sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Parabéns, Mãe!

Primeira Foto Mãe e Eu

A nossa primeira foto juntas... 12/10/57


É hoje o dia dos teus anos. Como já cá não estás há uns tempos venho escrever-te, pois também há tempos que não o faço… deves estranhar… sempre que estavas fora eu sempre mandava um postalzito cheio de saudades da tua filhota.

Tu bem dizias que eu me ia lembrar muito de ti… e é claro que lembro, Mãe. Inclusive se me lembro de alguma lenga-lenga ou cantiga que às vezes dizias, aponto logo. Como era aquela? “ Ti Ana, velha mulata, / entre outros bicos tinha / uma formosa galinha / que punha ovos de prata.” E outra… “Mas Rom-Rom fingindo ó-ó / no capacho ao pé do tacho, / vendo que não estava só, disse: / Ó diacho! Desaparece, parece, a comida do meu tacho…” Eram mais, as quadras… só fixei estas… devia ter escrito, mas havia pouco tempo ou não calhava… ou eu pensava que íamos ter mais tempo juntas para estas coisas… e depois a foice cortou o teu tempo mais cedo que nós esperávamos.

O Pai está bem… sempre agarrado ao Xadrez, já sabes, ao violino às vezes, ao Diário de Notícias e à livralhada… não se consegue desobstruir a mesa da casa de jantar, como tu tanto querias… eu às vezes dou um jeito mas daí a três dias já parece outra vez a Torre do Tombo…. enfim, o Pai sente-se bem assim, deixá-lo… já teve tantos desgostos na vida, não liga a certas ninharias…

Sabes, agora voltei para o pé dele. Já está numa idadezita, apesar de boa saúde… pode precisar de mim, de repente. De vez em quando vou à minha casa, saio, etc., mas voltei à base. A filha pródiga…
A tia está com muitos problemas familiares para lá… não conseguiu vir nem mesmo para os anos do Pai, nem os meus.

Lembro-me dos bons tempos em que davas aulas no teu colégio de sempre, desde a sua fundação pela D.ª Susana nos anos 30… o Valsassina, e eu, com 3 ou 4 anos lá na Infantil atirei com uma pedra para cima de um pavilhão baixo… mas devo ter sobrestimado a força do meu bracinho… e lá se foi um vidro de 2 metros quadrados… fiz um berreiro com medo… mas o Sr. Dr. Frederico não te fez pagar nada. Também eras a melhor professora da primária… os teus alunos eram sempre os mais bem preparados… muitos deles tinham distinções… ainda havia exames da 4ª classe e da Admissão aos Liceus, e nesses dias lá ias tu com eles para fazerem o exame. Hoje muitos deles são médicos, engenheiros, políticos de renome… o Rui Salvador foi para os touros… e o Torrado para a Rádio… o filho do realizador Fonseca e Costa é que não sei o que faz... filmes é que não é.

Depois as nossas praias… as primeiras, S. Pedro de Moel, em 1958, eu tinha 9 meses, nem saía do carrinho e a 2ª, a Foz do Arelho, no ano seguinte… aí já molhei o pezito e andei no baloiço… a minha irmã Margarida, tua enteada, também ia connosco… afinal deixou-nos aos 25 anos… quem diria que ela ia antes de ti…

Carlota e Leonor Armação de Pera 1961

Em Armação de Pera - 1961


Depois em matéria de praias, começou o Algarve que aqui a costa atlântica era muito fresca e nebulosa… foram quase 10 anos seguidos em Armação de Pêra… lembro-me de tu e o Pai dançarem no plateau do café do mini-golfe, enquanto eu via se me insinuava com outras pessoas fingindo que era da família delas, para entrar lá no mini-golfe…

Carlota e Rui Sevilha 1959

Como tu gostavas de dançar... - Sevilha 1959


Passou-se o tempo, entre estudos, o piano (a D.ª Fernanda Chichorro já faleceu há 2 anos, mas a D.ª Sofia ainda é viva e mora em Fátima… tenho de ver se a visito, antes que se vá também, já terá quase 90…) brincadeiras, férias no Alentejo e depois o meu curso no Técnico… olha a D.ª Margarida de Abreu, colega do Pai nas récitas musicais, onde ele cantava e ela dançava entre os outros colegas deles, faleceu há um mês… lá se foi a minha Professora, embora por pouco tempo, de Ballet… lembras-te quando apanhávamos o eléctrico 6 e depois o elevador da Glória para irmos para o Conservatório? E estava lá um frio naqueles vestiários… mas eu era tragalhadanças para o Ballet e sempre maior que as outras da mesma idade… e pronto lá fui antes para o piano para a D.ª Sofia Virgínia na Calçada do Grilo… há semanas andei a ver essa casa abandonada e já semi-arruinada e tirei umas fotos antes que desapareça… os pedaços do meu passado, estão a começar a ruir… os de pedra, enfim… o pior são os pedaços das almas que os habitavam…

Também visitei em Junho a D.ª Lurdes, das camionetas do Valsassina… felizmente essa é rija e não vai mal para os 77, parece, que já tem… desde o dia do teu funeral, que eu não a via… agora mora em Miratejo. Falámos claro da nossa visita à Madeira a casa dela e do corropio que foi para numa semana se ver a ilha de lés-a-lés… só faltou o Porto Santo…


Mãe e Eu FERRAGUDO 1972

Depois de um belo almoço em Ferragudo - 1972

Ontem andei aqui a dar volta a roupas tuas, a coisas, papéis… ainda está cá tudo… voltei ao meu quarto, durmo no mesmo sítio onde faleceste, embora, claro, a cama articulada voltou logo para o SAMS… há poucos dias é que apanhei um grande choque… houve uma camisa tua que escapou à lavagem geral… e ainda tinha duas nódoas sanguinolentas… e pensar que já te foste há quatro anos e meio e ainda aqui havia sangue teu… deve ter sido de quando te dei alguma injecção. Vê lá, até pensei fazer uma preparação e ver ao microscópio… já sabes como é o meu espírito científico perante qualquer situação… mas não quis ser mórbida a esse ponto e a camisa lá foi para a máquina.

