quinta-feira, 27 de setembro de 2007

PELA PAZ!


PEDE-ME A VÓ AMIGONA
QUE EU VERSEJE PELA PAZ…
AMIGA, ANDO NUMA FONA,
VAMOS VER SE SOU CAPAZ...

VIVE DIAS DE TORTURA
ESTE MUNDO ENSANGUENTADO!…
MILHÕES VIVEM EM AGRURA,
BUSCA-SE AMOR E TERNURA
UM POUCO POR TODO O LADO...

ANDAM BOMBAS PELO AR,
E ATÉ NO CINTURÃO!
QUEREM UNS, OUTROS MATAR,
NÃO LHES CHEGA SÓ ROUBAR,
A FORÇA VENCE A RAZÃO!

FICAM OS FILHOS SEM PAIS
FICAM OS PAIS SEM SEUS FILHOS,
IRMÃOS NÃO SE ENCONTRAM MAIS...
MORREM PLANTAS E ANIMAIS,
ESTE MUNDO É SÓ SARILHOS!

O MUNDO ANDA NUM CAOS,
FORAM-SE A FÉ E O SORRISO!
ALGUNS HOMENS SÃO TÃO MAUS
QUE MAIS PARECEM LACRAUS…
POR ISSO FICA O AVISO
DESDE A PATAGÓNIA AO LAOS,
PAZ NO MUNDO É QUE É PRECISO!
Aspásia 07

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

ENTRE CIÊNCIA E PAIXÃO (1994)

Minerva


(Volto hoje a repescar neste Blog um dos antigos Posts/Poemas... este adaptado de um Post que dediquei a António Gedeão aquando do seu 100º Aniversário em Novembro passado).

(...) Posso dizer que desde os bons tempos do Liceu Filipa de Lencastre, a Física foi a disciplina que mais me fascinou, tendo concluído o antigo 7º ano com média de 19 a Física, a nota mais elevada que alguma vez tive. E claro que esse fascínio perdura até hoje... tendo meu Pai, autodidacta também nesta ciência, nomeadamente na Física Relativista de Einstein, muito contribuído para esta minha paixão. Havendo cá em casa muitos livros sobre Einstein e a Relatividade, nos tempos do Liceu devorei-os quase todos. De facto terei lido ao longo da vida tanto de literatura "científica" como "literária"...
Também recordo, aí pelos meus 7 ou 8 anos, de ver meu Pai a construir uma maquineta com tubos de alumínio e ímanes, onde por umas calhas deslizavam umas bolas de metal pesadas e brilhantes que ainda por aí andam... destinava-se este engenho a obter o moto perpétuo... eu, claro, passei uma fase em que não largava os ímanes e as bolas de metal de vários tamanhos... infelizmente, o Pai não conseguiu o movimento perpétuo... mas foi uma boa tentativa!
Assim, achei por bem e sendo a Poesia outra das minhas paixões, dedicar ao Físico Rómulo de Carvalho e ao Poeta António Gedeão - que também me inspirou a fazê-lo - um poema já com uns bons anos, onde tento, através da Paixão pela Ciência, chegar à Ciência da Paixão.


Entre Ciência e Paixão

Espantoso mal me atingiu
um dia, quando não esperava;
tudo o que é Lei infringiu,
toda a Razão me fugiu
e hoje, do Amor sou escrava.

Vou entrar em confidências:
resposta para este Amor
fui procurar nas Ciências;
interrogar sapiências
de físico e pensador.

Ai de mim! Para mal meu,
não explicam esta paixão
nem Freud, nem Galileu,
nem Einstein, nem Ptolomeu,
nem mesmo o próprio Platão!

Corri então os poetas,
li romances com afã;
vidas de heróis e ascetas;
teatro de marionetas,
de Molière e de Rostand...

Continuei, pressurosa;
li Voltaire, li Descartes,
Nietzsche, Cervantes, Espinoza...
Qualquer poesia ou prosa,
filosofia ou arte.

Corri todos os museus,
exposições e concertos.
Vi Picasso, admirei Zeus,
ouvi Wolfgang Amadeus -
obras completas e excertos...

Estudei as religiões,
tantas quantas achar pude;
e fiz peregrinações,
jejuns e meditações...
Li a Bíblia e o Talmude.

