sábado, 24 de novembro de 2007

Na LadrAlternativa
Com a PinGente

Cá estamos nós!




A PinGente no seu posto de trabalho

Veio a Lisboa a PinGente
trazer bonitos à Feira...
E eu fui vê-la num repente
nessa tarde de geleira!

Só ainda a conhecia
das an-danças virtuais ;)
da queda p´rá Poesia,
e dos couros e metais,
da multicor pedraria
em obras originais!

Já tínhamos conversado
quer em verso quer em prosa,
o verso de pé quebrado,
a prosa sempre gostosa!

Lá bem no meio de Alfama,
fui andando pela Feira
procurei descortiná-la...
sentada numa cadeira,
lá estava ao fundo da sala!

O que nós nos alegrámos!
Num grande abraço apertado
as duas nos abraçámos
perante o povo pasmado! :)

Assim da Net ao real
a Aspásia e a PinGente
puderam, ao natural,
dar um beijinho mais quente
que o beijinho virtual!

E vi os belos pingentes
que ela faz lá na Invicta
e logo escolher um
ela me propôs, convicta.
Escolhi um lindo colar
em tons de verde e azul,
na foto o irei mostrar,
a todos, de Norte a Sul!


O colar que a PinGente me ofereceu!
Liiiiiiinndooooo! Obrigada, Amiga!

Chegou a hora do adeus,
já com pena e com saudade!
Mas digo-te esta verdade:
Luísa, dos pingentes teus,
o mais belo é o da Amizade!

Aspásia 07-11-24

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CATEDRAL


Olhando ao longe a planura,
numa manhã outonal,
ergue-se a alta figura,
– Pai-Nosso em arquitectura –
duma antiga catedral.

É visão inesquecível,
aguarela austera e pura.
Majestosa, imperecível,
por artesão intangível
talhada na pedra dura.

Acerco-me lentamente
e em grandeza vai crescendo.
Sobre a pedra que não mente,
olho mais atentamente,
velha inscrição desvendo.

Sé pelo Homem erguida
para dar a Deus sinal
de fé na Lei recebida,
é promessa nesta vida,
esperando na Vida imortal.

Lugar de meditação,
abriga no coração
a qualquer que nela entre.
Não vê cor ou condição
nem mesmo faz distinção
entre o crente e o não-crente.

Cruzando o largo portal,
entro, sem fazer rumor.
Coalhado dum vitral,
irisa a água lustral
um reflexo multicor.

Sobre o altar principal,
em retábulo pintado,
o Anjo celestial
ergue a pedra sepulcral
a Jesus ressuscitado.

Oiço vozes de oração
que se elevam em espiral.
Pedirão, talvez, perdão,
ou tão só resignação
para tanta dor e mal.

O velho órgão harmoniza
um cântico angelical.
Não pede, não catequiza,
mas dá alma a quem precisa
– Sinfonia Pastoral.

Fôra eu crente e, talvez,
no meio desse coral
encontrasse a placidez,
esquecendo os mil porquês
da Ciência racional.

Assim, enquanto a visito,
não rezo, apenas medito,
banhada na luz claustral:
pudesse o caos inaudito,
ferro e dor, espanto e grito,
pesadelos do real,
dar lugar a um coral
– eco humano de Infinito…
e o Mundo enfim sem conflito,
mais perto do Ideal,
vogasse no mar infindo
do azul universal.

Aspásia 96


Allein Gott in der Höh´ sei Ehr

J.S. Bach
Órgão - Otto Winter

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

FIAT LUX
(Faça-se Luz)



Se apesar de duros, tristes desenganos,
por vezes em teus lábios desponta uma canção,
vê se ela traz consigo uma recordação
de outros, felizes, já longínquos anos.

Se apesar das pedras, dos cardos do caminho,
ainda prossegues, um sorriso por bandeira,
é porque em ti persiste ainda a fogueira
acesa em outros tempos com carinho.

Não cesse pois, em teus lábios, a canção;
não desfaleça em ti o lume da fogueira,
pois, após tempestades, sóis virão...

E a Luz será tão forte, tão certeira,
que fará cair tudo o que é vão
ao explodir nos céus como a primeira...