Dos teus RX de cinco anos no Hospital de Dia de Oncologia de Santa Maria ainda estão cá muitos… tenho de ver se os levo à farmácia… uma vez levei-os mas a campanha de recolha da AMI tinha acabado…

Quando telefonei ao Dr. Quintela a dizer que tinhas falecido, ele ficou como calculas… embora já se esperasse, já só estavas a sofrer… foi um grande Médico que tivemos e um grande amigo… ainda lhe disse que um dia lhe ia lá dar-lhe um abraço… ele disse “Não é necessário, Leonor…”, depois… o tempo foi passando e eu compreendi que não ia ter coragem de voltar a ver toda aquela gente, os corredores do hospital que palmilhávamos regularmente de 3 em 3 semanas com o pai muitas vezes a empurrar-te a cadeira e eu com o saco dos exames, que andava sempre pesado… a não ser que estivesses internada no piso 9 da Pneumologia, com alguma crise de atelectasia do pulmão direito… ainda foram umas 10 ou 12 vezes… o Dr. Feijó sempre te conseguiu desobstruir o brônquio direito até ao dia em que teve de te implantar uma prótese endobrônquica… mas depois a prótese também foi invadida pela metástese… foi o princípio da última etapa… de Quimio fizeste tudo de A a Z, inclusive já no fim o que na altura se fazia para o fígado e o pâncreas, o que não era o teu caso…

Que pena que as enfermeiras da Quimio devem ter tido… tão amorosas que foram… e a graça que elas achavam quando te punhas a recitar algum poema teu ou outro que sabias de cór… ou lhes contavas de quando em muito jovem fazias renda de bilros para ajudar o fraco ordenado de professorinha primária com 17 anos já fora da tua Estremoz… para ganhares para as tuas coisas que os Avós eram quase pobres… e o Avô metia-se na pinga quando saía da tanoaria e às vezes chegava a casa e queria bater-vos, em ti e na Avó… parece-me que não o chegou a fazer. mas quanto a gritaria havia de sobra… vocês fechadas no quarto e muito assustadas...

Lá boa cabeça tiveste até ao dia anterior a partires… até perguntaste o nome ao enfermeiro João, aqui no quarto quando te pôs o oxigénio… chamei-o pois eu sabia que não podias voltar ao hospital… só irias lá sofrer mais que aqui… depois, passadas 36 horas, quando o enfermeiro voltou para renovar o oxigénio e te ver, eram quase 10 da noite de 12 de Abril de 2002… tinhas ofegado todo o dia, já não falavas, não sei se ouvias, mas não reagias nem ao aperto de mão... e eu às tantas tinha notado que, embora tivesses o tubo do oxigénio no nariz, estavas a respirar era pela boca… então pensei, "o oxigénio assim não está a fazer nada"… eram uma 5 ou 6 da tarde e liguei ao enfermeiro a ver se te podia mudar o tubo do nariz para a boca… ele disse que sim e mudei… mas de nada adiantou… mais tarde pensei se eu tivesse visto isso mais cedo, terias tido mais oxigénio, se o tubo estivesse na boca? Talvez tivesses resistido mais umas horas provavelmente… talvez pela minha ignorância tenhas tido menos umas horas de vida? Mas já estavas em edema pulmonar e, apesar de teres um óptimo coração em todos os sentidos, a insuficiência cardíaca devido à hipóxia estava a acentuar-se… Foi o enfermeiro entrar e começarmos a ver que o teu ritmo respiratório ia baixando… eu nunca tinha presenciado um falecimento e disse ao enfermeiro “parece que está a respirar com intervalos cada vez maiores…” e pelo olhar dele percebi logo que tinha chegado a hora… a Tia estava já ao pé de nós e eu chamei o Pai a correr… “depressa Pai, dê um beijo na Mãe… está a morrer…” e todos te beijámos na testa, eu, o Pai e a Tia. Numa questão de mais um minuto o enfermeiro confirmou. 22 Horas de 12 de Abril de 2002.

Bem, Mãe, tu hás-de estar a pensar: “Ó filha não estejas agora a recordar essas tristezas todas… para onde te havia de dar! Já sabes como eu era uma mulher prática e de poucas pieguices… comecei na escola da Vida muito cedo… com 17 anos já estava hospedada num quarto e tinha à minha frente uma turma de crianças de aldeia de todas as classes da primária, para ensinar… Pensa é em levar a tua vida para a frente e divertires-te… na companhia do teu Pai, que felizmente, pelo andar da carruagem, ainda pode durar um bom par de anos…
Olha, eu lembro-me mais foi do dia em que tu nasceste… já havia uma semana que eu tinha ido assentar arraiais para a Associação dos Empregados do Comércio… com medo não viesses por aí disparada… mas passavam-se os dias e nada… muito dorminhoca tu já eras… depois sempre o foste… quando finalmente te deu para acordares do sono de nove meses e saíste, vinhas um bocado calada… foi preciso o grande amigo do teu Pai (às vezes tocavam juntos), o Dr. Eduardo Rosado Pinto, o irmão da pianista Maria Adelaide Rosado Pinto e ambos filhos do compositor e maestro setubalense Celestino Rosado Pinto (uma família que muito fez pela música na Cidade de Setúbal!) dar-te uns bons açoites… lá começaste então num berreiro… o Dr. Eduardo tinha umas belas mãos… aliás também tocava muito bem piano, embora não fosse profissional como a irmã…

Depois lá começou a via sacra das tuas caídas constantes à cama com constipações, febres e amigdalites… coitada, a minha filhota com 5 anos e grande pena nossa, foi amarrada à cadeira operatória e anestesiada com éter… debateste-te com uma força hercúlea, apesar de atada foram precisos o médico e duas enfermeiras para te segurar… depois da operação à garganta, que era moda nesse tempo, pelo menos vingaste-te bem a comer só geladinhos, uns feitos em casa outros que o Pai trazia quando vinha do Banco… dessa parte já gostaste!!!
Também me lembro que fomos muito às termas de S. Paulo que havia em Lisboa para fazeres tratamentos… ele era aerossóis, ondas curtas, ertc. e mal começava o calor ía logo contigo para S. Amaro de Oeiras, mesmo antes de irmos para o Algarve… que bons tempos, filha!”