O Alcorão li também,
e, para salvar a alma,
dei esmolas, fiz o bem;
mas não pude encontrar quem
me restituísse a calma...

Procurei na Biblioteca,
do Mar Morto, os manuscritos;
mas, mesmo virada a Meca,
não me surgiu um Eureka!
da leitura desses escritos...

Estudo a Pedra de Roseta,
já sei Sânscrito e Latim,
vão correndo a ampulheta
e a clépsidra obsoleta
nesta pesquisa sem fim...

Quer de noite, quer de dia,
devoro, afincadamente,
Matemática, Poesia...
História e Antropologia
leio até ficar doente...

Já ninguém me reconhece,
nem pais, nem primos, nem tias.
O tino já me falece,
já tenho a espinha em s
e subi dez dioptrias!

Ao microscópio analiso
as lágrimas que chorei...
E um relatório conciso
cada noite realizo
das penas que suportei.

E, telescópio na mão,
noite alta, no firmamento,
procuro a constelação
que se encontra em conjunção
com Vénus, nesse momento...

Infelizmente, porém,
não ponho fim neste enigma;
não resolvo esta equação;
e, nem por integração,
acho alfa, gama ou sigma...

Desde a Relatividade
à Teoria do Eu,
procurei com ansiedade
descobrir uma Verdade
que me tirasse do breu.

Já vi no televisor
tudo o que é curso em cassette;
sei operetas de cór;
fui para o computador
e liguei-me à Internet...

Apesar desta procura,
continuei ignorante;
de Amor, o mal não tem cura
e eu, que era tão segura,
vivo hoje periclitante...

E, fartas do turbilhão
que me avassala por dentro,
a Cabeça e a Razão
ordenam ao Coração
que mate este sentimento.

O Coração, no entanto,
responde: "Procurai mais!
Apesar desse quebranto
não me tireis deste encanto
em que também navegais..."

E presa nestes dilemas,
vasculho as Enciclopédias,
equaciono problemas,
demonstro leis, teoremas,
leio farsas e tragédias...

Com tanto estudo, afinal,
tirei três licenciaturas:
Quântica Medieval,
Genética Sideral
E Fisio-Literaturas!!!

E, apesar de não achar
para meu mal solução,
vou, para me graduar,
em breve, tentar tirar
Doutoramento em Paixão
...

Aspásia 94


sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Porto Sentido... a Sul

A amiga Sophiamar publicou há dias um Post contendo um Vídeo com a bela canção Porto Sentido. De imediato e com alguma emoção, recordei este Post que coloquei neste Jardim, há um ano atrás. Querida Sophiamar, apesar de já te ter deixado um link para o meu antigo Post, decido mesmo republicá-lo, dedicando-to com o maior carinho, pois "a Amizade só pode existir entre quem ouve a mesma Canção" ! Um grande beijo meu, sentido em Lisboa, sente-o tu onde quer que te encontres!


O Porto ao entardecer
(Foto
daqui)

Pelo "Porto Sentido" já eu ficara apaixonada desde a primeira audição. Para mim continua mesmo a ser a mais bela canção do Rui Veloso. Não só pelos versos e melodia incomparáveis, mas também porque, dedicada a uma cidade, parece também dirigida a alguns de nós em certas fases da vida.
Há um bom, mas mesmo bom par de anos, princípios de Março, fui passar uns breves dias de férias a um Algarve completamente primaveril. No caos do saco das cassettes de então, lá ia também uma do Rui Veloso. Os diazitos decorreram breves, algumas correrias para conhecer melhor o Barlavento, desde Quarteira ao Cabo de S.Vicente, ali, onde a terra acaba e o mar começa, gozando da hospitalidade de uma amiga de Lagos. O último dia, esse, aproveitado para descansar um pouco na paz e sossego de Pedras da Rainha, quase no extremo oposto. E na manhã seguinte, mesmo antes do regresso a Lisboa, carro já atafulhado, não resisto, um passeiozinho à beira da Formosa, o pinhal de Cabanas cá em cima, a ria lá em baixo, belezas estas já bem conhecidas de outras estadias, mas sempre saudosas, de tão distantes. E nessa altura do ano, imperturbadas pelas multidões estivais... Então, ideia brilhante, ouvir ali na luz, tão a Sul, o “Porto Sentido”… faria sentido??? Um dia já recuado, "o Corridinho foi dançando até Lisboa...", porque não levar eu agora o Porto ao Sotavento Algarvio? Digressão por sinal bem mais longa...
E na luminosidade feérica de um meio-dia algarvio, reflexos intensos na água azul e desabrochar de verdes atrás de mim, começo a ouvir a voz e a música do Rui e as palavras do Carlos Tê. Luzes sombrias, tons cinzentos, neblinas e lampiões, pedras sujas e gastas da sua bela Cidade, não pareceram entrar em conflito com a luz forte, o azul intenso, o claro areal algarvios. Belezas tão distantes – afinal se calhar só no mapa – mesmo ali não colidiam, complementavam-se, olhos e ouvidos estavam em harmonia,.. E, quando a canção chegou ao fim, jeito fechado de quem mói um sentimento e altivez de milhafre ferido na asa, percebi também não serem exclusivos de uma cidade ou lugar. Senti-os plenamente humanos e, por isso mesmo, universais.


