sábado, 26 de maio de 2007

HISTORIA DE UN AMOR



Fui aos Momentos de Evasão da Vero, ela tinha-se lembrado do poema... e eu lembrei-me de ouvir a canção.

Quem se lembra deste magnífico Bolero?

Para embalar o Fim de Semana...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Dedicado à Tau Tau Tufa
(poema acróstico)


Regar todos os dias as Flores do Jardim da Amizade...



Teus poemas de encantar,
Adoráveis, sedutores…
Uma coisa de enlevar

Teus muitos admiradores!
Aqui se exalta o carinho,
Um gole se bebe, do vinho

Tão querido aos sonhadores…
Um sonho de amor por dia
Faz esquecer, por magia,
As mágoas e os desamores!

COM UM BEIJO ESPECIAL PARA TI, AMIGA TAU TAU !

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Aula de Lavores Femininos
(admitem-se meninos que saibam fazer crochet)

Ora muito bom dia meninas e meninos!

Vamos hoje expôr e analisar os trabalhos da Aspasita na aula de Lavores na Escola Primária..

Saco de Guardanapo em Crochet (fechado) Saco de Guardanapo em Crochet - frente


Saco de Guardanapo em Crochet (aberto)

O mesmo - frente e costas

Fronha para Bebé Fronha para Bebé

Bem... as duas peças parece que foram feitas na 3ª e 4ª classes... eu gostava muito das aulas de Lavores, porque podíamos dar à língua à vontade... mais que à agulha!
O saco foi feito em "abertos e fechados" em linha Mercer Corrente azul e depois decorado com linha branca em estrelinhas.
Foi terminado no Exame da 4ª Classe e Admissão ao Liceu... parece que 1967 foi o último ano em que houve esse exame e, portanto, eu, das últimas pessoas a fazê-lo... e incluía lavores e tudo! P´ra que saibam estas meninas de agora que nunca pregaram um botão...
A fronha foi cortada e cosida à máquina de lado pela Prof.ª e eu fiz as bainhas e o ajour.
TPC de LAVORES UNISSEXO
1 - No crochet, designa-se por fechado um grupo de 3 ou 4
a) torcidinhos
b) fiozinhos
c) pauzinhos
d) linhas
2 - No ajour deve usar-se uma agulha
a) grossa
b) magnética
c) fina
d) de titânio

As respostas certas serão contempladas com uma caixa de 12 novelos de linha Mercer Corrente nº 6 dourada e um jogo de 24 agulhas de crochet cromadas.


quarta-feira, 16 de maio de 2007

Na Primária...

Continuando na Escola Primária... fui procurar fotos alusivas. Apenas descobri estas duas, uma em cada uma das Escolas que frequentei nesses tempos dourados...


Foto A
Externato D. Filipa de Lencastre
(particular) - 1ª Classe, 1964

Nesta, a Prof.ª costumava mandar-me ler versos empoleirada num banco de madeira comprido... mas nos recreios era um desastre, fazia imensas diabruras e costumava andar à briga com os rapazes pois era matulona, de modo que ia constantemente de castigo para a sala dos rapazes, onde os ditos se fartavam de rir de mim... um dia, numa escaramuça, um deles ameaçou-me com um lápis afiado de me furar um olho e eu sem meias medidas, peguei logo no meu lápis, lembro-me de o afiar muito à pressa... e PIMBA!, fiz-lhe um furo na bochecha! Só por sorte não calhou vazar um olho ao desgraçado... depois desse feito parece que a Prof.ª, já velhota, coitada, chamou a minha Mãe e tive de mudar de Escola, mas eu só me defendi !!! De qualquer modo eu já andava farta da velhota que era muito ríspida para o meu gosto... mas foi a minha primeira Professora, infelizmente não consigo lembrar o nome dela.

Foto B

Escola Primária do Vale Escuro (pública nº163) - 4ª Classe, 1966

Prof.ª Maria da Conceição Bettencourt e Prof.ª Dulce (?)