Pois, Mãezinha… que bons tempos, e depois as idas a Madrid quase durante 10 anos, pela Páscoa por causa de ver se os teus olhos te permitiriam ainda trabalhar mais uns anos… o Dr. García Franco, da Calle Serrano, e as suas gotas miraculosas!!! O que é verdade é que chegámos lá contigo com 16 dioptrias… e na tua infância, quando se descobriu que “vias mal”, pois uma vez aí com 5 anos tinhas caído num tanque de barro ao nível do chão, porque pensaste que era chão também… e não fosse a tua amiga de brincadeiras ter gritado, ter-te-ias afundado no barro… e depois quando bateste na asa de uma panela com água a ferver… e aí vem a panela para cima do teu braço direito e parte lateral do peito… uma enorme cicatriz para toda a vida… às vezes o Avô ia contigo ao cinema, e tu pensavas que aqueles borrões de luzes e cores é que era o filme! Pois se nunca tinhas visto de outra forma desde que nasceste… quando foste para a escola, eras a melhor aluna e com melhor caligrafia, com o nariz em cima do caderno… mesmo na primeira fila não vias para o quadro, tinham de te levar tudo ao lugar… e assim passaste a escola até à 4ª classe, quando finalmente te levaram a um oculista em Évora, cerca de 1930… ora, só lá havia lentes até às 6 dioptrias e o senhor disse…”Esta menina tem uma miopia muito grande! Só em Lisboa é que haverá lentes para ela!”
Chegados a Lisboa, descobriu-se então que aos 9 anos já tinhas 10 dioptrias… lá te arranjaram uns óculos e começaste então a perceber melhor o que era o mundo afinal…

Bem, o que é certo é que depois em Madrid, o Dr. Franco conseguiu tirar-te 4 dioptrias! E a mim, que ia nas 2,5 baixou-me para 1,75… lembras-te que numa altura em que ficámos sozinhas no consultório dele despejei umas gotas dos dois principais colírios da desconhecida fórmula lá dele, que nem os filhos sabiam, para dois tubinhos que eu tinha levado? Era para mandar analisar aquilo quando chegássemos a Lisboa… a minha mania de analisar tudo! Mas não o cheguei a fazer… e ele levou as fórmulas com ele quando morreu, não gostava que o filho Luís fosse cirurgião ocular… e o filho ganhava mais dinheiro com cirurgias do que a pôr gotas nos olhos, não ligava às gotas do pai…
Mas também nos divertíamos, em Madrid! Eram os anos 70, 80… íamos ao Corte Inglés, ao Prado, ao cinema, à Zarzuela… e então aquele musical maravilhoso que tu adoraste e comprámos o LP? Era “El Dilúvio que Viene”… que maravilha… o "Padre" apaixonado pela "Clementina" cantava “Que pena que sea pecado y que el pecado termine así… Clementina, Clementina, oooohhhh!!!!” Um dia tenho que passar o LP aos novos meios e pôr um pouco no meu blog musical… e calcula que entretanto descobri que foi feita uma reposição em Madrid o ano passado! Acho até que já existe em DVD!!! Vou tentar arranjá-lo...

E claro, já viste que me meti nisto da blogosfera… tem imensa piada, mas também é preciso uma pessoa não se deixar obcecar… é como em tudo na Vida! Mas já fiz amigos, fui a encontros... estou agora a entrar numa grande amizade com uma Carlota... como tu! Também tem muitos problemas com os olhos...
Também não me esqueço dos belos tempos das Pedras da Rainha, quando tínhamos lá a casota... o 25 C... faz agora precisamente 10 anos, viemos de lá pela última vez... tu passaste o tempo a tossir e a vomitar nas viagens... nem pudeste ir a casa da Luisinha de Silves, a minha grande amiga das brincadeiras de Armação de Pera e que não víamos há 20 e tal anos... mas eu e o Pai ainda fomos... estavam todos bem, ela tinha acabado de ser mamã já com 37 anos... afinal a mesma idade com que tu o foste.
Quando viemos, lá deixámos a bichana cor de café com leite com os três pequenotes numa cabaninha improvisada e bastante comida... chovia muito e eu não quis vir sem eles estarem crescidinhos... foram os últimos hóspedes de incontáveis gerações de gatinhos do aldeamento que sempre que lá estávamos sabiam que tinham sempre na nossa varanda água, comida e festas... chegavam a ser aos nove e dez, lembras-te? Mas não os podíamos trazer... não tínhamos condições para ter gatos em casa, com a tua doença e o meu problemas dos olhos já havia muito que fazer...


ALMOÇO DOS GATINHOS P.R. 1988

Dando o almoço aos gatinhos - Pedras da Rainha, 1988



Depois passadas semanas de termos voltado a Lisboa, confirmou-se... depois de dez anos assintomática e dada como curada após mastectomia parcial, tinhas metastizado a nível do brônquio direito, couro cabeludo e metástese óssea difusa... a Dr.ª Marília que te seguia anualmente, ficou pasmada... depois de dez anos considera-se que houve cura... mas algo lá tinha ficado...
Tiveste azar... tivemos azar, Mãe... mas ainda tiveste bastante qualidade de vida durante mais três ou quatro anos... o último é que foi pior...

Mãe e Eu com as primas 1999

Nós com a tua sobrinha Gabriela e as filhotas - 1999


Olha Mãe, já deves estar cansadota… uma carta tão grande…e eu também tenho de descansar os olhos, como sabes… Vamos terminar em beleza com um soneto teu… minha grande marota, que os rasgaste quase todos! Mas ainda tenho esperança de encontrar pelo menos o “Farolito”, que ainda recitavas lá na enfermaria…

Depois, olha, vamos ouvir o Francisco José de que tu tanto gostavas… e duas faixas d´"El Diluvio que Viene", que também adoraste quando o vimos em Madrid, em 1977!
E olha, Mãe, vou escrever mais vezes… temos muita coisa a recordar… foram 44 anos muito bem passados juntas…

Primeira Foto Mãe e Eu

A nossa última foto juntas com a tua querida irmã e minha tia Ju, a quem nunca poderei pagar o auxílio e o carinho constantes que nos prestou na tua doença e ao longo de toda a nossa vida. Tia, minha segunda Mãe, um grande beijo.

* * * * *





La Mamma Morta (da ópera André Chénier de Umberto Giordano)

Maria Callas



* * * * *

Se…

Se eu tivesse o condão de possuir
a vocação inata de um pintor,
na minha paleta teriam de existir
beleza e fantasia, além da cor…

E se fosse possível conseguir
da minha inspiração, alto fulgor,
o rosto de uma criança, a sorrir,
eu pintaria, com extremoso amor…

Daria ao seu sorriso um tom divino
de matizes e reflexos luminosos…
e, ao seu olhar, a calma da bonança…

Por fim, daquele rosto de menino,
em cambiantes raros, primorosos,
faria irradiar a luz da esperança!