A Praia de Cabanas
(Foto Aspásia)

* * *
Nota: Esta "história" passou-se em Abril de 1994. Foi lida no programa "História Devida" de dia 7 de Agosto de 2006 da Antena 1. (Infelizmente, creio que já não está disponível nos podcasts da RTP.)




Neste mesmo dia, há 51 anos, meus Pais partiam para o Porto em lua-de-mel. Infelizmente, minha Mãe já não está connosco para hoje comemorarem as Bodas de Ouro. Fica mais esta recordação...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Trova Medieval Feminista


Sou guerreira apaixonada,
Joana d´Arc doutras guerras,
de Amor é minha cruzada,
para mim é tudo ou nada,
quebrarei escudo e espada
por ter esse coração
que no castelo do peito
com tanto cuidado encerras.

És príncipe de olhos negros
recortados em veludo...
enredar-te em meus enredos,
partilhar os teus segredos,
para mim é nada ou tudo,
e é por causa dos teus medos
que te engano, que te iludo...

Vamos inverter a História,
pôr futuro no passado:
para mim a fama e glória,
serei a conquistadora,
serás tu o conquistado,
serei eu tua senhora,
tu meu escravo alforriado,
meus desejos, sem demora
atender, será teu fado...
- mas do fogo dos meus beijos
também ficarás marcado...

Princesas presas em torres
era o tema mais comum...
Hoje invertem-se os valores,
cavaleiros e senhores
de valor, não há nenhum...
com medo de sofrer dores,
paixões cegas, desamores,
de mulher apaixonada
fogem todos, um a um...


* * *

ASPÁSIA 98

quinta-feira, 26 de julho de 2007

OUTRA BRINCADEIRA BABELGLOTA (???)

A Narnia chamou-me internacional e eu lembrei-me de lhe oferecer esta pequena Ode de Babel... e assim vou fazendo umas revisões do que estudei quando andei lá na construção da Torre... in illo tempore ! ;)))...
Babel
INTERNACIONAL NÃO SOU
JE N´AI PAS TELLE INTENTION,
BUT ONLY TO SAY ALLO!
ME GUSTA ESTA ILUSIÓN,
AND´RE SPRACHE LIEBE ICH SO,
E DEL POEMA AMANTE SON´!...


TRADUÇÃO
(ou seja, TRAIÇÃO...;)

INTERNACIONAL NÃO SOU
NÃO TENHO ESSA INTENÇÃO,
APENAS DIZER "ALLO"!
EU GOSTO DESTA ILUSÃO,
DE POEMAS AMANTE SOU...
E AS LÍNGUAS SÃO DIVERSÃO!

(Como é evidente, troquei o 5º verso com o 6º para rimar... TROCA-TINTAS, TRABA-LENGUAS, fica tudo em família... ah, não se aceitam pedidos de traduções de Língua de Vaca, nem mesmo de Vaca Fria ;)))...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

"POEMA" EM SEIS LÍNGUAS
(Resposta à SOPHIAMAR)

A amiga Sophiamar perguntou-me donde sou... eis a resposta!