A D.ª Maria da Conceição, isso sim! Foi uma grande Professora e eu adorava-a... era da mesma idade da minha Mãe. Não sei se ainda será viva. A Prof.ª Dulce era estagiária e pouco me lembro dela. Nesta Escola, dedicava-me muito, no recreio, a saltar em corrida desabalada, por cima dos 4 ou 5 bancos de pedra, aí de meio metro de altura, que havia ao longo do pátio que era bem grande.

Também me lembro que rezávamos uma Avé Maria todos os dias, antes de começar a aula. Na parede, claro, estavam as tradicionais fotos de Thomaz e Salazar com um crucifixo ao meio. De resto, estive sempre no Quadro de Honra, como depois sempre ao longo dos 7 anos do Liceu Filipa e Lencastre... sempre fui uma mulher honrada ;))... além disso gostava muito da aula de Lavores, onde fiz um saco de guardanapo azul, em crochet, e fiz ajour numa fronha para bebé... tenho de procurar esses items e pôr aqui as fotos...

Verso da Foto B

Note-se uma inscrição feita um ano depois da foto e que já indicava as minhas tendências contemplativas ...

"5/12/67 «Contemplei a fotografia»" ...

TPC - Por meio da numeração de 1 a 5, identificar a Aluna Aspasita nas fotos A e B.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Passagem da 2ª para a 3ª Classe - 1965

JÁ PASSARAM 42 ANOS? NÃO POSSO CRER, AINDA ME LEMBRO DE COPIAR O ENUNCIADO DO QUADRO!...
DE MODO QUE ENTREI PARA A 3ª CLASSE COM 7 ANOS EM OUTUBRO SEGUINTE... MAS PASSADOS POUCOS DIAS FIZ LOGO 8. FOI SEMPRE ASSIM - TODOS OS ANOS, NO INÍCIO DAS AULAS TODA A GENTE SE ADMIRAVA, EU TINHA SEMPRE UM ANO A MENOS... E ALTURA DEMAIS...




domingo, 13 de maio de 2007

A Poesia Sul-Americana Pós-Neruda continua Viva

Entardecer

TE ESPERARÉ...


Esperaré a que las hojas del otoño
se cansen de mirarme
hasta que las lunas se hagan de leche
y un río de miel se deshaga en mi boca

Esperaré tus ojos como ciego pájaro
en la noche silenciosa
tus manos para conocer los caminos
de mis futuras órbitas...

Esperaré porque se consume ya un fuego fatuo en la memoria
y me duele el cansancio de una larga tristeza
Te esperaré hasta el final de los finales
para hallar la muerte en la paz de tus entrañas

Porque no hallo otra cosa que nombrarte...
Porque no soy otra cosa que tu propio espejo
devolviéndose la imagen...

Esperaré porque en tus manos llega el aire
que me habita...
porque te has adueñado de mi absoluto presente
porque no existo sin tu vida
porque sin ti soy nada inhabitada

Te esperaré con el vientre lleno
de albahacas moradas
con un ramo de vientos en los ojos y una espiga dorada
arrodillada ante tu vidrio
para rezarte eternidades olvidadas

No haré otra cosa que esperarte, amor mío
hasta que se caiga el cielo y los astros se vuelvan a adorarte
porque llevas la sangre que necesito
para beberme la vida en tu cauce...

Te esperaré, te esperaré hasta que llegues
hasta el final de las lunas
para borrar los regresos y los adioses
para entregarte el universo
y que mi alma descanse
y jamás dejarte ir...


Zoé Jiménez Corretjer - PORTO RICO

(2001)

sábado, 12 de maio de 2007

RESUMO DA CONFERÊNCIA DE JORGE EDWARDS NO INSTITUTO CERVANTES (cont.)


