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segunda-feira, 1 de junho de 2009

As Crianças e a Música

(Republicação modificada do meu Blog "A Flauta de Pã").


Sunrise, Sunset

Como hoje é o Dia da Criança, aqui está um post para miúdos e graúdos. Que melhor do que deixar falar oa mais pequenos, por exemplo sobre Música? Vejamos então algumas respostas dadas por meninas e meninos ingleses nas aulas de Música.

- Händel era enorme: era meio italiano, meio alemão e meio inglês.

- A Fuga mais maravilhosa foi protagonizada por índios a fugir de cowboys.

- Caruso começou por ser italiano; depois, alguém o ouviu cantar e disse que ele iria longe; por isso, partiu para a América.

- As palhetas do Clarinete são tão finas e frágeis que não servem para mais nada.

- A música cantada a duas vozes chama-se um duelo.

- O Xilofone é um instrumento muito usado, sobretudo para ilustrar o emprego da letra X nas aulas.

- Agnus Dei foi uma compositora famosa pela sua música sacra (esta é genial...)

E depois das opiniões musicais das crianças inglesas, vejam e mostrem aos mais pequenos este delicioso minivídeo dos PAGANINUS - Orquestra de Violinos do Conservatório de Setúbal (desligar previamente o player no início do post).

Balancé

Então para todos um óptimo Dia da Criança... sem esquecer, naturalmente, aquela que permanece em nós!

sábado, 25 de abril de 2009

Defendamos
o Cravo de Abril !


Ó belo cravo de Abril,
querem fazer-te murchar.
Há para aí farsantes mil,
que só querem metal vil,
e a ti pretendem pisar.

Estes mandantes de agora,
sonegam a liberdade,
e andam pelo País fora
discursando a toda a hora,
mas não dizendo a verdade.

Foi há trinta e cinco anos
que nasceste entre canções.
Caíram por terra os planos
dos sequazes e tiranos
e abriram-se as prisões!

Eram tempos de alegria,
de dar as mãos e cantar
de pensar que a aleivosia,
a ganância e a cobardia
iam por fim terminar.

Mas que vemos hoje em dia?
Teus ideais espezinhados,
tristeza, melancolia,
desânimo e apatia,
nos pobres e desempregados.

Mas, cravo, não te amedrontes!
Ainda há, quem, sem temer,
por cidades, vilas, montes,
não esquece os horizontes
que tu abriste ao nascer!

Leonor 2009

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Salvemos o Cravo de Abril!


Ó belo cravo de Abril,

querem fazer-te murchar.

Há para aí farsantes mil

que te querem pôr a andar.


Quiseste medrar, crescer,

num jardim de liberdade,

mas quiseram-te tolher(*)

e quebrar tua vontade!


Já te pisaram a haste

já te arrancaram a corola...

o sonho que idealizaste

quase se esfuma e evola.


Mas, cravo, não te amedrontes!

Outros há, que, sem temer,

por cidades, vilas, montes,

por muitos anos que contes,

não te deixarão morrer!


Aspásia 06 e 08



Canto do Amanhecer
Carlos Paredes

PS - O correcto seria "quiseram tolher-te" mas sacrifiquei a gramática à rima...

OUTROS POSTS MEUS SOBRE O 25 DE ABRIL

segunda-feira, 24 de março de 2008

Aceita esta Valsa
(Tradução livre de
Take this Waltz)

Valsa Vienense

Em Viena há dez mulheres belas.
Há um ombro onde a Morte vem chorar.
Há um átrio com novecentas janelas.
Há uma árvore onde morrem as pombas,
quando já não conseguem voar…

Há um pedaço arrancado à manhã
suspenso na Galeria Gelada…
Ay… ay ay ay
Aceita esta valsa, esta valsa, esta valsa,
apesar da boca amordaçada.

Ah, eu quero, quero, quero ver-te
numa cadeira, lendo um jornal sem cor…
Numa gruta na ponta de um lírio,
num atalho onde não foi o amor…

Numa cama onde a Lua suou,
num grito de areia e pegadas…
Ay… ay ay ay
Aceita esta valsa, esta valsa, esta valsa,
cinge-a pela cintura quebrada…

Esta valsa, esta valsa, esta valsa, esta valsa,
com o seu hálito de brandy e Morte,
arrastando a cauda no mar…

Há uma sala de concerto em Viena,
onde a tua boca mil vezes cantou…
Há um bar onde os jovens se calam
porque o blues à Morte os condenou…

Ah, mas quem ousa escalar o teu retrato
com a coroa de lágrimas que acabou de tecer?
Ay… ay ay ay
Aceita esta valsa, esta valsa, esta valsa,
há tantos anos que ela anda a morrer…

Há um sótão onde brincam as crianças,
breve lá nos amaremos, tem de ser…
num sonho emoldurado por lanternas húngaras,
na neblina doce de um entardecer…

E verei que à tua tristeza acorrentaste
o teu rebanho e os teus lírios de neve…
Ay… ay ay ay
Aceita esta valsa, esta valsa, esta valsa,
com um “não te esquecerei, sabes?”, breve.

E dançarei contigo em Viena
e hei-de ir disfarçado de rio,
um jacinto selvagem no ombro,
e minha boca, lenta, bebendo
nas tuas coxas o orvalho frio.

