quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Autumn Leaves

Diana Krall
CopyLeftAspásia 99




The Autumn leaves
drift by my window,
The Autumn leaves
of red and gold

I see your lips,
the summer kisses,
The sun-burned hands
I used to hold.

But since you went away ,
the days grow long
And soon I´ll hear
old Winter´s song...

But I miss you most of all, my darling,
when Autumn leaves start to fall.

(Letra: Nat King Cole

Música: Joseph Kosma

Int.: Diana Krall)

Folhas de Outono

domingo, 21 de outubro de 2007

MULHER



Mulher é vasto conceito
Mas direi, num improviso:
É nada, quando dá jeito;
Faz tudo quando é preciso.

É Filha da sua Mãe,
É Neta da sua Avó
Às vezes sente-se bem
Às vezes sente-se só.

É Irmã do seu Irmão
Sobrinha da sua Tia
E varre à noite do chão
O lixo de cada dia.

É Aluna do seu Mestre
É Colega e Companheira
Ora trabalha ao semestre
Ora vai vender p´rà feira.

Amiga da sua Amiga
Amante do seu Amor
De dia apanha espiga
À noite abre-se em flor.

Enfermeira no hospital
Ou 2ª Mãe na creche
Ora a Morte vê, fatal,
Ora o bebé que remexe.

Artista, Diva ou Escritora
Desconhecida ou genial
Engenheira, Professora,
Pode dar Bem e haver Mal.

Também como não é santa
Muitas asneiras comete
Mas se tiver força tanta
Corrige-se e não repete.

Pode ser que seu Amor
Seja o seu Homem também
Se por acaso não fôr
Pode escolher outro Alguém.

Pode ser que seja rica
Pode ser que seja pobre
Que vá buscar água à bica
Ou pinte no salão nobre.

E se um dia fôr Avó
Mãe pela 2ª vez
Pode desatar-se um nó
E fazer o que não fez.

Pode sempre viajar
Ou d´aldeia não sair
Mas se amar, rir e cantar
Mundos há-de descobrir.

E se às vezes se vir só
De todos abandonada
Ficará de meter dó
Se não fôr desenrascada.

Um dia velha e cansada
Vai-se embora desta guerra
Mas se amou e foi amada...
Será semente na terra.

Aspásia 07




(Desenhos: Aspásia 92)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

FIFTY FIFTY :-/...



Cinquenta é meia centena
e dobro de vinte e cinco
´inda ontem era pequena
brincando na tarde amena…
Hoje em dia pouco brinco.

Mas um dia não são dias
e fui buscar a caneta
p´ra escrever umas tropelias,
esquecendo as melancolias
desta idade já provecta!

Senhores, como sabeis,
tenho jeito p´ra palhaça…
Ignoro se vos rireis
destas rimas que lereis (?)
mas vou fazer por ter graça…

´inda ontem era menina
de vestidinho de tule,
erguia-me pela matina,
lavava-me numa tina
e bebia o chá p´lo bule!

Um dia, em tempos idos,
fui admitida na escola,
levei lápis coloridos
e objectos indefinidos
tudo dentro da sacola…

A Mestra, ao ver-me, pensou:
“Esta vai dar-me trabalho.
- Como se chama? – indagou.
- Todos me chamam Nonô,
pois sou Leonor de Carvalho…”

O tempo lá foi passando,
ditados e correrias,
ora lendo, ora brincando,
cantando ou desenhando,
pelas férias ansiando,
decorriam os meus dias!

Felizmente, desde cedo
sempre gostei de estudar…
Das contas não tinha medo
e os livros eram o brinquedo
que eu mais custava a largar!

Sempre tive “boas notas”:
- Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si …
Julgavam que era das outras???
Dessas já não tenho provas,
pois os diplomas vendi…
que as de papel eram poucas!!!

Como sempre me interessei
por engenhos, maquinetas,
problemas de semi-rectas,
ímanes, transistores, provetas,
em Engenharia entrei…

Na cabeça misturei
fazendo grande salada,
buracos negros, cometas,
deltas, alfas, gamas, betas,
neutrões e água pesada...
Mas que enorme baralhada!

De rir não tenho vergonha,
as rimas de humor me atraem,
mas às vezes estou pamonha
e faço tal carantonha,
que até os santos do altar caem!