Pablo Neruda e Jorge Edwards nos anos 50

De outra vez, ainda em Santiago, Neruda convidou Edwards para a sua casa na Isla Negra, para onde iriam no velho carro de Neruda. Mas logo à saída de Santiago, Neruda parou para ver uma ´feira da ladra´ (feria de las pulgas) que ali se fazia, pelo que Edwards pensou logo “por este andar não chegamos lá antes de 7 ou 8 horas”… nessa feira vendiam-se as coisas mais feias e incríveis, incluindo óculos partidos e dentaduras postiças! Não se sabia quem comprava tais objectos, mas lá percorreram o recinto até que Neruda viu uma grande corrente de ferro, suja, ferrugenta e com uns enormes elos, caída no chão. Cada elo da cadeia mais parecia uma roda de carro e a corente pesava várias toneladas. Neruda disse então “Temos de levar esta corrente para a Isla Negra! Quero pô-la no jardim!”
Edwards disse que isso era impossível pois o carro não podia com uma coisa tão grande e pesada. Neruda foi então ter com uns camionistas que ali andavam e contratou-os para levarem a corrente num camião. Assim partiram todos para a Isla Negra. Assim que lá chegaram, neruda disse aos camionistas: “Descarreguem a corrente aqui no jardim mas como a deixarem cair é que fica. Não a endireitem, não alinhem os elos. Quero que fique como cair do camião para o chão.” E os homens assim fizeram.

Edwards percebeu que a corrente tinha pertencido a um navio, e dada a grande ligação de Neruda ao mar, como se pode ver em muitos dos seus poemas, compreendeu que Neruda quis ter a corrente no jardim porque ela “tinha pertencido” ao mar, ela representava, desordenada, ferrugenta e suja, a luta que tinha travado contra a força e rebeldia do mar.

Mas da última vez que foi à Isla Negra, já depois da morte de Neruda, Edwards viu que a corrente fora limpa e colocada em círculo, pelos jardineiros, a fazer de limite de um canteiro! Perdendo assim todo o significado poético alusivo ao mar que Neruda tinha visto nela. Desordenada e ferrugenta como tinha vindo do mar, a corrente representava para Neruda o próprio mar…

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Bem, meus meninos/as, então aqui fica a reportagem. Para a outra vez anuncio coisas destas com mais antecedência para vocês irem ao vivo, que eu não sou o Repórter X!


Poema 18 de "20 Poemas de Amor y una Canción Desesperada", lido por Neruda

quinta-feira, 10 de maio de 2007

RESUMO DA CONFERÊNCIA DE JORGE EDWARDS NO INSTITUTO CERVANTES


O escritor Chileno Jorge Edwards trouxe a Lisboa
as suas recordações do Amigo Pablo Neruda


(A pedido de várias famílias, vou tentar escrever o que me ficou na cabeça...)

Depois de uma breve apresentação feita pelo Director do ICL, e de algumas considerações sobre a vida política e literária do Conferencista convidado feitas por José Carlos Vasconcelos, Jorge Edwards, Prémio Cervantes 1999 tomou a palavra.
Falando em Espanhol com sotaque chileno, naturalmente, o Conferencista começou por recordar os seus primeiros contactos com a Literatura Portuguesa através do convívio com Ruben Braga, Jorge Amado e Vinicius de Morais no Rio de Janeiro.
Jorge Edwards, de ideais políticos de esquerda, foi Embaixador do Chile em Cuba.
O seu primeiro contacto com as Letras Portuguesas foi através da obra de Fernando Pessoa, sobre o qual foi o primeiro a escrever um artigo em 1957, antes de Octávio Paz que também escreveu sobre Pessoa.
Na altura, em Santiago do Chile, havia um funcionário da Câmara chamado Fernando Pezoa, pelo que toda a gente perguntava a Jorge Edwards porque escrevia sobre um indivíduo que nunca tinha escrito coisa alguma… Edwards tinha de explicar que o Pessoa em questão se escrevia com dois “ss” e era Português, mas alguém numa conferência nesse tempo lhe disse que também queria saber o que o “Pezoa Municipal” tinha escrito…

Com cerca de 21 anos, Edwards conheceu Pablo Neruda. Entretanto Neruda com 24 anos e anteriormente já tinha escrito “20 Poemas de Amor y Una Canción Desesperada” e depois ainda escreveria “Los Poemas del Capitán”, "Canto general" e “Residência en la Tierra “.