Aspásia 96


Bailero
(Canteloube)
Int: Kiri Te Kanawa

(Imagem da Net)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

LATINORIUS


Ave! Ora então vamos lá hoje a uma aulazita de Latim Moderno. Se pensavam que o Latim é uma língua morta, desenganem-se! Leiam este texto, publicado há um par de anos na imprensa portuguesa…

* * *

Já experimentou ser obscena observandi cupido da sui ipsius nudator que passa na birota automataria? Não? E não será muito novissimorum morum affectator? Não sabe? Então o mais aconselhável à sua situação cultural é ler este texto até ao fim.
O Vaticano resolveu desenterrar o Latim, a língua oficial da Santa Sé. Visto que, durante largos anos, se tratou de uma “língua morta”, do seu vocabulário não constam muito dos termos hoje em dia utilizados frequentemente. A Fundação Vaticana Latinitas resolveu o problema. Após oito anos de aturados estudos, sob a coordenação do abade Carlo Egger, foi finalmente publicada a obra que permite a actualização do léxico latino.
O novo dicionário compila mais de 15 mil neologismos, a maioria dos quais empregados em todo o Mundo na língua original, o inglês ou o francês, cobrindo áreas como o desporto e as ciências. A apresentação do Lexicon Recentis Latinitas decorreu na Finlândia, em 2004. Aqui ficam alguns exemplos citados pelo jornal madrileno "El País":

Aparelho de vídeo - Instrumentum telehornamentis exceptorium.
Barman - Tabernae potoriae minister.
Best-seller - Liber máxime divenditus.
Café - Taberna cafearia.
Carruagem - cama - Currus dormitorius.
Champô - Capitilavium.
Computador - Instrumentum computatorium.
Discoteca - Ludus saltatorius.
IVA - Fiscale pretil additamentum.
Jeans - Bracae linteae caerúlae.
Mini-saia - Tunícula mínima.
Motocicleta - Birota automataria.
Motel - Deversorium autocinéticum.
Ovni - Res inexplicata volans.
Pizza - Placenta compresa.
Playboy - Iuvenis voluptarius.
Slalom – Descensio flexuosa.
Solteiro - Solitarius.
Snob - Novissimorum morum affectator.
Spot (de televisão) - Intercalatum laudativum nuntiun.
Spray – Liquor nubilogenus.
Stripteaser - Sui ipsius nudator.
Ténis (jogo) - Manubriati reticuli ludus.
VIP - Amplissimus vir.
Voyeur - Obscena observandi cupido.
WC – Cella intima.
Western - Fabula americae occidentalis.
Whisky - Vischium.


E x e m p l u m

Um Obscena Observandi Cupido observando uma Res Inexplicata Volans...


* * *


Também podem ver aqui um divertido forum, em espanhol, que explica muito bem a construção das expressões latinas.

Bem, meus Amplissimus viris amicus, depois de fechar o Instrumentum telehornamentis exceptorium onde acabo de ver uma Fabula americae occidentalis, com o meu Iuvenis voluptarius, vou à Cella intima e depois, numa Descensio flexuosa, dirijo-me para o Currus dormitorius... Bona Nox!

Post Post-Scriptum - naturalmente, a este Post só se aceitam comentums scriptuns (comenta scripta) em Latinorius ;))...



Ode Pentatónica para Martelo e Flauta de Pã, composta por Nero numa noite de insónia... esta Ode é muito eficaz nesse caso, experimentem! Assim que adormecerem, acordem para pará-la...;))

sábado, 3 de novembro de 2007

ÁRVORE

Fui buscar ao Velho Caramanchão esta Velha Árvore para a dedicar, em especial, à Nova Árvore da amiga Gasolina! Com votos de felicidades deste velho jardim para esse teu novo pomar e muitos beijinhos!



Na árvore que, agrilhoada à Terra,
altiva e temerária sonha erguer-se aos Céus,
qual a força, a chama, que afinal se encerra?
Será a Natureza? Será Deus??

(Foto e Poema - Aspásia 96)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Autumn Leaves

Diana Krall
CopyLeftAspásia 99




The Autumn leaves
drift by my window,
The Autumn leaves
of red and gold

I see your lips,
the summer kisses,
The sun-burned hands
I used to hold.

But since you went away ,
the days grow long
And soon I´ll hear
old Winter´s song...

But I miss you most of all, my darling,
when Autumn leaves start to fall.

(Letra: Nat King Cole

Música: Joseph Kosma

Int.: Diana Krall)

Folhas de Outono

domingo, 21 de outubro de 2007

MULHER



Mulher é vasto conceito
Mas direi, num improviso:
É nada, quando dá jeito;
Faz tudo quando é preciso.

É Filha da sua Mãe,
É Neta da sua Avó
Às vezes sente-se bem
Às vezes sente-se só.