Carlota Augusta Franco Carapeta (1920-2002)


* * * * *



Teus Olhos Castanhos

Francisco José




Un Nuevo Sitio Disponed

Faixa 1 do Musical "El Diluvio que Viene"




Bella Noche Sin Sueño

Faixa 8 do Musical "El Diluvio que Viene



Mãe, despeço-me por agora, com estas belas canções... mas daqui a pouco ainda vou levar uma rosa ao sítio onde ainda resta algo do teu corpo. Sempre disseste que não querias que te levassem flores... mas desculpa lá... é também para ajudar a florista, a D.ª Felicidade, que já tem 85 anos e sofre muito do reumatismo, coitada...

Um enorme beijo da tua filha muito querida,

Leonor


Rosa Branca

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Dedicado ao Meu Querido Colega... o Tonecas!!!

O Humor é uma forma suprema de saúde mental colectiva.

Sigmund Freud


Lições Tonecas 1









  • Lições Tonecas 1





  • Espero que se (re)divirtam tanto como eu!!! ...

    P.S. - E como podem ouvir em fundo, não é lá uma ou outra reguadazita do Mestre que impede o Tonecas de se divertir à grande... e à portuguesa!!!

    segunda-feira, 23 de outubro de 2006

    RIMANDO à CHUVA

    (Rhyming in the Rain)

    Sor Aspásia
    Eu, num momento de contemplação, após ter areado a pia da água benta




    Veni Sancte Spiritus

    The London Symphony Orchestra & The Choir of Magdalen College, Oxford.


    Caros Confrades/fradessas:


    Como alguns de entre vós estareis recordados, tendo recentemente o grande Vate Bocage, conterrâneo de meu augusto Pai, passado ao largo deste eremitério, logo eu e outras Irmãs combinámos um mote para lhe "atirar", pois como sabeis, era o que sempre lhe sucedia quando passava perto de algum convento... as boas Irmãs sempre lhe diziam "Bocage, lá vai Mote!!!", a fim de que ele lhes (ar)rimasse, amenizando assim a dura vida de mortificações e bentas orações das pias enclausuradas. Desta sorte, outrossim também nós lhe enviámos o seguinte Mote, que em tudo somos pobrezinhas, menos no espírito, valha-nos Nossa Senhora do Oh!!!

    MOTE
    "Ah, vãs paixões deste Mundo fatal,
    havereis de morrer às garras do Ideal !!!"


    O pobre Vate, mesmo "num curto josezinho rebuçado" como sempre costuma vestir e debaixo do intenso temporal que se fez sentir aqui em Aboboreira-Menina-de-Baixo, não quis defraudar as nossas expectativas.
    Eis pois, como de imediato nos rimou, à chuva (em vez de, como o Gene, dançar).
    Foi uma festa aqui no convento, pois depois veio tomar chá connosco... e aproveitámos todas bem, pois a nossa Madre Supérrima, Sor Violante do Céu, a Décima Musa e Fénix dos Engenhos Lusitanos, também muito dada a trovas e rimances, como sabereis, havera ido de fim-de-semana numa peregrinação a pé descalço à Porcalhota.
    Aqui vos deixo, então, com o Poema completo, a fim de que fiquem vossas almas expurgadas de qualquer pecado venial. Expurgações mais avançadas, só com o consentimento da Madre Superiora.



    Mote

    “Ah, vãs paixões deste Mundo fatal,
    havereis de morrer às garras do Ideal!”

    Glosas em Soneto

    Ah, vãs paixões deste Mundo fatal,
    que em cruel consumpção das almas porfiais,
    sobre mim não terá vosso ardor bestial
    qualquer poder, pois sabei, tenho mais

    que fazer, oh!, vilãs dos corpos em pecado...
    pois forte é minh´alma e meu espírito preclaro...
    Com mortal fastio vos passarei ao lado,
    e irei professar no convento de Faro!

    E se a Morte é certa e tudo o mais é vão,
    não julgueis, paixões, que sois donas do mundo,
    que Senhoras sois vós do Bem e do Mal...

    Da vã ignomínia do vosso estadão,
    caireis, abjectas, no Hades mais profundo
    e havereis de morrer às garras do Ideal!!!




    Madre Abadessa
    A nossa querida e bela Madre já nos enviou esta foto, do Eremitério da Porcalhota! Disse que está a banhos de mostarda aos pés, salapismos e vixas receitados pelo Dr. Manuel Ferreira, por via (sacra) da caminhada que empreendeu. Mas que, da próxima, pede o asno Rucio ao Sancho Panza ou um monociclo ao Palhaço Popov, que ela já não está para tantas andanças!!!
    Envia a todos e principalmente a todas, a sua Benção!!!

    Misit servos suos vocare invitatos nuptias.

    segunda-feira, 16 de outubro de 2006

    P A R A B É N S, JÚLIO MACHADO VAZ !!!

    JMV 17 anos

    ... e só para provar que dos 17 aos 57 -- y 2 x 20 años son nada, que febril la mirada... -- não mudou assim tanto Avec le Temps!!! ;)), eis a famosa foto da brilhantina (blhêêc!) e fato domingueiro de que ontem falou n´ O Amor É... igualmente domingueiro !!!


    Um óptimo dia,
    pouca correria! (sua...)
    Bastante folia... (nossa...)
    pouca gritaria... (dos netos, claro...;))
    e enorme alegria!!! (de todos!!!)

    são os votos sinceros desta sua amiga, que, claro, aproveita (-se ;)), e bem, da ocasião, para lhe dar uma beijoca (chouuaaaaaaaaaaaccc)... Do fundo do coração!!!...

    * A S P Á S I A *


    JMV by Aspasia


    This One´s from the Heart

    TOM WAITS & CRYSTAL GAYLE

    Tema principal
    da Banda Sonora de One from the Heart (1982),
    de Francis Ford Coppola.
    Interpretação: Tom Waits e Crystal Gayle.

    As you go out it's Independence Day;
    But instead I'll just pour myself a drink.
    It's got to be love, I've never felt this way.
    Oh baby, this one's from the heart…

    The shadows in the road look like a railroad track.
    I wonder if he's (ever) really comin' back.
    The moon's a yellow stain across the sky.
    Oh baby, this one's from the heart…

    (Maybe) And I'll go down to the corner and get a racin' form,
    (But) And I should prob'ly wait here by the phone.
    And the brakes need adjustment on the convertible
    Oh baby, this one's from the heart…

    The worm is climbin' the other color tree
    Robin is back against the wall;
    Pour myself a double sympathy
    Oh baby, this one's from the heart…

    Blondes, brunettes, and redheads put their hammer down
    (To put ) don't pound a cold chisel thru my heart.
    But they were nothin' but apostrophes.
    Oh baby, this one's from the heart…

    I can't tell, is that a siren or a saxophone?
    But the roads get so slipp'ry (when it rains)
    I love you more than all these words can ever say
    Oh baby, this one's from the heart...

