terça-feira, 3 de julho de 2007

AMADEUS



Comemorando 2006 - o Ano Mozart - este poema foi a minha première poético-musical na Blogosfera, no dia do 250º Aniversário de Mozart (27 Janeiro 2006), aqui no Jardim. Posteriormente, redecorado e musicado foi republicado em A Flauta de Pã...


* * *




Sempre ouvir-te é sempre amar-te,
ó divino, ó talentoso
Wolfgang Amadeus Mozart,
pois da Música na arte,
foste génio portentoso.

Em teus anos de criança,
deslumbravas quem te ouvia;
e toda a aristocracia
nos belos salões de dança,
se curvava e te aplaudia,
perto do Lago Constança.

Aos seis anos já mostravas
juízo de mais idade,
falavas com gravidade;
ao cravo já te sentavas
e teu Minuete tocavas
com talento e habilidade!



As cortes da velha Europa
percorrias sem cessar,
foi tua música ouvida,
incensada e aplaudida,
desde Itália à grande Rússia,
pelo Doge e pelo Czar.

A meio da juventude,
é que eras mais malandrote,
gostavas mais de brincar,
pregar partidas, dançar,
e as donzelas, num virote,
estavas sempre a conquistar…



À Ópera que nos deixaste
deste a alma e a frescura.
“Mágica Flauta” sopraste…
Papageno e Papagena
os cobriste de verdura,
e Pamina com Tamino
levaste ao Céu da ventura.



“Don Juan” se precipitou
nas profundas do Danado,
pois à ceia convidou
− esse desplante ele ousou! −
o rival assassinado…
E, arrogante, blasfemou
do perdão que lhe ofertou,
do Comendador, a estátua
que tanto tinha ultrajado.



Tal qual o barbeiro Fígaro
foste também um “faz-tudo”.
Nas “Bodas”, era um Entrudo,
pois todos se disfarçavam,
se escondiam e aldrabavam…
Mas no final se abraçavam,
pois o Amor vence tudo.



Não deverá ser esquecido
um teu amigo, também,
Lorenzo da Ponte, a quem
a letra dessas histórias
devemos, e que, contigo,
está vivo em nossas memórias.

Lorenzo da Ponte

Sinfonias compuseste,
quase feitas de improviso,
tantas e de tal beleza
e alegria ao ouvido,
que, num dia mais agreste,
são capazes de a tristeza,
nos transformar em sorriso.



E foi tal teu frenesim
a compôr e ensaiar
dias e noites sem fim,
uma obra monumental
que te houvera encomendado
certo enviado do mal
− dizem que foi o Salieri,
mas não há prova de tal −
que as forças que te restavam,
pouco a pouco se esgotavam
nesse Requiem fatal.

Sim, foste o Amado de Deus,
mas os homens do teu tempo
negaram-te chão sagrado,
e à vala foste lançado,
tal qual fosses cão danado,
ou traste sem valimento…
Mas passado tanto tempo,
teu talento ainda dá brado
entre almas de sentimento;
e hoje és génio celebrado,
para sempre recordado,
da Música és monumento…
Wolfgang Amadeus Mozart,
de Euterpe és filho na Arte…
do Mundo és deslumbramento!!!





Sinfonia nº 29 em Lá Maior K201 (Menuetto - Allegro con spirito)

* * *

E algumas das sombras chinesas, de um total de 146, representando as quatro principais óperas de Mozart, recortadas em papel preto pela tesoura de Lotte Reiniger, em 1971.

domingo, 1 de julho de 2007

ANÚNCIO


Se quiseres dedicar
uma estrofe à namorada,
se quiseres (en)levar
a sogra, o primo, a criada…
não tens mais que encomendar:
sou poetisa encartada,
versifico qualquer tema,
faço trova, ode ou poema,
rimo por tudo e por nada.

Faço versos a granel,
ao litro, ao metro, ao quilate,
ternos bolinhos de mel,
bravos galos de combate
Numa folha de papel,
escrevo tese ou disparate,
em letrinhas de hidromel,
de cicuta ou erva-mate…

Peço a Lili p´ró Manel,
trato divórcio ou engate,
do velho faço donzel,
fel transformo em chocolate…
Da choupana faço hotel;
do albardeiro, alfaiate;
o tolo armo em bacharel,
o recruta em coronel,
e ao Rei… dou Xeque-mate.

(Tenho encomendas a rodos,
não posso fazer mais nada…
Poetas querem ser todos
que é casta mui ilustrada…
E lá lhes mostro bons modos,
vou aumentando a mesada,
à custa destes engodos
de "poesia alugada"…)

Amigo, amiga, não esperes,
deixa o teu nome e morada,
irei ter onde estiveres,
com a caneta afiada…
Se dinheiro não tiveres,
aceito a alma empenhada,
se os versos não entenderes,
faço versão ilustrada…
Ponho em verso o que quiseres,
cativo homens e mulheres,
arranjo empregos, mesteres,…
e não pagas quase nada!...

(Aspásia 98)


P.S. - Este "anúncio" foi "posto" numa altura em que andava com mais tempo... infelizmente, de momento não posso receber encomendas, amigos! Para compensar, de vez em quando tento comentar em verso nos vossos blogs ou aqui...

terça-feira, 26 de junho de 2007

POEMA ESCRITO
EM VÃO



ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO TRANSMITE TESE,
NÃO FAZ EXEGESE,
NÃO DÁ CATEQUESE,
NÃO DIZ SIM NEM NÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO QUER SER SINCERO,
NÃO TRAZ DESESPERO,
FOI FRUTO DO MERO
VAGUEAR DA MÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO É VERDADEIRO,
NÃO É CORPO INTEIRO,
SAIU DO TINTEIRO
SEM QUALQUER RAZÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO PRETENDE OBTER
DAQUELE QUE O LER,
APLAUSO, OU SEQUER
LEVE APROVAÇÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO SENTE CALOR,
NÃO GRITA DE DOR,
NÃO MORRE DE AMOR,
NÃO VIVE EM PAIXÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NUNCA TEVE NORTE,
NEM AZAR, NEM SORTE…
E VAI PARA A MORTE
SEM PEDIR PERDÃO.

