terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Im Memoriam - Teresa David
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Uma Classe que Voou...
(Conto de Minha Mãe)
(Conto de Minha Mãe)

Passa hoje mais um aniversário natalício de minha Mãe, que, se ainda estivesse entre nós, completaria 89 anos de idade.
Tendo já assinalado este dia em anos precedentes dando algo a conhecer da sua história e publicando algum que outro poema ou texto – pois infelizmente ela destruiu a maioria deles – gostaria hoje de convosco partilhar uma pequena história, por ela escrita aquando da sua aposentação do Colégio Valsassina, em 1987.
Minha Mãe leccionou nesse Colégio como professora efectiva da então “4ª classe”, desde 1952 a 1987, com um intervalo de 3 anos devido ao meu nascimento em 1957. Mas já desde 1940 percorrera várias escolas, ensinando nomeadamente em pequenas aldeias alentejanas.
O ano passado aqui ficou um pequeno relato referindo-se às suas primeiras “lições”, dadas aos catorze anos, a uma pequenita de Estremoz, terra de onde minha Mãe era natural.
Este ano, aqui deixo mais um texto dos muito raros que dela me ficaram, e também dedicado aos seus queridos alunos – desta vez, os do Colégio Valsassina. Uma viagem imaginária, fantástica... uma classe inteira que "voou" nas asas do sonho de minha Mãe, quando teve de abandonar a "Aula" que foi a sua segunda casa durante quase cinquenta anos.

SONHO ou REALIDADE ?
“Uma classe que voou...”
...”Aquilo”, ali, estava mergulhado numa semi-obscuridade...
...Aos poucos se foram desenhando alguns contornos.
- Onde estava eu?
Por força tinha de estar na aula. Era aí o meu lugar de sempre! ...Mas... ah! - havia ali carteiras e das mais antigas...
Nelas, algumas silhuetas se desenhavam...
Tinham de ser dos meus alunos e também isto seria “por força”. Pois de quem mais poderiam ser?
Então era preciso começar a aula!
E todos se riam porque aquele amigo tivera receio de uma viagem assim... receio de uma viagem aérea!
Era a verdura deslumbrante das relvas, e cor avermelhada dos arruamentos muito limpos serpenteando por entre jardins povoados de florinhas multicolores... mais ao longe , alguns aglomerados de casinhas muito brancas...
Bruscamente nova mudança de nível! Ai! Desta vez estávamos a descer vertiginosamente!
Foi aqui, no Colégio Valsassina, e no “campo da bola”...
Não podia haver melhor lugar para as crianças ficarem e que felizes ficámos todos!
Este sonho levou-me a considerar que por vezes os sonhos poderão relacionar-se com factos reais.
Quanto a mim, concluo que, na realidade, houve uma classe que voou.
Voou a professora e logo voaram os alunos para a continuação da sua viagem.
Vocabulário “Fantástico”
Avião – sala de aula
Silhuetas - crianças (vultos)
Semi-obscuridade – indefinição do sonho
Apertos e encontrões – coisas que as crianças gostam de fazer...
Verdura com arruamentos – jardim da D.ª Marinela (Directora do Colégio nessa época)
Voo da Professora – foi-se embora...
Voo dos alunos – continuação das aulas com a nova Professora
Carlota/
( 1987 )
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
As Crianças e a Música
- Händel era enorme: era meio italiano, meio alemão e meio inglês.
- A Fuga mais maravilhosa foi protagonizada por índios a fugir de cowboys.
- Caruso começou por ser italiano; depois, alguém o ouviu cantar e disse que ele iria longe; por isso, partiu para a América.
- As palhetas do Clarinete são tão finas e frágeis que não servem para mais nada.
- A música cantada a duas vozes chama-se um duelo.
- O Xilofone é um instrumento muito usado, sobretudo para ilustrar o emprego da letra X nas aulas.
- Agnus Dei foi uma compositora famosa pela sua música sacra (esta é genial...)
E depois das opiniões musicais das crianças inglesas, vejam e mostrem aos mais pequenos este delicioso minivídeo dos PAGANINUS - Orquestra de Violinos do Conservatório de Setúbal (desligar previamente o player no início do post).
Balancé
Então para todos um óptimo Dia da Criança... sem esquecer, naturalmente, aquela que permanece em nós!
terça-feira, 26 de maio de 2009
***!!! BREAKING NEWS !!!***
SUA FUTURA MAJESTADE D. π-CANINO II
(D. PICANINO II para quem não (se) viu Grego no Liceu:)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Concerto de Dentadura
domingo, 3 de maio de 2009
Dia da Mãe 1960

