
Na LadrAlternativa
Com a PinGente

CATEDRAL
Sobre o altar principal,
em retábulo pintado,
o Anjo celestial
ergue a pedra sepulcral
a Jesus ressuscitado.
Oiço vozes de oração
que se elevam em espiral.
Pedirão, talvez, perdão,
ou tão só resignação
para tanta dor e mal.
O velho órgão harmoniza
um cântico angelical.
Não pede, não catequiza,
mas dá alma a quem precisa
– Sinfonia Pastoral.
Fôra eu crente e, talvez,
no meio desse coral
encontrasse a placidez,
esquecendo os mil porquês
da Ciência racional.
Assim, enquanto a visito,
não rezo, apenas medito,
banhada na luz claustral:
pudesse o caos inaudito,
ferro e dor, espanto e grito,
pesadelos do real,
dar lugar a um coral
– eco humano de Infinito…
e o Mundo enfim sem conflito,
mais perto do Ideal,
vogasse no mar infindo
do azul universal.
Aspásia 96
J.S. Bach
Órgão - Otto Winter
FIAT LUX
(Faça-se Luz)

Bailero
(Canteloube)
Int: Kiri Te Kanawa
(Imagem da Net)
LATINORIUS
Um Obscena Observandi Cupido observando uma Res Inexplicata Volans...
ÁRVORE
The Autumn leaves
drift by my window,
The Autumn leaves
of red and gold
I see your lips,
the summer kisses,
The sun-burned hands
I used to hold.
But since you went away ,
the days grow long
And soon I´ll hear
old Winter´s song...
But I miss you most of all, my darling,
when Autumn leaves start to fall.
(Letra: Nat King Cole
Música: Joseph Kosma
MULHER

FIFTY FIFTY :-/...

"TESTAMENTO"
* Dito pelo Amigo JFR *
DIA DA MÚSICA

PELA PAZ!


ENTRE CIÊNCIA E PAIXÃO (1994)
O Porto Sentido... a Sul
O Porto ao entardecer
(Foto daqui)
Pelo "Porto Sentido" já eu ficara apaixonada desde a primeira audição. Para mim continua mesmo a ser a mais bela canção do Rui Veloso. Não só pelos versos e melodia incomparáveis, mas também porque, dedicada a uma cidade, parece também dirigida a alguns de nós em certas fases da vida.
Há um bom, mas mesmo bom par de anos, princípios de Março, fui passar uns breves dias de férias a um Algarve completamente primaveril. No caos do saco das cassettes de então, lá ia também uma do Rui Veloso. Os diazitos decorreram breves, algumas correrias para conhecer melhor o Barlavento, desde Quarteira ao Cabo de S.Vicente, ali, onde a terra acaba e o mar começa, gozando da hospitalidade de uma amiga de Lagos. O último dia, esse, aproveitado para descansar um pouco na paz e sossego de Pedras da Rainha, quase no extremo oposto. E na manhã seguinte, mesmo antes do regresso a Lisboa, carro já atafulhado, não resisto, um passeiozinho à beira da Formosa, o pinhal de Cabanas cá em cima, a ria lá em baixo, belezas estas já bem conhecidas de outras estadias, mas sempre saudosas, de tão distantes. E nessa altura do ano, imperturbadas pelas multidões estivais... Então, ideia brilhante, ouvir ali na luz, tão a Sul, o “Porto Sentido”… faria sentido??? Um dia já recuado, "o Corridinho foi dançando até Lisboa...", porque não levar eu agora o Porto ao Sotavento Algarvio? Digressão por sinal bem mais longa...
E na luminosidade feérica de um meio-dia algarvio, reflexos intensos na água azul e desabrochar de verdes atrás de mim, começo a ouvir a voz e a música do Rui e as palavras do Carlos Tê. Luzes sombrias, tons cinzentos, neblinas e lampiões, pedras sujas e gastas da sua bela Cidade, não pareceram entrar em conflito com a luz forte, o azul intenso, o claro areal algarvios. Belezas tão distantes – afinal se calhar só no mapa – mesmo ali não colidiam, complementavam-se, olhos e ouvidos estavam em harmonia,.. E, quando a canção chegou ao fim, jeito fechado de quem mói um sentimento e altivez de milhafre ferido na asa, percebi também não serem exclusivos de uma cidade ou lugar. Senti-os plenamente humanos e, por isso mesmo, universais.
A Praia de Cabanas
(Foto Aspásia)
Trova Medieval Feminista


"POEMA" EM SEIS LÍNGUAS
(Resposta à SOPHIAMAR)

POEMA SÓ PARA ALGUNS QUE ESPERO NÃO SEJAM A MAIORIA...

AMADEUS

* * *
Sempre ouvir-te é sempre amar-te,
ó divino, ó talentoso
Wolfgang Amadeus Mozart,
pois da Música na arte,
foste génio portentoso.
Em teus anos de criança,
deslumbravas quem te ouvia;
e toda a aristocracia
nos belos salões de dança,
se curvava e te aplaudia,
perto do Lago Constança.
Aos seis anos já mostravas
juízo de mais idade,
falavas com gravidade;
ao cravo já te sentavas
e teu Minuete tocavas
com talento e habilidade!
As cortes da velha Europa
percorrias sem cessar,
foi tua música ouvida,
incensada e aplaudida,
desde Itália à grande Rússia,
pelo Doge e pelo Czar.
A meio da juventude,
é que eras mais malandrote,
gostavas mais de brincar,
pregar partidas, dançar,
e as donzelas, num virote,
estavas sempre a conquistar…
À Ópera que nos deixaste
deste a alma e a frescura.
“Mágica Flauta” sopraste…
Papageno e Papagena
os cobriste de verdura,
e Pamina com Tamino
levaste ao Céu da ventura.
“Don Juan” se precipitou
nas profundas do Danado,
pois à ceia convidou
− esse desplante ele ousou! −
o rival assassinado…
E, arrogante, blasfemou
do perdão que lhe ofertou,
do Comendador, a estátua
que tanto tinha ultrajado.
Tal qual o barbeiro Fígaro
foste também um “faz-tudo”.
Nas “Bodas”, era um Entrudo,
pois todos se disfarçavam,
se escondiam e aldrabavam…
Mas no final se abraçavam,
pois o Amor vence tudo.
Não deverá ser esquecido
um teu amigo, também,
Lorenzo da Ponte, a quem
a letra dessas histórias
devemos, e que, contigo,
está vivo em nossas memórias.Lorenzo da Ponte
Sinfonias compuseste,
quase feitas de improviso,
tantas e de tal beleza
e alegria ao ouvido,
que, num dia mais agreste,
são capazes de a tristeza,
nos transformar em sorriso.
E foi tal teu frenesim
a compôr e ensaiar
dias e noites sem fim,
uma obra monumental
que te houvera encomendado
certo enviado do mal
− dizem que foi o Salieri,
mas não há prova de tal −
que as forças que te restavam,
pouco a pouco se esgotavam
nesse Requiem fatal.
Sim, foste o Amado de Deus,
mas os homens do teu tempo
negaram-te chão sagrado,
e à vala foste lançado,
tal qual fosses cão danado,
ou traste sem valimento…
Mas passado tanto tempo,
teu talento ainda dá brado
entre almas de sentimento;
e hoje és génio celebrado,
para sempre recordado,
da Música és monumento…
Wolfgang Amadeus Mozart,
de Euterpe és filho na Arte…
do Mundo és deslumbramento!!!
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POEMA ESCRITO
EM VÃO