***
Aspásia 98

sábado, 23 de junho de 2007

NO QUINTAL DO MEU PAI, E APESAR DE JÁ ESTARMOS NO SÃO JOÃO...

LISBOA EM FESTA HÁ 40 ANOS

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A BATATA ENTRETANTO ARREFECEU...


... MESMO APESAR DO INÍCIO DO VERÃO, AMIGA GASOLINA ! MAS SÓ HOJE ME É POSSÍVEL RESPONDER AO TEU REPTO (NÃO CONFUNDIR COM RÉPTIL, NATURALMENTE ;))... LITERÁRIO.

HOJE EM DIA, COMO MUITOS JÁ SABEM, OU CALCULAM, UM LIVRO É PARA MIM QUASE UM E.T. ... DE FACTO, A LEITURA DE UM LIVRO QUALQUER TEXTO ESCRITO EM PAPEL, É-ME NEFASTA DEVIDO AO PROBLEMA INFLAMATÓRIO DA SUPERFÍCIE OCULAR QUE ME SURGIU HÁ 12 ANOS. ASSIM, AINDA É NO PC, ONDE O TIPO DE LETRA SE PODE AUMENTAR E POSSO ESCOLHER A COR DE FUNDO, POR EXEMPLO, QUE O ESFORÇO VISUAL SE MINIMIZA.

DESTE MODO, NÃO TENHO HOJE O QUE SE CHAMA VULGARMENTE DE LIVROS DE CABECEIRA OU EQUIVALENTES...

ASSIM, VOU REFERIR APENAS OS 5 QUE CONSIDERO QUE MAIS ME MARCARAM ATÉ HOJE.

1 - Os Maias - Eça de Queiroz

2 - Memorial do Convento - José Saramago

3 - O Prémio - Irving Wallace

4 - O Elogio da Loucura - Erasmo de Roterdão

5 - Utopia - Tomás Moro

domingo, 17 de junho de 2007

Rosa de Duas Cores


Como admirar nos havemos
de ser esta humana Vida
tão diversa em seus favores,
tão repleta de incerteza,
tão vária, tão dividida...
Se, na própria Natureza,
a rosa tem duas cores?

***
Aspásia 95

(Poema já publicado neste Jardim, em 1 Fev. 2006.
Foto oferecida pela Helena P. L.,
minha antiga colega na Telepac,
e que a havia obtido no jardim de sua Avó.)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

TESTAMENTO

(Em especial para os mais recentes amigos/as, republico este Post. O poema foi escrito em 1998.)



Quis tanto que fosses meu,
quis ter-te de corpo e alma,
mas todo esse querer morreu,
e agora, que morro eu,
tudo te deixo em herança,
toda a fúria e toda a calma,
toda a dor e toda a esperança...
sim, tudo o que é meu é teu.

Toda a troça, todo o credo,
todo o mel deste segredo,
todo o fel deste degredo,
todo o Inferno, todo o Céu.
Toda Vénus, todo Marte,
toda a Ciência e toda a Arte,
toda a luz e todo o breu...
sim, tudo o que é meu é teu.

As canções, as gargalhadas,
as tropelias, as farsas,
o teatro e as mascaradas,
os vilões e as desgraçadas,
as ceifas, as desfolhadas,
os fados e as desgarradas,
os elefantes e as garças,
as madressilvas e as sarças,
as noites e as madrugadas...

Explosões de supernovas,
folhas caídas no chão,
cantigas, odes e trovas,
hinos de libertação,
alegrias e más novas,
grandes e pequenas provas
em tempos de provação,
sim, tudo o que é meu é teu
que eu já nada quero, não.

Beethoven, Mozart, Chopin,
Vivaldi, Brahms, Débussy,
Fauré, Falla e Albeniz,
Verdi, Lizst e Couperin,
Mahler, Rossini, Berlioz,
Tschaikovsky, Schubert, Ravel,
Gershwin, Bernstein e Gardel,
valsas tristes, sinfonias,
rapsódias, polcas e tangos,
salmos, missas, litanias,
quartetos, polifonias,
nocturnos e fantasias,
sambas, batuques, fandangos,
sons e luzes da ribalta
teus dias inundarão,
que aos meus já não fazem falta,
eu já não sinto emoção.

Vicente, Camões, Pessoa,
Camilo, Eça, Aquilino,
Torga e António Vieira,
Régio, Florbela e o Sadino,
Cesário, Eugénio de Andrade,
Vergílio e Saramago...
Rostand, Verlaine, Rimbaud,
Voltaire e Victor Hugo,
Schweitzer, Saint-Exupéry,
Teresa de Calcutá,
Pierre e Maria Curie,
Pasteur, Abel Salazar,
e Agostinho da Silva,
(homem de filosofar),
Galileu, Newton, Einstein,
Stephen Hawking, Carl Sagan,
Freud e Pierre Coubertin,
Dali, Picasso, Gaudí,
Miguel Ângelo e El Greco,
Da Vinci e Umberto Eco,
William Shakespeare, Oscar Wilde,
Cervantes e Rosalía
e Federico García,
Neruda e Jorge Amado...
Visconti, Disney, Charlot,
Bergman, Tati e Truffaut,
e mais outros que à lembrança
me ficaram por chegar,
todos te deixo em herança,
todos te quero legar.

Trovas, odes, salmos, cantos,
sagas de cavalaria,
crónicas, sonetos, prantos,
romances em poesia...
Quadros de uma exposição,
cores quentes, cores frias,
pedra afeiçoada à mão
durante mais de mil dias...
Mas de toda a condição
e toda a variedade
de artes e sabedorias,
maior é um coração
que, apesar da adversidade,
dá amor todos os dias.

Correrias de crianças,
gemidos de moribundos,
tempestades e bonanças,
batalhas e alianças,
átomos, homens e mundos.
Dez lágrimas de vestal,
cem notas de partitura,
mil pedras de catedral,
dez mil sedes de água pura,
todo o mal e toda a cura
e um coração de cristal.

Toadas de carrilhão,
caravelas afundadas,
esmolas na palma da mão,
prostitutas maquilhadas,
a navalha do ladrão,
uma cama de cartão,
quase-tudos, quase-nadas.
Chuvas quentes, tropicais,
neves, granizos, geadas,
desertos e pantanais,
demónios, espectros e fadas.
A cor nos olhos do cego,
a voz na boca do mudo,
sorrisos por quase nada,
lágrimas por quase tudo.