SOU DUM PAÍS - PORTUGAL,
PERO DE OTRAS PARTES SOY,
JE SUIS HUMAINE ET ANIMAL,
I´M A GIRL BUT COULD BE A BOY...
ICH WAR FROLICHE EINMAL!
OGGI IL DOLORE ME VUOI...

Aspásia 07.7.20
(imagem da net)

terça-feira, 17 de julho de 2007

POEMA SÓ PARA ALGUNS QUE ESPERO NÃO SEJAM A MAIORIA...



Ó Homem, ser insensato!
Correm séculos… e tu
pouco cresceste do Nada.
Daninho, vaidoso e cru,
o corpo pões tu a nu,
− mas fica a alma tapada…

Vamos lá ver se consegues
sair desta vil tristeza…
E se entendes, se percebes,
que à luz da cósmica lei,
tu não és Deus nem és Rei…
− és apenas Natureza.



***

P.S. - Homem... em sentido lato, claro...


Aspásia 96

terça-feira, 3 de julho de 2007

AMADEUS



Comemorando 2006 - o Ano Mozart - este poema foi a minha première poético-musical na Blogosfera, no dia do 250º Aniversário de Mozart (27 Janeiro 2006), aqui no Jardim. Posteriormente, redecorado e musicado foi republicado em A Flauta de Pã...


* * *




Sempre ouvir-te é sempre amar-te,
ó divino, ó talentoso
Wolfgang Amadeus Mozart,
pois da Música na arte,
foste génio portentoso.

Em teus anos de criança,
deslumbravas quem te ouvia;
e toda a aristocracia
nos belos salões de dança,
se curvava e te aplaudia,
perto do Lago Constança.

Aos seis anos já mostravas
juízo de mais idade,
falavas com gravidade;
ao cravo já te sentavas
e teu Minuete tocavas
com talento e habilidade!



As cortes da velha Europa
percorrias sem cessar,
foi tua música ouvida,
incensada e aplaudida,
desde Itália à grande Rússia,
pelo Doge e pelo Czar.

A meio da juventude,
é que eras mais malandrote,
gostavas mais de brincar,
pregar partidas, dançar,
e as donzelas, num virote,
estavas sempre a conquistar…



À Ópera que nos deixaste
deste a alma e a frescura.
“Mágica Flauta” sopraste…
Papageno e Papagena
os cobriste de verdura,
e Pamina com Tamino
levaste ao Céu da ventura.



“Don Juan” se precipitou
nas profundas do Danado,
pois à ceia convidou
− esse desplante ele ousou! −
o rival assassinado…
E, arrogante, blasfemou
do perdão que lhe ofertou,
do Comendador, a estátua
que tanto tinha ultrajado.



Tal qual o barbeiro Fígaro
foste também um “faz-tudo”.
Nas “Bodas”, era um Entrudo,
pois todos se disfarçavam,
se escondiam e aldrabavam…
Mas no final se abraçavam,
pois o Amor vence tudo.



Não deverá ser esquecido
um teu amigo, também,
Lorenzo da Ponte, a quem
a letra dessas histórias
devemos, e que, contigo,
está vivo em nossas memórias.

Lorenzo da Ponte

Sinfonias compuseste,
quase feitas de improviso,
tantas e de tal beleza
e alegria ao ouvido,
que, num dia mais agreste,
são capazes de a tristeza,
nos transformar em sorriso.



E foi tal teu frenesim
a compôr e ensaiar
dias e noites sem fim,
uma obra monumental
que te houvera encomendado
certo enviado do mal
− dizem que foi o Salieri,
mas não há prova de tal −
que as forças que te restavam,
pouco a pouco se esgotavam
nesse Requiem fatal.

Sim, foste o Amado de Deus,
mas os homens do teu tempo
negaram-te chão sagrado,
e à vala foste lançado,
tal qual fosses cão danado,
ou traste sem valimento…
Mas passado tanto tempo,
teu talento ainda dá brado
entre almas de sentimento;
e hoje és génio celebrado,
para sempre recordado,
da Música és monumento…
Wolfgang Amadeus Mozart,
de Euterpe és filho na Arte…
do Mundo és deslumbramento!!!