    CD One from the Heart




    P.S. - E agradeço do fundo do coração, pois foi graças a si que conheci este magnífico filme e respectiva banda sonora, já lá vão uns anitos!...

    sábado, 7 de outubro de 2006

    Manuel Ferreira, Surgião

    Caros amigos, como alguns de vocês devem saber, tenho estado com um problema de saúde - uma forte laringite e tosse violenta.
    Felizmente, já fui visitada, ao domicílio, por um simpático jovem médico, o qual me disse ser bisneto de um famoso cirurgião da Sertã, cujo repertório de serviços, extremamente ecléctico, gostaria de vos dar a conhecer. Espero que se divirtam tanto como eu. Eu cá por mim só tenho pena de não ter sido paciente dele, embora me pareça que tratava tudo menos as suas próprias constipações... Em fundo estamos a ouvir alguns ruídos provenientes do seu antigo consultório... ;)))

    O Surgião

    (clique para aumentar)


    Infelizmente para todos nós, hoje em dia já não se fazem médicos deste calibre!!!... ;)))

    P.S. - já depois de ter postado, encontrei outra referência a este Doutor da Conchinchina...

    quarta-feira, 4 de outubro de 2006

    Je Suis Malade


    Eis-me neste lindo estado...


    Pois é, caros amigos... como veêm, estou de baixa!

    Relatório Clínico

    Fins de Setembro - começo com ligeira tosse de cão.

    2 de Outubro - a tosse evolui para tosse de cão danado. Não posso falar um minuto sem perder a voz.

    3 de Outubro - depois de 2 ou 3 ataques de tosse espasmódica e provocando falta de ar, vou à urgência do SAMS.

    Triagem - Edema e dor da faringe. Ausência de febre.

    Consulta - Médica muito simpática! Observação do ouvido e do gasganete. Auscultação cuidadosa e demorada.

    Terapêutica na urgência - injecção intravenosa de Cortisona (anti-inflamatório corticosteróide). Aerossol de Ipatrópio, (broncodilatador), 30 m. Conheço a Matilde, que na cadeira ao lado sofre tratos de polé semelhantes e trocamos algumas impressões (depois conto o resto).

    Sigo para o RX.
    Faço o RX.
    Volto à médica com o raio do RX.

    Diagnóstico - infecção e inflamação acentuadas da faringe e laringe e já atingindo ligeiramente a árvore brônquica. [Com suspeita de tentativa sublimada de autodestruição :].
    Terapêutica instituída - Ceclor Retard, Xyzal, Serevent e Mucosolvan. Beber muita água. Voto de silêncio (os outros pode quebrar :) )

    Regresso a casa e início da terapêutica.

    Apetite alimentar - normal.

    Outros apetites - muito reduzidos.

    Sono - bastante reduzido.

    4 de Outubro - estado estacionário, mas se abro o bico lá vem tempestade de tosse. Febre muito ligeira, só se nota nas mãos e orelhas.

    Tão depressa não vou poder cantar a ária de Mimi... por isso vos deixo com os fantásticos Sofia e Serge!!!

    Je Suis Malade
    Sofia e Serge Lama

    Olá, Matilde!

    Cara companheira de infortúnio nas urgências do SAMS, espero que esteja melhor! Eu ainda estou muito atacada... como pode ver acima!
    Apesar de estarmos tão doentinhas, o que a gente se riu... olhe, estou a pensar escrever a história do nosso encontro e talvez publicá-la aqui (com sua licença) e até talvez enviá-la para um programa de rádio, mantendo-se, claro, o nosso anonimato. Mas não para já.
    As nossas rápidas melhoras é o que eu desejo por agora!

    Um beijinho,
    M.L.(como a sua irmã)
    :))

    terça-feira, 3 de outubro de 2006

    Aspásia Italiana

    Eu ignorava que além da minha homónima grega, há esta, italiana... pelo grande poeta Giacomo Leopardi.

    Aspasia

    sexta-feira, 29 de setembro de 2006

    Autumn Leaves II (uma celebração à Amizade)

    Só hoje eu e a MT vimos que, sem o sabermos, escolhemos a mesma canção como homenagem ao Outono.

    Querida amiga, com tua licença, vou partilhar aqui a tua magnífica escolha.

    Fiquei sem palavras para descrever a despojada mas impressionante interpretação de Eva Cassidy em 1996, que, apenas com a sua voz, a sua viola e um pianista, transcende muitos que se acompanham com camiões de tecnologia.
    Só posso dizer que acabei à beira das lágrimas.

    Um beijo para ti, Amiga.

    domingo, 24 de setembro de 2006

    Autumn Leaves

    Diana Krall
    CopyLeftAspásia 99

    The Autumn leaves
    drift by my window,
    The Autumn leaves
    of red and gold

    I see your lips,
    the summer kisses,
    The sun-burned hands
    I used to hold.

    But since you went away ,
    the days grow long
    And soon I´ll hear
    old Winter´s song...

    But I miss you most of all, my darling,
    when Autumn leaves start to fall.

    Folhas de Outono

    segunda-feira, 4 de setembro de 2006

    Sonho Egípcio



    Eu com o meu namorado Tuta-e-Meiosis XCIV


    Hoje acordei egípcia
    e só ando de lado,
    função que com perícia,
    pratico há um bocado.

    Ando de tanga às riscas,
    sandálias de bambu,
    um colar de ametistas,
    o resto... tudo a nu.

    Ao meu pequeno-almoço,
    sentada num tripé,
    bebi chá de tremoço
    e papas de rapé.

    Enquanto meu abutre
    cantava no quintal,
    dei banho a Tot-A-Mut,
    minha cobra coral.

    Sentei-me numa esteira
    a estudar hieroglifos,
    mas deu-me uma soneira
    e sonhei com três grifos.

    Chegou o meu amante,
    que me trouxe do Nilo
    um colar de diamante
    e unhas de crocodilo.

    Chamámos dois felás
    p´ra nos levarem, às costas,
    a casa de Al-Faissaz,
    comer umas lagostas,

    e, para terminar,
    e como era Domingo,
    salada de nenúfar,
    e um bife de flamingo!

    Voltámos para a sesta,
    até ao pôr-do-sol,
    mas foi tamanha a festa,
    rasgámos o lençol...