Já estou nisto há meia-hora,
tem sido “sempre a aviar”…
meus amigos, vou-me embora…
Quem empresta não melhora,
por isso os versos vou dar,

mesmo feitos à pressão,
que o tempo é ai que mal soa…
Espero obter vosso perdão,
sou queijo, queijo, pão, pão,
nada e criada em Lisboa,
há dez lustros, pois então!

O resto da minha história
ficará para outra vez…
Se conservar a memória,
saúde satisfatória,
e não emigrar p´ra Fez!

Esta é difícil idade,
não sou velha nem sou nova…
Já vou da missa a metade,
essa é que é a realidade,
provada à sa(o)ciedade,
p´la pobreza desta trova!

Aspásia 07

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"TESTAMENTO"
* Dito pelo Amigo JFR *


CAROS AMIGOS/AS

ACABO DE TER A GRATA SURPRESA DE VER E PRINCIPALMENTE OUVIR!, O MEU POEMA "TESTAMENTO" DITO - E MUITO BEM! - PELO AMIGO JFR, QUE MUITO GENTILMENTE ME HAVIA PROPOSTO FAZÊ-LO. COMO TENHO ANDADO BASTANTE AFASTADA DESTAS LIDES, SÓ HOJE, E ALERTADA POR UMA QUERIDA E ATENTA AMIGA (OBRIGADA, MTC !), VI O MEU TRABALHO EXTREMAMENTE VALORIZADO POR ESTA LEITURA IMPRESSIONANTEMENTE EXPRESSIVA, PELA "ILUSTRAÇÃO" POR IMAGENS DE GRANDE FORÇA E BELEZA E A COLOCAÇÃO NO YOUTUBE, PELO JFR, A QUEM, MUITO COMOVIDAMENTE, AGRADEÇO E ABRAÇO! MUITO OBRIGADA, AMIGO, POR ESTA GRANDE ALEGRIA QUE ME DEU!

******************************
(Segue reprodução do Post do JFR no seu Abaixa-Voz)
******************************
Sábado, Agosto 18, 2007

Testamento - Poema de Aspásia
Um momento de poesia. Escrito - muito bem - por uma mulher: Aspásia. Lido por um homem. Eu.

Pode ouvir aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=rjh4OcKaMiw

Posted by JFR at 12:54 AM

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DIA DA MÚSICA


Erato, Musa da Música

… ela é definida(?) nos compêndios por meia dúzia de palavras (pouco musicais…), algo como “sucessão de sons formando uma frase melódica” ou “a maneira de exprimir sentimentos por meio de sons”…
mas quanto a mim penso limitarem-se essas pseudo-definições ao aspecto exterior e teórico, são definições “a frio”… de facto, como podem elas dar conta do carácter universal e multifacetado de uma das mais antigas formas de Arte conhecidas da Humanidade e que mais contribui para o engrandecimento interior de cada um de nós e desenvolvimento da comunicação com os outros? Haverá outra forma de Arte que possa proporcionar um tão vasto leque de gradações emocionais aos que à sua fruição se entregam? Desde a majestade e grandiloquência, ou talvez melhor, grandissonância… de uma sinfonia de Beethoven ao sentido virtuosismo de um nocturno de Chopin… dos ritmos contagiantes do folclore russo ou espanhol à serenidade infinita de trechos de alguns compositores nórdicos… nunca essas belas ondas do oceano musical deixaram de me fazer experimentar uma miríade de sentimentos, uma diversidade de estados de alma, só possível pela existência daquilo que esta simples palavra − Música − representa…
TESTE





* Impromptu in A Blue *
(Improviso em Lá Azul)

Texto e "Improvisação" da Música - anos 80
Interpretação e Registo Mp3 - 2006
by Aspásia

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

PELA PAZ!


PEDE-ME A VÓ AMIGONA
QUE EU VERSEJE PELA PAZ…
AMIGA, ANDO NUMA FONA,
VAMOS VER SE SOU CAPAZ...

VIVE DIAS DE TORTURA
ESTE MUNDO ENSANGUENTADO!…
MILHÕES VIVEM EM AGRURA,
BUSCA-SE AMOR E TERNURA
UM POUCO POR TODO O LADO...

ANDAM BOMBAS PELO AR,
E ATÉ NO CINTURÃO!
QUEREM UNS, OUTROS MATAR,
NÃO LHES CHEGA SÓ ROUBAR,
A FORÇA VENCE A RAZÃO!

FICAM OS FILHOS SEM PAIS
FICAM OS PAIS SEM SEUS FILHOS,
IRMÃOS NÃO SE ENCONTRAM MAIS...
MORREM PLANTAS E ANIMAIS,
ESTE MUNDO É SÓ SARILHOS!

