segunda-feira, 14 de maio de 2007

Passagem da 2ª para a 3ª Classe - 1965

JÁ PASSARAM 42 ANOS? NÃO POSSO CRER, AINDA ME LEMBRO DE COPIAR O ENUNCIADO DO QUADRO!...
DE MODO QUE ENTREI PARA A 3ª CLASSE COM 7 ANOS EM OUTUBRO SEGUINTE... MAS PASSADOS POUCOS DIAS FIZ LOGO 8. FOI SEMPRE ASSIM - TODOS OS ANOS, NO INÍCIO DAS AULAS TODA A GENTE SE ADMIRAVA, EU TINHA SEMPRE UM ANO A MENOS... E ALTURA DEMAIS...




domingo, 13 de maio de 2007

A Poesia Sul-Americana Pós-Neruda continua Viva

Entardecer

TE ESPERARÉ...


Esperaré a que las hojas del otoño
se cansen de mirarme
hasta que las lunas se hagan de leche
y un río de miel se deshaga en mi boca

Esperaré tus ojos como ciego pájaro
en la noche silenciosa
tus manos para conocer los caminos
de mis futuras órbitas...

Esperaré porque se consume ya un fuego fatuo en la memoria
y me duele el cansancio de una larga tristeza
Te esperaré hasta el final de los finales
para hallar la muerte en la paz de tus entrañas

Porque no hallo otra cosa que nombrarte...
Porque no soy otra cosa que tu propio espejo
devolviéndose la imagen...

Esperaré porque en tus manos llega el aire
que me habita...
porque te has adueñado de mi absoluto presente
porque no existo sin tu vida
porque sin ti soy nada inhabitada

Te esperaré con el vientre lleno
de albahacas moradas
con un ramo de vientos en los ojos y una espiga dorada
arrodillada ante tu vidrio
para rezarte eternidades olvidadas

No haré otra cosa que esperarte, amor mío
hasta que se caiga el cielo y los astros se vuelvan a adorarte
porque llevas la sangre que necesito
para beberme la vida en tu cauce...

Te esperaré, te esperaré hasta que llegues
hasta el final de las lunas
para borrar los regresos y los adioses
para entregarte el universo
y que mi alma descanse
y jamás dejarte ir...


Zoé Jiménez Corretjer - PORTO RICO

(2001)

sábado, 12 de maio de 2007

RESUMO DA CONFERÊNCIA DE JORGE EDWARDS NO INSTITUTO CERVANTES (cont.)


Pablo Neruda e Jorge Edwards nos anos 50

De outra vez, ainda em Santiago, Neruda convidou Edwards para a sua casa na Isla Negra, para onde iriam no velho carro de Neruda. Mas logo à saída de Santiago, Neruda parou para ver uma ´feira da ladra´ (feria de las pulgas) que ali se fazia, pelo que Edwards pensou logo “por este andar não chegamos lá antes de 7 ou 8 horas”… nessa feira vendiam-se as coisas mais feias e incríveis, incluindo óculos partidos e dentaduras postiças! Não se sabia quem comprava tais objectos, mas lá percorreram o recinto até que Neruda viu uma grande corrente de ferro, suja, ferrugenta e com uns enormes elos, caída no chão. Cada elo da cadeia mais parecia uma roda de carro e a corente pesava várias toneladas. Neruda disse então “Temos de levar esta corrente para a Isla Negra! Quero pô-la no jardim!”
Edwards disse que isso era impossível pois o carro não podia com uma coisa tão grande e pesada. Neruda foi então ter com uns camionistas que ali andavam e contratou-os para levarem a corrente num camião. Assim partiram todos para a Isla Negra. Assim que lá chegaram, neruda disse aos camionistas: “Descarreguem a corrente aqui no jardim mas como a deixarem cair é que fica. Não a endireitem, não alinhem os elos. Quero que fique como cair do camião para o chão.” E os homens assim fizeram.

Edwards percebeu que a corrente tinha pertencido a um navio, e dada a grande ligação de Neruda ao mar, como se pode ver em muitos dos seus poemas, compreendeu que Neruda quis ter a corrente no jardim porque ela “tinha pertencido” ao mar, ela representava, desordenada, ferrugenta e suja, a luta que tinha travado contra a força e rebeldia do mar.

Mas da última vez que foi à Isla Negra, já depois da morte de Neruda, Edwards viu que a corrente fora limpa e colocada em círculo, pelos jardineiros, a fazer de limite de um canteiro! Perdendo assim todo o significado poético alusivo ao mar que Neruda tinha visto nela. Desordenada e ferrugenta como tinha vindo do mar, a corrente representava para Neruda o próprio mar…

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Bem, meus meninos/as, então aqui fica a reportagem. Para a outra vez anuncio coisas destas com mais antecedência para vocês irem ao vivo, que eu não sou o Repórter X!


Poema 18 de "20 Poemas de Amor y una Canción Desesperada", lido por Neruda

quinta-feira, 10 de maio de 2007

RESUMO DA CONFERÊNCIA DE JORGE EDWARDS NO INSTITUTO CERVANTES


O escritor Chileno Jorge Edwards trouxe a Lisboa
as suas recordações do Amigo Pablo Neruda


(A pedido de várias famílias, vou tentar escrever o que me ficou na cabeça...)

Depois de uma breve apresentação feita pelo Director do ICL, e de algumas considerações sobre a vida política e literária do Conferencista convidado feitas por José Carlos Vasconcelos, Jorge Edwards, Prémio Cervantes 1999 tomou a palavra.
Falando em Espanhol com sotaque chileno, naturalmente, o Conferencista começou por recordar os seus primeiros contactos com a Literatura Portuguesa através do convívio com Ruben Braga, Jorge Amado e Vinicius de Morais no Rio de Janeiro.
Jorge Edwards, de ideais políticos de esquerda, foi Embaixador do Chile em Cuba.
O seu primeiro contacto com as Letras Portuguesas foi através da obra de Fernando Pessoa, sobre o qual foi o primeiro a escrever um artigo em 1957, antes de Octávio Paz que também escreveu sobre Pessoa.
Na altura, em Santiago do Chile, havia um funcionário da Câmara chamado Fernando Pezoa, pelo que toda a gente perguntava a Jorge Edwards porque escrevia sobre um indivíduo que nunca tinha escrito coisa alguma… Edwards tinha de explicar que o Pessoa em questão se escrevia com dois “ss” e era Português, mas alguém numa conferência nesse tempo lhe disse que também queria saber o que o “Pezoa Municipal” tinha escrito…

Com cerca de 21 anos, Edwards conheceu Pablo Neruda. Entretanto Neruda com 24 anos e anteriormente já tinha escrito “20 Poemas de Amor y Una Canción Desesperada” e depois ainda escreveria “Los Poemas del Capitán”, "Canto general" e “Residência en la Tierra “.

Passou depois a contar várias história curiosas sobre Neruda, (vamos lá ver se ainda me lembro).

Quando Neruda foi Embaixador do Chile na Birmânia, conheceu uma jovem birmanesa chamada Josie Biss, mas que ao pé dos estrangeiros dizia que o apelido era Bliss (êxtase). No início do relacionamento, Neruda tinha algum receio da senhora, porque era dada a práticas esotéricas, rezas estranhas, etc.. De dia andava vestida à ocidental, mas à noite vestia-se de birmanesa e andava pela casa onde então moravam, com rezas e incensos, etc.. Além disso começou a ser muito ciumenta, zangando-se com Neruda, que como Embaixador tinha de ir a muitas reuniões, recepções, etc.. De modo que a coisa foi piorando e uma noite quando Neruda acordou, andava ela em círculos à volta da cama, com uma faca na mão!
Neruda então sem nada lhe dizer, pediu para ser transferido como Embaixador para Colombo, capital do Ceilão (actual Sri-Lanka).
Assim, uma manhã, despediu-se da Josie como de costume, sem nada levar além de uma mala pequena, como se fosse para a Embaixada, mas em vez disso foi apanhar um navio para o Ceilão. Tinha deixado uma carta para Josie em sítio onde ela levasse algum tempo a encontrá-la.
Durrante a viagem aproveitou então para escrever o poema “Tango del Viúdo”, dedicado a Josie.