É Irmã do seu Irmão
Sobrinha da sua Tia
E varre à noite do chão
O lixo de cada dia.

É Aluna do seu Mestre
É Colega e Companheira
Ora trabalha ao semestre
Ora vai vender p´rà feira.

Amiga da sua Amiga
Amante do seu Amor
De dia apanha espiga
À noite abre-se em flor.

Enfermeira no hospital
Ou 2ª Mãe na creche
Ora a Morte vê, fatal,
Ora o bebé que remexe.

Artista, Diva ou Escritora
Desconhecida ou genial
Engenheira, Professora,
Pode dar Bem e haver Mal.

Também como não é santa
Muitas asneiras comete
Mas se tiver força tanta
Corrige-se e não repete.

Pode ser que seu Amor
Seja o seu Homem também
Se por acaso não fôr
Pode escolher outro Alguém.

Pode ser que seja rica
Pode ser que seja pobre
Que vá buscar água à bica
Ou pinte no salão nobre.

E se um dia fôr Avó
Mãe pela 2ª vez
Pode desatar-se um nó
E fazer o que não fez.

Pode sempre viajar
Ou d´aldeia não sair
Mas se amar, rir e cantar
Mundos há-de descobrir.

E se às vezes se vir só
De todos abandonada
Ficará de meter dó
Se não fôr desenrascada.

Um dia velha e cansada
Vai-se embora desta guerra
Mas se amou e foi amada...
Será semente na terra.

Aspásia 07




(Desenhos: Aspásia 92)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

FIFTY FIFTY :-/...



Cinquenta é meia centena
e dobro de vinte e cinco
´inda ontem era pequena
brincando na tarde amena…
Hoje em dia pouco brinco.

Mas um dia não são dias
e fui buscar a caneta
p´ra escrever umas tropelias,
esquecendo as melancolias
desta idade já provecta!

Senhores, como sabeis,
tenho jeito p´ra palhaça…
Ignoro se vos rireis
destas rimas que lereis (?)
mas vou fazer por ter graça…

´inda ontem era menina
de vestidinho de tule,
erguia-me pela matina,
lavava-me numa tina
e bebia o chá p´lo bule!

Um dia, em tempos idos,
fui admitida na escola,
levei lápis coloridos
e objectos indefinidos
tudo dentro da sacola…

A Mestra, ao ver-me, pensou:
“Esta vai dar-me trabalho.
- Como se chama? – indagou.
- Todos me chamam Nonô,
pois sou Leonor de Carvalho…”

O tempo lá foi passando,
ditados e correrias,
ora lendo, ora brincando,
cantando ou desenhando,
pelas férias ansiando,
decorriam os meus dias!

Felizmente, desde cedo
sempre gostei de estudar…
Das contas não tinha medo
e os livros eram o brinquedo
que eu mais custava a largar!

Sempre tive “boas notas”:
- Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si …
Julgavam que era das outras???
Dessas já não tenho provas,
pois os diplomas vendi…
que as de papel eram poucas!!!

Como sempre me interessei
por engenhos, maquinetas,
problemas de semi-rectas,
ímanes, transistores, provetas,
em Engenharia entrei…

Na cabeça misturei
fazendo grande salada,
buracos negros, cometas,
deltas, alfas, gamas, betas,
neutrões e água pesada...
Mas que enorme baralhada!

De rir não tenho vergonha,
as rimas de humor me atraem,
mas às vezes estou pamonha
e faço tal carantonha,
que até os santos do altar caem!

Já estou nisto há meia-hora,
tem sido “sempre a aviar”…
meus amigos, vou-me embora…
Quem empresta não melhora,
por isso os versos vou dar,

mesmo feitos à pressão,
que o tempo é ai que mal soa…
Espero obter vosso perdão,
sou queijo, queijo, pão, pão,
nada e criada em Lisboa,
há dez lustros, pois então!

O resto da minha história
ficará para outra vez…
Se conservar a memória,
saúde satisfatória,
e não emigrar p´ra Fez!

Esta é difícil idade,
não sou velha nem sou nova…
Já vou da missa a metade,
essa é que é a realidade,
provada à sa(o)ciedade,
p´la pobreza desta trova!