O MUNDO ANDA NUM CAOS,
FORAM-SE A FÉ E O SORRISO!
ALGUNS HOMENS SÃO TÃO MAUS
QUE MAIS PARECEM LACRAUS…
POR ISSO FICA O AVISO
DESDE A PATAGÓNIA AO LAOS,
PAZ NO MUNDO É QUE É PRECISO!
Aspásia 07

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

ENTRE CIÊNCIA E PAIXÃO (1994)

Minerva


(Volto hoje a repescar neste Blog um dos antigos Posts/Poemas... este adaptado de um Post que dediquei a António Gedeão aquando do seu 100º Aniversário em Novembro passado).

(...) Posso dizer que desde os bons tempos do Liceu Filipa de Lencastre, a Física foi a disciplina que mais me fascinou, tendo concluído o antigo 7º ano com média de 19 a Física, a nota mais elevada que alguma vez tive. E claro que esse fascínio perdura até hoje... tendo meu Pai, autodidacta também nesta ciência, nomeadamente na Física Relativista de Einstein, muito contribuído para esta minha paixão. Havendo cá em casa muitos livros sobre Einstein e a Relatividade, nos tempos do Liceu devorei-os quase todos. De facto terei lido ao longo da vida tanto de literatura "científica" como "literária"...
Também recordo, aí pelos meus 7 ou 8 anos, de ver meu Pai a construir uma maquineta com tubos de alumínio e ímanes, onde por umas calhas deslizavam umas bolas de metal pesadas e brilhantes que ainda por aí andam... destinava-se este engenho a obter o moto perpétuo... eu, claro, passei uma fase em que não largava os ímanes e as bolas de metal de vários tamanhos... infelizmente, o Pai não conseguiu o movimento perpétuo... mas foi uma boa tentativa!
Assim, achei por bem e sendo a Poesia outra das minhas paixões, dedicar ao Físico Rómulo de Carvalho e ao Poeta António Gedeão - que também me inspirou a fazê-lo - um poema já com uns bons anos, onde tento, através da Paixão pela Ciência, chegar à Ciência da Paixão.


Entre Ciência e Paixão

Espantoso mal me atingiu
um dia, quando não esperava;
tudo o que é Lei infringiu,
toda a Razão me fugiu
e hoje, do Amor sou escrava.

Vou entrar em confidências:
resposta para este Amor
fui procurar nas Ciências;
interrogar sapiências
de físico e pensador.

Ai de mim! Para mal meu,
não explicam esta paixão
nem Freud, nem Galileu,
nem Einstein, nem Ptolomeu,
nem mesmo o próprio Platão!

Corri então os poetas,
li romances com afã;
vidas de heróis e ascetas;
teatro de marionetas,
de Molière e de Rostand...

Continuei, pressurosa;
li Voltaire, li Descartes,
Nietzsche, Cervantes, Espinoza...
Qualquer poesia ou prosa,
filosofia ou arte.

Corri todos os museus,
exposições e concertos.
Vi Picasso, admirei Zeus,
ouvi Wolfgang Amadeus -
obras completas e excertos...

Estudei as religiões,
tantas quantas achar pude;
e fiz peregrinações,
jejuns e meditações...
Li a Bíblia e o Talmude.

O Alcorão li também,
e, para salvar a alma,
dei esmolas, fiz o bem;
mas não pude encontrar quem
me restituísse a calma...

Procurei na Biblioteca,
do Mar Morto, os manuscritos;
mas, mesmo virada a Meca,
não me surgiu um Eureka!
da leitura desses escritos...

Estudo a Pedra de Roseta,
já sei Sânscrito e Latim,
vão correndo a ampulheta
e a clépsidra obsoleta
nesta pesquisa sem fim...

Quer de noite, quer de dia,
devoro, afincadamente,
Matemática, Poesia...
História e Antropologia
leio até ficar doente...

Já ninguém me reconhece,
nem pais, nem primos, nem tias.
O tino já me falece,
já tenho a espinha em s
e subi dez dioptrias!

Ao microscópio analiso
as lágrimas que chorei...
E um relatório conciso
cada noite realizo
das penas que suportei.

E, telescópio na mão,
noite alta, no firmamento,
procuro a constelação
que se encontra em conjunção
com Vénus, nesse momento...

Infelizmente, porém,
não ponho fim neste enigma;
não resolvo esta equação;
e, nem por integração,
acho alfa, gama ou sigma...