Passou depois a contar várias história curiosas sobre Neruda, (vamos lá ver se ainda me lembro).

Quando Neruda foi Embaixador do Chile na Birmânia, conheceu uma jovem birmanesa chamada Josie Biss, mas que ao pé dos estrangeiros dizia que o apelido era Bliss (êxtase). No início do relacionamento, Neruda tinha algum receio da senhora, porque era dada a práticas esotéricas, rezas estranhas, etc.. De dia andava vestida à ocidental, mas à noite vestia-se de birmanesa e andava pela casa onde então moravam, com rezas e incensos, etc.. Além disso começou a ser muito ciumenta, zangando-se com Neruda, que como Embaixador tinha de ir a muitas reuniões, recepções, etc.. De modo que a coisa foi piorando e uma noite quando Neruda acordou, andava ela em círculos à volta da cama, com uma faca na mão!
Neruda então sem nada lhe dizer, pediu para ser transferido como Embaixador para Colombo, capital do Ceilão (actual Sri-Lanka).
Assim, uma manhã, despediu-se da Josie como de costume, sem nada levar além de uma mala pequena, como se fosse para a Embaixada, mas em vez disso foi apanhar um navio para o Ceilão. Tinha deixado uma carta para Josie em sítio onde ela levasse algum tempo a encontrá-la.
Durrante a viagem aproveitou então para escrever o poema “Tango del Viúdo”, dedicado a Josie.

No fragmento abaixo de Tango del viudo (Tango do viúvo) percebe-se o sofrimento infinito do eu-lírico:

Oh, maligna, ya habrás hallado la carta, ya habrás llorado de fúria
y habrás insultado el recuerdo de mim madre
llamándola perra podrida e madre de perros,
ya habrás bebido sola, solitaria, el té del atardecer
mirando mis viejos zapatos vacíos para siempre, (...)
Maligna, la verdad, qué noche tan grande, qué tierra tan sola!
He llegado otra vez a los dormitorios solitarios,
a almorzar en los restaurantes comida fria, y otra vez
tiro al suelo los pantalones y las camisas,
no hay perchas em mim habitación, ni retratos de nadie en las paredes.
Cuánta sombra de la que hay en mi alma daria por recobrarte,
y qué amenazadores me parecen los nombres de los meses,
y la palabra invierno qué sonido de tambor lúgubre tiene.

(Oh maligna, já terás achado a carta, já terás chorado de fúria / e terás insultado a memória de minha mãe, / chamando-a de cadela suja e mãe de cachorros, / já terás tomado sozinha, solitária, o chá do entardecer / a espiar os meus velhos sapatos vazios para sempre (...)
Maligna, em verdade, que noite tão grande, que terra tão só! / Cheguei mais uma vez aos dormitórios solitários, / a almoçar comida fria nos restaurantes, e uma vez ainda / atiro no chão as calças e as camisas, / não há cabides no meu quarto, nem retrato de ninguém nas paredes. / Quanta sombra da que existe em minha alma não daria para recobrar-te, / e que ameaçadores me parecem os nomes dos meses, / e a palavra inverno tem um som de tambor lúgubre.)

Meses depois, já em Colombo, estando um dia na varanda, Neruda viu chegar uma grande camioneta de mudanças para a casa em frente… começaram a descarregar e ele começa a ver objectos que lhe eram conhecidos… até que desce também uma senhora vestida de birmanesa… a Josie tinha descoberto onde ele estava e tinha alugado a casa em frente para continuar a vigiá-lo!


(continua)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Recordar Neruda hoje em Lisboa




INSTITUTO CERVANTES DE LISBOA

(R. de Santa Marta )

Conferência. José Carlos Vasconcelos y Jorge Edwards.