Aspásia 07

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"TESTAMENTO"
* Dito pelo Amigo JFR *


CAROS AMIGOS/AS

ACABO DE TER A GRATA SURPRESA DE VER E PRINCIPALMENTE OUVIR!, O MEU POEMA "TESTAMENTO" DITO - E MUITO BEM! - PELO AMIGO JFR, QUE MUITO GENTILMENTE ME HAVIA PROPOSTO FAZÊ-LO. COMO TENHO ANDADO BASTANTE AFASTADA DESTAS LIDES, SÓ HOJE, E ALERTADA POR UMA QUERIDA E ATENTA AMIGA (OBRIGADA, MTC !), VI O MEU TRABALHO EXTREMAMENTE VALORIZADO POR ESTA LEITURA IMPRESSIONANTEMENTE EXPRESSIVA, PELA "ILUSTRAÇÃO" POR IMAGENS DE GRANDE FORÇA E BELEZA E A COLOCAÇÃO NO YOUTUBE, PELO JFR, A QUEM, MUITO COMOVIDAMENTE, AGRADEÇO E ABRAÇO! MUITO OBRIGADA, AMIGO, POR ESTA GRANDE ALEGRIA QUE ME DEU!

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(Segue reprodução do Post do JFR no seu Abaixa-Voz)
******************************
Sábado, Agosto 18, 2007

Testamento - Poema de Aspásia
Um momento de poesia. Escrito - muito bem - por uma mulher: Aspásia. Lido por um homem. Eu.

Pode ouvir aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=rjh4OcKaMiw

Posted by JFR at 12:54 AM

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DIA DA MÚSICA


Erato, Musa da Música

… ela é definida(?) nos compêndios por meia dúzia de palavras (pouco musicais…), algo como “sucessão de sons formando uma frase melódica” ou “a maneira de exprimir sentimentos por meio de sons”…
mas quanto a mim penso limitarem-se essas pseudo-definições ao aspecto exterior e teórico, são definições “a frio”… de facto, como podem elas dar conta do carácter universal e multifacetado de uma das mais antigas formas de Arte conhecidas da Humanidade e que mais contribui para o engrandecimento interior de cada um de nós e desenvolvimento da comunicação com os outros? Haverá outra forma de Arte que possa proporcionar um tão vasto leque de gradações emocionais aos que à sua fruição se entregam? Desde a majestade e grandiloquência, ou talvez melhor, grandissonância… de uma sinfonia de Beethoven ao sentido virtuosismo de um nocturno de Chopin… dos ritmos contagiantes do folclore russo ou espanhol à serenidade infinita de trechos de alguns compositores nórdicos… nunca essas belas ondas do oceano musical deixaram de me fazer experimentar uma miríade de sentimentos, uma diversidade de estados de alma, só possível pela existência daquilo que esta simples palavra − Música − representa…
TESTE





* Impromptu in A Blue *
(Improviso em Lá Azul)

Texto e "Improvisação" da Música - anos 80
Interpretação e Registo Mp3 - 2006
by Aspásia

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

PELA PAZ!


PEDE-ME A VÓ AMIGONA
QUE EU VERSEJE PELA PAZ…
AMIGA, ANDO NUMA FONA,
VAMOS VER SE SOU CAPAZ...

VIVE DIAS DE TORTURA
ESTE MUNDO ENSANGUENTADO!…
MILHÕES VIVEM EM AGRURA,
BUSCA-SE AMOR E TERNURA
UM POUCO POR TODO O LADO...

ANDAM BOMBAS PELO AR,
E ATÉ NO CINTURÃO!
QUEREM UNS, OUTROS MATAR,
NÃO LHES CHEGA SÓ ROUBAR,
A FORÇA VENCE A RAZÃO!

FICAM OS FILHOS SEM PAIS
FICAM OS PAIS SEM SEUS FILHOS,
IRMÃOS NÃO SE ENCONTRAM MAIS...
MORREM PLANTAS E ANIMAIS,
ESTE MUNDO É SÓ SARILHOS!

O MUNDO ANDA NUM CAOS,
FORAM-SE A FÉ E O SORRISO!
ALGUNS HOMENS SÃO TÃO MAUS
QUE MAIS PARECEM LACRAUS…
POR ISSO FICA O AVISO
DESDE A PATAGÓNIA AO LAOS,
PAZ NO MUNDO É QUE É PRECISO!
Aspásia 07

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

ENTRE CIÊNCIA E PAIXÃO (1994)

Minerva


(Volto hoje a repescar neste Blog um dos antigos Posts/Poemas... este adaptado de um Post que dediquei a António Gedeão aquando do seu 100º Aniversário em Novembro passado).