Desde a Relatividade
à Teoria do Eu,
procurei com ansiedade
descobrir uma Verdade
que me tirasse do breu.

Já vi no televisor
tudo o que é curso em cassette;
sei operetas de cór;
fui para o computador
e liguei-me à Internet...

Apesar desta procura,
continuei ignorante;
de Amor, o mal não tem cura
e eu, que era tão segura,
vivo hoje periclitante...

E, fartas do turbilhão
que me avassala por dentro,
a Cabeça e a Razão
ordenam ao Coração
que mate este sentimento.

O Coração, no entanto,
responde: "Procurai mais!
Apesar desse quebranto
não me tireis deste encanto
em que também navegais..."

E presa nestes dilemas,
vasculho as Enciclopédias,
equaciono problemas,
demonstro leis, teoremas,
leio farsas e tragédias...

Com tanto estudo, afinal,
tirei três licenciaturas:
Quântica Medieval,
Genética Sideral
E Fisio-Literaturas!!!

E, apesar de não achar
para meu mal solução,
vou, para me graduar,
em breve, tentar tirar
Doutoramento em Paixão
...

Aspásia 94


sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Porto Sentido... a Sul

A amiga Sophiamar publicou há dias um Post contendo um Vídeo com a bela canção Porto Sentido. De imediato e com alguma emoção, recordei este Post que coloquei neste Jardim, há um ano atrás. Querida Sophiamar, apesar de já te ter deixado um link para o meu antigo Post, decido mesmo republicá-lo, dedicando-to com o maior carinho, pois "a Amizade só pode existir entre quem ouve a mesma Canção" ! Um grande beijo meu, sentido em Lisboa, sente-o tu onde quer que te encontres!


O Porto ao entardecer
(Foto
daqui)

Pelo "Porto Sentido" já eu ficara apaixonada desde a primeira audição. Para mim continua mesmo a ser a mais bela canção do Rui Veloso. Não só pelos versos e melodia incomparáveis, mas também porque, dedicada a uma cidade, parece também dirigida a alguns de nós em certas fases da vida.
Há um bom, mas mesmo bom par de anos, princípios de Março, fui passar uns breves dias de férias a um Algarve completamente primaveril. No caos do saco das cassettes de então, lá ia também uma do Rui Veloso. Os diazitos decorreram breves, algumas correrias para conhecer melhor o Barlavento, desde Quarteira ao Cabo de S.Vicente, ali, onde a terra acaba e o mar começa, gozando da hospitalidade de uma amiga de Lagos. O último dia, esse, aproveitado para descansar um pouco na paz e sossego de Pedras da Rainha, quase no extremo oposto. E na manhã seguinte, mesmo antes do regresso a Lisboa, carro já atafulhado, não resisto, um passeiozinho à beira da Formosa, o pinhal de Cabanas cá em cima, a ria lá em baixo, belezas estas já bem conhecidas de outras estadias, mas sempre saudosas, de tão distantes. E nessa altura do ano, imperturbadas pelas multidões estivais... Então, ideia brilhante, ouvir ali na luz, tão a Sul, o “Porto Sentido”… faria sentido??? Um dia já recuado, "o Corridinho foi dançando até Lisboa...", porque não levar eu agora o Porto ao Sotavento Algarvio? Digressão por sinal bem mais longa...
E na luminosidade feérica de um meio-dia algarvio, reflexos intensos na água azul e desabrochar de verdes atrás de mim, começo a ouvir a voz e a música do Rui e as palavras do Carlos Tê. Luzes sombrias, tons cinzentos, neblinas e lampiões, pedras sujas e gastas da sua bela Cidade, não pareceram entrar em conflito com a luz forte, o azul intenso, o claro areal algarvios. Belezas tão distantes – afinal se calhar só no mapa – mesmo ali não colidiam, complementavam-se, olhos e ouvidos estavam em harmonia,.. E, quando a canção chegou ao fim, jeito fechado de quem mói um sentimento e altivez de milhafre ferido na asa, percebi também não serem exclusivos de uma cidade ou lugar. Senti-os plenamente humanos e, por isso mesmo, universais.


A Praia de Cabanas
(Foto Aspásia)

* * *
Nota: Esta "história" passou-se em Abril de 1994. Foi lida no programa "História Devida" de dia 7 de Agosto de 2006 da Antena 1. (Infelizmente, creio que já não está disponível nos podcasts da RTP.)