"Reencuentro con Pablo Neruda" - 09/05/2007 - 18:30H

El galardonado escritor, cronista y diplomático chileno, Jorge Edwards, cuya amplia trayectoria literaria le permitió obtener el Premio Cervantes en 1999, nos ofrecerá en esta conferencia la narración de su vívida y próxima relación de veinte años de amistad personal con el Neruda íntimo, yendo más allá de la emblemática figura de este gigante de la literatura universal.... (do programa de Actividades do IC)


segunda-feira, 7 de maio de 2007

DEDICADO À CRISTINA SEABRA

MEUS AMIGOS

ACHO MUITO IMPORTANTE ESTE POST DA NOSSA AMIGA CRISTINA. POR ISSO PUS UM LINK NO MURCON E PONHO AQUI TAMBÉM.

TODOS TÊM OS SEUS PROBLEMAS... MAS SE CALHAR UNS MAIS QUE OUTROS...
PORTUGAL É UM PAÍS LIXADO!!! UMA PESSOA COMO A CRISTINA NÃO ARRANJA EMPREGO... MAS AÍ OS "JOBS FOR THE BOYS" ESTÃO CHEIOS DE CRETINOS...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

LUGARES DA MINHA VIDA - II


NESTA COSINHA TRABALHEI COMO AGUADEIRA, VINHATEIRA, DESCASCADORA DE ERVILHAS DE QUEBRAR, DESENFORMADORA DE PUDINS DO ABADE DE PRISCOS, ESPEVITADORA DO LUME DE CHÃO E ESPANTADORA DE MOSCAS E MOSQUITOS.
FUI DESPEDIDA NO DIA EM QUE CAÍ DENTRO DO PURÉ DE ERVILHAS E SUA ALTEZA SE ENGASGOU COMIGO AO COMER A SOPINHA!!!

NOTAS HISTÓRICAS:
i) A TIGELA DE SUA ALTEZA LEVAVA 10 LITROS.
ii) EM FUNDO ESTAMOS A OUVIR UM REGISTO SONORO EM ROLO DE SEBO, DO RUÍDO AMBIENTE QUOTIDIANO, NESTA COSINHA, NO SÉC.XVI.



NESTA TRAVESSA TRABALHEI COMO PADEIRA, MAS TINHA POUCA PRÁTICA. COMO LEVAVA MUITO TEMPO A AMASSAR, LEVEDAR, MOLDAR, COZER, ETC., SÓ VENDIA PÃO FRESCO ÀS TERÇAS, QUINTAS E SÁBADOS. ASSIM, QUANDO OS FREGUESES CHEGAVAM A CASA, COMO O PÃO TINHA LEVADO DOIS DIAS A FAZER, JÁ TINHA BOLOR, DE MODO QUE REGRESSAVAM ÀS SEGUNDAS, QUARTAS E SEXTAS PARA O DEVOLVER. ERA UM TRABALHO MUITO PESADO E TINHA SEMPRE A CASA CHEIA (DE IMPROPÉRIOS)...
FELIZMENTE AOS DOMINGOS FECHAVA, PARA DESCANSO DOS BRAÇOS... E DAS PE(R)NICILINAS.







terça-feira, 1 de maio de 2007

OUTROS BISCATES QUE TIVE...


MAIS TARDE ARRANJEI VÁRIOS OUTROS BISCATES, A SABER: DANÇARINA DE CABARET, TRACTORISTA, PIZZAGIRL E POSADORA PARA FOTOS DE CATÁLOGOS DE TURISMO RURAL ;))).....

TODAS AS PROFISSÕES SÃO DIGNAS!


Santa Susana, Redondo - 1976


Meus caros Amigos, estamos no Dia do Trabalhador, assim aproveito para relembrar os tempos em que trabalhei como Almocreve (na senda de meu Bisavô paterno Francisco António).

