bem-disposto para enfrentar sem problemas de maior a situação e ainda aturar, às vezes, as neuras do pai. Fechou os olhos. O seu cérebro fervilhante começou a reconstituir a imagem do Daniel, saído da consulta já fazia uma boa meia-hora. Magro, pálido, olhos azuis interrogadores, desconfiados às vezes. Cabelo claro até aos ombros, dividido por risca ao meio, corpo alto e desengonçado de adolescente, embora fosse nos 24, mãos finas e nervosas. Poderia sem muito custo figurar nalgum quadro, Velásquez, talvez... E a cabeça, meu Deus! Uma imaginação espantosa, sempre um turbilhão de ideias novas, interesse pelas matérias mais díspares, o rapaz mais parecia querer abarcar o Universo. O que também fazia que nunca levasse nada até ao fim, devido à dispersão. O Daniel aparecera um dia caído do céu, devido a ter "apanhado" uma desistência de outra doente. Fôra há cerca de mês e meio, logo a seguir às férias. Filipe lembrava-se como se fosse ontem. O jovem entrara e despejara-se sobre o sofá, sem grandes cerimónias. Filipe esboçara um sorriso amigável:
- Olá... então que te traz por cá?
- Dr., deixe-me descansar só um bocadinho, para pôr as ideias em ordem... Cheguei mesmo agora da rua, tinha consulta marcada e não esperava nada apanhar hoje uma desistência, mas, não sei porquê, deu-me para telefonar... e lá vim eu a correr.
- Muito bem, descansa o que quiseres enquanto eu vou aqui arrumando uns papéis.
Filipe baixou-se para abrir uma gaveta da secretária donde extraiu uma molhada de folhas, enquanto, pelo canto do olho, ia observando o novo paciente. Que, por sua vez, analisava o tecto e as paredes da sala. Às tantas, o Daniel disparou:
- Onde é que arranjou esse candeeiro? Isso parece mais de dentista que de psiquiatra...
- Achas? Olha, nunca reparei nisso... Também, a decoração não foi feita por nenhum especialista... E então, podemos começar a fazer a tua ficha?
Daniel assentiu com a cabeça. Filipe começou a recitar a ladainha do costume:
- Nome?
- Daniel de Sousa Guimarães.
- Idade?
- Vinte e quatro.
- Natural de?
- Aveiro.
- Profissão?
- Desempregado. Tenho o 4º ano de Psicologia incompleto...
- Psicologia, hem? Ó caríssimo colega...
- Ainda longe disso, Dr...
"Curioso", ia pensando Filipe. "Normalmente chegam-me cá em estado lastimoso, alguns e algumas chorosos... Não me lembro de nenhum que começasse por analisar as paredes e os móveis... Este, mais parece ter vindo visitar um velho conhecido... tem tudo menos ar de crise".
- Muito bem, Daniel, por onde começamos então?
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
TESTAMENTO

Quis tanto que fosses meu,
quis ter-te de corpo e alma,
mas todo esse querer morreu,
e agora, que morro eu,
tudo te deixo em herança,
toda a fúria e toda a calma,
toda a dor e toda a esperança...
sim, tudo o que é meu é teu.
Toda a troça, todo o credo,
todo o mel deste segredo,
todo o fel deste degredo,
todo o Inferno, todo o Céu.
Toda Vénus, todo Marte,
toda a Ciência e toda a Arte,
toda a luz e todo o breu...
sim, tudo o que é meu é teu.
As canções, as gargalhadas,
as tropelias, as farsas,
o teatro e as mascaradas,
os vilões e as desgraçadas,
as ceifas, as desfolhadas,
os fados e as desgarradas,
os elefantes e as garças,
as madressilvas e as sarças,
as noites e as madrugadas...
Explosões de supernovas,
folhas caídas no chão,
cantigas, odes e trovas,
hinos de libertação,
alegrias e más novas,
grandes e pequenas provas
em tempos de provação,
sim, tudo o que é meu é teu
que eu já nada quero, não.
Beethoven, Mozart, Chopin,
Vivaldi, Brahms, Débussy,
Fauré, Falla e Albeniz,
Verdi, Lizst e Couperin,
Mahler, Rossini, Berlioz,
Tschaikovsky, Schubert, Ravel,
Gershwin, Bernstein e Gardel,
valsas tristes, sinfonias,
rapsódias, polcas e tangos,
salmos, missas, litanias,
quartetos, polifonias,
nocturnos e fantasias,
sambas, batuques, fandangos,
sons e luzes da ribalta
teus dias inundarão,
que aos meus já não fazem falta,
eu já não sinto emoção.
Vicente, Camões, Pessoa,
Camilo, Eça, Aquilino,
Torga e António Vieira,
Régio, Florbela e o Sadino,
Cesário, Eugénio de Andrade,
Vergílio e Saramago...
Rostand, Verlaine, Rimbaud,
Voltaire e Victor Hugo,
Schweitzer, Saint-Exupéry,
Teresa de Calcutá,
Pierre e Maria Curie,
Pasteur, Abel Salazar,
e Agostinho da Silva,
(homem de filosofar),
Galileu, Newton, Einstein,
Stephen Hawking, Carl Sagan,
Freud e Pierre Coubertin,
Dali, Picasso, Gaudí,
Miguel Ângelo e El Greco,
Da Vinci e Umberto Eco,
William Shakespeare, Oscar Wilde,
Cervantes e Rosalía
e Federico García,
Neruda e Jorge Amado...
Visconti, Disney, Charlot,
Bergman, Tati e Truffaut,
e mais outros que à lembrança
me ficaram por chegar,
todos te deixo em herança,
todos te quero legar.