No fragmento abaixo de Tango del viudo (Tango do viúvo) percebe-se o sofrimento infinito do eu-lírico:

Oh, maligna, ya habrás hallado la carta, ya habrás llorado de fúria
y habrás insultado el recuerdo de mim madre
llamándola perra podrida e madre de perros,
ya habrás bebido sola, solitaria, el té del atardecer
mirando mis viejos zapatos vacíos para siempre, (...)
Maligna, la verdad, qué noche tan grande, qué tierra tan sola!
He llegado otra vez a los dormitorios solitarios,
a almorzar en los restaurantes comida fria, y otra vez
tiro al suelo los pantalones y las camisas,
no hay perchas em mim habitación, ni retratos de nadie en las paredes.
Cuánta sombra de la que hay en mi alma daria por recobrarte,
y qué amenazadores me parecen los nombres de los meses,
y la palabra invierno qué sonido de tambor lúgubre tiene.

(Oh maligna, já terás achado a carta, já terás chorado de fúria / e terás insultado a memória de minha mãe, / chamando-a de cadela suja e mãe de cachorros, / já terás tomado sozinha, solitária, o chá do entardecer / a espiar os meus velhos sapatos vazios para sempre (...)
Maligna, em verdade, que noite tão grande, que terra tão só! / Cheguei mais uma vez aos dormitórios solitários, / a almoçar comida fria nos restaurantes, e uma vez ainda / atiro no chão as calças e as camisas, / não há cabides no meu quarto, nem retrato de ninguém nas paredes. / Quanta sombra da que existe em minha alma não daria para recobrar-te, / e que ameaçadores me parecem os nomes dos meses, / e a palavra inverno tem um som de tambor lúgubre.)

Meses depois, já em Colombo, estando um dia na varanda, Neruda viu chegar uma grande camioneta de mudanças para a casa em frente… começaram a descarregar e ele começa a ver objectos que lhe eram conhecidos… até que desce também uma senhora vestida de birmanesa… a Josie tinha descoberto onde ele estava e tinha alugado a casa em frente para continuar a vigiá-lo!


(continua)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Recordar Neruda hoje em Lisboa




INSTITUTO CERVANTES DE LISBOA

(R. de Santa Marta )

Conferência. José Carlos Vasconcelos y Jorge Edwards.

"Reencuentro con Pablo Neruda" - 09/05/2007 - 18:30H

El galardonado escritor, cronista y diplomático chileno, Jorge Edwards, cuya amplia trayectoria literaria le permitió obtener el Premio Cervantes en 1999, nos ofrecerá en esta conferencia la narración de su vívida y próxima relación de veinte años de amistad personal con el Neruda íntimo, yendo más allá de la emblemática figura de este gigante de la literatura universal.... (do programa de Actividades do IC)


segunda-feira, 7 de maio de 2007

DEDICADO À CRISTINA SEABRA

MEUS AMIGOS

ACHO MUITO IMPORTANTE ESTE POST DA NOSSA AMIGA CRISTINA. POR ISSO PUS UM LINK NO MURCON E PONHO AQUI TAMBÉM.

TODOS TÊM OS SEUS PROBLEMAS... MAS SE CALHAR UNS MAIS QUE OUTROS...
PORTUGAL É UM PAÍS LIXADO!!! UMA PESSOA COMO A CRISTINA NÃO ARRANJA EMPREGO... MAS AÍ OS "JOBS FOR THE BOYS" ESTÃO CHEIOS DE CRETINOS...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

LUGARES DA MINHA VIDA - II


NESTA COSINHA TRABALHEI COMO AGUADEIRA, VINHATEIRA, DESCASCADORA DE ERVILHAS DE QUEBRAR, DESENFORMADORA DE PUDINS DO ABADE DE PRISCOS, ESPEVITADORA DO LUME DE CHÃO E ESPANTADORA DE MOSCAS E MOSQUITOS.
FUI DESPEDIDA NO DIA EM QUE CAÍ DENTRO DO PURÉ DE ERVILHAS E SUA ALTEZA SE ENGASGOU COMIGO AO COMER A SOPINHA!!!

NOTAS HISTÓRICAS:
i) A TIGELA DE SUA ALTEZA LEVAVA 10 LITROS.
ii) EM FUNDO ESTAMOS A OUVIR UM REGISTO SONORO EM ROLO DE SEBO, DO RUÍDO AMBIENTE QUOTIDIANO, NESTA COSINHA, NO SÉC.XVI.



NESTA TRAVESSA TRABALHEI COMO PADEIRA, MAS TINHA POUCA PRÁTICA. COMO LEVAVA MUITO TEMPO A AMASSAR, LEVEDAR, MOLDAR, COZER, ETC., SÓ VENDIA PÃO FRESCO ÀS TERÇAS, QUINTAS E SÁBADOS. ASSIM, QUANDO OS FREGUESES CHEGAVAM A CASA, COMO O PÃO TINHA LEVADO DOIS DIAS A FAZER, JÁ TINHA BOLOR, DE MODO QUE REGRESSAVAM ÀS SEGUNDAS, QUARTAS E SEXTAS PARA O DEVOLVER. ERA UM TRABALHO MUITO PESADO E TINHA SEMPRE A CASA CHEIA (DE IMPROPÉRIOS)...
FELIZMENTE AOS DOMINGOS FECHAVA, PARA DESCANSO DOS BRAÇOS... E DAS PE(R)NICILINAS.







terça-feira, 1 de maio de 2007

OUTROS BISCATES QUE TIVE...


MAIS TARDE ARRANJEI VÁRIOS OUTROS BISCATES, A SABER: DANÇARINA DE CABARET, TRACTORISTA, PIZZAGIRL E POSADORA PARA FOTOS DE CATÁLOGOS DE TURISMO RURAL ;))).....

TODAS AS PROFISSÕES SÃO DIGNAS!


Santa Susana, Redondo - 1976


Meus caros Amigos, estamos no Dia do Trabalhador, assim aproveito para relembrar os tempos em que trabalhei como Almocreve (na senda de meu Bisavô paterno Francisco António).

Como podem ver, jeito não me faltava e como sempre gostei muito de burros sentia-me à vontade... mas o ordenado era fraquito... de modo que tive de procurar outro emprego.
TODAS AS PROFISSÕES SÃO DIGNAS,
O IMPORTANTE É CADA UM AMAR O SEU TRABALHO...
INCLUINDO AQUELES QUE NADA FAZEM!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Vinte Versos Sem Abrigo



Era um pobre coitado,
esfomeado, esfarrapado.

Vivia em qualquer lado,
quase sempre embriagado.

Fumava, de olhar parado,
um cigarro já fumado.

Dormia, muito enrolado
em cartão, no empedrado.

Certas noites, acordado,
olhava o céu estrelado.

Um dia, foi apanhado
a roubar no hipermercado.

Para a esquadra foi levado
por um guarda avantajado.

Estava devedor ao Estado;
ficou, pois, engaiolado.

Para não morrer de enfado,
lia um jornal atrasado.

Cumprido o mês estipulado,
lá saiu, desengonçado.

Mas nada tinha mudado,
e voltou ao mesmo fado.

Vagueou, desinteressado,
vendo chover no molhado.

Já noite, parou, cansado
e abrigou-se num beirado.

Do frio anestesiado,
escorregou, ficou deitado.

No silêncio enevoado,
divisou um embuçado.

“Pode arranjar-me um trocado?”
- perguntou, num tom cantado.

O vulto tinha parado
e olhava-o, apiedado.

“Pode arranjar-me um trocado?”
- repetiu, esperançado.

Sobre o rosto levantado,
recebeu um bafo gelado.

E caiu, morto, de lado,
sussurrando: “Obrigado”.
Aspásia



quarta-feira, 25 de abril de 2007

HORIZONTE PERDIDO


33 ANOS NAVEGANDO EM ÁGUAS TURVAS...
O IDEAL CADA VEZ MAIS PERDIDO NO HORIZONTE.
PODIA ANDAR EM RECTA, MAS PERDE O TEMPO ÀS CURVAS...
25 DE ABRIL? É SÓ NOME DE PONTE...
UNS PEDEM ESMOLA, ALGUNS BAIXAM A FRONTE,
MUITOS VIVEM PR´À BOLA... E O RESTO ANDA A MONTE!