Sinfonia nº 29 em Lá Maior K201 (Menuetto - Allegro con spirito)

* * *

E algumas das sombras chinesas, de um total de 146, representando as quatro principais óperas de Mozart, recortadas em papel preto pela tesoura de Lotte Reiniger, em 1971.

domingo, 1 de julho de 2007

ANÚNCIO


Se quiseres dedicar
uma estrofe à namorada,
se quiseres (en)levar
a sogra, o primo, a criada…
não tens mais que encomendar:
sou poetisa encartada,
versifico qualquer tema,
faço trova, ode ou poema,
rimo por tudo e por nada.

Faço versos a granel,
ao litro, ao metro, ao quilate,
ternos bolinhos de mel,
bravos galos de combate
Numa folha de papel,
escrevo tese ou disparate,
em letrinhas de hidromel,
de cicuta ou erva-mate…

Peço a Lili p´ró Manel,
trato divórcio ou engate,
do velho faço donzel,
fel transformo em chocolate…
Da choupana faço hotel;
do albardeiro, alfaiate;
o tolo armo em bacharel,
o recruta em coronel,
e ao Rei… dou Xeque-mate.

(Tenho encomendas a rodos,
não posso fazer mais nada…
Poetas querem ser todos
que é casta mui ilustrada…
E lá lhes mostro bons modos,
vou aumentando a mesada,
à custa destes engodos
de "poesia alugada"…)

Amigo, amiga, não esperes,
deixa o teu nome e morada,
irei ter onde estiveres,
com a caneta afiada…
Se dinheiro não tiveres,
aceito a alma empenhada,
se os versos não entenderes,
faço versão ilustrada…
Ponho em verso o que quiseres,
cativo homens e mulheres,
arranjo empregos, mesteres,…
e não pagas quase nada!...

(Aspásia 98)


P.S. - Este "anúncio" foi "posto" numa altura em que andava com mais tempo... infelizmente, de momento não posso receber encomendas, amigos! Para compensar, de vez em quando tento comentar em verso nos vossos blogs ou aqui...

terça-feira, 26 de junho de 2007

POEMA ESCRITO
EM VÃO



ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO TRANSMITE TESE,
NÃO FAZ EXEGESE,
NÃO DÁ CATEQUESE,
NÃO DIZ SIM NEM NÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO QUER SER SINCERO,
NÃO TRAZ DESESPERO,
FOI FRUTO DO MERO
VAGUEAR DA MÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO É VERDADEIRO,
NÃO É CORPO INTEIRO,
SAIU DO TINTEIRO
SEM QUALQUER RAZÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO PRETENDE OBTER
DAQUELE QUE O LER,
APLAUSO, OU SEQUER
LEVE APROVAÇÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO SENTE CALOR,
NÃO GRITA DE DOR,
NÃO MORRE DE AMOR,
NÃO VIVE EM PAIXÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NUNCA TEVE NORTE,
NEM AZAR, NEM SORTE…
E VAI PARA A MORTE
SEM PEDIR PERDÃO.

***
Aspásia 98

sábado, 23 de junho de 2007

NO QUINTAL DO MEU PAI, E APESAR DE JÁ ESTARMOS NO SÃO JOÃO...

LISBOA EM FESTA HÁ 40 ANOS

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A BATATA ENTRETANTO ARREFECEU...


... MESMO APESAR DO INÍCIO DO VERÃO, AMIGA GASOLINA ! MAS SÓ HOJE ME É POSSÍVEL RESPONDER AO TEU REPTO (NÃO CONFUNDIR COM RÉPTIL, NATURALMENTE ;))... LITERÁRIO.

HOJE EM DIA, COMO MUITOS JÁ SABEM, OU CALCULAM, UM LIVRO É PARA MIM QUASE UM E.T. ... DE FACTO, A LEITURA DE UM LIVRO QUALQUER TEXTO ESCRITO EM PAPEL, É-ME NEFASTA DEVIDO AO PROBLEMA INFLAMATÓRIO DA SUPERFÍCIE OCULAR QUE ME SURGIU HÁ 12 ANOS. ASSIM, AINDA É NO PC, ONDE O TIPO DE LETRA SE PODE AUMENTAR E POSSO ESCOLHER A COR DE FUNDO, POR EXEMPLO, QUE O ESFORÇO VISUAL SE MINIMIZA.

DESTE MODO, NÃO TENHO HOJE O QUE SE CHAMA VULGARMENTE DE LIVROS DE CABECEIRA OU EQUIVALENTES...