Lábios frescos de morangos,
corpos nus em bacanais,
luxúrias, gulas, orgias,
sete pecados mortais,
maus-olhados, bruxarias,
paraísos infernais,
purgatórios, agonias,
vielas e mourarias,
becos tristes, irreais,
onde os dias não são dias,
nunca se dorme ou descansa
e o espectro da Morte dança,
fixando órbitas vazias
nos olhos de uma criança,
tudo te deixo em herança,
incluindo as mais-valias.

Estilhaços de encantamento
perdidos na confusão
dos dias de sofrimento,
das horas de maldição...
Retalhos de um sentimento
que escorre do coração,
que é sangue e grito e lamento,
mas faz bela a solidão...
Centelhas de desespero
e auto-destruição
por ver que um amor sincero
morre sem consumação,
tudo deixo em testamento,
e quer aceites ou não,
aqui lavro o documento
e assino por minha mão.

Já que não podes ser meu,
mato este desejo ardente,
e o sol que me enlouqueceu
condeno a ser sol-poente...
neste coração demente
decreto que reine a calma,
só o tédio o atormente,
só poesia o alente,
só no sofrer ganhe a palma...
a culpada sou só eu
de tudo o que é meu ser teu,
todo o Sonho nesta mente,
todo o Clímax neste corpo,
todo o Inferno nesta alma.

Aspásia 98



(Imagens retiradas do Google Images.)


La Septième Cible
Vladimir Cosma

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Per Amore
ZIZI POSSI

A ITALO-BRASILEIRA ZIZI POSSI, POUCO CONHECIDA POR CÁ... ENCANTOU-ME QUANDO A OUVI! TENHO 2 CDS DELA UM EM PORTUGUÊS/BRASILEIRO, OUTRO O PER AMORE EM ITALIANO E NAPOLITANO É UMA MARAVILHA... CHEGUEI A OUVI-LO EM NON-STOP DURANTE DIAS... ESTA INTERPRETAÇÃO NO YOUTUBE PARECE-ME LIGEIRAMENTE INFERIOR À QUALIDADE DO CD...


Eu conheço a tua estrada
Cada passo que darás
Os teus desejos calados e vazios
Pedras que afastarás
Sem jamais pensar que eu
Como uma rocha
Volto sempre para ti.


Eu conheço a tua respiração
Tudo o que tu não queres
Sabes bem que o que estás vivendo
Não é vida, mas não queres reconhecer
Só se o céu, este céu, em chamas
Desabasse sobre mim
Como um cenário caindo sobre um actor.

Por amor
Já fizeste alguma coisa
Apenas por amor?
Já desafiaste o vento e gritaste?
Já dividiste o próprio coração?
Já pagaste e apostaste várias vezes
Nessa mania
Que afinal continua sendo só minha ?

Por amor
Já correste até ficar sem fôlego?
Por amor, já te perdeste e te reencontraste?
E tens de me dizer agora
Quanto de ti colocaste nesta história
O quanto acreditaste nesta mentira
Só se um rio se levantasse dentro de mim
Como uma enchente
Como tinta da pena de um pintor

Por amor
Já esgotaste a tua razão?
O teu orgulho, até ao pranto?
Sabes, esta noite eu fico
Mesmo sem nenhum pretexto
Apenas esta mania
Que ainda é forte e minha
Dentro desta alma que dilaceras
E digo-te agora, com sinceridade
Quanto me custa não saber que és minha
É como se todo o mar
se afogasse em mim.

(Letra original: Mariella Nava)



terça-feira, 5 de junho de 2007

O QUE ME IMPORTA?

MARISA M. - PARA MIM, A MELHOR CANTORA BRASILEIRA DA ACTUALIDADE... ADRIANA C., ME DESCULPE, TAMBÉM ADORO VOCÊ!



O que me importa
seu carinho agora
Se é muito tarde
para amar você
O que me importa
se você me adora
Se já não há razão
para lhe querer
O que me importa
ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis
você nem mesmo soube
dar amor
O que me importa
ver você chorando
Se tantas vezes
eu chorei também
O que me importa
sua voz chamando
Se pra você jamais
eu fui alguém
O que me importa
essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar
tem mais tristezas
pra chorar
que o seu
O que me importa
ver você tão triste
Se triste fui
e você nem ligou
O que me importa
o seu carinho agora
Se para mim
a vida terminou...



sábado, 2 de junho de 2007

TAU TAU TUFAAAA!!! IUHUUUUUH!!!
ONDE TE METESTE???


Ó TAU TAU !!! MERECES-TE APLICADA A TI MESMA VÁRIAS VEZES!!! ENTÃO QUÉ FEITO DO PÁTIO DA CONVERSA ??? FOI CENSURADO??? ESTÁS NO LIMOEIRO??? ESTÁS NO INDEX??? OU VENDESTE OS DIREITOS DE AUTORA???
E LOGO AGORA QUE A TUA PRIMA TUFA TAU ME DEIXOU UM MEME E EU QUERIA INCLUIR O TEU BLOG!!!

Ó PEQUENA PELO MENOS DIZ AQUI QUE ESTÁS VIVA SENÃO A GENTE ATÉ SE ASSUSTA! OU ENTÃO ANDAS PASSEANDO NO PARQUE COM O LINDÃO DA PULSEIRA PRETA E ESQUECESTE-TE DE NOZES, TÁ BISTO!!!

ERA EU, ERA A TUFA TAU, ERA O BRAIN, A SONHADORA, A FUSER, A DELLA, O A.S., ETC.... FICOU TUDO A VER NAVIOS... VÁ LÁ... PELO MENOS MANDA UM SOS NUMA "MESSAGE IN A BOTTLE" !!! JÁ CHAMEI ATÉ OS POLICE, VÊS???

sexta-feira, 1 de junho de 2007

DIA DA CRIANÇA



Sunrise, Sunset

terça-feira, 29 de maio de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 2


Voltei hoje ao baú das recordações do "Enquanto Houver Tempo"... o que se viveu, riu e até chorou naquela famosa caixa de comentários!!!