33 ANOS


33 ANOS... PARA QUÊ?
OS IDEAIS DE ABRIL FORAM ABATIDOS.

ESTE É UM PAÍS CRUCIFICADO E O PROBLEMA É QUE NÃO VAI RESSUSCITAR AO 3º DIA...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 1


Margarida ensina a ler as meninas da aldeia - (As Pupilas do Sr. Reitor)
(Imagem escolhida por Aspásia)


Caros MJ, EnquantHouveTempistas e demais interessados...

Finalmente, consigo hoje dar início às mudanças do Enquanto Houver Tempo aqui para o Jardim, agora que começa a Primavera e já se pode estar aqui ao ar livre... :)

Esta Recordação é dedicada especialmente aos Professores que conheci no E.H.T.: além da autora MJ, a PAH NÃ SEI, O ALQUIMISTA e o JODI (de momento não me recordo de mais).

Apesar de eu mesma não ter comentado neste antigo Post da Mestra MJ, acho importante relembrá-lo, pois continua perfeitamente actual.

Como é difícil hoje em dia ser Professor... como vão longe os tempos das Pupilas do Sr. Reitor... hoje, na Escola, MATA-SE !!! Como sucedeu há poucos dias nos EUA...
Por cá ainda não se mata... espero que nunca suceda... mas o Professor muitas vezes é uma das vítimas preferenciais da nossa sociedade, em que a dificuldade das condições de trabalho tantas vezes gera o cansaço e a frustração, quando não mesmo a desistência e a doença...

Também escolhi recordar este Post pois há os que não conheciam a MJ nesse Tempo, Quando Ainda o Havia... e foi neste Post que surgiu o 1º Poema!!! (do Jodi) aparecido nos Comentários e que também acho importante ser reproduzido.

Então, para recordar ou ler em 1ª mão... dou a palavra à Patroa MJ!
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Terça-feira, Outubro 17, 2006


Desabafo...

Hoje estou mais azeda do que um limão verde. Não, não foi o vinagre da cabidela que comi ao almoço... Isso já teria passado com um anti-ácido qualquer.

Os professores estão em luta. Sou professora, logo estou em luta também. (Isto soou-me a exemplo de silogismo... :-)). Ao longo da minha vida, mais precisamente do meu percurso profissional, acreditei sempre nas lutas em que me envolvi. E, fazendo um flashback, reconheço que, através delas, consegui sempre algumas vitórias.

Hoje, pela primeira vez, sinto que estou a lutar ingloriamente. Perante a cegueira, a surdez, a insensibilidade e o autismo, é vão qualquer esforço para sermos vistos, ouvidos, compreendidos...
Então, se não acredito, o que me leva a lutar? A imensa revolta por me estarem a roubar o prazer de ensinar. Não há gritos e choros que, mesmo não apagando angústias, nos deixam mais leves por sentirmos que ainda nos resta essa "liberdade" de podermos usar a nossa voz e as nossas lágrimas?

A greve (ainda) é o nosso grito, ainda que ignorado por quem não nos quer ouvir.

Estamos a perder um dia de vencimento. Nos dias de hoje, é revoltante darmo-nos a esse "luxo".
Mas antes perdermos um bem material do que perdermos a diginidade que ainda nos resta.
posted by MJ at 17:44


1 Comments:

Jodi said...

Ser Professor… hoje!

Como é ingrata esta vida
Não por sentirmos pavor
Mas porque no dia-a-dia
Muito sofre o professor!

Aos alunos recebidos
Para cuidar e ensinar
Tratamos com mil carinhos
Conjugando o verbo amar.

O tempo diário com eles
É superior ao dos pais
Instruímos e educamos…
Não são relações banais!

Não bastava até aqui
Percorrer longas distâncias
Sem tempo para a família
Em dádiva às crianças

Gente menos correcta
Agredindo o professor
Invade a nossa escola
E provoca o desamor

E a nossa autoridade
Por alguns posta em causa
Dá lugar ao desespero
E ao desejo duma pausa!

Resta ainda ao professor
Mesmo com desconfiança
Assumir sua missão
Com rigor, perseverança!

Em função dos seus alunos
Viver a sua profissão
Dar um forte contributo
Pr’ o futuro da Nação!

18 Outubro, 2006 00:37


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Querida MJ, na altura não comentei... comento hoje. Enquanto Houver Professores, como tu, a Pah, o Alquimista, o Jodi... ainda há uma esperança para este Portugal... NÃO DESISTAM NUNCA!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Enquanto Houve Tempo... - Nº 0


... fui esta Creada de Dentro desta Casa, em tempos de grande afluência, agora algo reservada aos olhares do Público em geral. É, agora, assim o entendeu a minha antiga Patroa, um local de Memórias e Saudade para os amigos mais íntimos que continuam por lá a reencontrar-se mesmo que seja para um simples Olá, estás bem?


Era de tal modo um prazer e uma alegria para mim trabalhar para esta Patroa - na foto acima durante um baile de Carnaval - e numa casa tão acolhedora, que me entretive lá em inúmeras tarefas desde receber Embaixadores e Reis estrangeiros no Hall, servir o chá e os bolos, levar visitas e cartas das Saletas para o Salão Principal, etc.. até à simples e derradeira tarefa de cada noite que era... fechar a porta e apagar a luz.

Também para dar bom aspecto e impressionar bem os visitantes, principalmente os estrangeiros que muito por lá apareciam, até Chineses, Japoneses e Russos, eu tentei sempre fazer boa sala a todos, nomeadamente com algumas fracas rimas que me vinham à cabeça na altura. Mas naquela casa não se faz distinção entre o Rei, o Alquimista, o Poeta, o Professor, o Trovador, o Sapateiro, o Padeiro, enfim recebi todos com as melhores maneiras, nem a Patroa me teria deixado lá ficar se assim não fosse.

De outras vezes teve a MJ a gentileza de publicar alguns versos meus de variegados estilos, no Salão de Festas Principal...

Também há por aí novos amigos que não frequentavam essa nobre Casa na altura e que estão curiosos por ter uma ideia do que por lá se passava...

Assim, inicio hoje uma nova rubrica "Enquanto Houve Tempo",
e irei fazendo umas mudanças daquela para esta casa, nomeadamente da muita tralha que lá deixei espalhada e talvez de algumas conversas entre mim, a Patroa e várias visitas da casa que muitas também se salientaram pelo brilho e humor dos comentários.
Por hoje, fecho a porta e apago a luz.


quinta-feira, 12 de abril de 2007

Mãe, já lá vão cinco anos...


É verdade, Mãezinha, já se passou tanto tempo depois daquela noite...

Vou-me sempre lembrando de ti todos os dias... e para mais agora que nas arrumações aqui em casa tenho encontrado muitos papéis, fotos, postais teus e a tia veio cá uns dias e andámos a ver roupas tuas para ela levar algumas. Tem de ir lá a um casamento em Évora e vai levar um saia-casaco teu.

Lembras-te de uma vez aquando de uns dias passados em Tróia, em 1992, entre a praia, Setúbal, o Ferry, os almoços de belo peixe grelhado na cidade ou por aqueles arredores? Havia um restaurante perto das Ruínas de Cetóbriga onde costumávamos ir e levávamos sempre os restos para alguns gatinhos que havia lá pelo complexo de Tróia.

Era Junho e calhou decorrer lá o Festróia, o festival anual de Cinema. No Encerramento do mesmo ia estar presente a Amália, que ambas amamos e que curiosamente nasceu no mesmo ano que tu (1920) e ainda partiu dois anos antes de ti.

Então lá fomos e assistimos ao descerrar de uma placa pela Amália, a quem também cumprimentámos, infelizmente não pude tirar uma foto desse momento.

De algumas fotos que tirei, aqui ficam duas, as únicas em que ficaste.