Trovas, odes, salmos, cantos,
sagas de cavalaria,
crónicas, sonetos, prantos,
romances em poesia...
Quadros de uma exposição,
cores quentes, cores frias,
pedra afeiçoada à mão
durante mais de mil dias...
Mas de toda a condição
e toda a variedade
de artes e sabedorias,
maior é um coração
que, apesar da adversidade,
dá amor todos os dias.
Correrias de crianças,
gemidos de moribundos,
tempestades e bonanças,
batalhas e alianças,
átomos, homens e mundos.
Dez lágrimas de vestal,
cem notas de partitura,
mil pedras de catedral,
dez mil sedes de água pura,
todo o mal e toda a cura
e um coração de cristal.
Toadas de carrilhão,
caravelas afundadas,
esmolas na palma da mão,
prostitutas maquilhadas,
a navalha do ladrão,
uma cama de cartão,
quase-tudos, quase-nadas.
Chuvas quentes, tropicais,
neves, granizos, geadas,
desertos e pantanais,
demónios, espectros e fadas.
A cor nos olhos do cego,
a voz na boca do mudo,
sorrisos por quase nada,
lágrimas por quase tudo.
Lábios frescos de morangos,
corpos nus em bacanais,
luxúrias, gulas, orgias,
sete pecados mortais,
maus-olhados, bruxarias,
paraísos infernais,
purgatórios, agonias,
vielas e mourarias,
becos tristes, irreais,
onde os dias não são dias,
nunca se dorme ou descansa
e o espectro da Morte dança,
fixando órbitas vazias
nos olhos de uma criança,
tudo te deixo em herança,
incluindo as mais-valias.
Estilhaços de encantamento
perdidos na confusão
dos dias de sofrimento,
das horas de maldição...
Retalhos de um sentimento
que escorre do coração,
que é sangue e grito e lamento,
mas faz bela a solidão...
Centelhas de desespero
e auto-destruição
por ver que um amor sincero
morre sem consumação,
tudo deixo em testamento,
e quer aceites ou não,
aqui lavro o documento
e assino por minha mão.
Já que não podes ser meu,
mato este desejo ardente,
e o sol que me enlouqueceu
condeno a ser sol-poente...
neste coração demente
decreto que reine a calma,
só o tédio o atormente,
só poesia o alente,
só no sofrer ganhe a palma...
a culpada sou só eu
de tudo o que é meu ser teu,
todo o Sonho nesta mente,
todo o Clímax neste corpo,
todo o Inferno nesta alma.

(Imagens retiradas do Google Images.)
La Septième Cible
Vladimir Kosma
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Margarida, minha Irmã - 1ª Parte

Infelizmente partiste muito cedo, tão cedo que ainda quase não nos conhecíamos… eu entrava em pleno na adolescência e tu eras 10 anos mais velha, e embora vivesses aqui no prédio com a tua Avó, pouco convivíamos a não ser ao fim de semana ao almoço, ou quando eu passava lá por baixo pelo quarto independente da D.ª Emília, mas poucas vezes estavas. A Faculdade de Direito tomava-te quase todo o tempo e a nossa diferença de idades era bastante significativa no nosso escalão etário.
Além disso, tinhas as tuas amigas, a Jusse, já desde o Liceu, a cuja quinta ias andar a cavalo e que se formou em Direito no mesmo ano que tu – 1969 - e a Lúcia, já só da Faculdade, com menos dois anos que tu, mas conheceram-se nos jogos de basebol… a Lúcia, tão acarinhada por ti e pela Avó Maria, quando veio estudar Direito para Portugal. A Lúcia com quem jogavas basebol na Faculdade. A Lúcia, que nem sempre tinha muito dinheiro e comia muitas vezes contigo e a Avó. A Lúcia, que te convidou para ires ao Brasil, à casa dela no Rio Grande do Sul, nesse Natal. A Lúcia… que colocou o que restou de ti depois do acidente no jazigo da família dela, na cidade de Bento Gonçalves. A Lúcia… seria preferível não teres conhecido a Lúcia de Souza???
Foi longa aquela noite de 14 de Dezembro de 1972.
O telefone tocou pelas 10 da noite. Tu tinhas partido com a Lúcia para o Brasil no dia 7 ou 8… já tínhamos recebido dois ou três postais teus… e depois dessa noite ainda recebemos mais um ou dois… o Correio era lento do Brasil para cá… nunca aqui em casa se tinham recebido postais de uma morta, até então. Claro que os tenho todos guardados, já sabes como eu e o Pai somos com as colecções.
O nosso Pai atendeu. Pela cara e de onde vinha o telefonema… eu percebi logo que algo grave, muito grave se tinha passado.
“Um acidente. Um camião em sentido contrário... A sua filha ia a conduzir. Com a amiga Lúcia e seu pai iam todos no carro deste… O camião perdeu a mão, ou pareceu vir contra o carro… A sua filha tentou desviar-se. O carro despistou-se: A sua filha foi projectada pelo vidro da frente. Foram todos levados ao hospital. A sua filha faleceu. A amiga e o pai, feridos, mas vivos… Quer trasladar a sua filha para Portugal?”
Eu e a minha Mãe estávamos já em prantos. O nosso Pai, lívido, mas nem uma lágrima. “Para que quero eu aqui uma filha morta? Fica aí convosco que fica bem… Antes quero dar esses 400 contos à minha filha viva – eu – do que a uma filha morta que já de mais nada precisa.”
Desligou o telefone. Eu estava num choro que só dois dias depois é que foi passando.