Neste mesmo dia, há 51 anos, meus Pais partiam para o Porto em lua-de-mel. Infelizmente, minha Mãe já não está connosco para hoje comemorarem as Bodas de Ouro. Fica mais esta recordação...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Trova Medieval Feminista


Sou guerreira apaixonada,
Joana d´Arc doutras guerras,
de Amor é minha cruzada,
para mim é tudo ou nada,
quebrarei escudo e espada
por ter esse coração
que no castelo do peito
com tanto cuidado encerras.

És príncipe de olhos negros
recortados em veludo...
enredar-te em meus enredos,
partilhar os teus segredos,
para mim é nada ou tudo,
e é por causa dos teus medos
que te engano, que te iludo...

Vamos inverter a História,
pôr futuro no passado:
para mim a fama e glória,
serei a conquistadora,
serás tu o conquistado,
serei eu tua senhora,
tu meu escravo alforriado,
meus desejos, sem demora
atender, será teu fado...
- mas do fogo dos meus beijos
também ficarás marcado...

Princesas presas em torres
era o tema mais comum...
Hoje invertem-se os valores,
cavaleiros e senhores
de valor, não há nenhum...
com medo de sofrer dores,
paixões cegas, desamores,
de mulher apaixonada
fogem todos, um a um...


* * *

ASPÁSIA 98

quinta-feira, 26 de julho de 2007

OUTRA BRINCADEIRA BABELGLOTA (???)

A Narnia chamou-me internacional e eu lembrei-me de lhe oferecer esta pequena Ode de Babel... e assim vou fazendo umas revisões do que estudei quando andei lá na construção da Torre... in illo tempore ! ;)))...
Babel
INTERNACIONAL NÃO SOU
JE N´AI PAS TELLE INTENTION,
BUT ONLY TO SAY ALLO!
ME GUSTA ESTA ILUSIÓN,
AND´RE SPRACHE LIEBE ICH SO,
E DEL POEMA AMANTE SON´!...


TRADUÇÃO
(ou seja, TRAIÇÃO...;)

INTERNACIONAL NÃO SOU
NÃO TENHO ESSA INTENÇÃO,
APENAS DIZER "ALLO"!
EU GOSTO DESTA ILUSÃO,
DE POEMAS AMANTE SOU...
E AS LÍNGUAS SÃO DIVERSÃO!

(Como é evidente, troquei o 5º verso com o 6º para rimar... TROCA-TINTAS, TRABA-LENGUAS, fica tudo em família... ah, não se aceitam pedidos de traduções de Língua de Vaca, nem mesmo de Vaca Fria ;)))...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

"POEMA" EM SEIS LÍNGUAS
(Resposta à SOPHIAMAR)

A amiga Sophiamar perguntou-me donde sou... eis a resposta!


SOU DUM PAÍS - PORTUGAL,
PERO DE OTRAS PARTES SOY,
JE SUIS HUMAINE ET ANIMAL,
I´M A GIRL BUT COULD BE A BOY...
ICH WAR FROLICHE EINMAL!
OGGI IL DOLORE ME VUOI...

Aspásia 07.7.20
(imagem da net)

terça-feira, 17 de julho de 2007

POEMA SÓ PARA ALGUNS QUE ESPERO NÃO SEJAM A MAIORIA...



Ó Homem, ser insensato!
Correm séculos… e tu
pouco cresceste do Nada.
Daninho, vaidoso e cru,
o corpo pões tu a nu,
− mas fica a alma tapada…

Vamos lá ver se consegues
sair desta vil tristeza…
E se entendes, se percebes,
que à luz da cósmica lei,
tu não és Deus nem és Rei…
− és apenas Natureza.



***

P.S. - Homem... em sentido lato, claro...


Aspásia 96

terça-feira, 3 de julho de 2007

AMADEUS



Comemorando 2006 - o Ano Mozart - este poema foi a minha première poético-musical na Blogosfera, no dia do 250º Aniversário de Mozart (27 Janeiro 2006), aqui no Jardim. Posteriormente, redecorado e musicado foi republicado em A Flauta de Pã...


* * *




Sempre ouvir-te é sempre amar-te,
ó divino, ó talentoso
Wolfgang Amadeus Mozart,
pois da Música na arte,
foste génio portentoso.

Em teus anos de criança,
deslumbravas quem te ouvia;
e toda a aristocracia
nos belos salões de dança,
se curvava e te aplaudia,
perto do Lago Constança.