Rebuscando nos Arquivos de Novembro 2006... encontrei o 1º poema - enfim umas quadrazitas - que fiz "em directo" ou seja "repentistamente" à MJ... nem sequer o escrevi, nem à mão, nem no Word... e até já nem me recordava dele!

A partir deste ponto, então - viajamos 7 meses para trás... apertem os cintos...
.................................................................................................................

MJ disse...

Pah, Aspásia e Mª das Dores:

Lindas são vocês. Enchem-me de mimos :-) Quando vos conhecer melhor, dedico-vos um post. :-)

(Ando de rastos, "morta" de cansaço. Daqui a pouco começo a apanhar os pedaços de mim que já andam pelo chão)

Um abraço muito grande

17 Novembro, 2006 21:45

(ao que eu respondi...)

Aspásia disse...

*** Ode repentista dedicada à tua recuperação ***

Ó pedaço de mim
ó metade afastada de mim...
ó MJ querida,
não te quero ver assim...

Vou apanhar teus pedaços,
com carinho e amizade
e colá-los com abraços...
restituir-te a vontade

de resistir aos cansaços,
de levantar a cabeça...
e que num mundo em estilhaços,
a tua sorte aconteça...

Vai acontecer decerto pois tu mereces...

Descansa essa cabecita no fim de semana... passeia com o filhote ao lado, a Gigi ao colo e a Licas atrás...

Beijocas larocas...

;9=

17 Novembro, 2006 22:26

___________________________________________


Quem conheceu o EHT, pode recordar...

Quem não o conheceu, provar um pouco, principalmente, mas não apenas, através das minhas colaborações.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

ADÃO E EVA EM VERSÃO MUÇULMANA


Este mimo foi-me enviado pel´A Menina da Lua, e inspirou-me a seguinte quadra:

O Adão vai quase nu
A Eva vai bem tapada...
Ao Adão, vê-se o tutu,
À Eva, não se vê nada!

domingo, 27 de maio de 2007

As Meninas ao Piano

(originalmente postado no Flauta de Pã)

Raparigas ao Piano Raparigas ao Piano
Pierre-Auguste Renoir, 1892


As meninas ao piano
decifrando a partitura
apesar de algum engano
não se enganam na ternura.

A melodia é rainha
elas são suas donzelas
esta Valsa é antiguinha
mas é nova para elas.

Tempos de música e flores,
dós, rés, mis, fás, sóis, lás, sis…
Claves de Fá multicores,
claves de Sol arco-íris…

Entradas a contratempo,
tocadas a quatro mãos…
lá fora assobia o vento
cá dentro ouve-se a canção.

Acordes desafinados,
colcheias lentas de mais,
sustenidos desfasados,
pés que fogem dos pedais.

As amigas ao piano
fomos nós nessa manhã,
tocando num mano-a-mano
uma Valsa de Chopin.

Aspásia 07

Valsa em Mi m
F. Chopin
(Int. desconhecido)

sábado, 26 de maio de 2007

HISTORIA DE UN AMOR



Fui aos Momentos de Evasão da Vero, ela tinha-se lembrado do poema... e eu lembrei-me de ouvir a canção.

Quem se lembra deste magnífico Bolero?

Para embalar o Fim de Semana...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Dedicado à Tau Tau Tufa
(poema acróstico)


Regar todos os dias as Flores do Jardim da Amizade...



Teus poemas de encantar,
Adoráveis, sedutores…
Uma coisa de enlevar

Teus muitos admiradores!
Aqui se exalta o carinho,
Um gole se bebe, do vinho

Tão querido aos sonhadores…
Um sonho de amor por dia
Faz esquecer, por magia,
As mágoas e os desamores!

COM UM BEIJO ESPECIAL PARA TI, AMIGA TAU TAU !

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Aula de Lavores Femininos
(admitem-se meninos que saibam fazer crochet)

Ora muito bom dia meninas e meninos!

Vamos hoje expôr e analisar os trabalhos da Aspasita na aula de Lavores na Escola Primária..

Saco de Guardanapo em Crochet (fechado) Saco de Guardanapo em Crochet - frente


Saco de Guardanapo em Crochet (aberto)

O mesmo - frente e costas

Fronha para Bebé Fronha para Bebé

Bem... as duas peças parece que foram feitas na 3ª e 4ª classes... eu gostava muito das aulas de Lavores, porque podíamos dar à língua à vontade... mais que à agulha!
O saco foi feito em "abertos e fechados" em linha Mercer Corrente azul e depois decorado com linha branca em estrelinhas.
Foi terminado no Exame da 4ª Classe e Admissão ao Liceu... parece que 1967 foi o último ano em que houve esse exame e, portanto, eu, das últimas pessoas a fazê-lo... e incluía lavores e tudo! P´ra que saibam estas meninas de agora que nunca pregaram um botão...
A fronha foi cortada e cosida à máquina de lado pela Prof.ª e eu fiz as bainhas e o ajour.
TPC de LAVORES UNISSEXO
1 - No crochet, designa-se por fechado um grupo de 3 ou 4
a) torcidinhos
b) fiozinhos
c) pauzinhos
d) linhas
2 - No ajour deve usar-se uma agulha
a) grossa
b) magnética
c) fina
d) de titânio

As respostas certas serão contempladas com uma caixa de 12 novelos de linha Mercer Corrente nº 6 dourada e um jogo de 24 agulhas de crochet cromadas.


quarta-feira, 16 de maio de 2007

Na Primária...

Continuando na Escola Primária... fui procurar fotos alusivas. Apenas descobri estas duas, uma em cada uma das Escolas que frequentei nesses tempos dourados...


Foto A
Externato D. Filipa de Lencastre
(particular) - 1ª Classe, 1964

Nesta, a Prof.ª costumava mandar-me ler versos empoleirada num banco de madeira comprido... mas nos recreios era um desastre, fazia imensas diabruras e costumava andar à briga com os rapazes pois era matulona, de modo que ia constantemente de castigo para a sala dos rapazes, onde os ditos se fartavam de rir de mim... um dia, numa escaramuça, um deles ameaçou-me com um lápis afiado de me furar um olho e eu sem meias medidas, peguei logo no meu lápis, lembro-me de o afiar muito à pressa... e PIMBA!, fiz-lhe um furo na bochecha! Só por sorte não calhou vazar um olho ao desgraçado... depois desse feito parece que a Prof.ª, já velhota, coitada, chamou a minha Mãe e tive de mudar de Escola, mas eu só me defendi !!! De qualquer modo eu já andava farta da velhota que era muito ríspida para o meu gosto... mas foi a minha primeira Professora, infelizmente não consigo lembrar o nome dela.