E agora? Como dizer a uma Avó, que perdeu o marido, um filho e duas filhas… e que criou uma neta desde que ficou órfã com um ano de idade… que a neta de 25 anos acaba de morrer no Brasil?
Nem me lembro já com que palavras, o meu Pai lá contou à tua Avó o sucedido. Pois ficou como calculas… ou viste daí… Uma vida inteira a criar-te. Era tua Mãe, além de Avó. Maria dos Santos, viúva do marido, “órfã” de 3 filhos, entre os quais a tua Mãe, Albertina, 1ª mulher do nosso Pai. Maria dos Santos, de Vila Nova do Ceira, Monteira, Góis. Maria dos Santos, analfabeta, ex-empregada no Instituto Pasteur, onde lavava frascos de vidro e onde foste criada dentro dos grandes caixotes de cartão que te serviam de parque, irmã. Maria dos Santos, a tua Avó, perdeu por fim a única neta nesse Natal de 1972. Ainda te sobreviveu seis anos e faleceu em 1978. Uma Avó Coragem… eu ia ali muito à casa da frente para onde vocês tinham mudado poucos meses antes de tu faleceres, tratar dos canários e fazer alguma companhia, claro. Fui a neta adoptiva, a única que restou.
Olha… ainda acabei o barco em miniatura que tu deixaste incompleto. Acho que era o “H.M.S. Beagle”, onde Darwin foi na expedição às Galápagos. Os teus livros de Russo agarrei neles e também estudei um bocado. Pelo menos sei o alfabeto e sei ler mas hoje em dia só me lembro aí de umas 20 palavras… nesse tempo sabia muitas mais. A ti é que o Russo te ia fazer falta para quando entrasses no Gabinete da Área de Sines… para mim o Russo foi apenas um desafio e o gosto pelas línguas. Mais um hobby nas férias passadas no Alentejo…
Também tenho comigo uns versos e desenhos teus, mas creio que no quarto fechado na outra casa haverá mais. Ainda hoje lá fui pagar a renda. Calcula, o marido da porteira, a D.ª Leonilde, faleceu a semana passada. O Zé em Dezembro e agora este senhor.
Tive de dizer ao Pai e ele disse “a morte anda por perto”. Falei logo noutra coisa qualquer para o distrair. Está muito idoso e fraquejou um bocado ultimamente... como provavelmente sabes.
Dos montes dos teus livros, li os do “Santo” e os do Zane Grey todos. Claro que os da tua infância, os Cinco, a Semana de Aventuras, a Condessa de Ségur e o Emílio, esses já os tinha lido todos, ainda eles estavam na gaveta de baixo da cómoda, no quarto independente, onde eu regularmente me ia abastecer.
De coisas mais antigas que o Pai vai contando às vezes, lá sei que, logo depois de a tua Mãe Albertina ter falecido de tuberculose com cerca de 30 anos, o Pai e a Avó contigo ao colo vinham todos os dias de Mem Martins para Lisboa no combóio de Sintra. Depois, no eléctrico, mesmo depois de fazeres 6 anos continuaste a não pagar bilhete durante mais uns anos, pois todos os revisores conheciam a pequenita Calila, órfã de Mãe, que vinha sempre ao colo da Avó há tantos anos no mesmo eléctrico.
Entretanto entraste para o Colégio de uma tal D.ª Cândida, que ao que parece gostava do nosso Pai, então viúvo e ainda com menos de 40 anos.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
10 Citações

A saúde não é tudo, mas sem saúde nada tem valor. - Schopenhauer
É a imaginação que governa os homens. ( E as mulheres, não acham? ) - Napoleão
Quando eu nasci, as frases que haviam de salvar a Humanidade já estavam todas escritas. Só faltava uma coisa: salvar a Humanidade. - Almada Negreiros
"Que alegria pode dar o talento entre canalhas e tolos?" - (desconheço o autor)
A poesia abre o mundo. - Walter Benjamin
O amor tudo perdoa; e ao que não perdoa, acha graça. - Louise de Perpignan
A gota cava a pedra, não de uma vez nem de duas, mas sempre caindo. - Frei Tomás de Santa Maria
São as paixões que tudo fazem e desfazem; se a razão dominasse sobre a Terra, nada aconteceria. - Nietzsche
Nada existe mais do que aquilo que não existe. - Shakespeare
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
AVARIADO - EM MANUTENÇÃO

POST PARA DESPISTAGEM DE ANOMALIAS.
PEDIMOS DESCULPA PELA INTERRUPÇÃO, DEVIDA À POUPANÇA DE IMPULSO ELECTROMAGNÉTICO.
NO ENTREMENTES PODEM ESTUDAR AS LEIS DE MAXWELL.
ATÉ UM DIA DESTES.
SOU QUEM SABEIS,
VICTÓRIA PRUDÊNCIA DA CIRCUNSPECÇÃO CAUTELA.
domingo, 28 de janeiro de 2007
NEVA HOJE EM MILETO... COMO HÁ UM ANO ATRÁS!
Venho escrever-vos de novo desde Mileto na Ásia Menor...
Com a ajuda dos sábios Tirésias e Hipácia de Alexandria, as minhas invocações à Pitonisa de Delfos e aos seus Arúspices foram escutadas!!!
Neva hoje em Mileto... como há um ano atrás!!!
Meu Pai está a tertuliar com o nosso concidadão Anaximandro que trouxe os seus últimos inventos, o Mapa Cilíndrico e o Gnómon (não, não é um gnomo... é um relógio!) para nos mostrar...
Bem, vou ver as horas no Gnómon... isto já devem ser é horas do lanche...