E sepultarei a alma num velho livro
entre o musgo, lembras-te?, e as fotografias…
e à cheia da tua beleza lançarei
o meu violino barato e a cruz
onde me crucifico todos os dias…

E dançando haverás de levar-me
aos lagos que te brotam dos pulsos…
Meu amor, meu amor,
aceita esta valsa, esta valsa, esta valsa…
É tua agora. E é tudo.
**********

Poema original Pequeño Vals Vienés de F. García Lorca

Versão Inglesa e música - Leonard Cohen

Tradução livre da versão Inglesa - Aspásia 1995

sexta-feira, 21 de março de 2008

PPPP
Pai... Primavera...
Poesia... Páscoa....

Já repararam que andamos em maré de dias P ???

Dia 19 foi Dia do Pai.
Ontem começou a Primavera...
Hoje é dia da Poesia e 6ª feira de Paixão (para os católicos).
E no Domingo é a Páscoa!!!

Hmmmmm... será que tudo isto dará para fazer um Post 5 em 1 ??? Juntando todos os P !!!...

Piece of cake! Publicando aqui um Poema de meu Pai, que com ele concorreu - há 67 anos! - aos Jogos Florais da Primavera realizados em Setúbal, em 18 de Abril de 1941, organizados pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial “João Vaz”, tendo obtido o 1º Prémio em Soneto Clássico.

Aproveito também "andar com a mão na massa" pois ando a organizar e informatizar toda a poesia de meu Pai, desde os anos 30 até hoje! (Por isso tenho andado com falta de tempo para vos visitar... e meu Pai apesar de estar de óptima saúde agora, já vai fazer 94 anos em Junho. Por essa altura eu queria ter a peça de teatro dele, que já foi publicada no "Quintal" em capítulos, em PDF na Net. E um livro com os poemas dele.)

Quanto ao dito Soneto refere-se à Paixão de Cristo ou seja... à Páscoa.

Apesar de o autor ser ateu, lá versejou e declamou o trabalho de modo a fazer inveja a muito crente... inclusivamente um senhor padre lhe perguntou como podia um ateu fazer uns versos assim! O padre, pelos vistos, não sabia que o Poeta é um fingidor...


Redenção

A Treva cai na Terra e vem impôr
pesado luto à turba que emudece.
No Gólgota, escalvado, a Cruz parece
a trágica visão da própria dor.

Crucificado, exangue, o Redentor,
de espinhos coroado, a Vida oferece,
em Santo Sacrifício, que trouxesse
a salvação ao Mundo pecador.

Debalde, ó lei humana, condenaste
Aquele que pregou a Lei dos Céus
e com ferro assassino O trespassaste!

Jesus rasgou da Morte os negros véus
e vencendo a mentira que afirmaste,
deu a Verdade ao Mundo: a Fé em Deus!

R. C. Nascimento

Setúbal, 1941


A metade superior da página de O Setubalense, referindo os Jogos Florais de 1941. No fim da 2ª coluna menciona-se o prémio atribuído ao autor, no cimo da 4ª coluna está o soneto. Na 3ª coluna, pode ler-se "No fim, dansou-se." (ainda se escrevia com s)...
(Cliquem para aumentar

Neste caso a falta de hábito... fez o monge, não acham?


BOA PÁSCOA PARA TODOS !!!

sábado, 8 de março de 2008

MULHER

Apesar de já muitos de vós o conhecerem, hoje, Dia da Mulher, republico este poema.

Ofereço esta rosa vermelha do meu jardim (desenhada aos 16 anos)
a todas as Amigas que a quiserem levar!

Mulher é vasto conceito
Mas direi, num improviso:
É nada, quando dá jeito;
Faz tudo quando é preciso.

É Filha da sua Mãe,
É Neta da sua Avó
Às vezes sente-se bem
Às vezes sente-se só.

É Irmã do seu Irmão
Sobrinha da sua Tia
E varre à noite do chão
O lixo de cada dia.

É Aluna do seu Mestre
É Colega e Companheira
Ora trabalha ao semestre
Ora vai vender p´rà feira.

Amiga da sua Amiga
Amante do seu Amor
De dia apanha espiga
À noite abre-se em flor.

Enfermeira no hospital
Ou 2ª Mãe na creche
Ora a Morte vê, fatal,
Ora o bebé que remexe.

Artista, Diva ou Escritora
Desconhecida ou genial
Engenheira, Professora,
Pode dar Bem e haver Mal.

Também como não é santa
Muitas asneiras comete
Mas se tiver força tanta
Corrige-se e não repete.

Pode ser que seu Amor
Seja o seu Homem também
Se por acaso não fôr
Pode escolher outro Alguém.

Pode ser que seja rica
Pode ser que seja pobre
Que vá buscar água à bica
Ou pinte no salão nobre.

E se um dia fôr Avó
Mãe pela 2ª vez
Pode desatar-se um nó
E fazer o que não fez.

Pode sempre viajar
Ou d´aldeia não sair
Mas se amar, rir e cantar
Mundos há-de descobrir.

E se às vezes se vir só
De todos abandonada
Ficará de meter dó
Se não fôr desenrascada.

Um dia velha e cansada
Vai-se embora desta guerra
Mas se amou e foi amada...
Será semente na terra.

Aspásia 07