sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

150º Aniversário da Morte de Heinrich Heine (Alemanha, 1797-1856)

* * *
As Velhas Canções Ruins

As velhas canções ruins,
e os maus sonhos sem razão,
vamos agora enterrá-los.
Trazei-me um grande caixão.

Muita coisa que eu não digo,
lá dentro há-de ter albergue,
deve o caixão ser maior
do que o tonel de Heidelberg.

Procurai-me um ataúde
de madeira, que não rompe,
que ele seja mais comprido
que, de Mogúncia, é a ponte.

Trazei-me doze gigantes
que pesados fardos movam,
maiores que, na catedral
de Colónia, é São Cristóvão.

No caixão devem pegar,
deitá-lo ao mar, na fundura,
pois, que a tão grande caixão,
cabe grande sepultura.

Sabeis vós, porque assim quero
caixão tão vasto e potente?
Para deitar meu amor
e a minha dor, juntamente.


In "Livro de Canções" - Tradução de A. Herculano de Carvalho

1 comentário:

Henrique Doria disse...

É reconfortante vir aqui, e absorver a inteligência e o bom gosto. Beijos Aspásia. Visita o odisseus.blogs.sapo.pt