Obrigada, Aspásia de Lisboa por teres feito essa roda infernal com as minhas flores! Não me habituo a esse mundo e esse tempo onde vives... deve ser tão complicado que vocês nem devem ter tempo para tratar as flores nos jardins...
KALISPERA!
HOLOS FILAKIA!
sábado, 27 de janeiro de 2007
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Breve Momento de Meditação

num frenesim, num afã?
Porquê tanta correria,
se tudo termina, um dia,
desfeito em poeira vã?
“Esta vida são dois dias”,
diz o rifão popular…
E nem ânsias nem folias,
nem Davides nem Golias
a poderão prolongar.
Fatal destino é a meta
desta corrida, afinal…
Para quê, pois, correr tanto,
em dor, cansaço e quebranto,
p´ra ter por prémio um coval?
Nisto, amigo, toma tento:
não temas ficar p´ra trás…
modera o teu andamento,
descansa por um momento
− e mais Vida viverás.
domingo, 21 de janeiro de 2007
FIAT LUX

Se apesar de duros, tristes desenganos,
por vezes em teus lábios desponta uma canção,
vê se ela traz consigo uma recordação
de outros, felizes, já longínquos anos.
Se apesar das pedras, dos cardos do caminho,
ainda prossegues, um sorriso por bandeira,
é porque em ti persiste ainda a fogueira
acesa em outros tempos com carinho.
Não cesse pois, em teus lábios, a canção;
não desfaleça em ti o lume da fogueira,
pois, após tempestades, sóis virão...
E a Luz será tão forte, tão certeira,
que fará cair tudo o que é vão
ao explodir nos céus como a primeira...
Aspásia 96
Bailero (Canteloube)
Kiri Te Kanawa
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
2º AVISO
A PARTIR DESTA DATA ESTE BLOG ENCONTRA-SE EM EXPERIÊNCIAS LABORATORIAIS E AFINS.

SÓ É PERMITIDA A ENTRADA A PESSOAL AUTORIZADO DEVIDAMENTE EQUIPADO COM LUVAS E MÁSCARA DE PROTECÇÃO.
ELEVADO RISCO DE EXBLOGÃO.
TAMBÉM NÃO DAMOS DONATIVOS.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
AVISO
POR MOTIVOS DE POUPANÇA DE ENERGIA.
TODOS OS FREQUENTADORES SEMPRE PODEM IR VASCULHAR OS ARQUIVOS E (RE)DESCOBRIR OU (RE)LEMBRAR VELHAS RELÍQUIAS...
"RE-CORDARE" É TRAZER DE NOVO AO CORAÇÃO...
CONTINUAREI A PASSEAR PELOS VOSSOS JARDINS, COMO VOYEURISTA E COMENTARISTA...
GRATA PELA ATENÇÃO DISPENSADA,
ASPÁSIA.
:))
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Feliz 2007!
Um Ano pode fazer a Diferença!
Um Ano pode fazer a Diferença!
A minha prenda de Ano Novo é esta colagem de algumas das imagens que me acompanharam ao longo do ano e ficaram guardadas no computador.
Eu própria e as imagens de coisas ou pessoas que fizeram ou fazem de mim... eu própria.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
Adeus, Zé

sábado, 23 de dezembro de 2006
Mensagem de Natal

Sucedâneo de Natal
Gente que passa, contente, pelas ruas.
Afinal, é só uma vez no ano,
o Natal!
Não tem mal
luzes, cores e magia,
sucedâneos de alegria
fora do trivial.
Gente que corre, é urgente ir às compras
de Natal!
Com um casaco bem quente,
indiferente à outra gente
sentada, alheia, descrente…
que só sente
um frio glacial.
− Mãe... não podes, só este ano, dar-me
uma prenda de Natal?
− Não, meu filho, não podemos…
− Oh, Mãe!! Mas afinal, Jesus, o tal...
não era pobre, não nasceu num curral?
E teve três prendas! Não andou nada mal!
Então nós não temos,
também, direito a algo especial?
Os meninos ricos que nós vemos
recebem tantos brinquedos
no Natal!
Ai, Natal!... − só serias NATAL,
se fosses para todos, se fosses geral.
Assim não vale… és quase imoral.
És um Natal no condicional!
Mais pareces Carnaval…
Ou então, talvez apenas
“Sucedâneo de Natal”…
* * * * * * * * * *
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Coisas que Acontecem... mesmo no Natal
ESTOU ALGO EM BAIXO, MAS CALMA.
A NOITE PASSADA, PELAS 5 DA MANHÃ, O MEU PAI APARECEU NO MEU QUARTO A DIZER QUE SE SENTIA MUITO ESQUISITO, E "QUE PARECIA QUE IA MORRER". EU ASSUSTEI-ME BASTANTE, CLARO, MAS MANTIVE O SANGUE FRIO.
LÁ BEBEU UM LEITE QUENTE E DEI-LHE MEIA ASPIRINA. O CORAÇÃO ESTAVA REGULAR. MEDI-LHE A TENSÃO. POR 4 VEZES EM 2 APARELHOS DE PULSO DIFERENTES. ESTAVA MUITO ALTA , SEMPRE PELOS 210 - 95. MEDIDA EM MIM ESTAVA NORMAL, PORTANTO NÃO ERA DOS APARELHOS. ALIÁS ESTES APARELHOS DE PULSO, PARA QUEM NÃO SAIBA, TÊM TENDÊNCIA A DAR VALORES SUPERIORES AOS REAIS.