Aos seis anos já mostravas
juízo de mais idade,
falavas com gravidade;
ao cravo já te sentavas
e teu Minuete tocavas
com talento e habilidade!



As cortes da velha Europa
percorrias sem cessar,
foi tua música ouvida,
incensada e aplaudida,
desde Itália à grande Rússia,
pelo Doge e pelo Czar.

A meio da juventude,
é que eras mais malandrote,
gostavas mais de brincar,
pregar partidas, dançar,
e as donzelas, num virote,
estavas sempre a conquistar…



À Ópera que nos deixaste
deste a alma e a frescura.
“Mágica Flauta” sopraste…
Papageno e Papagena
os cobriste de verdura,
e Pamina com Tamino
levaste ao Céu da ventura.



“Don Juan” se precipitou
nas profundas do Danado,
pois à ceia convidou
− esse desplante ele ousou! −
o rival assassinado…
E, arrogante, blasfemou
do perdão que lhe ofertou,
do Comendador, a estátua
que tanto tinha ultrajado.



Tal qual o barbeiro Fígaro
foste também um “faz-tudo”.
Nas “Bodas”, era um Entrudo,
pois todos se disfarçavam,
se escondiam e aldrabavam…
Mas no final se abraçavam,
pois o Amor vence tudo.



Não deverá ser esquecido
um teu amigo, também,
Lorenzo da Ponte, a quem
a letra dessas histórias
devemos, e que, contigo,
está vivo em nossas memórias.

Lorenzo da Ponte

Sinfonias compuseste,
quase feitas de improviso,
tantas e de tal beleza
e alegria ao ouvido,
que, num dia mais agreste,
são capazes de a tristeza,
nos transformar em sorriso.



E foi tal teu frenesim
a compôr e ensaiar
dias e noites sem fim,
uma obra monumental
que te houvera encomendado
certo enviado do mal
− dizem que foi o Salieri,
mas não há prova de tal −
que as forças que te restavam,
pouco a pouco se esgotavam
nesse Requiem fatal.

Sim, foste o Amado de Deus,
mas os homens do teu tempo
negaram-te chão sagrado,
e à vala foste lançado,
tal qual fosses cão danado,
ou traste sem valimento…
Mas passado tanto tempo,
teu talento ainda dá brado
entre almas de sentimento;
e hoje és génio celebrado,
para sempre recordado,
da Música és monumento…
Wolfgang Amadeus Mozart,
de Euterpe és filho na Arte…
do Mundo és deslumbramento!!!





Sinfonia nº 29 em Lá Maior K201 (Menuetto - Allegro con spirito)

* * *

E algumas das sombras chinesas, de um total de 146, representando as quatro principais óperas de Mozart, recortadas em papel preto pela tesoura de Lotte Reiniger, em 1971.

domingo, 1 de julho de 2007

ANÚNCIO


Se quiseres dedicar
uma estrofe à namorada,
se quiseres (en)levar
a sogra, o primo, a criada…
não tens mais que encomendar:
sou poetisa encartada,
versifico qualquer tema,
faço trova, ode ou poema,
rimo por tudo e por nada.

Faço versos a granel,
ao litro, ao metro, ao quilate,
ternos bolinhos de mel,
bravos galos de combate
Numa folha de papel,
escrevo tese ou disparate,
em letrinhas de hidromel,
de cicuta ou erva-mate…

Peço a Lili p´ró Manel,
trato divórcio ou engate,
do velho faço donzel,
fel transformo em chocolate…
Da choupana faço hotel;
do albardeiro, alfaiate;
o tolo armo em bacharel,
o recruta em coronel,
e ao Rei… dou Xeque-mate.

(Tenho encomendas a rodos,
não posso fazer mais nada…
Poetas querem ser todos
que é casta mui ilustrada…
E lá lhes mostro bons modos,
vou aumentando a mesada,
à custa destes engodos
de "poesia alugada"…)

Amigo, amiga, não esperes,
deixa o teu nome e morada,
irei ter onde estiveres,
com a caneta afiada…
Se dinheiro não tiveres,
aceito a alma empenhada,
se os versos não entenderes,
faço versão ilustrada…
Ponho em verso o que quiseres,
cativo homens e mulheres,
arranjo empregos, mesteres,…
e não pagas quase nada!...