    Acordámos, enfim,
    e fomos, num repente,
    dançar para o jardim,
    uma Dança do Ventre!

    À hora em que Amon-Rá
    se põe lá em Gizé,
    degustámos maná,
    fumámos narguilé.

    Rezámos a Osiris,
    cantámos a Horus,
    tomámos banho de íris,
    tomilho e alcaçuz.

    Pusemos os unguentos
    que fazem delirar:
    ele, sândalo bento,
    eu, rosa e almíscar,

    enquanto a serva núbia,
    nos ia embalando,
    uma ária da Aida
    numa lira ensaiando…

    E assim aperaltados
    lá fomos p´ró banquete,
    por Cleópatra chamados
    - pois fazia dezassete
    aninhos, a menina…

    E levámos, de prenda,
    um escravo, uma ocarina
    e um soutien de renda
    todo em crepe da China !!!


    Eu quando ainda fazia Dança do Ventre ;))...


    Not any Love
    (dança do ventre egípcia)

    sexta-feira, 11 de agosto de 2006

    O Porto Sentido... a Sul


    O Porto ao entardecer
    (Foto
    daqui)



    Pelo "Porto Sentido" já eu ficara apaixonada desde a primeira audição. Para mim continua mesmo a ser a mais bela canção do Rui Veloso. Não só pelos versos e melodia incomparáveis, mas também porque, dedicada a uma cidade, parece também dirigida a alguns de nós em certas fases da vida.
    Há um bom, mas mesmo bom par de anos, princípios de Março, fui passar uns breves dias de férias a um Algarve completamente primaveril. No caos do saco das cassettes de então, lá ia também uma do Rui Veloso. Os diazitos decorreram breves, algumas correrias para conhecer melhor o Barlavento, desde Quarteira ao Cabo de S.Vicente, ali, onde a terra acaba e o mar começa, gozando da hospitalidade de uma amiga de Lagos. O último dia, esse, aproveitado para descansar um pouco na paz e sossego de Pedras da Rainha, quase no extremo oposto. E na manhã seguinte, mesmo antes do regresso a Lisboa, carro já atafulhado, não resisto, um passeiozinho à beira da Formosa, o pinhal de Cabanas cá em cima, a ria lá em baixo, belezas estas já bem conhecidas de outras estadias, mas sempre saudosas, de tão distantes. E nessa altura do ano, imperturbadas pelas multidões estivais... Então, ideia brilhante, ouvir ali na luz, tão a Sul, o “Porto Sentido”… faria sentido??? Um dia já recuado, "o Corridinho foi dançando até Lisboa...", porque não levar eu agora o Porto ao Sotavento Algarvio? Digressão por sinal bem mais longa...
    E na luminosidade feérica de um meio-dia algarvio, reflexos intensos na água azul e desabrochar de verdes atrás de mim, começo a ouvir a voz e a música do Rui e as palavras do Carlos Tê. Luzes sombrias, tons cinzentos, neblinas e lampiões, pedras sujas e gastas da sua bela Cidade, não pareceram entrar em conflito com a luz forte, o azul intenso, o claro areal algarvios. Belezas tão distantes – afinal se calhar só no mapa – mesmo ali não colidiam, complementavam-se, olhos e ouvidos estavam em harmonia,.. E, quando a canção chegou ao fim, jeito fechado de quem mói um sentimento e altivez de milhafre ferido na asa, percebi também não serem exclusivos de uma cidade ou lugar. Senti-os plenamente humanos e, por isso mesmo, universais.


    A Praia de Cabanas
    (Foto Aspásia)

    * * *
    Nota: Esta "história" passou-se em Abril de 1994. Foi lida no programa "História Devida" de dia 7 da Antena 1.




    Neste mesmo dia, há 50 anos, meus Pais partiam para o Porto em lua-de-mel. Infelizmente, minha Mãe já não está connosco para hoje comemorarem as Bodas de Ouro. Fica mais esta recordação...

    domingo, 23 de julho de 2006

    Latinorius


    Ave! Ora então vamos lá hoje à nossa aulazita de Latim Moderno. Se pensavam que o Latim é uma língua morta, desenganem-se! Leiam este texto, publicado há um par de anos na imprensa portuguesa…

    * * *

    Já experimentou ser obscena observandi cupido da sui ipsius nudator que passa na birota automataria? Não? E não será muito novissimorum morum affectator? Não sabe? Então o mais aconselhável à sua situação cultural é ler este texto até ao fim.
    O Vaticano resolveu desenterrar o Latim, a língua oficial da Santa Sé. Visto que, durante largos anos, se tratou de uma “língua morta”, do seu vocabulário não constam muito dos termos hoje em dia utilizados frequentemente. A Fundação Vaticana Latinitas resolveu o problema. Após oito anos de aturados estudos, sob a coordenação do abade Carlo Egger, foi finalmente publicada a obra que permite a actualização do léxico latino.
    O novo dicionário compila mais de 15 mil neologismos, a maioria dos quais empregados em todo o Mundo na língua original, o inglês ou o francês, cobrindo áreas como o desporto e as ciências. A apresentação do Lexicon Recentis Latinitas decorreu na Finlândia, em 2004. Aqui ficam alguns exemplos citados pelo jornal madrileno "El País":

    Aparelho de vídeo - Instrumentum telehornamentis exceptorium.
    Barman - Tabernae potoriae minister.
    Best-seller - Liber máxime divenditus.
    Café - Taberna cafearia.
    Carruagem - cama - Currus dormitorius.
    Champô - Capitilavium.
    Computador - Instrumentum computatorium.
    Discoteca - Ludus saltatorius.
    IVA - Fiscale pretil additamentum.
    Jeans - Bracae linteae caerúlae.
    Mini-saia - Tunícula mínima.
    Motocicleta - Birota automataria.
    Motel - Deversorium autocinéticum.
    Ovni - Res inexplicata volans.
    Pizza - Placenta compresa.
    Playboy - Iuvenis voluptarius.
    Slalom – Descensio flexuosa.
    Solteiro - Solitarius.
    Snob - Novissimorum morum affectator.
    Spot (de televisão) - Intercalatum laudativum nuntiun.
    Spray – Liquor nubilogenus.
    Stripteaser - Sui ipsius nudator.
    Ténis (jogo) - Manubriati reticuli ludus.
    VIP - Amplissimus vir.
    Voyeur - Obscena observandi cupido.
    WC – Cella intima.
    Western - Fabula americae occidentalis.
    Whisky - Vischium.