ASSIM, VOU REFERIR APENAS OS 5 QUE CONSIDERO QUE MAIS ME MARCARAM ATÉ HOJE.

1 - Os Maias - Eça de Queiroz

2 - Memorial do Convento - José Saramago

3 - O Prémio - Irving Wallace

4 - O Elogio da Loucura - Erasmo de Roterdão

5 - Utopia - Tomás Moro

domingo, 17 de junho de 2007

Rosa de Duas Cores


Como admirar nos havemos
de ser esta humana Vida
tão diversa em seus favores,
tão repleta de incerteza,
tão vária, tão dividida...
Se, na própria Natureza,
a rosa tem duas cores?

***
Aspásia 95

(Poema já publicado neste Jardim, em 1 Fev. 2006.
Foto oferecida pela Helena P. L.,
minha antiga colega na Telepac,
e que a havia obtido no jardim de sua Avó.)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

TESTAMENTO

(Em especial para os mais recentes amigos/as, republico este Post. O poema foi escrito em 1998.)



Quis tanto que fosses meu,
quis ter-te de corpo e alma,
mas todo esse querer morreu,
e agora, que morro eu,
tudo te deixo em herança,
toda a fúria e toda a calma,
toda a dor e toda a esperança...
sim, tudo o que é meu é teu.

Toda a troça, todo o credo,
todo o mel deste segredo,
todo o fel deste degredo,
todo o Inferno, todo o Céu.
Toda Vénus, todo Marte,
toda a Ciência e toda a Arte,
toda a luz e todo o breu...
sim, tudo o que é meu é teu.

As canções, as gargalhadas,
as tropelias, as farsas,
o teatro e as mascaradas,
os vilões e as desgraçadas,
as ceifas, as desfolhadas,
os fados e as desgarradas,
os elefantes e as garças,
as madressilvas e as sarças,
as noites e as madrugadas...

Explosões de supernovas,
folhas caídas no chão,
cantigas, odes e trovas,
hinos de libertação,
alegrias e más novas,
grandes e pequenas provas
em tempos de provação,
sim, tudo o que é meu é teu
que eu já nada quero, não.

Beethoven, Mozart, Chopin,
Vivaldi, Brahms, Débussy,
Fauré, Falla e Albeniz,
Verdi, Lizst e Couperin,
Mahler, Rossini, Berlioz,
Tschaikovsky, Schubert, Ravel,
Gershwin, Bernstein e Gardel,
valsas tristes, sinfonias,
rapsódias, polcas e tangos,
salmos, missas, litanias,
quartetos, polifonias,
nocturnos e fantasias,
sambas, batuques, fandangos,
sons e luzes da ribalta
teus dias inundarão,
que aos meus já não fazem falta,
eu já não sinto emoção.

Vicente, Camões, Pessoa,
Camilo, Eça, Aquilino,
Torga e António Vieira,
Régio, Florbela e o Sadino,
Cesário, Eugénio de Andrade,
Vergílio e Saramago...
Rostand, Verlaine, Rimbaud,
Voltaire e Victor Hugo,
Schweitzer, Saint-Exupéry,
Teresa de Calcutá,
Pierre e Maria Curie,
Pasteur, Abel Salazar,
e Agostinho da Silva,
(homem de filosofar),
Galileu, Newton, Einstein,
Stephen Hawking, Carl Sagan,
Freud e Pierre Coubertin,
Dali, Picasso, Gaudí,
Miguel Ângelo e El Greco,
Da Vinci e Umberto Eco,
William Shakespeare, Oscar Wilde,
Cervantes e Rosalía
e Federico García,
Neruda e Jorge Amado...
Visconti, Disney, Charlot,
Bergman, Tati e Truffaut,
e mais outros que à lembrança
me ficaram por chegar,
todos te deixo em herança,
todos te quero legar.

Trovas, odes, salmos, cantos,
sagas de cavalaria,
crónicas, sonetos, prantos,
romances em poesia...
Quadros de uma exposição,
cores quentes, cores frias,
pedra afeiçoada à mão
durante mais de mil dias...
Mas de toda a condição
e toda a variedade
de artes e sabedorias,
maior é um coração
que, apesar da adversidade,
dá amor todos os dias.