(Aspásia 98)


P.S. - Este "anúncio" foi "posto" numa altura em que andava com mais tempo... infelizmente, de momento não posso receber encomendas, amigos! Para compensar, de vez em quando tento comentar em verso nos vossos blogs ou aqui...

terça-feira, 26 de junho de 2007

POEMA ESCRITO
EM VÃO



ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO TRANSMITE TESE,
NÃO FAZ EXEGESE,
NÃO DÁ CATEQUESE,
NÃO DIZ SIM NEM NÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO QUER SER SINCERO,
NÃO TRAZ DESESPERO,
FOI FRUTO DO MERO
VAGUEAR DA MÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO É VERDADEIRO,
NÃO É CORPO INTEIRO,
SAIU DO TINTEIRO
SEM QUALQUER RAZÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO PRETENDE OBTER
DAQUELE QUE O LER,
APLAUSO, OU SEQUER
LEVE APROVAÇÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO SENTE CALOR,
NÃO GRITA DE DOR,
NÃO MORRE DE AMOR,
NÃO VIVE EM PAIXÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NUNCA TEVE NORTE,
NEM AZAR, NEM SORTE…
E VAI PARA A MORTE
SEM PEDIR PERDÃO.

***
Aspásia 98

sábado, 23 de junho de 2007

NO QUINTAL DO MEU PAI, E APESAR DE JÁ ESTARMOS NO SÃO JOÃO...

LISBOA EM FESTA HÁ 40 ANOS

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A BATATA ENTRETANTO ARREFECEU...


... MESMO APESAR DO INÍCIO DO VERÃO, AMIGA GASOLINA ! MAS SÓ HOJE ME É POSSÍVEL RESPONDER AO TEU REPTO (NÃO CONFUNDIR COM RÉPTIL, NATURALMENTE ;))... LITERÁRIO.

HOJE EM DIA, COMO MUITOS JÁ SABEM, OU CALCULAM, UM LIVRO É PARA MIM QUASE UM E.T. ... DE FACTO, A LEITURA DE UM LIVRO QUALQUER TEXTO ESCRITO EM PAPEL, É-ME NEFASTA DEVIDO AO PROBLEMA INFLAMATÓRIO DA SUPERFÍCIE OCULAR QUE ME SURGIU HÁ 12 ANOS. ASSIM, AINDA É NO PC, ONDE O TIPO DE LETRA SE PODE AUMENTAR E POSSO ESCOLHER A COR DE FUNDO, POR EXEMPLO, QUE O ESFORÇO VISUAL SE MINIMIZA.

DESTE MODO, NÃO TENHO HOJE O QUE SE CHAMA VULGARMENTE DE LIVROS DE CABECEIRA OU EQUIVALENTES...

ASSIM, VOU REFERIR APENAS OS 5 QUE CONSIDERO QUE MAIS ME MARCARAM ATÉ HOJE.

1 - Os Maias - Eça de Queiroz

2 - Memorial do Convento - José Saramago

3 - O Prémio - Irving Wallace

4 - O Elogio da Loucura - Erasmo de Roterdão

5 - Utopia - Tomás Moro

domingo, 17 de junho de 2007

Rosa de Duas Cores


Como admirar nos havemos
de ser esta humana Vida
tão diversa em seus favores,
tão repleta de incerteza,
tão vária, tão dividida...
Se, na própria Natureza,
a rosa tem duas cores?

***
Aspásia 95

(Poema já publicado neste Jardim, em 1 Fev. 2006.
Foto oferecida pela Helena P. L.,
minha antiga colega na Telepac,
e que a havia obtido no jardim de sua Avó.)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

TESTAMENTO

(Em especial para os mais recentes amigos/as, republico este Post. O poema foi escrito em 1998.)



Quis tanto que fosses meu,
quis ter-te de corpo e alma,
mas todo esse querer morreu,
e agora, que morro eu,
tudo te deixo em herança,
toda a fúria e toda a calma,
toda a dor e toda a esperança...
sim, tudo o que é meu é teu.

Toda a troça, todo o credo,
todo o mel deste segredo,
todo o fel deste degredo,
todo o Inferno, todo o Céu.
Toda Vénus, todo Marte,
toda a Ciência e toda a Arte,
toda a luz e todo o breu...
sim, tudo o que é meu é teu.

As canções, as gargalhadas,
as tropelias, as farsas,
o teatro e as mascaradas,
os vilões e as desgraçadas,
as ceifas, as desfolhadas,
os fados e as desgarradas,
os elefantes e as garças,
as madressilvas e as sarças,
as noites e as madrugadas...