Aqui estavas a olhar a Amália, e também mais atrás o realizador José Fonseca e Costa cujo filho tinha sido teu aluno no Valsassina.



Como há tempos que não deves ouvir a Amália, isto julgo eu, que não sei se até não conversaram já lá onde estão... de qualquer modo trouxe uma canção dela para ouvirmos todas. Vais gostar de relembrar.

O Pai está um bocadinho trôpego, como deves calcular, mas lá vai sempre "lutando contra a maré" como ele diz... e à rua vai sempre de bengala. Felizmente a cabeça ainda trabalha melhor que muitas muito mais novas... ainda outro dia ao jantar disse as estações de combóio todas da Linha do Norte e os afluentes do Tejo, eu sei lá, e hoje "estabeleceu" que o número PI se chama assim, porque sendo interminável como irracional que é, começa no Paraíso e acaba no Inferno!...

O teu marido sempre foi destas ruminações... bem sabes o que foi cá em casa de engenhocas quando lhe deu para tentar conseguir o "moto perpétuo", com uns ímanes e umas bolas de metal que corriam numas calhas...

Ele e a Tia mandam beijinhos saudosos e eu também te deixo um grande beijinho, Mãe, e a canção da Amália.




Gaivota - Amália Rodrigues


quinta-feira, 5 de abril de 2007

LUGARES DA MINHA VIDA - I


AZULEJO EXISTENTE NO SALÃO DO TRANSATLÂNTICO ONDE SE EFECTUOU O MEU PRIMEIRO CASAMENTO.

(Este Azulejo foi-me gentilmente oferecido pelo Capitão do navio e, mediante uma magra alvíssara, estou disposta a emprestá-lo a nubentes que mo solicitem, com uma antecedência de 17 dias úteis).

(Foto Aspásia)


Marcha Nupcial
Mendelssohn
Int.: Gyros Quartet

sábado, 31 de março de 2007

MARIA JOÃO... SÊ!

BE - JONATHAN LIVINGSTON SEAGULL

AMIGA

SÊ FELIZ NA TUA NOVA GRANDE VIAGEM.

DEIXAS MUITOS AMIGOS SAUDOSOS NESTE PEQUENO MUNDO ONDE NOS CONHECEMOS.

PARA MIM NÃO É UM ADEUS. CLARO QUE PARA TI TAMBÉM NÃO.

FICO CONTENTE POR EMPREENDERES NOVO VÔO A DESCOBRIR NOVAS E BELAS PAISAGENS NA TUA VIDA.

REVISITAREI A TUA CASA ONDE DEIXEI MUITAS MEMÓRIAS... MINHA RICA PATROA!!! ;)

APANHAREI AQUI E ALI INSTANTÂNEOS TEUS OU MEUS OU DOS NOSSOS AMIGOS QUE CONSIDERE MAIS SIGNIFICANTES E TRÁ-LOS-EI AQUI À MEMÓRIA DE TODOS.

TAMBÉM TE ESPERO AQUI... SEMPRE QUE TENHAS UM BOCADINHO, DESCANSA UM POUCO AS ASAS NO RAMO DA MINHA ROMÃZEIRA.

BOA VIAGEM E ATÉ SEMPRE.

FICO ESPERANDO O DIA DE TE ABRAÇAR AQUI EM LISBOA.

ALGUMAS LÁGRIMAS EMOCIONADAS...

UM BEIJO ENORME.

terça-feira, 27 de março de 2007

DIA do TEATRO
(e da Francofonia)

Caros Blogospectoauditores, hoje é Dia Mundial do Teatro. Por falta de tempo e condições físicas e tecnológicas, faz-se neste Aspasium Teatrum a reposição de uma peça, estreada no "Flauta de Pã" e ainda incompleta... como a Sinfonia de Schubert, mas nada tendo a ver com esta...

A Visita do Teclado ou As Desventuras de um Teclado Impotente contra a sua Triste Sorte

(Sobe o Pano)


Propaganda Disfarçada à Casio (recebo 30% comissão)

EIS A VÍTIMA...


Minitragicomédia quase musical em 1 Acto e n Quadros (a determinar)

Personagens e Intérpretes

Eu – Eu
Meu Pai – Meu Pai
O Teclado – O Próprio
Um Inoportuno – Anónimo
A Vizinha do 2º E – A Vizinha do 2ºE


Lugar da Acção: Lisboa
Tempo da mesma: Domingo à Tarrrrrrdjiiiiiii……

ACTO ÚNICO

1º (Triste) Quadro


Eu - (chego a casa do meu Pai com o novo Keyboard debaixo do braço para fazermos uns ensaiozitos keyboard-violino).

TRRRRIIIIIIMMMMM!!!!

(CRRRAAAC CRRRAAAC – UUUUIIIIIIMMMMMM (ranger); meu Pai abre a porta).

Eu – Olá Pai, cá estou eu. Espere, ponha-me ali este saco que eu trago aqui outra coisa.

Meu Pai – Mas que diabo é isso ?

Eu - Então, é o teclado que já lá esteve a tocar outro dia quando eu estava pior e foi lá. (Aparte - como o meu Pai sabe música e toca violino que é dificílimo, depois amanha-se nos outros instrumentos, como o piano, a viola, a harmónica (esta bastante bem), a flauta, o berimbau as castanholas e o apito de árbitro, que são os principais que eu tenho em casa. A campainha da porta em geral desligo, para os das Dicas e Clixes não me acordarem se estiver a dormir. Também há um cordofone do Togo ou do Mali, mas esse está à espera de ir afinar ao Capella (filho) a quem meu pai há 2 anos vendeu um violino que tinha, fabricado pelo Capella (Pai). O filho, naturalmente entendeu por bem recuperar para a família Capella uma obra do Pai dele, acho muito bem. Até nem lhe saiu caro, que o meu Pai é tudo menos ganancioso. – Fim do Aparte)

MP- Ó filha tu não és boa da cabeça!!! Então trazes para aqui esse monstro sabendo que nesta casa não há lugar para nada? E ainda por cima estás com esse diabo de tosse…

Eu - Tenha calma, tenha calma… olhe, vá lanchando enquanto eu instalo isto ali na casa de jantar. (Aparte – como não trouxe o pername do teclado, improviso um na casa de jantar, com um carrinho de chá desengonçado e o radiador a óleo encostados. Um tapete em cima, depois o keyboard e já está. Chiça, isto abana tudo mais que uma gelatina, vamos lá ver se consigo tocar… mas ao apoiar-me numa prancha de madeira que está presa a uma estante pelo peso de um monitor dos tempos de Max Planck, e a qual por sua vez sustenta o teclado (de PC) do mesmo, PUMBA! Lá cai aquela tralha toda, a prancha, o teclado do PC, uma data de dossiers, folhas soltas, recortes de jornal, postais, lápis, canetas, borrachas e outra parafernália que o meu Pai tem sempre à mão. Precisamente neste interim chega ele à casa de jantar. Eu rio e tusso como uma perdida.)

MP (zangado) - Valha-me Deus! (apesar de ser ateu) Olha o que fizeste! Quem te mandou trazer essa porcaria cá para casa? Tenho cá as minhas coisas organizadas, tem tu as tuas lá em tua casa, não me venhas para aqui estragar as minhas!!!

Eu (enquanto vou apanhando umas folhas e para ver se ele se entretem) – Olhe, veja lá estas se ainda são precisas. Deixe lá que eu já ponho isto tudo como estava. (Coloco a prancha no sítio). Mas para que diabo são aqui estes dois pregos tão grandes aqui espetados? Ainda se magoa com isto.

MP - Deixa estar isso que é para segurar o tapete do rato, senão cai, porque a prancha está inclinada. Eu tenho tudo feito com inteligência e cá à minha maneira, e está tudo sempre bem, quando cá vens é que está tudo sempre mal… Ele há-de estar aí um cartão grosso que tapa isso para eu pôr aí o pulso.
(Por artes mágicas, um cartão que estava também pregado à madeira, mas se tinha dobrado, voltando a pôr-se na posição inicial, tapa de facto os pregos. Entretanto já se passou meia-hora e ainda não tocámos nada…)

O Teclado - (rangendo as teclas pretas: - finalmente entro em cena, que diabo de mãos e de casas onde eu vim cair!!!... Eu que sonhava ser acariciado pela Diana Krall no Pavilhão Sony!… ai, ai… Que barafunda esta! Até fico em “Split Automático” - (personalidade claramente esquizóide)...