Como podem ver, jeito não me faltava e como sempre gostei muito de burros sentia-me à vontade... mas o ordenado era fraquito... de modo que tive de procurar outro emprego.
TODAS AS PROFISSÕES SÃO DIGNAS,
O IMPORTANTE É CADA UM AMAR O SEU TRABALHO...
INCLUINDO AQUELES QUE NADA FAZEM!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Vinte Versos Sem Abrigo



Era um pobre coitado,
esfomeado, esfarrapado.

Vivia em qualquer lado,
quase sempre embriagado.

Fumava, de olhar parado,
um cigarro já fumado.

Dormia, muito enrolado
em cartão, no empedrado.

Certas noites, acordado,
olhava o céu estrelado.

Um dia, foi apanhado
a roubar no hipermercado.

Para a esquadra foi levado
por um guarda avantajado.

Estava devedor ao Estado;
ficou, pois, engaiolado.

Para não morrer de enfado,
lia um jornal atrasado.

Cumprido o mês estipulado,
lá saiu, desengonçado.

Mas nada tinha mudado,
e voltou ao mesmo fado.

Vagueou, desinteressado,
vendo chover no molhado.

Já noite, parou, cansado
e abrigou-se num beirado.

Do frio anestesiado,
escorregou, ficou deitado.

No silêncio enevoado,
divisou um embuçado.

“Pode arranjar-me um trocado?”
- perguntou, num tom cantado.

O vulto tinha parado
e olhava-o, apiedado.

“Pode arranjar-me um trocado?”
- repetiu, esperançado.

Sobre o rosto levantado,
recebeu um bafo gelado.

E caiu, morto, de lado,
sussurrando: “Obrigado”.
Aspásia



quarta-feira, 25 de abril de 2007

HORIZONTE PERDIDO


33 ANOS NAVEGANDO EM ÁGUAS TURVAS...
O IDEAL CADA VEZ MAIS PERDIDO NO HORIZONTE.
PODIA ANDAR EM RECTA, MAS PERDE O TEMPO ÀS CURVAS...
25 DE ABRIL? É SÓ NOME DE PONTE...
UNS PEDEM ESMOLA, ALGUNS BAIXAM A FRONTE,
MUITOS VIVEM PR´À BOLA... E O RESTO ANDA A MONTE!

33 ANOS


33 ANOS... PARA QUÊ?
OS IDEAIS DE ABRIL FORAM ABATIDOS.

ESTE É UM PAÍS CRUCIFICADO E O PROBLEMA É QUE NÃO VAI RESSUSCITAR AO 3º DIA...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 1


Margarida ensina a ler as meninas da aldeia - (As Pupilas do Sr. Reitor)
(Imagem escolhida por Aspásia)


Caros MJ, EnquantHouveTempistas e demais interessados...

Finalmente, consigo hoje dar início às mudanças do Enquanto Houver Tempo aqui para o Jardim, agora que começa a Primavera e já se pode estar aqui ao ar livre... :)

Esta Recordação é dedicada especialmente aos Professores que conheci no E.H.T.: além da autora MJ, a PAH NÃ SEI, O ALQUIMISTA e o JODI (de momento não me recordo de mais).

Apesar de eu mesma não ter comentado neste antigo Post da Mestra MJ, acho importante relembrá-lo, pois continua perfeitamente actual.

Como é difícil hoje em dia ser Professor... como vão longe os tempos das Pupilas do Sr. Reitor... hoje, na Escola, MATA-SE !!! Como sucedeu há poucos dias nos EUA...
Por cá ainda não se mata... espero que nunca suceda... mas o Professor muitas vezes é uma das vítimas preferenciais da nossa sociedade, em que a dificuldade das condições de trabalho tantas vezes gera o cansaço e a frustração, quando não mesmo a desistência e a doença...

Também escolhi recordar este Post pois há os que não conheciam a MJ nesse Tempo, Quando Ainda o Havia... e foi neste Post que surgiu o 1º Poema!!! (do Jodi) aparecido nos Comentários e que também acho importante ser reproduzido.