LIGUEI PARA O 112 E COMO ENTÃO JÁ ELE DIZIA QUE NÃO SENTIA NADA DE ESPECIAL, NEM TONTURAS NEM DORES, PELO TELEFONE A MÉDICA ESPEROU QUE EU LHA MEDISSE OUTRAS 2 VEZES. CONTINUAVA ALTA. MAS COMO NÃO SENTIA NADA DE ESPECIAL, ELA DISSE QUE EU LOGO DE MANHÃ FOSSE AO MÉDICO DELE.
ORA COMO EM CASOS DESTE NÃO HÁ QUE HAVER DELONGAS, ARRANCO É LOGO COM ELE PARA O HOSPITAL DO SAMS NOS OLIVAIS. ERAM QUASE 6 DA MANHÃ E ESTAVAM 6º.
CHEGANDO LÁ MEDE-SE DE NOVO A TENSÃO, MAS COMO O MEU PAI É MUITO MAGRO O APARELHO NÃO REGISTA POR 2 VEZES. MUDA-SE PARA O OUTRO BRAÇO. CONTINUAVA ALTA., 200- 95 . EU DIGO À MÉDICA QUE É MEDO QUE ELE TEM "DE O CORAÇÃO PARAR DE NOITE". DE DIA NUNCA ACONTECEU NADA.
ENTÃO DERAM-LHE MEIO COPITO DE ÁGUA COM QUALQUER COISA E VAMOS PARA A SALA DE ESPERA. DEIXA-SE LOGO DORMIR SENTADO.
EU QUE TINHA DORMIDO HORA E MEIA POIS TINHA-ME DEITADO àS 3 E MEIA, TENTO DORMIR, MAS NÃO CONSIGO.
LÁ VOU FALANDO COM A SENHORA DA RECEPÇÃO MUITO SIMPÁTICA, QUE NÃO DORMIA HÁ 24 HORAS E ESTAVA MAIS FRESCA QUE EU... DIZIA ELA "É O HÁBITO. E HOJE NÃO POSSO DORMIR TÃO DEPRESSA, QUE O MEU FILHO FAZ ANOS." TAMBÉM VOU VENDO OS CARTÕES DE NATAL PENDURADOS NUM PINHEIRINHO. UM DIZ "GLAEDRIGG JUL". PENSO QUE É SUECO.
E TAMBÉM VOU RELEMBRANDO A SALA CONTÍGUA DA ONCOLOGIA ONDE ESTIVE COM A MINHA MÃE EM 1997, QUANDO FOI OPERADA NO SAMS A FRACTURA EXPONTÂNEA DO FÉMUR POR METÁSTESE ÓSSEA, EMBORA DEPOIS FOSSE SEMPRE TRATADA EM SANTA MARIA.
PASSADA UMA HORA LÁ SE VAI OUTRA VEZ MEDIR A TENSÃO. O MEU PAI QUE NUNCA TOMOU UM CALMANTE NA VIDA FORA OS QUE LHE DERAM NAS DUAS OPERAÇÕES QUE FEZ, ESTAVA COM POUCA FORÇA NAS PERNAS. PERGUNTO O QUE LHE DERAM. -DIAZEPAM (VALIUM) - QUANTO? - 10 mg.
ACHO UM BOCADO FORTE PARA 92 ANOS MAS ENFIM... E ENTRETANTO A TENSÃO BAIXOU PARA 160-80.
VOLTAMOS PARA CASA DORMIR O RESTO.
ELE DORME DAS 8 AO MEIO DIA MAS EU, PREOCUPADA , SÓ DURMO MAIS 2 HORAS.
MAL ME LEVANTO VOU VIGIÁ-LO E QUASE ME ASSUSTO POIS ESTÁ PÁLIDO E A RESPIRAÇÃO QUASE NÃO SE OUVE. MAS ESTÁ A DORMIR PROFUNDAMNETE.
ENTRETANTO FALO PARA A CARDIOTESTE A PERGUNTAR SE O CARDIOLOGISTA DELE, ESPECIALIDADE A QUE SÓ VAI HÁ 2 ANOS, E QUE DIZ QUE O PAI TEM UM BELO CORAÇÃO PARA A IDADE E TOMARAM MUITOS MAIS NOVOS... NEM SEQUER PRECISA DE TOMAR NADA.... A PERGUNTAR SE PODEMOS LÁ IR.
FELIZMENTE O DR. DAVA CONSULTA HOJE.
ENTÃO PELAS 4 DA TARDE LÁ VAMOS. POR ACASO TINHAMOS LÁ IDO A SEMANA PASSADA À CONSULTA ANUAL DA ROTINA E TINHAM CONVERSADO MUITO SOBRE XADREZ, PORQUE O DR. GOSTA DE JOGAR NA INTERNET E CONHECE UM COLEGA DA TERTÚLIA DO XADREZ DO MEU PAI. O MEU PAI TAMBÉM LHE OFERECEU O SEU LIVRO "PROBLEMAS DE XADREZ II".
COMO A TENSÃO ESTÁ BEM E O PAI SE SENTE NORMAL, O DR. APENAS LHE PASSA UM VALIUM 2,5 À NOITE A VER SE DORME MELHOR E UM ADALAT SÓ EM SOS.
QUANDO CHEGAMOS A CASA PELAS 18H, LANCHAMOS E ELE FICA A VER TV E EU DEITO-ME E DURMO ATÉ AGORA ÀS 9 E MEIA DA NOITE. ELE ARRANJA-SE SOZINHO COM O JANTAR, QUE É SÓ AQUECER, COMO É HÁBITO QUANDO EU NÃO ESTOU. NEM ME CHAMOU, COITADO, PARA NÃO ME ACORDAR.