Foto B

Escola Primária do Vale Escuro (pública nº163) - 4ª Classe, 1966

Prof.ª Maria da Conceição Bettencourt e Prof.ª Dulce (?)

A D.ª Maria da Conceição, isso sim! Foi uma grande Professora e eu adorava-a... era da mesma idade da minha Mãe. Não sei se ainda será viva. A Prof.ª Dulce era estagiária e pouco me lembro dela. Nesta Escola, dedicava-me muito, no recreio, a saltar em corrida desabalada, por cima dos 4 ou 5 bancos de pedra, aí de meio metro de altura, que havia ao longo do pátio que era bem grande.

Também me lembro que rezávamos uma Avé Maria todos os dias, antes de começar a aula. Na parede, claro, estavam as tradicionais fotos de Thomaz e Salazar com um crucifixo ao meio. De resto, estive sempre no Quadro de Honra, como depois sempre ao longo dos 7 anos do Liceu Filipa e Lencastre... sempre fui uma mulher honrada ;))... além disso gostava muito da aula de Lavores, onde fiz um saco de guardanapo azul, em crochet, e fiz ajour numa fronha para bebé... tenho de procurar esses items e pôr aqui as fotos...

Verso da Foto B

Note-se uma inscrição feita um ano depois da foto e que já indicava as minhas tendências contemplativas ...

"5/12/67 «Contemplei a fotografia»" ...

TPC - Por meio da numeração de 1 a 5, identificar a Aluna Aspasita nas fotos A e B.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Passagem da 2ª para a 3ª Classe - 1965

JÁ PASSARAM 42 ANOS? NÃO POSSO CRER, AINDA ME LEMBRO DE COPIAR O ENUNCIADO DO QUADRO!...
DE MODO QUE ENTREI PARA A 3ª CLASSE COM 7 ANOS EM OUTUBRO SEGUINTE... MAS PASSADOS POUCOS DIAS FIZ LOGO 8. FOI SEMPRE ASSIM - TODOS OS ANOS, NO INÍCIO DAS AULAS TODA A GENTE SE ADMIRAVA, EU TINHA SEMPRE UM ANO A MENOS... E ALTURA DEMAIS...




domingo, 13 de maio de 2007

A Poesia Sul-Americana Pós-Neruda continua Viva

Entardecer

TE ESPERARÉ...


Esperaré a que las hojas del otoño
se cansen de mirarme
hasta que las lunas se hagan de leche
y un río de miel se deshaga en mi boca

Esperaré tus ojos como ciego pájaro
en la noche silenciosa
tus manos para conocer los caminos
de mis futuras órbitas...

Esperaré porque se consume ya un fuego fatuo en la memoria
y me duele el cansancio de una larga tristeza
Te esperaré hasta el final de los finales
para hallar la muerte en la paz de tus entrañas

Porque no hallo otra cosa que nombrarte...
Porque no soy otra cosa que tu propio espejo
devolviéndose la imagen...

Esperaré porque en tus manos llega el aire
que me habita...
porque te has adueñado de mi absoluto presente
porque no existo sin tu vida
porque sin ti soy nada inhabitada

Te esperaré con el vientre lleno
de albahacas moradas
con un ramo de vientos en los ojos y una espiga dorada
arrodillada ante tu vidrio
para rezarte eternidades olvidadas

No haré otra cosa que esperarte, amor mío
hasta que se caiga el cielo y los astros se vuelvan a adorarte
porque llevas la sangre que necesito
para beberme la vida en tu cauce...

Te esperaré, te esperaré hasta que llegues
hasta el final de las lunas
para borrar los regresos y los adioses
para entregarte el universo
y que mi alma descanse
y jamás dejarte ir...


Zoé Jiménez Corretjer - PORTO RICO

(2001)

sábado, 12 de maio de 2007

RESUMO DA CONFERÊNCIA DE JORGE EDWARDS NO INSTITUTO CERVANTES (cont.)


Pablo Neruda e Jorge Edwards nos anos 50

De outra vez, ainda em Santiago, Neruda convidou Edwards para a sua casa na Isla Negra, para onde iriam no velho carro de Neruda. Mas logo à saída de Santiago, Neruda parou para ver uma ´feira da ladra´ (feria de las pulgas) que ali se fazia, pelo que Edwards pensou logo “por este andar não chegamos lá antes de 7 ou 8 horas”… nessa feira vendiam-se as coisas mais feias e incríveis, incluindo óculos partidos e dentaduras postiças! Não se sabia quem comprava tais objectos, mas lá percorreram o recinto até que Neruda viu uma grande corrente de ferro, suja, ferrugenta e com uns enormes elos, caída no chão. Cada elo da cadeia mais parecia uma roda de carro e a corente pesava várias toneladas. Neruda disse então “Temos de levar esta corrente para a Isla Negra! Quero pô-la no jardim!”
Edwards disse que isso era impossível pois o carro não podia com uma coisa tão grande e pesada. Neruda foi então ter com uns camionistas que ali andavam e contratou-os para levarem a corrente num camião. Assim partiram todos para a Isla Negra. Assim que lá chegaram, neruda disse aos camionistas: “Descarreguem a corrente aqui no jardim mas como a deixarem cair é que fica. Não a endireitem, não alinhem os elos. Quero que fique como cair do camião para o chão.” E os homens assim fizeram.

Edwards percebeu que a corrente tinha pertencido a um navio, e dada a grande ligação de Neruda ao mar, como se pode ver em muitos dos seus poemas, compreendeu que Neruda quis ter a corrente no jardim porque ela “tinha pertencido” ao mar, ela representava, desordenada, ferrugenta e suja, a luta que tinha travado contra a força e rebeldia do mar.