(...) Posso dizer que desde os bons tempos do Liceu Filipa de Lencastre, a Física foi a disciplina que mais me fascinou, tendo concluído o antigo 7º ano com média de 19 a Física, a nota mais elevada que alguma vez tive. E claro que esse fascínio perdura até hoje... tendo meu Pai, autodidacta também nesta ciência, nomeadamente na Física Relativista de Einstein, muito contribuído para esta minha paixão. Havendo cá em casa muitos livros sobre Einstein e a Relatividade, nos tempos do Liceu devorei-os quase todos. De facto terei lido ao longo da vida tanto de literatura "científica" como "literária"...
Também recordo, aí pelos meus 7 ou 8 anos, de ver meu Pai a construir uma maquineta com tubos de alumínio e ímanes, onde por umas calhas deslizavam umas bolas de metal pesadas e brilhantes que ainda por aí andam... destinava-se este engenho a obter o moto perpétuo... eu, claro, passei uma fase em que não largava os ímanes e as bolas de metal de vários tamanhos... infelizmente, o Pai não conseguiu o movimento perpétuo... mas foi uma boa tentativa!
Assim, achei por bem e sendo a Poesia outra das minhas paixões, dedicar ao Físico Rómulo de Carvalho e ao Poeta António Gedeão - que também me inspirou a fazê-lo - um poema já com uns bons anos, onde tento, através da Paixão pela Ciência, chegar à Ciência da Paixão.


Entre Ciência e Paixão

Espantoso mal me atingiu
um dia, quando não esperava;
tudo o que é Lei infringiu,
toda a Razão me fugiu
e hoje, do Amor sou escrava.

Vou entrar em confidências:
resposta para este Amor
fui procurar nas Ciências;
interrogar sapiências
de físico e pensador.

Ai de mim! Para mal meu,
não explicam esta paixão
nem Freud, nem Galileu,
nem Einstein, nem Ptolomeu,
nem mesmo o próprio Platão!

Corri então os poetas,
li romances com afã;
vidas de heróis e ascetas;
teatro de marionetas,
de Molière e de Rostand...

Continuei, pressurosa;
li Voltaire, li Descartes,
Nietzsche, Cervantes, Espinoza...
Qualquer poesia ou prosa,
filosofia ou arte.

Corri todos os museus,
exposições e concertos.
Vi Picasso, admirei Zeus,
ouvi Wolfgang Amadeus -
obras completas e excertos...

Estudei as religiões,
tantas quantas achar pude;
e fiz peregrinações,
jejuns e meditações...
Li a Bíblia e o Talmude.

O Alcorão li também,
e, para salvar a alma,
dei esmolas, fiz o bem;
mas não pude encontrar quem
me restituísse a calma...

Procurei na Biblioteca,
do Mar Morto, os manuscritos;
mas, mesmo virada a Meca,
não me surgiu um Eureka!
da leitura desses escritos...

Estudo a Pedra de Roseta,
já sei Sânscrito e Latim,
vão correndo a ampulheta
e a clépsidra obsoleta
nesta pesquisa sem fim...

Quer de noite, quer de dia,
devoro, afincadamente,
Matemática, Poesia...
História e Antropologia
leio até ficar doente...

Já ninguém me reconhece,
nem pais, nem primos, nem tias.
O tino já me falece,
já tenho a espinha em s
e subi dez dioptrias!

Ao microscópio analiso
as lágrimas que chorei...
E um relatório conciso
cada noite realizo
das penas que suportei.

E, telescópio na mão,
noite alta, no firmamento,
procuro a constelação
que se encontra em conjunção
com Vénus, nesse momento...

Infelizmente, porém,
não ponho fim neste enigma;
não resolvo esta equação;
e, nem por integração,
acho alfa, gama ou sigma...

Desde a Relatividade
à Teoria do Eu,
procurei com ansiedade
descobrir uma Verdade
que me tirasse do breu.

Já vi no televisor
tudo o que é curso em cassette;
sei operetas de cór;
fui para o computador
e liguei-me à Internet...

Apesar desta procura,
continuei ignorante;
de Amor, o mal não tem cura
e eu, que era tão segura,
vivo hoje periclitante...

E, fartas do turbilhão
que me avassala por dentro,
a Cabeça e a Razão
ordenam ao Coração
que mate este sentimento.

O Coração, no entanto,
responde: "Procurai mais!
Apesar desse quebranto
não me tireis deste encanto
em que também navegais..."

E presa nestes dilemas,
vasculho as Enciclopédias,
equaciono problemas,
demonstro leis, teoremas,
leio farsas e tragédias...

Com tanto estudo, afinal,
tirei três licenciaturas:
Quântica Medieval,
Genética Sideral
E Fisio-Literaturas!!!