Então, para recordar ou ler em 1ª mão... dou a palavra à Patroa MJ!
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Terça-feira, Outubro 17, 2006


Desabafo...

Hoje estou mais azeda do que um limão verde. Não, não foi o vinagre da cabidela que comi ao almoço... Isso já teria passado com um anti-ácido qualquer.

Os professores estão em luta. Sou professora, logo estou em luta também. (Isto soou-me a exemplo de silogismo... :-)). Ao longo da minha vida, mais precisamente do meu percurso profissional, acreditei sempre nas lutas em que me envolvi. E, fazendo um flashback, reconheço que, através delas, consegui sempre algumas vitórias.

Hoje, pela primeira vez, sinto que estou a lutar ingloriamente. Perante a cegueira, a surdez, a insensibilidade e o autismo, é vão qualquer esforço para sermos vistos, ouvidos, compreendidos...
Então, se não acredito, o que me leva a lutar? A imensa revolta por me estarem a roubar o prazer de ensinar. Não há gritos e choros que, mesmo não apagando angústias, nos deixam mais leves por sentirmos que ainda nos resta essa "liberdade" de podermos usar a nossa voz e as nossas lágrimas?

A greve (ainda) é o nosso grito, ainda que ignorado por quem não nos quer ouvir.

Estamos a perder um dia de vencimento. Nos dias de hoje, é revoltante darmo-nos a esse "luxo".
Mas antes perdermos um bem material do que perdermos a diginidade que ainda nos resta.
posted by MJ at 17:44


1 Comments:

Jodi said...

Ser Professor… hoje!

Como é ingrata esta vida
Não por sentirmos pavor
Mas porque no dia-a-dia
Muito sofre o professor!

Aos alunos recebidos
Para cuidar e ensinar
Tratamos com mil carinhos
Conjugando o verbo amar.

O tempo diário com eles
É superior ao dos pais
Instruímos e educamos…
Não são relações banais!

Não bastava até aqui
Percorrer longas distâncias
Sem tempo para a família
Em dádiva às crianças

Gente menos correcta
Agredindo o professor
Invade a nossa escola
E provoca o desamor

E a nossa autoridade
Por alguns posta em causa
Dá lugar ao desespero
E ao desejo duma pausa!

Resta ainda ao professor
Mesmo com desconfiança
Assumir sua missão
Com rigor, perseverança!

Em função dos seus alunos
Viver a sua profissão
Dar um forte contributo
Pr’ o futuro da Nação!

18 Outubro, 2006 00:37


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Querida MJ, na altura não comentei... comento hoje. Enquanto Houver Professores, como tu, a Pah, o Alquimista, o Jodi... ainda há uma esperança para este Portugal... NÃO DESISTAM NUNCA!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 0


... fui esta Creada de Dentro desta Casa, em tempos de grande afluência, agora algo reservada aos olhares do Público em geral. É, agora, assim o entendeu a minha antiga Patroa, um local de Memórias e Saudade para os amigos mais íntimos que continuam por lá a reencontrar-se mesmo que seja para um simples Olá, estás bem?


Era de tal modo um prazer e uma alegria para mim trabalhar para esta Patroa - na foto acima durante um baile de Carnaval - e numa casa tão acolhedora, que me entretive lá em inúmeras tarefas desde receber Embaixadores e Reis estrangeiros no Hall, servir o chá e os bolos, levar visitas e cartas das Saletas para o Salão Principal, etc.. até à simples e derradeira tarefa de cada noite que era... fechar a porta e apagar a luz.

Também para dar bom aspecto e impressionar bem os visitantes, principalmente os estrangeiros que muito por lá apareciam, até Chineses, Japoneses e Russos, eu tentei sempre fazer boa sala a todos, nomeadamente com algumas fracas rimas que me vinham à cabeça na altura. Mas naquela casa não se faz distinção entre o Rei, o Alquimista, o Poeta, o Professor, o Trovador, o Sapateiro, o Padeiro, enfim recebi todos com as melhores maneiras, nem a Patroa me teria deixado lá ficar se assim não fosse.