Correrias de crianças,
gemidos de moribundos,
tempestades e bonanças,
batalhas e alianças,
átomos, homens e mundos.
Dez lágrimas de vestal,
cem notas de partitura,
mil pedras de catedral,
dez mil sedes de água pura,
todo o mal e toda a cura
e um coração de cristal.

Toadas de carrilhão,
caravelas afundadas,
esmolas na palma da mão,
prostitutas maquilhadas,
a navalha do ladrão,
uma cama de cartão,
quase-tudos, quase-nadas.
Chuvas quentes, tropicais,
neves, granizos, geadas,
desertos e pantanais,
demónios, espectros e fadas.
A cor nos olhos do cego,
a voz na boca do mudo,
sorrisos por quase nada,
lágrimas por quase tudo.

Lábios frescos de morangos,
corpos nus em bacanais,
luxúrias, gulas, orgias,
sete pecados mortais,
maus-olhados, bruxarias,
paraísos infernais,
purgatórios, agonias,
vielas e mourarias,
becos tristes, irreais,
onde os dias não são dias,
nunca se dorme ou descansa
e o espectro da Morte dança,
fixando órbitas vazias
nos olhos de uma criança,
tudo te deixo em herança,
incluindo as mais-valias.

Estilhaços de encantamento
perdidos na confusão
dos dias de sofrimento,
das horas de maldição...
Retalhos de um sentimento
que escorre do coração,
que é sangue e grito e lamento,
mas faz bela a solidão...
Centelhas de desespero
e auto-destruição
por ver que um amor sincero
morre sem consumação,
tudo deixo em testamento,
e quer aceites ou não,
aqui lavro o documento
e assino por minha mão.

Já que não podes ser meu,
mato este desejo ardente,
e o sol que me enlouqueceu
condeno a ser sol-poente...
neste coração demente
decreto que reine a calma,
só o tédio o atormente,
só poesia o alente,
só no sofrer ganhe a palma...
a culpada sou só eu
de tudo o que é meu ser teu,
todo o Sonho nesta mente,
todo o Clímax neste corpo,
todo o Inferno nesta alma.

Aspásia 98



(Imagens retiradas do Google Images.)


La Septième Cible
Vladimir Cosma

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Per Amore
ZIZI POSSI

A ITALO-BRASILEIRA ZIZI POSSI, POUCO CONHECIDA POR CÁ... ENCANTOU-ME QUANDO A OUVI! TENHO 2 CDS DELA UM EM PORTUGUÊS/BRASILEIRO, OUTRO O PER AMORE EM ITALIANO E NAPOLITANO É UMA MARAVILHA... CHEGUEI A OUVI-LO EM NON-STOP DURANTE DIAS... ESTA INTERPRETAÇÃO NO YOUTUBE PARECE-ME LIGEIRAMENTE INFERIOR À QUALIDADE DO CD...


Eu conheço a tua estrada
Cada passo que darás
Os teus desejos calados e vazios
Pedras que afastarás
Sem jamais pensar que eu
Como uma rocha
Volto sempre para ti.


Eu conheço a tua respiração
Tudo o que tu não queres
Sabes bem que o que estás vivendo
Não é vida, mas não queres reconhecer
Só se o céu, este céu, em chamas
Desabasse sobre mim
Como um cenário caindo sobre um actor.

Por amor
Já fizeste alguma coisa
Apenas por amor?
Já desafiaste o vento e gritaste?
Já dividiste o próprio coração?
Já pagaste e apostaste várias vezes
Nessa mania
Que afinal continua sendo só minha ?

Por amor
Já correste até ficar sem fôlego?
Por amor, já te perdeste e te reencontraste?
E tens de me dizer agora
Quanto de ti colocaste nesta história
O quanto acreditaste nesta mentira
Só se um rio se levantasse dentro de mim
Como uma enchente
Como tinta da pena de um pintor

Por amor
Já esgotaste a tua razão?
O teu orgulho, até ao pranto?
Sabes, esta noite eu fico
Mesmo sem nenhum pretexto
Apenas esta mania
Que ainda é forte e minha
Dentro desta alma que dilaceras
E digo-te agora, com sinceridade
Quanto me custa não saber que és minha
É como se todo o mar
se afogasse em mim.