E, apesar de não achar
para meu mal solução,
vou, para me graduar,
em breve, tentar tirar
Doutoramento em Paixão
...

Aspásia 94


sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Porto Sentido... a Sul

A amiga Sophiamar publicou há dias um Post contendo um Vídeo com a bela canção Porto Sentido. De imediato e com alguma emoção, recordei este Post que coloquei neste Jardim, há um ano atrás. Querida Sophiamar, apesar de já te ter deixado um link para o meu antigo Post, decido mesmo republicá-lo, dedicando-to com o maior carinho, pois "a Amizade só pode existir entre quem ouve a mesma Canção" ! Um grande beijo meu, sentido em Lisboa, sente-o tu onde quer que te encontres!


O Porto ao entardecer
(Foto
daqui)

Pelo "Porto Sentido" já eu ficara apaixonada desde a primeira audição. Para mim continua mesmo a ser a mais bela canção do Rui Veloso. Não só pelos versos e melodia incomparáveis, mas também porque, dedicada a uma cidade, parece também dirigida a alguns de nós em certas fases da vida.
Há um bom, mas mesmo bom par de anos, princípios de Março, fui passar uns breves dias de férias a um Algarve completamente primaveril. No caos do saco das cassettes de então, lá ia também uma do Rui Veloso. Os diazitos decorreram breves, algumas correrias para conhecer melhor o Barlavento, desde Quarteira ao Cabo de S.Vicente, ali, onde a terra acaba e o mar começa, gozando da hospitalidade de uma amiga de Lagos. O último dia, esse, aproveitado para descansar um pouco na paz e sossego de Pedras da Rainha, quase no extremo oposto. E na manhã seguinte, mesmo antes do regresso a Lisboa, carro já atafulhado, não resisto, um passeiozinho à beira da Formosa, o pinhal de Cabanas cá em cima, a ria lá em baixo, belezas estas já bem conhecidas de outras estadias, mas sempre saudosas, de tão distantes. E nessa altura do ano, imperturbadas pelas multidões estivais... Então, ideia brilhante, ouvir ali na luz, tão a Sul, o “Porto Sentido”… faria sentido??? Um dia já recuado, "o Corridinho foi dançando até Lisboa...", porque não levar eu agora o Porto ao Sotavento Algarvio? Digressão por sinal bem mais longa...
E na luminosidade feérica de um meio-dia algarvio, reflexos intensos na água azul e desabrochar de verdes atrás de mim, começo a ouvir a voz e a música do Rui e as palavras do Carlos Tê. Luzes sombrias, tons cinzentos, neblinas e lampiões, pedras sujas e gastas da sua bela Cidade, não pareceram entrar em conflito com a luz forte, o azul intenso, o claro areal algarvios. Belezas tão distantes – afinal se calhar só no mapa – mesmo ali não colidiam, complementavam-se, olhos e ouvidos estavam em harmonia,.. E, quando a canção chegou ao fim, jeito fechado de quem mói um sentimento e altivez de milhafre ferido na asa, percebi também não serem exclusivos de uma cidade ou lugar. Senti-os plenamente humanos e, por isso mesmo, universais.


A Praia de Cabanas
(Foto Aspásia)

* * *
Nota: Esta "história" passou-se em Abril de 1994. Foi lida no programa "História Devida" de dia 7 de Agosto de 2006 da Antena 1. (Infelizmente, creio que já não está disponível nos podcasts da RTP.)




Neste mesmo dia, há 51 anos, meus Pais partiam para o Porto em lua-de-mel. Infelizmente, minha Mãe já não está connosco para hoje comemorarem as Bodas de Ouro. Fica mais esta recordação...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Trova Medieval Feminista


Sou guerreira apaixonada,
Joana d´Arc doutras guerras,
de Amor é minha cruzada,
para mim é tudo ou nada,
quebrarei escudo e espada
por ter esse coração
que no castelo do peito
com tanto cuidado encerras.

És príncipe de olhos negros
recortados em veludo...
enredar-te em meus enredos,
partilhar os teus segredos,
para mim é nada ou tudo,
e é por causa dos teus medos
que te engano, que te iludo...

Vamos inverter a História,
pôr futuro no passado:
para mim a fama e glória,
serei a conquistadora,
serás tu o conquistado,
serei eu tua senhora,
tu meu escravo alforriado,
meus desejos, sem demora
atender, será teu fado...
- mas do fogo dos meus beijos
também ficarás marcado...