AGORA ANTES DE ELE SE DEITAR A TENSÃO ESTAVA BOA. É A PRIMEIRA VEZ QUE FICA COM A CAMPAINHA À CABECEIRA, SE FÔR PRECISO CHAMAR-ME.
O MEU PAI NÃO TEM DOENÇA NENHUMA. SÃO "APENAS" OS 92 ANOS E A PREOCUPAÇÃO DE EU FICAR PRATICAMENTE SOZINHA A NÍVEL FAMILIAR, SE ELE SE FÔR. A FAMÍLIA MAIS PRÓXIMA ESTÁ EM ÉVORA. MAS TEMOS ALGUNS AMIGOS AQUI EM LISBOA E SETÚBAL, FORA ALGUNS QUE FIZ AQUI MESMO NA NET AO LONGO DO TEMPO EM QUE AQUI TENHO "JARDINADO". OLÁ MTC, MJ, CARLOTA, PAH, JÚLIO E OUTROS.
CAROS AMIGOS, NÃO FIQUEM PREOCUPADOS COMIGO. VAI CORRER TUDO BEM TANTO MAIS QUE HOJE FOI O SOLSTÍCIO E AGORA OS DIAS VÃO COMEÇAR A CRESCER. É O RENASCER DA LUZ CONTRA AS TREVAS QUE SE IAM ADENSANDO.
BEIJOS E UM BOM NATAL PARA TODOS.
LEONOR
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
NATAL II
A Estes saiu-lhes o AfroMilhões...
A Estes saiu-lhes o AfroMilhões...
Pelo menos lembremo-nos que existem...
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
domingo, 17 de dezembro de 2006
Outra Sugestão para Prenda de Natal!
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
NESTE NATAL, ACOMPANHE O PROGRESSO !!!

NÃO ESQUEÇA TAMBÉM DE PEDIR UMA CARTEIRA, COMPLETAMENTE GRÁTIS, DOS NOSSOS MAGNÍFICOS ESPEVITADORES nº 00, POR MEIO DE CUJO USO TRISSEMANAL, PODERÁ MANTER O SEU FOGAREIRO COMO NOVO DURANTE MUITOS E MUITOS NATAIS!!!
APROVEITE A NOSSA OFERTA DE NATAL... ANTES QUE ESGOTE!!! A SUA CARA-METADE, MÃE, FILHA, AVÓ, TIA, PRIMA, NETA, MADRASTA, ENTEADA, CONCUBINA, MULHER A DIAS, CRIADA OU COZINHEIRA... AGRADECER-LHE-ÃO COM OPÍPAROS REPASTOS!!!
NESTE NATAL... GAZCIDLA PARA TODOS !!!
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Quando o Dia da Mãe era a 8 de Dezembro...
algumas recordações...
algumas recordações...
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
A QUESTÃO DO ABORTO... E NÃO SÓ
EU HOJE FARIA UM ANO,
MAS EU NÃO ESTOU AQUI.
NÃO CHEGUEI A "SER HUMANO",
POIS SOFRI UM GRANDE DANO:
HÁ UM ANO NÃO NASCI.
ASPÁSIA 06
--------------------------------------------
MEUS AMIGOS, AS COISAS NESTE PAÍS NÃO FUNCIONAM!!! PORQUE NÃO HÁ PESSOAS INTELIGENTES NOS TOPOS... OU SE HÁ UMA OU OUTRA... NÃO É SUFICIENTE...
É PRECISO É OS CENTROS COMERCIAIS ESTAREM NESTA ÉPOCA ABERTOS ATÉ Â MEIA-NOITE, PARECE... ENQUANTO QUE EM ESPANHA, POR EX., TÊM HORÁRIOS MUITO APERTADOS... LÁ AS PESSOAS AO FIM DE SEMANA, "SÃO OBRIGADAS" A PROCURAR ALTERNATIVAS CULTURAIS E/OU DESPORTIVAS... OU SIMPLESMENTE A DESCANSAR, A ESTAR CONSIGO PRÓPRIAS... A PENSAR!!!
NESTE PAÍS ANDA (QUASE) TUDO ATURDIDO... VAI-SE ATRÁS DO BARULHO DAS LUZES...
NÃO SE OUVE A PRÓPRIA RESPIRAÇÃO... NÃO HÁ TEMPO NEM ESPAÇO PARA PENSAR NO QUE REALMENTE INTERESSA...
A POPULAÇÃO DE PORTUGAL ESTÁ EM DECLÍNIO, DIZEM...
PORQUE NÃO DÁ O ESTADO CONDIÇÕES ALTERNATIVAS AO ABORTO E CRIA ESSAS CRIANÇAS... DE QUALQUER MODO AS CASAS PIAS JÁ EXISTEM... ESSA "PIEDADE" PODERIA COMEÇAR POR PERMITIR UM PARTO ANÓNIMO À MÃE, EVITANDO O ABORTO, E SENDO DE IMEDIATO O BEBÉ ENVIADO PARA UMA CRECHE DO ESTADO...
SE JÁ UMA SONDA VAI A PLUTÃO, QUE DIABO, TAMBÉM HÁ CIÊNCIA E TECNOLOGIA SUFICIENTES PARA FAZER ISTO! MESMO EM PORTUGAL...
CLARO QUE NÃO É O IDEAL... MAS ALGUMAS MULHERES, PELO MENOS, SE HOUVESSE UMA ALTERNATIVA DESTE GÉNERO PODERIAM ADERIR... SALVAR-SE-IAM VIDAS... SERIA UM EQUIVALENTE MODERNO À ANTIGA RODA.
