
só esse afinal foi o verdadeiro.
Não tanto talvez por ter sido o primeiro,
mas porque nessa noite é que num vulgar palheiro,
nascia um menino muito especial.
Só nesse Natal a noite foi tão fria.
Só nesse caía, densa, tanta neve.
Só nesse se ouvia um choro, ao de leve,
do menino com frio, num vagido breve,
enquanto sua jovem mãe em faixas o envolvia.
Só nesse Natal brilhou a grande estrela.
Quase se diria que era claro dia.
No Céu, brilhante, o astro que fulgia.
Na Terra, o branco manto que, suave, o reflectia.
Só nesse Natal a noite foi tão bela.
Só esse Natal foi mesmo de Jesus.
Depois, inventaram-se umas complicações,
muitas fitas, luzes, pinheiros e faisões,
enquanto mais meninos pobres nascem e, aos baldões,
todos os dias carregam uma cruz.
Afinal,
só acredito nesse Natal
de há dois mil anos etc. e tal.
Nestes "Natais" de agora, vendidos por catálogo,
e a pagar em suaves prestações,
nestes "Natais" de agora, não brancos, mas vermelhos
do sangue no asfalto aos borbotões...
Como é que pode estar Jesus nos corações?
Como é que pode ficar mais leve a nossa cruz?
Será que ainda voltará a haver Natais como aquele primeiro
Natal, sentido, vivido, brilhando Na Tal Luz?
Aspásia 04