sábado, 25 de abril de 2009
Defendamos
o Cravo de Abril !
o Cravo de Abril !
sábado, 11 de abril de 2009
Boa Páscoa!
VitralLeonor Nascimento, 1970
(clique para aumentar)
Redenção
A Treva cai na Terra e vem impôr
pesado luto à turba que emudece.
No Gólgota, escalvado, a Cruz parece
a trágica visão da própria dor.
Crucificado, exangue, o Redentor,
de espinhos coroado, a Vida oferece,
em Santo Sacrifício, que trouxesse
a salvação ao Mundo pecador.
Debalde, ó lei humana, condenaste
Aquele que pregou a Lei dos Céus
e com ferro assassino O trespassaste!
Jesus rasgou da Morte os negros véus
e vencendo a mentira que afirmaste,
deu a Verdade ao Mundo: a Fé em Deus!
Rui Nascimento, 1941
domingo, 22 de março de 2009
Parabéns, Tia Ju!
A primeira foto juntas, Évora, 1958
Jardim do Templo de Diana, Évora, 1959
Armação de Pera, 1960
No meu baptismo, Lisboa, 1961,
quinta-feira, 19 de março de 2009
Dia do Pai 1965


domingo, 15 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Testamento da Velha
Este é o meu testamento
que eu fiz neste momento
em que digo adeus à vida.
Sentia a garra da Morte
a apertar-me o gasganete,
terrível, qual diabrete.
Mandei chamar o vigário,
o médico, o boticário,
uma benzedeira d´olhados;
no momento derradeiro
apareceu o cangalheiro
e quatro gatos-pingados.
Já traziam o caixão,
fiquei cheinha de horror
e soltei tremendo berro.
Nisto, oiço o Sacristão:
“Pregunta o Senhor Prior
a que horas é o enterro”.
Toda a gente em alta grita
quer ser primeiro atendida;
vem de lá o cangalheiro
com um metro de carpinteiro,
quer tirar-me a medida.
“Espere lá – diz o Doutor –
não queira ser metediço;
deixe a velhota auscultar
e depois de eu receitar
faça então o seu serviço.”
O boticário, exaltado,
´té arrepela os cabelos.
E a benzedeira d´olhados,
p´ra afugentar os maus fados,
vai espetando novelos...
Já farta de confusões,
pus essa gentinha a andar
e pensei com os meus botões:
p´ràs minhas disposições,
vou o notário chamar.
E fiz este testamento
de bens móveis e imóveis
e até de semoventes.
Se não agradar a todos,
Sempre é certo que p´los modos,
Vocês são muito exigentes.
Deixo à antiga Direcção
coisas de grande estadão:
ao Amílcar, um capacho,
para a falta de penacho.
E agora sem piada,
esta deixa que é sentida:
que torne a amar a Vida
e recobre a cor rosada.
E não se vá de longada,
é também desejo meu,
para sítio ignorado;
antes volte ao Ateneu,
onde tanto é estimado.
Ao Pacheco relojoeiro,
deixo um disco bem gravado
com um discurso inflamado
p´ra convencer o parceiro.
Poupará muito dinheiro
aproveitando o seu tempo,
porque os dias estão maus.
E no fim de toda a prosa
diz o disco em voz chorosa:
“o concerto é 20 paus.”
Também ao nosso Guilherme
da Circuncisão chamado,
eu vou fazer um legado
que é mesmo de pasmar:
aqui lhe deixo ficar
um triste encargo, afinal,
é ir ao meu funeral
com cara de sentimento.
Como não sou egoísta,
E como ele é um artista,
se for só, nada lamento,
´té dispenso a multidão,
basta-me o seu rabecão
para o acompanhamento.
Ó Marques, tu marcas sempre,
tu marcas em toda a parte,
destacas de toda a gente,
tens elegância e tens arte.
O que é que eu hei-de deixar-te
que te alegre o rir já franco?
Como tens bom coração,
olha, aí fica um tostão
para as falhas lá do Banco.
Machadinho, querido filho,
já não chego a ser avó,
já não canto o sol-e-dó,
já não trauteio o estribilho.
E na hora de morrer,
certo voto vou fazer,
que vai espantar os mirones:
como tens linhaça e lata,
deixarás os Telefones,
passarás a diplomata.
E deixo ao Henrique Dias,
uma pedra de amolar,
onde ele sem arrelias,
possa a tesoura afiar.
E também lhe quero legar
um tinteiro e três canetas
que ele poderá usar
no jornal que vai fundar,
“O Almocreve das Petas”.
Não esqueço a Orquestra Pontes,
tão cheia de cor e vida.
Eu, uma velha carcomida,
quando a ouvia tocar,
ainda sentia ganas
de ir pular e dançar.
E pelos votos que faço,
verás tu, amigo Pontes,
que eu não tenho mau génio;
que toques por vales e montes,
contratado pelo Eugénio.
E já alta madrugada,
depois de muito tocares,
paguem à rapaziada,
além da massa fixada,
umas horas suplementares.
E deixo ao José Faria,
Uma garganta de prata,
pois, como tem muita lata,
´inda ópera cantar podia.
E indo abrir loja nova,
para endireitar a vida
vou-lhe dar uma receita:
nada venda por medida,
mas sim tudo obra já feita.
E aos sócios em geral,
eu quero dar um conselho:
passem ali p´lo bufete
que há lá um vinho velho
que é de tirar o barrete.
Ao Nogueira vou dizer
aqui, sem que ninguém ouça:
casa depressa com a moça,
não esperes envelhecer.
Se ela. já farta de esperar,
te vem a dar com a janela,
não tornas a encontrar
uma pequena como ela.
E falando das senhoras,
só elogios posso ter
à sua elegância e graça...
o perfume que perpassa...
enfim, todos estão a ver.
Deixo-lhes um grande valor
que poderão pôr à prova:
isto é, um filtro d´amor
do mágico Barzabum.
Mostrem do que são capazes,
façam ralar os rapazes;
quando eu era também nova,
não me escapava nenhum.
E tu, ó Pereira da Silva,
cada vez estás mais menino,
e como nasceste em Março,
´inda hás-de ser Marcelino.
Visto a vida estar bicuda
vais apanhar a taluda;
deixo-te uma benzedura
para curares a mordedura
que te deram certos cujos,
e assim poderes arejar,
espanejar e lavar,
processos velhos e sujos.
À Orquestra dos Fininhos,
alguns sambas deixaria
se soubesse que ainda dançam
o Macedo e o Faria.
Mas como um agora é tropa
e o outro anda arredio,
levo os sambas para a cova
e não solto mais um pio.
E ao Agostinho Albino,
eu cá não deixo nem bóia,
pois já tem muito de seu,
que desde a guerra de Tróia,
ainda não apareceu
neste mundo uma outra Helena
que chegue à sua pequena.
Ao Arnaldo então eu deixo
um bom vaporizador
e uns maus cheiros muito finos
que é para ele seringar
determinados meninos
que se juntam lá na loja
a fazer sala de estar.
Fialho, vou-te deixar
em honra ao teu bigodinho,
uma incumbência taluda:
escreve para o “Pensa e Estuda”,
que aquilo está muito fraquinho.
Ao animador Candeias
vou contemplar de tal modo
que até se vai derreter...
deixo este espólio todo:
uns sapatos e umas meias
que eram do Fred Astaire.
Ao Soares, sempre animado,
bom amigo que se tem,
deixo trinta corridinhos
para ele dançar aos pulinhos,
ele é que sabe com quem.
Ao Arôcha quero deixar
uma coisa que lhe preste
nunca será codilhado
sempre que tenha arranjado
quatro trunfos de Ás e Best.
Esgotados os meus haveres,
ao findar o meu sofrer,
no momento derradeiro,
´inda tenho um gesto terno:
entrego a alma ao Inferno,
deixo a carcaça ao coveiro.
VELHA GAITEIRA
(R.C.NASCIMENTO)
(Lido pelo Autor no ATENEU SETUBALENSE, Baile de Mi-Carême, em 22 de Março 1941)
(Aqui em baixo, o original, dactilografado em 1941.)