Mas da última vez que foi à Isla Negra, já depois da morte de Neruda, Edwards viu que a corrente fora limpa e colocada em círculo, pelos jardineiros, a fazer de limite de um canteiro! Perdendo assim todo o significado poético alusivo ao mar que Neruda tinha visto nela. Desordenada e ferrugenta como tinha vindo do mar, a corrente representava para Neruda o próprio mar…

************************************

Bem, meus meninos/as, então aqui fica a reportagem. Para a outra vez anuncio coisas destas com mais antecedência para vocês irem ao vivo, que eu não sou o Repórter X!


Poema 18 de "20 Poemas de Amor y una Canción Desesperada", lido por Neruda

quinta-feira, 10 de maio de 2007

RESUMO DA CONFERÊNCIA DE JORGE EDWARDS NO INSTITUTO CERVANTES


O escritor Chileno Jorge Edwards trouxe a Lisboa
as suas recordações do Amigo Pablo Neruda


(A pedido de várias famílias, vou tentar escrever o que me ficou na cabeça...)

Depois de uma breve apresentação feita pelo Director do ICL, e de algumas considerações sobre a vida política e literária do Conferencista convidado feitas por José Carlos Vasconcelos, Jorge Edwards, Prémio Cervantes 1999 tomou a palavra.
Falando em Espanhol com sotaque chileno, naturalmente, o Conferencista começou por recordar os seus primeiros contactos com a Literatura Portuguesa através do convívio com Ruben Braga, Jorge Amado e Vinicius de Morais no Rio de Janeiro.
Jorge Edwards, de ideais políticos de esquerda, foi Embaixador do Chile em Cuba.
O seu primeiro contacto com as Letras Portuguesas foi através da obra de Fernando Pessoa, sobre o qual foi o primeiro a escrever um artigo em 1957, antes de Octávio Paz que também escreveu sobre Pessoa.
Na altura, em Santiago do Chile, havia um funcionário da Câmara chamado Fernando Pezoa, pelo que toda a gente perguntava a Jorge Edwards porque escrevia sobre um indivíduo que nunca tinha escrito coisa alguma… Edwards tinha de explicar que o Pessoa em questão se escrevia com dois “ss” e era Português, mas alguém numa conferência nesse tempo lhe disse que também queria saber o que o “Pezoa Municipal” tinha escrito…

Com cerca de 21 anos, Edwards conheceu Pablo Neruda. Entretanto Neruda com 24 anos e anteriormente já tinha escrito “20 Poemas de Amor y Una Canción Desesperada” e depois ainda escreveria “Los Poemas del Capitán”, "Canto general" e “Residência en la Tierra “.

Passou depois a contar várias história curiosas sobre Neruda, (vamos lá ver se ainda me lembro).

Quando Neruda foi Embaixador do Chile na Birmânia, conheceu uma jovem birmanesa chamada Josie Biss, mas que ao pé dos estrangeiros dizia que o apelido era Bliss (êxtase). No início do relacionamento, Neruda tinha algum receio da senhora, porque era dada a práticas esotéricas, rezas estranhas, etc.. De dia andava vestida à ocidental, mas à noite vestia-se de birmanesa e andava pela casa onde então moravam, com rezas e incensos, etc.. Além disso começou a ser muito ciumenta, zangando-se com Neruda, que como Embaixador tinha de ir a muitas reuniões, recepções, etc.. De modo que a coisa foi piorando e uma noite quando Neruda acordou, andava ela em círculos à volta da cama, com uma faca na mão!
Neruda então sem nada lhe dizer, pediu para ser transferido como Embaixador para Colombo, capital do Ceilão (actual Sri-Lanka).
Assim, uma manhã, despediu-se da Josie como de costume, sem nada levar além de uma mala pequena, como se fosse para a Embaixada, mas em vez disso foi apanhar um navio para o Ceilão. Tinha deixado uma carta para Josie em sítio onde ela levasse algum tempo a encontrá-la.
Durrante a viagem aproveitou então para escrever o poema “Tango del Viúdo”, dedicado a Josie.

No fragmento abaixo de Tango del viudo (Tango do viúvo) percebe-se o sofrimento infinito do eu-lírico:

Oh, maligna, ya habrás hallado la carta, ya habrás llorado de fúria
y habrás insultado el recuerdo de mim madre
llamándola perra podrida e madre de perros,
ya habrás bebido sola, solitaria, el té del atardecer
mirando mis viejos zapatos vacíos para siempre, (...)
Maligna, la verdad, qué noche tan grande, qué tierra tan sola!
He llegado otra vez a los dormitorios solitarios,
a almorzar en los restaurantes comida fria, y otra vez
tiro al suelo los pantalones y las camisas,
no hay perchas em mim habitación, ni retratos de nadie en las paredes.
Cuánta sombra de la que hay en mi alma daria por recobrarte,
y qué amenazadores me parecen los nombres de los meses,
y la palabra invierno qué sonido de tambor lúgubre tiene.

(Oh maligna, já terás achado a carta, já terás chorado de fúria / e terás insultado a memória de minha mãe, / chamando-a de cadela suja e mãe de cachorros, / já terás tomado sozinha, solitária, o chá do entardecer / a espiar os meus velhos sapatos vazios para sempre (...)
Maligna, em verdade, que noite tão grande, que terra tão só! / Cheguei mais uma vez aos dormitórios solitários, / a almoçar comida fria nos restaurantes, e uma vez ainda / atiro no chão as calças e as camisas, / não há cabides no meu quarto, nem retrato de ninguém nas paredes. / Quanta sombra da que existe em minha alma não daria para recobrar-te, / e que ameaçadores me parecem os nomes dos meses, / e a palavra inverno tem um som de tambor lúgubre.)

Meses depois, já em Colombo, estando um dia na varanda, Neruda viu chegar uma grande camioneta de mudanças para a casa em frente… começaram a descarregar e ele começa a ver objectos que lhe eram conhecidos… até que desce também uma senhora vestida de birmanesa… a Josie tinha descoberto onde ele estava e tinha alugado a casa em frente para continuar a vigiá-lo!


(continua)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Recordar Neruda hoje em Lisboa




INSTITUTO CERVANTES DE LISBOA

(R. de Santa Marta )

Conferência. José Carlos Vasconcelos y Jorge Edwards.