(à suivre... peutêtre) - Note-se que hoje também é o Dia da Francofonia... por isso temos estado a escutar "Ah Vous Dirai-je, Maman", canção tradicional Francesa, a partir da qual Mozart compôs estas 12 Variações K265.

* * * Para ver o seguinte excerto da música (tema), terá de instalar no seu PC (através de Painel de Controle - Tipos de Letra) os tipos de fontes musicais MusiQwik * * *


'=&=2=R===R!=V===V!==W===W=!=f===!=U===U!==T===T=!=S===S!=b==!
dó dó sol sol lá lá sol fá fá mi mi ré ré dó

12 Variações para Piano K 265 sobre

"Ah! Vous Dirai-je Maman"

W. A. Mozart

(Piano: Paul Copeland)



Ah ! Vous dirai-je, Maman,
Ce qui cause mon tourment ?
Depuis que j'ai vu Silvandre,
Me regarder d'un air tendre ;
Mon cœur dit à chaque instant :
« Peut-on vivre sans amant ? »

L'autre jour, dans un bosquet,
De fleurs il fit un bouquet ;
Il en para ma houlette (*)
Me disant : « Belle brunette,
Flore est moins belle que toi ;
L'amour moins tendre que moi. »

« Étant faite pour charmer,
Il faut plaire, il faut aimer.
C'est au printemps de son âge
Qu'il est dit que l'on s'engage ;
Si vous tardez plus longtemps,
On regrette ces moments. »

Je rougis et par malheur
Un soupir trahit mon cœur.
Sylvandre, en amant habile,
Ne joua pas l'imbécile :
Je veux fuir, il ne veut pas
Jugez de mon embarras.

Je fis semblant d'avoir peur.
Je m'échappai par bonheur ;
J'eus recours à la retraite,
Mais quelle peine secrète
Se mêle dans mon espoir,
Si je ne puis le revoir !

Bergères de ce hameau, (**)
N'aimez que votre troupeau ;
Un berger, prenez-y garde,
S'il vous aime, vous regarde
Et s'exprime tendrement,
Peut vous causer du tourment.


(*) - Enfeitou o meu cajado.
(**) - Aldeia, lugarejo.

A Ervilha de Cheiro

Ervilha de Cheiro - Sweet Pea
(Dedicado à Helena Maria - uma "Sweet Pea"!)

A Ervilha é bem pequenina
muito verde e redondinha...
O verde é a cor da Esperança
e redondinha é também
a cara de uma criança!

A Ervilha na ervilheira
diz que já está a murchar...
mas uma chuva ligeira
vai regá-la lá na leira
vai fazê-la verdejar!!!

Ervilhinha, sonha ainda
porque é preciso sonhar...
se essa dor não dás por finda,
transforma-a numa flor linda
pr´à Primavera beijar!

Aspásia 07.3.27

quarta-feira, 21 de março de 2007

PARA MIM, APENAS 4ª FEIRA, 21 DE MARÇO DE 2007

DIA DA PRIMAVERA E DA POESIA, É VERDADE...

MAS MUITAS TAREFAS E MUITO CANSAÇO QUE ME OBRIGOU A DEITAR-ME E DORMIR QUANDO CHEGUEI A CASA, ME IMPEDIRAM DE TRAZER AQUI ALGO MAIS QUE ESTE LINK, PELO QUE PEÇO LICENÇA A ESTA LETICIA THOMSON, QUE ACABO DE DESCOBRIR E A QUEM DOU OS PARABÉNS PELO BONITO SITE.


A PRIMAVERA DE LETICIA

ESPERO QUE O VOSSO DIA TENHA SIDO MELHOR QUE O MEU.

BEIJINHOS

segunda-feira, 19 de março de 2007

DIA DO PAI



O meu Pai e eu cerca de 1964




Trabalho para o Dia do Pai 1965



Já passaram tantos anos,

tantos dias, tantas dores,

tantos lutos, desenganos,

tantos projectos e planos,

alguns momentos melhores.



Foram-se os Tios e a Mãe

foram-se Amigos e Avós,

foi-se também minha Irmã...

Pai, só espero que amanhã

ainda restemos nós.


Aspásia 07

Costa da Caparica, 1975



Lisboa, 2006



La Campanella
Paganini, o Compositor e Violinista preferido do meu Pai.

Int.:AlexanderTomescu (Romania)

quinta-feira, 15 de março de 2007

FIGURANTES CLANDESTINAS NO IMPÉRIO ROMANO DA ALAMEDA


OH, TERESAAAAAA!!! ENTÃO A GENTE ESFALFOU-SE A FAZER FIGURAÇÃO NAQUELE DOMINGO (4 MARÇO) NO CAFÉ IMPÉRIO, ENTRE AQUELES MANIPANÇOS TODOS... E NINGUÉM NOS PAGOU!!! SÓ NOS OFERTARAM UM PARCO LANCHE...

PRINCIPALMENTE TU, COMO CENTURIÃ DAS LEGIÕES DO CALÍGULA NA GÁLIA, TINHAS DIREITO A UMA SAQUILADA DE ÓBOLOS, A UMA TÚNICA E SANDÁLIAS NOVAS, BEM COMO A UM EXEMPLAR DE "DE BELLUM GALLICO"!!!

E EU TINHA DIREITO A METADE DO BAÚ DO TESOURO DO PIRATA! MAS DISTRAÍ-ME COM OS PIROPOS DO DIACHO DO PAPAGAIO... TAMBÉM COMO SÓ ME SAEM AVIS RARAS, JÁ NEM ESTRANHO...

OLHA FILHA TEMOS É DE VOLTAR LÁ E REIVINDICAR O QUE É NOSSO POR ROMANICUS JURIS !!!

RES NON VERBA !!!

AVE CALIGULA CREDITURI TE SALUTANT !!!

MAS LÁ QUE FOI UMA TARDE BEM PASSADA E UMA BELA DESCOBERTA MÚTUA, ISSO FOI, TERESA! ISSO JÁ NINGUÉM NOS TIRA, NEM A CAESONIA, MULHER DE CALÍGULA...


ODE PELAS TROMPAS DE CALÍGULA (NÃO CONFUNDIR COM AS DE EUSTÁQUIO - MELHOR: PROTEGER AS DE EUSTÁQUIO!!!)

PARABÉNS... VISITA 6000 !!! ESCOLHA O SEU BRINDE!!!

A VISITA 6000
O JARDIM DE ASPÁSIA
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MEU/MINHA CARO/A VISITANTE 6000:

COMO VEJO QUE CARECE DE RELÓGIO...(VISTO QUE O SEU VISITOR´S TIME É IGNOTO) TENHO IMENSO GOSTO EM OFERECER-LHE UM DESTES DOIS MODELITOS À SUA ESCOLHA !!! E VOLTE SEMPRE... MAS A HORAS...

Modelo 1

Modelo 2

COMO TAMBÉM POR OUTRO LADO NÃO SABE QUE LÍNGUA FALA, AQUI FICA UM CURSINHO MULTILINGUE DO MUZZY!!! EU HOJE ESTOU UMA MÃOS LARGAS... (NÃO, EU NÃO DISSE UMA LÍNGUAS LARGAS...)


terça-feira, 13 de março de 2007

À MARIA JOÃO


Tu és frondosa frescura
és árvore amiga e doce
tu és fonte de água pura
à tua sombra segura
a flor mais fraca abrigou-se.

Teus ramos como teus olhos
são verdes da cor da esperança
se às vezes pisas abrolhos
logo se mudam em molhos
de flores de confiança.

És Maria Poesia
és João Bom Coração
os Amigos cada dia
animas com simpatia
e terna dedicação.