sábado, 14 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O Amor há 70 Anos
(Carta de Amor por Procuração)
(Carta de Amor por Procuração)





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Excelentíssima Senhora
Eu quizera fazer calar no peito meu sofredor o sentimento insensato, porventura, que nêle nasceu e se enraizou de tal arte que me obriga a dar êste passo, a vir junto de vós, como o peregrino vai junto da capela longínqua, lançar-se aos pés da imagem da sua devoção, a implorar, a confessar.
A dizer-lhe da chama extranha e devoradora que reacendeu no meu ser e que é para mim, simultaniamente, a luz que me prende à vida e o fôgo que me há-de devorar até à morte.
Um boticário humilde pode levantar seus olhos, quando nêles brilhe o fôgo sincero do amor, para a dama que lhe avassala o pensamento, como o crente mesquinho pode e deve! elevar para Deus seus olhos a transbordar da chama da Fé; como o rústico pastor olhou o Menino, filho de Maria Santíssima e nascido no palheiro redentor lá nas terras benditas da Judeia.
Se alguma estima pode ter por quem a adora e só a si vê, se a minha sincera confissão algum eco puder ter na sua alma, leve uma flor ao peito ao baile do Grémio.
Mas é impossível! Para o mal da minha alma o único basalicão é o seu amor!
Seu admirador sincero e apaixonado,
Júlio P.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Memórias de Margarida, minha Irmã

Quadro (espelho) com o seu signo, Aquário

Soneto
Lápis na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé no estrado, a senhora ordena
Que o furtado ponteiro, (a sua avena),
A aluna o ponha ali ou a empregada.
A aluna, moça esbelta e aperaltada,
lhe diz coa doce voz que o ar serena:
Sumiu-se-lhe o ponteiro? É forte pena;
Ai, e a senhora tão apoquentada...”
— "Vous repondez assim? Vous zombez disto?
Tu pensas que por seres boa aluna
Não te ponho na rua?" E, dizendo isto,
Levanta-se, avançando qual foguete.
Eis senão quando (caso nunca visto)
Cai-lhe o ponteiro do bolso do colete!
Margarida Nascimento
(anos 60)
Como se vê, também não lhe faltava humor, apesar de a maioria dos poemas que deixou ser em género mais sério.
Também deixo aqui três dos seus desenhos, feitos talvez ainda durante os anos do liceu. São os poucos que já digitalizei, mas ainda falta muito, nomeadamente algumas aguarelas em género japonês, que ela muito apreciava.
Armas de Camelot
A Equipa
O Mordomo