"Reencuentro con Pablo Neruda" - 09/05/2007 - 18:30H

El galardonado escritor, cronista y diplomático chileno, Jorge Edwards, cuya amplia trayectoria literaria le permitió obtener el Premio Cervantes en 1999, nos ofrecerá en esta conferencia la narración de su vívida y próxima relación de veinte años de amistad personal con el Neruda íntimo, yendo más allá de la emblemática figura de este gigante de la literatura universal.... (do programa de Actividades do IC)


segunda-feira, 7 de maio de 2007

DEDICADO À CRISTINA SEABRA

MEUS AMIGOS

ACHO MUITO IMPORTANTE ESTE POST DA NOSSA AMIGA CRISTINA. POR ISSO PUS UM LINK NO MURCON E PONHO AQUI TAMBÉM.

TODOS TÊM OS SEUS PROBLEMAS... MAS SE CALHAR UNS MAIS QUE OUTROS...
PORTUGAL É UM PAÍS LIXADO!!! UMA PESSOA COMO A CRISTINA NÃO ARRANJA EMPREGO... MAS AÍ OS "JOBS FOR THE BOYS" ESTÃO CHEIOS DE CRETINOS...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

LUGARES DA MINHA VIDA - II


NESTA COSINHA TRABALHEI COMO AGUADEIRA, VINHATEIRA, DESCASCADORA DE ERVILHAS DE QUEBRAR, DESENFORMADORA DE PUDINS DO ABADE DE PRISCOS, ESPEVITADORA DO LUME DE CHÃO E ESPANTADORA DE MOSCAS E MOSQUITOS.
FUI DESPEDIDA NO DIA EM QUE CAÍ DENTRO DO PURÉ DE ERVILHAS E SUA ALTEZA SE ENGASGOU COMIGO AO COMER A SOPINHA!!!

NOTAS HISTÓRICAS:
i) A TIGELA DE SUA ALTEZA LEVAVA 10 LITROS.
ii) EM FUNDO ESTAMOS A OUVIR UM REGISTO SONORO EM ROLO DE SEBO, DO RUÍDO AMBIENTE QUOTIDIANO, NESTA COSINHA, NO SÉC.XVI.



NESTA TRAVESSA TRABALHEI COMO PADEIRA, MAS TINHA POUCA PRÁTICA. COMO LEVAVA MUITO TEMPO A AMASSAR, LEVEDAR, MOLDAR, COZER, ETC., SÓ VENDIA PÃO FRESCO ÀS TERÇAS, QUINTAS E SÁBADOS. ASSIM, QUANDO OS FREGUESES CHEGAVAM A CASA, COMO O PÃO TINHA LEVADO DOIS DIAS A FAZER, JÁ TINHA BOLOR, DE MODO QUE REGRESSAVAM ÀS SEGUNDAS, QUARTAS E SEXTAS PARA O DEVOLVER. ERA UM TRABALHO MUITO PESADO E TINHA SEMPRE A CASA CHEIA (DE IMPROPÉRIOS)...
FELIZMENTE AOS DOMINGOS FECHAVA, PARA DESCANSO DOS BRAÇOS... E DAS PE(R)NICILINAS.







terça-feira, 1 de maio de 2007

OUTROS BISCATES QUE TIVE...


MAIS TARDE ARRANJEI VÁRIOS OUTROS BISCATES, A SABER: DANÇARINA DE CABARET, TRACTORISTA, PIZZAGIRL E POSADORA PARA FOTOS DE CATÁLOGOS DE TURISMO RURAL ;))).....

TODAS AS PROFISSÕES SÃO DIGNAS!


Santa Susana, Redondo - 1976


Meus caros Amigos, estamos no Dia do Trabalhador, assim aproveito para relembrar os tempos em que trabalhei como Almocreve (na senda de meu Bisavô paterno Francisco António).

Como podem ver, jeito não me faltava e como sempre gostei muito de burros sentia-me à vontade... mas o ordenado era fraquito... de modo que tive de procurar outro emprego.
TODAS AS PROFISSÕES SÃO DIGNAS,
O IMPORTANTE É CADA UM AMAR O SEU TRABALHO...
INCLUINDO AQUELES QUE NADA FAZEM!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Vinte Versos Sem Abrigo



Era um pobre coitado,
esfomeado, esfarrapado.

Vivia em qualquer lado,
quase sempre embriagado.

Fumava, de olhar parado,
um cigarro já fumado.

Dormia, muito enrolado
em cartão, no empedrado.

Certas noites, acordado,
olhava o céu estrelado.

Um dia, foi apanhado
a roubar no hipermercado.

Para a esquadra foi levado
por um guarda avantajado.

Estava devedor ao Estado;
ficou, pois, engaiolado.

Para não morrer de enfado,
lia um jornal atrasado.

Cumprido o mês estipulado,
lá saiu, desengonçado.

Mas nada tinha mudado,
e voltou ao mesmo fado.

Vagueou, desinteressado,
vendo chover no molhado.

Já noite, parou, cansado
e abrigou-se num beirado.

Do frio anestesiado,
escorregou, ficou deitado.

No silêncio enevoado,
divisou um embuçado.

“Pode arranjar-me um trocado?”
- perguntou, num tom cantado.

O vulto tinha parado
e olhava-o, apiedado.

“Pode arranjar-me um trocado?”
- repetiu, esperançado.

Sobre o rosto levantado,
recebeu um bafo gelado.

E caiu, morto, de lado,
sussurrando: “Obrigado”.
Aspásia



quarta-feira, 25 de abril de 2007

HORIZONTE PERDIDO


33 ANOS NAVEGANDO EM ÁGUAS TURVAS...
O IDEAL CADA VEZ MAIS PERDIDO NO HORIZONTE.
PODIA ANDAR EM RECTA, MAS PERDE O TEMPO ÀS CURVAS...
25 DE ABRIL? É SÓ NOME DE PONTE...
UNS PEDEM ESMOLA, ALGUNS BAIXAM A FRONTE,
MUITOS VIVEM PR´À BOLA... E O RESTO ANDA A MONTE!