Por isso quero oferecer-te
um perfume a rosa-chá
um beijo por bemquerer-te
e uma canção a dizer-te
que és o meu jacarandá!

Aspásia 07

quinta-feira, 8 de março de 2007

DIA DA MULHER... SIM, MAS QUE MULHER?

DESTA É QUE NÃO DEVE SER...



MULHER CRISTÃ IDOSA ENTRANDO NUMA IGREJA DE PEDRA - LALIBELA, ETIÓPIA

sábado, 3 de março de 2007

Eclipse Total

Luna Black


Brilhas todas as semanas
Eu no Céu bem te conheço.
Mas quando és falsa e enganas,
Eu, como tu, escureço.

Pão, amores e cabanas
Já pedi, mas já não peço.
Com a verdade me enganas
Com a mentira te esclareço.


Aspásia


VENHA AO OAL OBSERVAR O ECLIPSE TOTAL DA LUA - DIA 3 DE MARÇO

No dia 3-4 de Março (próximo Sábado), ocorrerá um dos fenómenos astronómicos mais mediáticos, o Eclipse Total da Lua. A grandeza deste eclipse será de 1,238, considerando o diâmetro da Lua como a unidade. O início da fase total do eclipse será visível na Europa, em África e na maior parte da Ásia, com excepção da parte mais oriental. O fim do eclipse será visível na Europa, em África, na zona mais ocidental da Ásia, na América do Sul e na faixa leste da América do Norte e da América do Sul.

No dia 3 de Março, em Lisboa, a Lua nasce às 18h 15m, entrando na penumbra às 20h 16m e na sombra às 21h 30m. O eclipse total terá início às 22h 44m e terminará às 23h 58m, sendo que o meio do eclipse ocorrerá às 23h 21m. A Lua sairá então da sombra no dia 4 às 01h 12m e da penumbra às 02h 25m.

O OAL terá as portas abertas com entrada livre a todas as pessoas que queiram observar o eclipse total da Lua na noite de 3-4 de Março.

Diversos telescópios e outros meios de observação serão colocados à disposição do público para observação do eclipse, ao mesmo tempo que os astrónomos explicarão as condições em que estes fenómenos ocorrem.

Se não puder deslocar-se ao OAL poderá acompanhar o desenrolar do Eclipse ao vivo através da internet no endereço http://live.fccn.pt/oal/

Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios caso queiram ser ajudados com o seu funcionamento.

Estas actividades terão início às 20:30 h mas dependem das condições
atmosféricas: serão canceladas se existir chuva, mau tempo ou céu totalmente nublado.

A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente ao Instituto Superior de Agronomia.

«««««


The Dark Side of the Moon
Pink Floyd



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

A VISITA 5555 DO JARDIM DE ASPÁSIA - UM BRASILEIRO CURIOSO !

MEUS CAROS, COMO PODEM VER... UM BRASILEIRO QUE EU SUPONHO BOM RAPAZ, INTERESSADO EM CULTIVAR-SE E BONACHEIRÃO... PROCUROU "MARIA CURIE" NO GOOGLE E VEIO INSTRUIR-SE PARA O MEU JARDIM, PONDO DE PARTE ARTIGOS CIENTÍFICOS DE ALTA SABEDORIA SOBRE A GRANDE MARIA SKLODOWSKA!!!
MEU CARO AMIGO/A, EU QUERIA ATRIBUIR-LHE UM PRÉMIO, NEM QUE FOSSE UM POEMA ACRÓSTICO SOBRE O SEU NOME. POR ISSO SE ENTENDER POR BEM DEIXE O SEU NOME AQUI NOS COMENTÁRIOS, SE AQUI VOLTAR. ALIÁS PENSO NÃO SER A 1ª VEZ QUE O VEJO POR AQUI. SUPONHO QUE LIGA À NET DA SUA EMPRESA... SÓ QUE ACHO ALGO ESTRANHO ESTAR A TRABALHAR ÀS 9 DA NOITE AÍ NO BRASIL, MAS PODE ESTAR A FAZER HORAS EXTRAORDINÁRIAS.
CONTINUAÇÃO DE BOM TRABALHO E UM GRANDE ABRAÇO DESTAS TERRAS LUSAS!!!
O SEU REGISTO AQUI FICA PARA A POSTERIDADE.

O JARDIM DE ASPÁSIA
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

AMIGOS

O MEU PAI ESTA A DESEQUILIBRAR SE MTO E AS PERNAS DOBRAM SE PELOS JOELHOS
NAO QUER IR AO MEDICO

MAS VOU COM ELE AO SAMS MESMO Q NEM LHE DIGA ONDE VAMOS

MJ VOU TENTANDO DARTE NOTICIAS PELO TELEMOVEL

SE SE PASSAR ALGO QUE EU ENTENDA DIGO TE E POES NOS TEUS COMENTARIOS

ATE LOGO

BEIJOS PARA TODOS

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

METEMPSICOSE
O 1º capítulo de um livro que nunca passou daí...



- Já não precisa mais de mim hoje, Doutor? - os olhos expressivos da Ana espreitaram pela frincha da porta.
- Não, Ana, pode ir. E faça por descansar, você hoje não me pareceu estar muito bem... Deixe, que eu fecho tudo quando sair.
- Obrigada, Doutor. Então até amanhã.
- Até amanhã, Ana.
Com o olhar fixo num ponto indefinido para lá da janela, Filipe deixou desvanecerem-se os sons dos passos de Ana e da porta do consultório a abrir e fechar. Eram quase seis da tarde de uma quinta-feira de Novembro. Lá fora começava a cair uma neblina espessa. "Vou ter chatice para chegar a casa. - pensou Filipe, suspirando. - Ainda mais que de costume." Mas imediatamente o seu cérebro retomou o fio dos pensamentos interrompidos pela despedida da secretária.
Ficara exausto depois da última consulta. "Aquele Daniel... ainda dá comigo em maluco, se isto são termos que um psiquiatra possa usar... Raio de história que o rapaz havia de inventar! Em vinte anos de prática não vi coisa assim... o que vale é isso mesmo: não serem todos como ele..." Lá fora, o nevoeiro ia ganhando a batalha, apenas entrecortado aqui e além por brilhos e ruídos difusos do trânsito na hora de ponta. "Devia era raspar-me já para casa. Não me serve de nada ficar para aqui a matutar... sim, porque devo ter boa parte da noite preenchida com isso, se não recorrer às drogas pesadas..."
Estendeu as pernas e recostou-se com os braços atrás da cabeça. Tinha-se sentado no sofá que, normalmente, era exclusivo dos seus "visitantes". Franziu o sobrolho. No dia seguinte tinha um debate, já nem se lembrava onde e ainda por cima tinha ficado de ler uma tese. Além do consultório, Filipe era professor de Ciências do Comportamento na Universidade. Estava separado da mulher há meia dúzia de anos, mas partilhava com ela a educação e parte dos tempos livres do Ricardo, moço, pelo menos até à data, suficientemente bem-disposto para enfrentar sem problemas de maior a situação e ainda aturar, às vezes, as neuras do pai. Fechou os olhos. O seu cérebro fervilhante começou a reconstituir a imagem do Daniel, saído da consulta já fazia uma boa meia-hora. Magro, pálido, olhos azuis interrogadores, desconfiados às vezes. Cabelo claro até aos ombros, dividido por risca ao meio, corpo alto e desengonçado de adolescente, embora fosse nos 24, mãos finas e nervosas. Poderia sem muito custo figurar nalgum quadro, Velásquez, talvez... E a cabeça, meu Deus! Uma imaginação espantosa, sempre um turbilhão de ideias novas, interesse pelas matérias mais díspares, o rapaz mais parecia querer abarcar o Universo. O que também fazia que nunca levasse nada até ao fim, devido à dispersão. O Daniel aparecera um dia caído do céu, devido a ter "apanhado" uma desistência de outra doente. Fôra há cerca de mês e meio, logo a seguir às férias. Filipe lembrava-se como se fosse ontem. O jovem entrara e despejara-se sobre o sofá, sem grandes cerimónias. Filipe esboçara um sorriso amigável:
- Olá... então que te traz por cá?
- Dr., deixe-me descansar só um bocadinho, para pôr as ideias em ordem... Cheguei mesmo agora da rua, tinha consulta marcada e não esperava nada apanhar hoje uma desistência, mas, não sei porquê, deu-me para telefonar... e lá vim eu a correr.
- Muito bem, descansa o que quiseres enquanto eu vou aqui arrumando uns papéis.
Filipe baixou-se para abrir uma gaveta da secretária donde extraiu uma molhada de folhas, enquanto, pelo canto do olho, ia observando o novo paciente. Que, por sua vez, analisava o tecto e as paredes da sala. Às tantas, o Daniel disparou:
- Onde é que arranjou esse candeeiro? Isso parece mais de dentista que de psiquiatra...
- Achas? Olha, nunca reparei nisso... Também, a decoração não foi feita por nenhum especialista... E então, podemos começar a fazer a tua ficha?
Daniel assentiu com a cabeça. Filipe começou a recitar a ladainha do costume:
- Nome?
- Daniel de Sousa Guimarães.
- Idade?
- Vinte e quatro.
- Natural de?
- Aveiro.
- Profissão?
- Desempregado. Tenho o 4º ano de Psicologia incompleto...
- Psicologia, hem? Ó caríssimo colega...
- Ainda longe disso, Dr...
"Curioso", ia pensando Filipe. "Normalmente chegam-me cá em estado lastimoso, alguns e algumas chorosos... Não me lembro de nenhum que começasse por analisar as paredes e os móveis... Este, mais parece ter vindo visitar um velho conhecido... tem tudo menos ar de crise".
- Muito bem, Daniel, por onde começamos então?