Explosões de supernovas,
folhas caídas no chão,
cantigas, odes e trovas,
hinos de libertação,
alegrias e más novas,
grandes e pequenas provas
em tempos de provação,
sim, tudo o que é meu é teu
que eu já nada quero, não.

Beethoven, Mozart, Chopin,
Vivaldi, Brahms, Débussy,
Fauré, Falla e Albeniz,
Verdi, Lizst e Couperin,
Mahler, Rossini, Berlioz,
Tschaikovsky, Schubert, Ravel,
Gershwin, Bernstein e Gardel,
valsas tristes, sinfonias,
rapsódias, polcas e tangos,
salmos, missas, litanias,
quartetos, polifonias,
nocturnos e fantasias,
sambas, batuques, fandangos,
sons e luzes da ribalta
teus dias inundarão,
que aos meus já não fazem falta,
eu já não sinto emoção.

Vicente, Camões, Pessoa,
Camilo, Eça, Aquilino,
Torga e António Vieira,
Régio, Florbela e o Sadino,
Cesário, Eugénio de Andrade,
Vergílio e Saramago...
Rostand, Verlaine, Rimbaud,
Voltaire e Victor Hugo,
Schweitzer, Saint-Exupéry,
Teresa de Calcutá,
Pierre e Maria Curie,
Pasteur, Abel Salazar,
e Agostinho da Silva,
(homem de filosofar),
Galileu, Newton, Einstein,
Stephen Hawking, Carl Sagan,
Freud e Pierre Coubertin,
Dali, Picasso, Gaudí,
Miguel Ângelo e El Greco,
Da Vinci e Umberto Eco,
William Shakespeare, Oscar Wilde,
Cervantes e Rosalía
e Federico García,
Neruda e Jorge Amado...
Visconti, Disney, Charlot,
Bergman, Tati e Truffaut,
e mais outros que à lembrança
me ficaram por chegar,
todos te deixo em herança,
todos te quero legar.

Trovas, odes, salmos, cantos,
sagas de cavalaria,
crónicas, sonetos, prantos,
romances em poesia...
Quadros de uma exposição,
cores quentes, cores frias,
pedra afeiçoada à mão
durante mais de mil dias...
Mas de toda a condição
e toda a variedade
de artes e sabedorias,
maior é um coração
que, apesar da adversidade,
dá amor todos os dias.

Correrias de crianças,
gemidos de moribundos,
tempestades e bonanças,
batalhas e alianças,
átomos, homens e mundos.
Dez lágrimas de vestal,
cem notas de partitura,
mil pedras de catedral,
dez mil sedes de água pura,
todo o mal e toda a cura
e um coração de cristal.

Toadas de carrilhão,
caravelas afundadas,
esmolas na palma da mão,
prostitutas maquilhadas,
a navalha do ladrão,
uma cama de cartão,
quase-tudos, quase-nadas.
Chuvas quentes, tropicais,
neves, granizos, geadas,
desertos e pantanais,
demónios, espectros e fadas.
A cor nos olhos do cego,
a voz na boca do mudo,
sorrisos por quase nada,
lágrimas por quase tudo.

Lábios frescos de morangos,
corpos nus em bacanais,
luxúrias, gulas, orgias,
sete pecados mortais,
maus-olhados, bruxarias,
paraísos infernais,
purgatórios, agonias,
vielas e mourarias,
becos tristes, irreais,
onde os dias não são dias,
nunca se dorme ou descansa
e o espectro da Morte dança,
fixando órbitas vazias
nos olhos de uma criança,
tudo te deixo em herança,
incluindo as mais-valias.

Estilhaços de encantamento
perdidos na confusão
dos dias de sofrimento,
das horas de maldição...
Retalhos de um sentimento
que escorre do coração,
que é sangue e grito e lamento,
mas faz bela a solidão...
Centelhas de desespero
e auto-destruição
por ver que um amor sincero
morre sem consumação,
tudo deixo em testamento,
e quer aceites ou não,
aqui lavro o documento
e assino por minha mão.

Já que não podes ser meu,
mato este desejo ardente,
e o sol que me enlouqueceu
condeno a ser sol-poente...
neste coração demente
decreto que reine a calma,
só o tédio o atormente,
só poesia o alente,
só no sofrer ganhe a palma...
a culpada sou só eu
de tudo o que é meu ser teu,
todo o Sonho nesta mente,
todo o Clímax neste corpo,
todo o Inferno nesta alma.

Aspásia 98



(Imagens retiradas do Google Images.)


La Septième Cible
Vladimir Cosma