    E x e m p l u m

    Um Obscena Observandi Cupido observando uma Res Inexplicata Volans


    * * *


    Também podem ver aqui um divertido forum, em espanhol, que explica muito bem a construção das expressões latinas.

    Bem, meus Amplissimus viris amicus, depois de fechar o Instrumentum telehornamentis exceptorium onde acabo de ver uma Fabula americae occidentalis, com o meu Iuvenis voluptarius, vou à Cella intima e depois, numa Descensio flexuosa, dirijo-me para o Currus dormitorius... Bona Nox!

    Post Post-Scriptum - naturalmente, a este Post só se aceitam comentums scriptuns (ou comenta scripta) em Latim... faz favor de aproveitarem as férias para estudarem o Lexicon Recentis Latinitas ;))...



    Ode Pentatónica para Martelo e Flauta de Pã, composta por Nero numa noite de insónia... esta Ode é muito eficaz, experimentem! Assim que adormecerem, podem pará-la...;))

    sexta-feira, 14 de julho de 2006

    EcoPoema de Nós


    Sol nascente
    Árvore Pássaro
    mil cores e mil sons
    Música Arco-Íris
    dentro de Nós Ideal

    Mar azul
    Mãos unidas
    procurando Reciprocidade
    Pensamento Fogo em
    Ardência total

    Almas trocadas
    no delírio da entrega
    êxtase de sermos Um
    (só possível)
    na comunhão de Nós
    com o Natural

    Aspásia 96


    "Discovering the World" - Z. Preisner

    quarta-feira, 12 de julho de 2006

    Tortura e Vandalismo aos Animais

    Caros Amigos

    Tenho andado com pouco tempo para os Blogs, mas deixo esta notícia.
    Este é o País que temos...
    Os indefesos, sejam humanos ou animais, estão à mercê de outros "humanos".

    Vandalismo na Afectu de Aveiro

    Creio que houve animais (cães) torturados e mortos. Os autores devem ser primos daqueles que torturaram a Gisberta...
    Se puderem, auxiliem! (está lá o NIB)

    Beijinhos e até breve.

    segunda-feira, 26 de junho de 2006

    Catedral


    Catedral de León (Espanha)

    Olhando ao longe a planura,
    numa manhã outonal,
    ergue-se a alta figura,
    – Pai-Nosso em arquitectura –
    duma antiga catedral.

    É visão inesquecível,
    aguarela austera e pura.
    Majestosa, imperecível,
    por artesão intangível
    talhada na pedra dura.

    Acerco-me lentamente
    e em grandeza vai crescendo.
    Sobre a pedra que não mente,
    olho mais atentamente,
    velha inscrição desvendo.

    Sé pelo Homem erguida
    para dar a Deus sinal
    de fé na Lei recebida,
    é promessa nesta vida,
    esperando na Vida imortal.

    Lugar de meditação,
    abriga no coração
    a qualquer que nela entre.
    Não vê cor ou condição
    nem mesmo faz distinção
    entre o crente e o não-crente.

    Cruzando o largo portal,
    entro, sem fazer rumor.
    Coalhado dum vitral,
    irisa a água lustral
    um reflexo multicor.

    Sobre o altar principal,
    em retábulo pintado,
    o Anjo celestial
    ergue a pedra sepulcral
    a Jesus ressuscitado.

    Oiço vozes de oração
    que se elevam em espiral.
    Pedirão, talvez, perdão,
    ou tão só resignação
    para tanta dor e mal.

    O velho órgão harmoniza
    um cântico angelical.
    Não pede, não catequiza,
    mas dá alma a quem precisa
    – Sinfonia Pastoral.

    Fôra eu crente e, talvez,
    no meio desse coral
    encontrasse a placidez,
    esquecendo os mil porquês
    da Ciência racional.

    Assim, enquanto a visito,
    não rezo, apenas medito,
    banhada na luz claustral:
    pudesse o caos inaudito,
    ferro e dor, espanto e grito,
    pesadelos do real,
    dar lugar a um coral
    – eco humano de Infinito…
    e o Mundo enfim sem conflito,
    mais perto do Ideal,
    vogasse no mar infindo
    do azul universal.

    L.N. 96



    "Allein Gott in der Höh´ sei Ehr" - J.S. Bach
    (Otto Winter - Órgão)

    quinta-feira, 22 de junho de 2006

    Notícia Triste

    Caros Amigos

    No preciso momento em que aqui vinha, acabei de receber a notícia do falecimento da minha querida médica Dr.ª Lídia Gonçalves, aos 56 anos. Como já aqui tinha dito, uma grande Médica e Senhora, já gravemente doente continuou ao serviço das mulheres até mais não poder.

    Muitas vidas ela ajudou a trazer ao mundo. A Drª Lídia foi Directora do serviço de Obstetrícia do Hospital de Santa Maria e trabalhou na Clínica Feminis.

    Caso alguma de vós, amigas, a tenha conhecido ou conheça alguma amiga sua paciente, informo que a Dr.ª Lídia se encontrará desde as 17 horas de hoje na Igreja de Santa Joana Princesa em Alvalade, realizando-se o seu funeral amanhã às 11H para o Cemitério dos Olivais.
    Assim se perde uma Senhora de raro valor profissional e superior qualidade humana.

    Um beijinho para todos.

    quarta-feira, 21 de junho de 2006

    Ode à Tertúlia

    Aos "Tertulianos"


    Um dia mais convosco, companheiros,
    "Irmãos" leais, d'ontem, d'hoje, colegas,
    tentando recordar memórias cegas,
    gastas de já nem sei quantos Janeiros!

    Oh coração que ousaste mil anseios
    e pulsações ardentes que não negas,
    doces e amargos, da Vida nas refregas:
    ignora os fracassos, lembra enleios!

    Secaram flores, esmoreceu o lume.
    Nas páginas do livro, intercaladas,
    pétalas secas choram seu queixume.

    Abre o teu livro... e as flores olvidadas
    que enfeitaram tranças, mãos prendadas,
    te deixarão no ar subtil perfume!


    Rui Nascimento

    Almoço da "Tertúlia Damião de Odemira"
    Novembro, 10 - 2003.

    domingo, 18 de junho de 2006

    Festa de Aniversário do Mestre Rui Nascimento

    Realizada antecipadamente no Restaurante China Li Do em Lisboa, em 12 de Junho de 2006, com a Tertúlia Damião de Odemira (*). O Mestre Rui Nascimento nasceu em Setúbal, em 14 de Junho de 1914.