(Letra original: Mariella Nava)



terça-feira, 5 de junho de 2007

O QUE ME IMPORTA?

MARISA M. - PARA MIM, A MELHOR CANTORA BRASILEIRA DA ACTUALIDADE... ADRIANA C., ME DESCULPE, TAMBÉM ADORO VOCÊ!



O que me importa
seu carinho agora
Se é muito tarde
para amar você
O que me importa
se você me adora
Se já não há razão
para lhe querer
O que me importa
ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis
você nem mesmo soube
dar amor
O que me importa
ver você chorando
Se tantas vezes
eu chorei também
O que me importa
sua voz chamando
Se pra você jamais
eu fui alguém
O que me importa
essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar
tem mais tristezas
pra chorar
que o seu
O que me importa
ver você tão triste
Se triste fui
e você nem ligou
O que me importa
o seu carinho agora
Se para mim
a vida terminou...



sábado, 2 de junho de 2007

TAU TAU TUFAAAA!!! IUHUUUUUH!!!
ONDE TE METESTE???


Ó TAU TAU !!! MERECES-TE APLICADA A TI MESMA VÁRIAS VEZES!!! ENTÃO QUÉ FEITO DO PÁTIO DA CONVERSA ??? FOI CENSURADO??? ESTÁS NO LIMOEIRO??? ESTÁS NO INDEX??? OU VENDESTE OS DIREITOS DE AUTORA???
E LOGO AGORA QUE A TUA PRIMA TUFA TAU ME DEIXOU UM MEME E EU QUERIA INCLUIR O TEU BLOG!!!

Ó PEQUENA PELO MENOS DIZ AQUI QUE ESTÁS VIVA SENÃO A GENTE ATÉ SE ASSUSTA! OU ENTÃO ANDAS PASSEANDO NO PARQUE COM O LINDÃO DA PULSEIRA PRETA E ESQUECESTE-TE DE NOZES, TÁ BISTO!!!

ERA EU, ERA A TUFA TAU, ERA O BRAIN, A SONHADORA, A FUSER, A DELLA, O A.S., ETC.... FICOU TUDO A VER NAVIOS... VÁ LÁ... PELO MENOS MANDA UM SOS NUMA "MESSAGE IN A BOTTLE" !!! JÁ CHAMEI ATÉ OS POLICE, VÊS???

sexta-feira, 1 de junho de 2007

DIA DA CRIANÇA



Sunrise, Sunset

terça-feira, 29 de maio de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 2


Voltei hoje ao baú das recordações do "Enquanto Houver Tempo"... o que se viveu, riu e até chorou naquela famosa caixa de comentários!!!

Rebuscando nos Arquivos de Novembro 2006... encontrei o 1º poema - enfim umas quadrazitas - que fiz "em directo" ou seja "repentistamente" à MJ... nem sequer o escrevi, nem à mão, nem no Word... e até já nem me recordava dele!

A partir deste ponto, então - viajamos 7 meses para trás... apertem os cintos...
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MJ disse...

Pah, Aspásia e Mª das Dores:

Lindas são vocês. Enchem-me de mimos :-) Quando vos conhecer melhor, dedico-vos um post. :-)

(Ando de rastos, "morta" de cansaço. Daqui a pouco começo a apanhar os pedaços de mim que já andam pelo chão)

Um abraço muito grande

17 Novembro, 2006 21:45

(ao que eu respondi...)

Aspásia disse...

*** Ode repentista dedicada à tua recuperação ***

Ó pedaço de mim
ó metade afastada de mim...
ó MJ querida,
não te quero ver assim...

Vou apanhar teus pedaços,
com carinho e amizade
e colá-los com abraços...
restituir-te a vontade

de resistir aos cansaços,
de levantar a cabeça...
e que num mundo em estilhaços,
a tua sorte aconteça...

Vai acontecer decerto pois tu mereces...

Descansa essa cabecita no fim de semana... passeia com o filhote ao lado, a Gigi ao colo e a Licas atrás...

Beijocas larocas...

;9=

17 Novembro, 2006 22:26

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Quem conheceu o EHT, pode recordar...

Quem não o conheceu, provar um pouco, principalmente, mas não apenas, através das minhas colaborações.