33 ANOS


33 ANOS... PARA QUÊ?
OS IDEAIS DE ABRIL FORAM ABATIDOS.

ESTE É UM PAÍS CRUCIFICADO E O PROBLEMA É QUE NÃO VAI RESSUSCITAR AO 3º DIA...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 1


Margarida ensina a ler as meninas da aldeia - (As Pupilas do Sr. Reitor)
(Imagem escolhida por Aspásia)


Caros MJ, EnquantHouveTempistas e demais interessados...

Finalmente, consigo hoje dar início às mudanças do Enquanto Houver Tempo aqui para o Jardim, agora que começa a Primavera e já se pode estar aqui ao ar livre... :)

Esta Recordação é dedicada especialmente aos Professores que conheci no E.H.T.: além da autora MJ, a PAH NÃ SEI, O ALQUIMISTA e o JODI (de momento não me recordo de mais).

Apesar de eu mesma não ter comentado neste antigo Post da Mestra MJ, acho importante relembrá-lo, pois continua perfeitamente actual.

Como é difícil hoje em dia ser Professor... como vão longe os tempos das Pupilas do Sr. Reitor... hoje, na Escola, MATA-SE !!! Como sucedeu há poucos dias nos EUA...
Por cá ainda não se mata... espero que nunca suceda... mas o Professor muitas vezes é uma das vítimas preferenciais da nossa sociedade, em que a dificuldade das condições de trabalho tantas vezes gera o cansaço e a frustração, quando não mesmo a desistência e a doença...

Também escolhi recordar este Post pois há os que não conheciam a MJ nesse Tempo, Quando Ainda o Havia... e foi neste Post que surgiu o 1º Poema!!! (do Jodi) aparecido nos Comentários e que também acho importante ser reproduzido.

Então, para recordar ou ler em 1ª mão... dou a palavra à Patroa MJ!
*******************************

Terça-feira, Outubro 17, 2006


Desabafo...

Hoje estou mais azeda do que um limão verde. Não, não foi o vinagre da cabidela que comi ao almoço... Isso já teria passado com um anti-ácido qualquer.

Os professores estão em luta. Sou professora, logo estou em luta também. (Isto soou-me a exemplo de silogismo... :-)). Ao longo da minha vida, mais precisamente do meu percurso profissional, acreditei sempre nas lutas em que me envolvi. E, fazendo um flashback, reconheço que, através delas, consegui sempre algumas vitórias.

Hoje, pela primeira vez, sinto que estou a lutar ingloriamente. Perante a cegueira, a surdez, a insensibilidade e o autismo, é vão qualquer esforço para sermos vistos, ouvidos, compreendidos...
Então, se não acredito, o que me leva a lutar? A imensa revolta por me estarem a roubar o prazer de ensinar. Não há gritos e choros que, mesmo não apagando angústias, nos deixam mais leves por sentirmos que ainda nos resta essa "liberdade" de podermos usar a nossa voz e as nossas lágrimas?

A greve (ainda) é o nosso grito, ainda que ignorado por quem não nos quer ouvir.

Estamos a perder um dia de vencimento. Nos dias de hoje, é revoltante darmo-nos a esse "luxo".
Mas antes perdermos um bem material do que perdermos a diginidade que ainda nos resta.
posted by MJ at 17:44


1 Comments:

Jodi said...

Ser Professor… hoje!

Como é ingrata esta vida
Não por sentirmos pavor
Mas porque no dia-a-dia
Muito sofre o professor!

Aos alunos recebidos
Para cuidar e ensinar
Tratamos com mil carinhos
Conjugando o verbo amar.

O tempo diário com eles
É superior ao dos pais
Instruímos e educamos…
Não são relações banais!

Não bastava até aqui
Percorrer longas distâncias
Sem tempo para a família
Em dádiva às crianças

Gente menos correcta
Agredindo o professor
Invade a nossa escola
E provoca o desamor

E a nossa autoridade
Por alguns posta em causa
Dá lugar ao desespero
E ao desejo duma pausa!

Resta ainda ao professor
Mesmo com desconfiança
Assumir sua missão
Com rigor, perseverança!

Em função dos seus alunos
Viver a sua profissão
Dar um forte contributo
Pr’ o futuro da Nação!

18 Outubro, 2006 00:37


***********************

Querida MJ, na altura não comentei... comento hoje. Enquanto Houver Professores, como tu, a Pah, o Alquimista, o Jodi... ainda há uma esperança para este Portugal... NÃO DESISTAM NUNCA!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 0


... fui esta Creada de Dentro desta Casa, em tempos de grande afluência, agora algo reservada aos olhares do Público em geral. É, agora, assim o entendeu a minha antiga Patroa, um local de Memórias e Saudade para os amigos mais íntimos que continuam por lá a reencontrar-se mesmo que seja para um simples Olá, estás bem?


Era de tal modo um prazer e uma alegria para mim trabalhar para esta Patroa - na foto acima durante um baile de Carnaval - e numa casa tão acolhedora, que me entretive lá em inúmeras tarefas desde receber Embaixadores e Reis estrangeiros no Hall, servir o chá e os bolos, levar visitas e cartas das Saletas para o Salão Principal, etc.. até à simples e derradeira tarefa de cada noite que era... fechar a porta e apagar a luz.

Também para dar bom aspecto e impressionar bem os visitantes, principalmente os estrangeiros que muito por lá apareciam, até Chineses, Japoneses e Russos, eu tentei sempre fazer boa sala a todos, nomeadamente com algumas fracas rimas que me vinham à cabeça na altura. Mas naquela casa não se faz distinção entre o Rei, o Alquimista, o Poeta, o Professor, o Trovador, o Sapateiro, o Padeiro, enfim recebi todos com as melhores maneiras, nem a Patroa me teria deixado lá ficar se assim não fosse.

De outras vezes teve a MJ a gentileza de publicar alguns versos meus de variegados estilos, no Salão de Festas Principal...

Também há por aí novos amigos que não frequentavam essa nobre Casa na altura e que estão curiosos por ter uma ideia do que por lá se passava...

Assim, inicio hoje uma nova rubrica "Enquanto Houve Tempo",
e irei fazendo umas mudanças daquela para esta casa, nomeadamente da muita tralha que lá deixei espalhada e talvez de algumas conversas entre mim, a Patroa e várias visitas da casa que muitas também se salientaram pelo brilho e humor dos comentários.
Por hoje, fecho a porta e apago a luz.