Princesas presas em torres
era o tema mais comum...
Hoje invertem-se os valores,
cavaleiros e senhores
de valor, não há nenhum...
com medo de sofrer dores,
paixões cegas, desamores,
de mulher apaixonada
fogem todos, um a um...


* * *

ASPÁSIA 98

quinta-feira, 26 de julho de 2007

OUTRA BRINCADEIRA BABELGLOTA (???)

A Narnia chamou-me internacional e eu lembrei-me de lhe oferecer esta pequena Ode de Babel... e assim vou fazendo umas revisões do que estudei quando andei lá na construção da Torre... in illo tempore ! ;)))...
Babel
INTERNACIONAL NÃO SOU
JE N´AI PAS TELLE INTENTION,
BUT ONLY TO SAY ALLO!
ME GUSTA ESTA ILUSIÓN,
AND´RE SPRACHE LIEBE ICH SO,
E DEL POEMA AMANTE SON´!...


TRADUÇÃO
(ou seja, TRAIÇÃO...;)

INTERNACIONAL NÃO SOU
NÃO TENHO ESSA INTENÇÃO,
APENAS DIZER "ALLO"!
EU GOSTO DESTA ILUSÃO,
DE POEMAS AMANTE SOU...
E AS LÍNGUAS SÃO DIVERSÃO!

(Como é evidente, troquei o 5º verso com o 6º para rimar... TROCA-TINTAS, TRABA-LENGUAS, fica tudo em família... ah, não se aceitam pedidos de traduções de Língua de Vaca, nem mesmo de Vaca Fria ;)))...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

"POEMA" EM SEIS LÍNGUAS
(Resposta à SOPHIAMAR)

A amiga Sophiamar perguntou-me donde sou... eis a resposta!


SOU DUM PAÍS - PORTUGAL,
PERO DE OTRAS PARTES SOY,
JE SUIS HUMAINE ET ANIMAL,
I´M A GIRL BUT COULD BE A BOY...
ICH WAR FROLICHE EINMAL!
OGGI IL DOLORE ME VUOI...

Aspásia 07.7.20
(imagem da net)

terça-feira, 17 de julho de 2007

POEMA SÓ PARA ALGUNS QUE ESPERO NÃO SEJAM A MAIORIA...



Ó Homem, ser insensato!
Correm séculos… e tu
pouco cresceste do Nada.
Daninho, vaidoso e cru,
o corpo pões tu a nu,
− mas fica a alma tapada…

Vamos lá ver se consegues
sair desta vil tristeza…
E se entendes, se percebes,
que à luz da cósmica lei,
tu não és Deus nem és Rei…
− és apenas Natureza.



***

P.S. - Homem... em sentido lato, claro...


Aspásia 96

terça-feira, 3 de julho de 2007

AMADEUS



Comemorando 2006 - o Ano Mozart - este poema foi a minha première poético-musical na Blogosfera, no dia do 250º Aniversário de Mozart (27 Janeiro 2006), aqui no Jardim. Posteriormente, redecorado e musicado foi republicado em A Flauta de Pã...


* * *




Sempre ouvir-te é sempre amar-te,
ó divino, ó talentoso
Wolfgang Amadeus Mozart,
pois da Música na arte,
foste génio portentoso.

Em teus anos de criança,
deslumbravas quem te ouvia;
e toda a aristocracia
nos belos salões de dança,
se curvava e te aplaudia,
perto do Lago Constança.

Aos seis anos já mostravas
juízo de mais idade,
falavas com gravidade;
ao cravo já te sentavas
e teu Minuete tocavas
com talento e habilidade!



As cortes da velha Europa
percorrias sem cessar,
foi tua música ouvida,
incensada e aplaudida,
desde Itália à grande Rússia,
pelo Doge e pelo Czar.

A meio da juventude,
é que eras mais malandrote,
gostavas mais de brincar,
pregar partidas, dançar,
e as donzelas, num virote,
estavas sempre a conquistar…



À Ópera que nos deixaste
deste a alma e a frescura.
“Mágica Flauta” sopraste…
Papageno e Papagena
os cobriste de verdura,
e Pamina com Tamino
levaste ao Céu da ventura.



“Don Juan” se precipitou
nas profundas do Danado,
pois à ceia convidou
− esse desplante ele ousou! −
o rival assassinado…
E, arrogante, blasfemou
do perdão que lhe ofertou,
do Comendador, a estátua
que tanto tinha ultrajado.