********************************************


(A minha tentativa de começar um romance, por volta de 1995... enfim... serviu de exercício de estilo. Se alguém o quiser continuar... be my guest.)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

TESTAMENTO



Quis tanto que fosses meu,
quis ter-te de corpo e alma,
mas todo esse querer morreu,
e agora, que morro eu,
tudo te deixo em herança,
toda a fúria e toda a calma,
toda a dor e toda a esperança...
sim, tudo o que é meu é teu.

Toda a troça, todo o credo,
todo o mel deste segredo,
todo o fel deste degredo,
todo o Inferno, todo o Céu.
Toda Vénus, todo Marte,
toda a Ciência e toda a Arte,
toda a luz e todo o breu...
sim, tudo o que é meu é teu.

As canções, as gargalhadas,
as tropelias, as farsas,
o teatro e as mascaradas,
os vilões e as desgraçadas,
as ceifas, as desfolhadas,
os fados e as desgarradas,
os elefantes e as garças,
as madressilvas e as sarças,
as noites e as madrugadas...

Explosões de supernovas,
folhas caídas no chão,
cantigas, odes e trovas,
hinos de libertação,
alegrias e más novas,
grandes e pequenas provas
em tempos de provação,
sim, tudo o que é meu é teu
que eu já nada quero, não.

Beethoven, Mozart, Chopin,
Vivaldi, Brahms, Débussy,
Fauré, Falla e Albeniz,
Verdi, Lizst e Couperin,
Mahler, Rossini, Berlioz,
Tschaikovsky, Schubert, Ravel,
Gershwin, Bernstein e Gardel,
valsas tristes, sinfonias,
rapsódias, polcas e tangos,
salmos, missas, litanias,
quartetos, polifonias,
nocturnos e fantasias,
sambas, batuques, fandangos,
sons e luzes da ribalta
teus dias inundarão,
que aos meus já não fazem falta,
eu já não sinto emoção.

Vicente, Camões, Pessoa,
Camilo, Eça, Aquilino,
Torga e António Vieira,
Régio, Florbela e o Sadino,
Cesário, Eugénio de Andrade,
Vergílio e Saramago...
Rostand, Verlaine, Rimbaud,
Voltaire e Victor Hugo,
Schweitzer, Saint-Exupéry,
Teresa de Calcutá,
Pierre e Maria Curie,
Pasteur, Abel Salazar,
e Agostinho da Silva,
(homem de filosofar),
Galileu, Newton, Einstein,
Stephen Hawking, Carl Sagan,
Freud e Pierre Coubertin,
Dali, Picasso, Gaudí,
Miguel Ângelo e El Greco,
Da Vinci e Umberto Eco,
William Shakespeare, Oscar Wilde,
Cervantes e Rosalía
e Federico García,
Neruda e Jorge Amado...
Visconti, Disney, Charlot,
Bergman, Tati e Truffaut,
e mais outros que à lembrança
me ficaram por chegar,
todos te deixo em herança,
todos te quero legar.

Trovas, odes, salmos, cantos,
sagas de cavalaria,
crónicas, sonetos, prantos,
romances em poesia...
Quadros de uma exposição,
cores quentes, cores frias,
pedra afeiçoada à mão
durante mais de mil dias...
Mas de toda a condição
e toda a variedade
de artes e sabedorias,
maior é um coração
que, apesar da adversidade,
dá amor todos os dias.

Correrias de crianças,
gemidos de moribundos,
tempestades e bonanças,
batalhas e alianças,
átomos, homens e mundos.
Dez lágrimas de vestal,
cem notas de partitura,
mil pedras de catedral,
dez mil sedes de água pura,
todo o mal e toda a cura
e um coração de cristal.

Toadas de carrilhão,
caravelas afundadas,
esmolas na palma da mão,
prostitutas maquilhadas,
a navalha do ladrão,
uma cama de cartão,
quase-tudos, quase-nadas.
Chuvas quentes, tropicais,
neves, granizos, geadas,
desertos e pantanais,
demónios, espectros e fadas.
A cor nos olhos do cego,
a voz na boca do mudo,
sorrisos por quase nada,
lágrimas por quase tudo.

Lábios frescos de morangos,
corpos nus em bacanais,
luxúrias, gulas, orgias,
sete pecados mortais,
maus-olhados, bruxarias,
paraísos infernais,
purgatórios, agonias,
vielas e mourarias,
becos tristes, irreais,
onde os dias não são dias,
nunca se dorme ou descansa
e o espectro da Morte dança,
fixando órbitas vazias
nos olhos de uma criança,
tudo te deixo em herança,
incluindo as mais-valias.

Estilhaços de encantamento
perdidos na confusão
dos dias de sofrimento,
das horas de maldição...
Retalhos de um sentimento
que escorre do coração,
que é sangue e grito e lamento,
mas faz bela a solidão...
Centelhas de desespero
e auto-destruição
por ver que um amor sincero
morre sem consumação,
tudo deixo em testamento,
e quer aceites ou não,
aqui lavro o documento
e assino por minha mão.

Já que não podes ser meu,
mato este desejo ardente,
e o sol que me enlouqueceu
condeno a ser sol-poente...
neste coração demente
decreto que reine a calma,
só o tédio o atormente,
só poesia o alente,
só no sofrer ganhe a palma...
a culpada sou só eu
de tudo o que é meu ser teu,
todo o Sonho nesta mente,
todo o Clímax neste corpo,
todo o Inferno nesta alma.



Aspásia

(Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.)


(Imagens retiradas do Google Images.)



La Septième Cible
Vladimir Kosma

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Margarida, minha Irmã - 1ª Parte



Maria Margarida Fernandes de Carvalho Nascimento
(7 de Fevereiro 1947 - 14 de Dezembro 1972)

- Retrato a Óleo (póstumo)



Jogando à bola com o Pai - 1956


Irmã, se fosses viva farias hoje 60 anos.

Infelizmente partiste muito cedo, tão cedo que ainda quase não nos conhecíamos… eu entrava em pleno na adolescência e tu eras 10 anos mais velha, e embora vivesses aqui no prédio com a tua Avó, pouco convivíamos a não ser ao fim de semana ao almoço, ou quando eu passava lá por baixo pelo quarto independente da D.ª Emília, mas poucas vezes estavas. A Faculdade de Direito tomava-te quase todo o tempo e a nossa diferença de idades era bastante significativa no nosso escalão etário.