E QUANTOS "MENINOS DA RODA" NÃO FORAM DEPOIS CIDADÃOS DE VALOR E ALGUNS ATÉ DE MÉRITO ELEVADO? (ESCRITORES, POETAS, ETC....)
Ainda Gedeão - 5 Poemas
1 - Tempo de Poesia
2 - Poema da Eterna Presença
3 - Poema do Fecho Éclair
4 - Poema para Galileu
5 - Pulsação da Treva
terça-feira, 28 de novembro de 2006
PARABÉNS, ANTÓNIO GEDEÃO
*Entre Ciência e Paixão*
Parte II
*Entre Ciência e Paixão*
Parte II
(Devido à grande extensão do Post anterior, foi o mesmo dividido em duas partes.)
Também posso dizer que desde os bons tempos do Liceu Filipa de Lencastre, a Física foi a disciplina que mais me fascinou, tendo concluído o antigo 7º ano com média de 19 a Física, a nota mais elevada que alguma vez tive. E claro que esse fascínio perdura até hoje... tendo meu Pai, autodidacta também nesta ciência, nomeadamente na Física Relativista de Einstein, muito contribuído para esta minha paixão. Havendo cá em casa muitos livros sobre Einstein e a Relatividade, nos tempos do Liceu devorei-os quase todos.
Espantoso mal me atingiu
um dia, quando não esperava;
tudo o que é Lei infringiu,
toda a Razão me fugiu
e hoje, do Amor sou escrava.
Vou entrar em confidências:
resposta para este Amor
fui procurar nas Ciências;
interrogar sapiências
de físico e pensador.
Ai de mim! Para mal meu,
não explicam esta paixão
nem Freud, nem Galileu,
nem Einstein, nem Ptolomeu,
nem mesmo o próprio Platão!
Corri então os poetas,
li romances com afã;
vidas de heróis e ascetas;
teatro de marionetas,
de Molière e de Rostand...
Continuei, pressurosa;
li Voltaire, li Descartes,
Nietzsche, Cervantes, Espinoza...
Qualquer poesia ou prosa,
filosofia ou arte.
Corri todos os museus,
exposições e concertos.
Vi Picasso, admirei Zeus,
ouvi Wolfgang Amadeus -
obras completas e excertos...
Estudei as religiões,
tantas quantas achar pude;
e fiz peregrinações,
jejuns e meditações...
Li a Bíblia e o Talmude.
O Alcorão li também,
e, para salvar a alma,
dei esmolas, fiz o bem;
mas não pude encontrar quem
me restituísse a calma...
Procurei na Biblioteca,
do Mar Morto, os manuscritos;
mas, mesmo virada a Meca,
não me surgiu um Eureka!
da leitura desses escritos...
Estudo a Pedra de Roseta,
já sei Sânscrito e Latim,
vão correndo a ampulheta
e a clépsidra obsoleta
nesta pesquisa sem fim...
Quer de noite, quer de dia,
devoro, afincadamente,
Matemática, Poesia...
História e Antropologia
leio até ficar doente...
Já ninguém me reconhece,
nem pais, nem primos, nem tias.
O tino já me falece,
já tenho a espinha em s
e subi dez dioptrias!
Ao microscópio analiso
as lágrimas que chorei...
E um relatório conciso
cada noite realizo
das penas que suportei.
E, telescópio na mão,
noite alta, no firmamento,
procuro a constelação
que se encontra em conjunção
com Vénus, nesse momento...
Infelizmente, porém,
não ponho fim neste enigma;
não resolvo esta equação;
e, nem por integração,
acho alfa, gama ou sigma...
Desde a Relatividade
à Teoria do Eu,
procurei com ansiedade
descobrir uma Verdade
que me tirasse do breu.
Já vi no televisor
tudo o que é curso em cassette;
sei operetas de cór;
fui para o computador
e liguei-me à Internet...
Apesar desta procura,
continuei ignorante;
de Amor, o mal não tem cura
e eu, que era tão segura,
vivo hoje periclitante...
E, fartas do turbilhão
que me avassala por dentro,
a Cabeça e a Razão
ordenam ao Coração
que mate este sentimento.
O Coração, no entanto,
responde: "Procurai mais!
Apesar desse quebranto
não me tireis deste encanto
em que também navegais..."
E presa nestes dilemas,
vasculho as Enciclopédias,
equaciono problemas,
demonstro leis, teoremas,
leio farsas e tragédias...
Com tanto estudo, afinal,
tirei três licenciaturas:
Quântica Medieval,
Genética Sideral
E Fisio-Literaturas!!!
E, apesar de não achar
para meu mal solução,
vou, para me graduar,
em breve, tentar tirar
Doutoramento em Paixão...
Aspásia 94
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
PARABÉNS, ANTÓNIO GEDEÃO
*Entre Ciência e Paixão*
Parte I
*Entre Ciência e Paixão*
Parte I
Aqui podem conhecer ou recordar a sua Biografia.
Não tenho palavras para descrever a emoção que sinto por me ter sido atribuído o Prémio Rómulo de Carvalho, personalidade que tive o privilégio de conhecer pessoalmente nas minhas andanças de orientadora de estágio. E se nessas andanças conheci essencialmente o metodólogo, já antes tinha conhecido indirectamente o professor através dos seus livros adoptados para os Trabalhos Práticos de Química do Curso Complementar dos Liceus, o divulgador através das suas histórias (do Átomo, da Radioactividade, etc), da sua Física para o Povo, bem como outras obras de divulgação, o poeta através de toda a sua obra que me fascinou desde
o primeiro poema que li num número da revista "O Tempo e o Modo" e o ficcionista que conheci mais tarde. Qual destas vertentes me fascina mais? Escolha difícil mas talvez opte pelo poeta pois na sua poesia ele é simultaneamente o poeta, professor, o formador, o divulgador, o humanista.