Tal qual o barbeiro Fígaro
foste também um “faz-tudo”.
Nas “Bodas”, era um Entrudo,
pois todos se disfarçavam,
se escondiam e aldrabavam…
Mas no final se abraçavam,
pois o Amor vence tudo.



Não deverá ser esquecido
um teu amigo, também,
Lorenzo da Ponte, a quem
a letra dessas histórias
devemos, e que, contigo,
está vivo em nossas memórias.

Lorenzo da Ponte

Sinfonias compuseste,
quase feitas de improviso,
tantas e de tal beleza
e alegria ao ouvido,
que, num dia mais agreste,
são capazes de a tristeza,
nos transformar em sorriso.



E foi tal teu frenesim
a compôr e ensaiar
dias e noites sem fim,
uma obra monumental
que te houvera encomendado
certo enviado do mal
− dizem que foi o Salieri,
mas não há prova de tal −
que as forças que te restavam,
pouco a pouco se esgotavam
nesse Requiem fatal.

Sim, foste o Amado de Deus,
mas os homens do teu tempo
negaram-te chão sagrado,
e à vala foste lançado,
tal qual fosses cão danado,
ou traste sem valimento…
Mas passado tanto tempo,
teu talento ainda dá brado
entre almas de sentimento;
e hoje és génio celebrado,
para sempre recordado,
da Música és monumento…
Wolfgang Amadeus Mozart,
de Euterpe és filho na Arte…
do Mundo és deslumbramento!!!





Sinfonia nº 29 em Lá Maior K201 (Menuetto - Allegro con spirito)

* * *

E algumas das sombras chinesas, de um total de 146, representando as quatro principais óperas de Mozart, recortadas em papel preto pela tesoura de Lotte Reiniger, em 1971.

domingo, 1 de julho de 2007

ANÚNCIO


Se quiseres dedicar
uma estrofe à namorada,
se quiseres (en)levar
a sogra, o primo, a criada…
não tens mais que encomendar:
sou poetisa encartada,
versifico qualquer tema,
faço trova, ode ou poema,
rimo por tudo e por nada.

Faço versos a granel,
ao litro, ao metro, ao quilate,
ternos bolinhos de mel,
bravos galos de combate
Numa folha de papel,
escrevo tese ou disparate,
em letrinhas de hidromel,
de cicuta ou erva-mate…

Peço a Lili p´ró Manel,
trato divórcio ou engate,
do velho faço donzel,
fel transformo em chocolate…
Da choupana faço hotel;
do albardeiro, alfaiate;
o tolo armo em bacharel,
o recruta em coronel,
e ao Rei… dou Xeque-mate.

(Tenho encomendas a rodos,
não posso fazer mais nada…
Poetas querem ser todos
que é casta mui ilustrada…
E lá lhes mostro bons modos,
vou aumentando a mesada,
à custa destes engodos
de "poesia alugada"…)

Amigo, amiga, não esperes,
deixa o teu nome e morada,
irei ter onde estiveres,
com a caneta afiada…
Se dinheiro não tiveres,
aceito a alma empenhada,
se os versos não entenderes,
faço versão ilustrada…
Ponho em verso o que quiseres,
cativo homens e mulheres,
arranjo empregos, mesteres,…
e não pagas quase nada!...

(Aspásia 98)


P.S. - Este "anúncio" foi "posto" numa altura em que andava com mais tempo... infelizmente, de momento não posso receber encomendas, amigos! Para compensar, de vez em quando tento comentar em verso nos vossos blogs ou aqui...

terça-feira, 26 de junho de 2007

POEMA ESCRITO
EM VÃO



ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO TRANSMITE TESE,
NÃO FAZ EXEGESE,
NÃO DÁ CATEQUESE,
NÃO DIZ SIM NEM NÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO QUER SER SINCERO,
NÃO TRAZ DESESPERO,
FOI FRUTO DO MERO
VAGUEAR DA MÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO É VERDADEIRO,
NÃO É CORPO INTEIRO,
SAIU DO TINTEIRO
SEM QUALQUER RAZÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO PRETENDE OBTER
DAQUELE QUE O LER,
APLAUSO, OU SEQUER
LEVE APROVAÇÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NÃO SENTE CALOR,
NÃO GRITA DE DOR,
NÃO MORRE DE AMOR,
NÃO VIVE EM PAIXÃO.

ESTE POEMA É ESCRITO EM VÃO.
NUNCA TEVE NORTE,
NEM AZAR, NEM SORTE…
E VAI PARA A MORTE
SEM PEDIR PERDÃO.

***
Aspásia 98