Além disso, tinhas as tuas amigas, a Jusse, já desde o Liceu, a cuja quinta ias andar a cavalo e que se formou em Direito no mesmo ano que tu – 1969 - e a Lúcia, já só da Faculdade, com menos dois anos que tu, mas conheceram-se nos jogos de basebol… a Lúcia, tão acarinhada por ti e pela Avó Maria, quando veio estudar Direito para Portugal. A Lúcia com quem jogavas basebol na Faculdade. A Lúcia, que nem sempre tinha muito dinheiro e comia muitas vezes contigo e a Avó. A Lúcia, que te convidou para ires ao Brasil, à casa dela no Rio Grande do Sul, nesse Natal. A Lúcia… que colocou o que restou de ti depois do acidente no jazigo da família dela, na cidade de Bento Gonçalves. A Lúcia… seria preferível não teres conhecido a Lúcia de Souza???

Foi longa aquela noite de 14 de Dezembro de 1972.

O telefone tocou pelas 10 da noite. Tu tinhas partido com a Lúcia para o Brasil no dia 7 ou 8… já tínhamos recebido dois ou três postais teus… e depois dessa noite ainda recebemos mais um ou dois… o Correio era lento do Brasil para cá… nunca aqui em casa se tinham recebido postais de uma morta, até então. Claro que os tenho todos guardados, já sabes como eu e o Pai somos com as colecções.
O nosso Pai atendeu. Pela cara e de onde vinha o telefonema… eu percebi logo que algo grave, muito grave se tinha passado.
“Um acidente. Um camião em sentido contrário... A sua filha ia a conduzir. Com a amiga Lúcia e seu pai iam todos no carro deste… O camião perdeu a mão, ou pareceu vir contra o carro… A sua filha tentou desviar-se. O carro despistou-se: A sua filha foi projectada pelo vidro da frente. Foram todos levados ao hospital. A sua filha faleceu. A amiga e o pai, feridos, mas vivos… Quer trasladar a sua filha para Portugal?”
Eu e a minha Mãe estávamos já em prantos. O nosso Pai, lívido, mas nem uma lágrima. “Para que quero eu aqui uma filha morta? Fica aí convosco que fica bem… Antes quero dar esses 400 contos à minha filha viva – eu – do que a uma filha morta que já de mais nada precisa.”

Desligou o telefone. Eu estava num choro que só dois dias depois é que foi passando.

E agora? Como dizer a uma Avó, que perdeu o marido, um filho e duas filhas… e que criou uma neta desde que ficou órfã com um ano de idade… que a neta de 25 anos acaba de morrer no Brasil?

No Casamento dos meus Pais (de laçarote) - Agosto 1956


Lá fomos em féretro a casa da Dona Emília. Os rapazes estavam também, o Adrião, o e o Paulo. (Ah, a propósito, irmã. O Zé já se foi, com 50 anos… no mês passado. Foram muitos anos de droga… Ontem, o irmão dele, o Adrião andava aqui a tirar os velhos móveis e candeeiros do 1º andar. Eu e o Pai vínhamos a entrar e lá lhe demos os sentimentos. O Adrião tem quatro filhos e já é avô, calcula… O Paulo teve uma doença grave, mas está controlado. A minha Mãe também já se foi em Abril de 2002. E a D.ª Emília, que também foi tua segunda mãe, foi logo a seguir, em Maio desse ano. Felizmente não viveu para assistir à morte do filho Zé.)

Nem me lembro já com que palavras, o meu Pai lá contou à tua Avó o sucedido. Pois ficou como calculas… ou viste daí… Uma vida inteira a criar-te. Era tua Mãe, além de Avó. Maria dos Santos, viúva do marido, “órfã” de 3 filhos, entre os quais a tua Mãe, Albertina, 1ª mulher do nosso Pai. Maria dos Santos, de Vila Nova do Ceira, Monteira, Góis. Maria dos Santos, analfabeta, ex-empregada no Instituto Pasteur, onde lavava frascos de vidro e onde foste criada dentro dos grandes caixotes de cartão que te serviam de parque, irmã. Maria dos Santos, a tua Avó, perdeu por fim a única neta nesse Natal de 1972. Ainda te sobreviveu seis anos e faleceu em 1978. Uma Avó Coragem… eu ia ali muito à casa da frente para onde vocês tinham mudado poucos meses antes de tu faleceres, tratar dos canários e fazer alguma companhia, claro. Fui a neta adoptiva, a única que restou.

Olha… ainda acabei o barco em miniatura que tu deixaste incompleto. Acho que era o “H.M.S. Beagle”, onde Darwin foi na expedição às Galápagos. Os teus livros de Russo agarrei neles e também estudei um bocado. Pelo menos sei o alfabeto e sei ler mas hoje em dia só me lembro aí de umas 20 palavras… nesse tempo sabia muitas mais. A ti é que o Russo te ia fazer falta para quando entrasses no Gabinete da Área de Sines… para mim o Russo foi apenas um desafio e o gosto pelas línguas. Mais um hobby nas férias passadas no Alentejo…

Também tenho comigo uns versos e desenhos teus, mas creio que no quarto fechado na outra casa haverá mais. Ainda hoje lá fui pagar a renda. Calcula, o marido da porteira, a D.ª Leonilde, faleceu a semana passada. O em Dezembro e agora este senhor.
Tive de dizer ao Pai e ele disse “a morte anda por perto”. Falei logo noutra coisa qualquer para o distrair. Está muito idoso e fraquejou um bocado ultimamente... como provavelmente sabes.

Dos montes dos teus livros, li os do “Santo” e os do Zane Grey todos. Claro que os da tua infância, os Cinco, a Semana de Aventuras, a Condessa de Ségur e o Emílio, esses já os tinha lido todos, ainda eles estavam na gaveta de baixo da cómoda, no quarto independente, onde eu regularmente me ia abastecer.
De coisas mais antigas que o Pai vai contando às vezes, lá sei que, logo depois de a tua Mãe Albertina ter falecido de tuberculose com cerca de 30 anos, o Pai e a Avó contigo ao colo vinham todos os dias de Mem Martins para Lisboa no combóio de Sintra. Depois, no eléctrico, mesmo depois de fazeres 6 anos continuaste a não pagar bilhete durante mais uns anos, pois todos os revisores conheciam a pequenita Calila, órfã de Mãe, que vinha sempre ao colo da Avó há tantos anos no mesmo eléctrico.

Entretanto entraste para o Colégio de uma tal D.ª Cândida, que ao que parece gostava do nosso Pai, então viúvo e ainda com menos de 40 anos.




Minha Mãe, minha irmã e eu - 1958

(continua)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

10 Citações



A saúde não é tudo, mas sem saúde nada tem valor. - Schopenhauer

É a imaginação que governa os homens. ( E as mulheres, não acham? ) - Napoleão

Quando eu nasci, as frases que haviam de salvar a Humanidade já estavam todas escritas. Só faltava uma coisa: salvar a Humanidade. - Almada Negreiros

"Que alegria pode dar o talento entre canalhas e tolos?" - (desconheço o autor)

A poesia abre o mundo. - Walter Benjamin

O amor tudo perdoa; e ao que não perdoa, acha graça. - Louise de Perpignan
O médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe. - Abel Salazar

A gota cava a pedra, não de uma vez nem de duas, mas sempre caindo. - Frei Tomás de Santa Maria

São as paixões que tudo fazem e desfazem; se a razão dominasse sobre a Terra, nada aconteceria. - Nietzsche

Nada existe mais do que aquilo que não existe. - Shakespeare

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

AVARIADO - EM MANUTENÇÃO


TESTE---TESTE---TESTE---TESTE---TESTE

POST PARA DESPISTAGEM DE ANOMALIAS.

PEDIMOS DESCULPA PELA INTERRUPÇÃO, DEVIDA À POUPANÇA DE IMPULSO ELECTROMAGNÉTICO.

NO ENTREMENTES PODEM ESTUDAR AS LEIS DE MAXWELL.

ATÉ UM DIA DESTES.

SOU QUEM SABEIS,

VICTÓRIA PRUDÊNCIA DA CIRCUNSPECÇÃO CAUTELA.