    Aspecto da mesa. Em 1º plano, o Mestre Internacional Joaquim Durão, Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez e esposa D.ª Pilar



    Eu, meu Pai Rui Nascimento e Mestre Durão



    Um sopro de 92 anos... mas com a força de 29!



    O Aniversariante executa um trilo... enquanto o amigo Durão degusta... um grilo! ;))) (salvo seja...)



    Mestres Problemistas José Vinagre e Mariz Graça e Eng. Pedro Silva Araújo



    Mestre Mário Silva Araújo, autor do livro "Rui Nascimento, uma Vida Dedicada ao Xadrez" e esposa



    Dado o seu sucesso ao Violino, o Paganini acabou sendo "contratado" para abrilhantar, noutra mesa, o aniversário de casamento de um simpático jovem par...


    (*) - Tertúlia aberta não só ao Xadrez como a qualquer actividade cultural ou artística. Aceitam-se membros!



    Ao Violino, seu 2º Hobby - "Señor Comisario (tango) - Samaritana (fado) - Adiós, Pampa Mía (tango)".

    quarta-feira, 14 de junho de 2006

    Parabéns, Pai!

    A meu Pai, que hoje completa 92 belos anos, dedico estas "rimas". Perdoem o orgulho da filha babada...



    Neste dia memorável,
    perante nobre assembleia,
    ocorreu à filha a ideia
    de rimar ao pai amável,



    que ao Xadrez tem dedicado,
    principalmente, a existência;
    mas também, com excelência,
    noutras Artes é versado.



    O Problema de Xadrez,
    p´ra ele não tem segredo.
    Compõe, sem dúvida ou medo,
    mates em dois e em três.


    Problemas figurativos,
    tecendo belas imagens,
    dedicou a personagens
    ilustres, mortos ou vivos.



    A concursos variados
    apresenta seu trabalho
    e, sempre sem enxovalho,
    fica bem classificado.

    Mas se a Musa do Xadrez
    foi a que mais o inspirou,
    as outras, que cultivou,
    não deixou em pequenez.

    De Erato, melodiosa,
    aprendeu, sem desatino,
    a arrancar do violino,
    tango ou valsa primorosa...


    A mesma Musa formosa,
    o inspirou na Poesia:
    num repente e com mestria,
    verseja com mote e glosa.


    Dos livros é grande amigo,
    quer versem Arte ou Ciência,
    e na arte da eloquência
    não passa despercebido.


    Grande leitor de jornais,
    das Letras grande amador,
    chegou a dizer, de cór,
    “A Ceia dos Cardeais”!...


    Às mais exactas Ciências,
    com afinco se aplicou,
    e também não desprezou,
    dos astros, as refulgências!


    De Arquimedes às Ideias,
    ou de Einstein às Teorias,
    dedicou noites e dias,
    desenredando essas teias...



    Do Tempo leva vitória,
    os cometas observou...
    E, de Vénus, contemplou
    a apolínea trajectória! (*)



    Os amigos dedicados
    nunca da memória tira...
    por Damião de Odemira,(**)
    os traz, sempre, convocados!



    Já longo é o seu trajecto,
    mas não se dá por vencido...
    amanhã, ao sol nascido,
    já ensaia outro projecto!


    Da Razão, Justiça e Bem
    Paladino se tornou,
    Esposo amável se mostrou,
    Pai muito amigo também;
    histórias conta mil e cem
    que a todo o que escuta encantam...
    Noventa e dois “já cá cantam”...
    Cá estaremos para os Cem!!! (***)

    X C I I em M M V I

    * * *

    (*) - O trânsito de Vénus.
    (**) - A Tertúlia "Damião de Odemira", de que foi fundador.
    (***) - Pelo menos!




    Ao Violino, seu 2º Hobby
    - Señor Comisario (tango)
    - Samaritana (fado) - Adiós, Pampa Mía (tango)

    sábado, 10 de junho de 2006

    Camões no Mundo


    Lusiada Italiana di Carlo Antonio Paggi nobile Genouese poema eroico del grande Luigi de Camoes Portoghese prencipe de’ poeti delle Spagne. Lisbona : por Henrico Valente de Oliueira, 1659

    Canto III
    119

    Poi di questa si prospera vittoria
    Tornato Afonso á la paterna terra,
    De la pace a goder cotanta gloria,
    Quanta acquistó ne la si dura guerra.
    Il caso triste e degno di memoria,
    Che li sepolti auuiua, e disinterra
    Succedeo de la misera e meschina,
    Che doppo morte diuentò Reina.

    (episódio de Inês de Castro)

    Neste dia dedicado ao Príncipe dos Poetas, eis uma curiosidade que só vem provar como logo o valor dos seus “Lusíadas”, pouco depois da sua publicação foi reconhecido internacionalmente pelos homens cultos do tempo.

    “Em 1658 o genovês Carlo Antonio Paggi, diplomata da República de Génova em Portugal traduz para italiano a primeira versão conhecida nesta língua d’Os Lusíadas. A obra é publicada em Lisboa e dedicada ao Papa Alessandro VII. Fora da Península Ibérica, é italiana a segunda tradução do poema épico português sendo a primeira uma tradução inglesa de Fanshaw. Nesta tradução de Paggi temos várias dedicatórias que são, do ponto de vista comparativista, estratégias do tradutor relativamente à forma de como pode condicionar a recepção do texto. Nas dedicatórias são dadas indicações de leitura, esclarecimentos históricos, associações míticas que sistematizam uma imagem de Camões e do poema épico português que já circulava nos ambientes cultos italianos desta época. Paggi vai ser a fonte implícita de muitas traduções d’Os Lusíadas e a sua atitude crítica perante o poema e, sobretudo, perante a biografia do poeta, vai ser objecto de muitas especulações literárias e biográficas.”

    In “O mito de Camões em Itália: da elaboração mítica aos parâmetros ideológicos nacionalistas” - Henrique de Almeida Chaves




    Entretanto, estamos a ouvir o "Tiento para arpa", de um contemporâneo de Camões, o Padre Manuel Rodrigues Coelho (1555?-1635), Organista na Capela Real em Lisboa de 1604 a 1633.


    Infelizmente, a sina de Camões, miserável em vida e exaltado depois da morte, continua a ser a de muitos Portugueses de valor em todos os campos da Arte e da Ciência… e muitas vezes, só no estrangeiro conseguem, em vida, receber o justo elogio e paga pelas suas obras… ai, ai, Lusitano Fado!!!