De outras vezes teve a MJ a gentileza de publicar alguns versos meus de variegados estilos, no Salão de Festas Principal...

Também há por aí novos amigos que não frequentavam essa nobre Casa na altura e que estão curiosos por ter uma ideia do que por lá se passava...

Assim, inicio hoje uma nova rubrica "Enquanto Houve Tempo",
e irei fazendo umas mudanças daquela para esta casa, nomeadamente da muita tralha que lá deixei espalhada e talvez de algumas conversas entre mim, a Patroa e várias visitas da casa que muitas também se salientaram pelo brilho e humor dos comentários.
Por hoje, fecho a porta e apago a luz.


quinta-feira, 12 de abril de 2007

Mãe, já lá vão cinco anos...


É verdade, Mãezinha, já se passou tanto tempo depois daquela noite...

Vou-me sempre lembrando de ti todos os dias... e para mais agora que nas arrumações aqui em casa tenho encontrado muitos papéis, fotos, postais teus e a tia veio cá uns dias e andámos a ver roupas tuas para ela levar algumas. Tem de ir lá a um casamento em Évora e vai levar um saia-casaco teu.

Lembras-te de uma vez aquando de uns dias passados em Tróia, em 1992, entre a praia, Setúbal, o Ferry, os almoços de belo peixe grelhado na cidade ou por aqueles arredores? Havia um restaurante perto das Ruínas de Cetóbriga onde costumávamos ir e levávamos sempre os restos para alguns gatinhos que havia lá pelo complexo de Tróia.

Era Junho e calhou decorrer lá o Festróia, o festival anual de Cinema. No Encerramento do mesmo ia estar presente a Amália, que ambas amamos e que curiosamente nasceu no mesmo ano que tu (1920) e ainda partiu dois anos antes de ti.

Então lá fomos e assistimos ao descerrar de uma placa pela Amália, a quem também cumprimentámos, infelizmente não pude tirar uma foto desse momento.

De algumas fotos que tirei, aqui ficam duas, as únicas em que ficaste.



Aqui estavas a olhar a Amália, e também mais atrás o realizador José Fonseca e Costa cujo filho tinha sido teu aluno no Valsassina.



Como há tempos que não deves ouvir a Amália, isto julgo eu, que não sei se até não conversaram já lá onde estão... de qualquer modo trouxe uma canção dela para ouvirmos todas. Vais gostar de relembrar.

O Pai está um bocadinho trôpego, como deves calcular, mas lá vai sempre "lutando contra a maré" como ele diz... e à rua vai sempre de bengala. Felizmente a cabeça ainda trabalha melhor que muitas muito mais novas... ainda outro dia ao jantar disse as estações de combóio todas da Linha do Norte e os afluentes do Tejo, eu sei lá, e hoje "estabeleceu" que o número PI se chama assim, porque sendo interminável como irracional que é, começa no Paraíso e acaba no Inferno!...

O teu marido sempre foi destas ruminações... bem sabes o que foi cá em casa de engenhocas quando lhe deu para tentar conseguir o "moto perpétuo", com uns ímanes e umas bolas de metal que corriam numas calhas...

Ele e a Tia mandam beijinhos saudosos e eu também te deixo um grande beijinho, Mãe, e a canção da Amália.




Gaivota - Amália Rodrigues


quinta-feira, 5 de abril de 2007

LUGARES DA MINHA VIDA - I


AZULEJO EXISTENTE NO SALÃO DO TRANSATLÂNTICO ONDE SE EFECTUOU O MEU PRIMEIRO CASAMENTO.

(Este Azulejo foi-me gentilmente oferecido pelo Capitão do navio e, mediante uma magra alvíssara, estou disposta a emprestá-lo a nubentes que mo solicitem, com uma antecedência de 17 dias úteis).

(Foto Aspásia)


Marcha Nupcial
Mendelssohn
Int.: Gyros Quartet