Por tudo isto sinto, com a atribuição deste prémio, uma responsabilidade acrescida e o receio de não estar à altura do mesmo. Felizmente partilho-o com outros. E permitam-me que nesses outros destaque Ana Carla Campos também vencedora e Paulo Santos, menção honrosa. Tenho o prazer de os conhecer pois tive o privilégio de ser orientadora de estágio de ambos. Com Ana Carla Campos tenho mantido um contacto próximo pelo envolvimento em projectos comuns. O seu entusiasmo é contagiante.
Esta partilha com os demais vencedores e menções honrosas como que me aligeira um pouco a responsabilidade de que há pouco falava.
E é por causa dessa mesma responsabilidade que gostaria de acrescentar aqui algo, correndo o risco de não ser politicamente correcta. Vem isto a propósito da carga horária não lectiva dos professores. No caso dos professores das áreas das Ciências não seria bem mais eficaz a permanência na Escola se fosse obrigatoriamente dedicada à preparação e optimização das actividades experimentais a desenvolver com os alunos? É que com a carga horária que passa a ter, o professor vai dispor de pouco tempo para essas actividades, o trabalho experimental, tão necessário face ao insucesso dos alunos em áreas de Ciências, sai prejudicado.
Poderá argumentar-se que muitos professores não dão qualquer relevância à componente experimental. É verdade.
Mas, se por um lado creio que correspondem a uma minoria, por outro tenho a certeza que as medidas propostas em nada vão melhorar o seu desempenho na referida área. E mais grave ainda, os professores que até agora investiam fortemente na experimentação vão-se ver a braços com o tempo disponível para a preparação da mesma.
Também, e no que respeita às aulas de substituição que tantos problemas estão a gerar nas escolas, se visam evitar tempos mortos para os alunos, então seria pedagogicamente muito mais correcta e eficaz a oferta de projectos onde os alunos se pudessem inscrever e para os quais haveria sempre um professor disponível, disponibilidade decorrente das suas horas não lectivas. As disciplinas com componente experimental teriam aqui uma palavra importante a dizer. Na minha escola foi criado o Espaço Ciência Aberta visando precisamente ocupar os alunos de uma forma salutar e não desprovida de sentido. Só que a criação destes espaços implica planificação e essa não foi pensada nas medidas propostas superiormente.
Perdoem-me este desabafo mas ele emerge dum enorme gosto pela Física e pelo ensino da mesma e este, para ser eficaz, implica entusiasmo, dedicação, disponibilidade, rigor, responsabilidade.
O professor ajuda a construir e isso sugere-me o poema "Escopro de Vidro" de Gedeão.
ESCOPRO DE VIDRO
Estou aqui construindo o novo dia
com uma expressão tão branda e descuidada
que dir-se-ia não estar fazendo nada.
E, contudo, estou aqui construindo o novo dia
Porque o dia constrói-se; não se espera.
Não é sol, que deflagre num improviso de luz.
É um orfeão de vozes surdas, um arfar de troncos nus,
o erguer, a uma só voz, dos remos da galera.
Cantando entre os dentes um refrão anidro
abro linhas quentes com um escopro de vidro.
Abro linhas quentes sem tremer a mão,
com um escopro de vidro de alta precisão
In Poesias Completas, António Gedeão
Regina Gouveia
* * * * *
Poema de António Gedeão
Música e Int.: Manuel Freire
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Trovas Soltas

A Vida é luta infindável
que todos querem ganhar;
mas vencer é improvável,
por isso, é aconselhável
com perspicácia jogar.
Muitos houve que trilharam
caminhos de perdição;
outros que desesperaram,
corpo e alma destroçaram,
por obter libertação.
Tenho sede de Absoluto
e ânsia de Perfeição…
Eu sou diamante em bruto
que sonha a cada minuto
na sua lapidação.
Se dizem que ele houve um Deus
que de Si me copiou,
rasgarei da noite os véus
e indagarei dos céus
se esse Ser me originou.
Se é loucura querer saber
e pecado querer amar,
pecadora quero ser
e, alienada, sofrer
escárnio da gente vulgar.
Procuro fazer crescer
o pouco que tive em sorte;
quero amar, rir e sofrer
− pois não é por não viver
que terei perdão da Morte.
Aspásia 98
terça-feira, 14 de novembro de 2006
"El Diluvio que Viene"
Nota: Podem ler o resumo desta comédia musical através dos links no Post abaixo.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Parabéns, Mãe!( Adendas ao Post Precedente)
A comédia musical "El Dilúvio que Viene" - baseada na peça "After Me the Deluge" de David Forrest; musical italiano original "Aggiungi un Posto a Tavola" estreado no Teatro Sistina, em Roma, em 1974; versão em Castelhano, estreada em Madrid, em 1977, ocasião em que minha Mãe e eu assistimos à sua representação; reposição da mesma, em Valência, Barcelona e Madrid, em 2005, com um novo elenco.
Este musical esteve também para ser apresentado em Portugal, no fim dos anos 90... mas não houve possibilidades... infelizmente...
Ouçamos duas faixas deste musical:
Faixa 1 do Musical "El Diluvio que Viene".
Faixa 8 do Musical "El Diluvio que Viene"
Foi ainda incluída a hiperligação
P.S. - Entretanto, em todos os meus blogs, foi corrigida, na barra lateral direita, a entrada para a biografia de "Meu Pai Rui".













